quarta-feira, maio 31, 2017

estampa CCXLVII - Nuno Gonçalves

Políptico de São Vicente (séc. XV)
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

arquivo: «Quizás, Quizás, Quizás» (Nat King Cole, 1958)


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Entre o estilo jocoso do Álvaro do Carvalhal e o tom épico de Ana Margarida de Carvalho, a escrita essencial do Raul Brandão, como só ele.

Em tempo: Título preferido: Que Importa (...), um verso de José Afonso.

1866 - «Disse a crítica pela boca de Boileau: / Rien n'est beau que le vraie, / e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente de tempos heróicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas-letras.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais

1906 - «Vem o Inverno e os montes pedregosos, as árvores despidas, a natureza inteira envolve-se numa grande nuvem húmida que tudo abala e penetra.» Raul Brandão, Os Pobres

2013 - «Tersa gente esta, de almas baldias, vontades torcidas pelo frio que aperta, amolecidas pelo sol que expande.» Ana Margarida de Carvalho, Que Importa a Fúria do Mar 

segunda-feira, maio 29, 2017

criador & criaturas


Carl Barks e os Irmãos Metralha / The Beagle Boys


50 discos: 16. OS SOBREVIVENTES (1971) - #5 «Que Bom que É»


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 A morte como obsessão, ponto de partida e de chegada. O início de um livro único, o Húmus, de Raul Brandão. Quanto a Em Demanda da Europa, de Filomena Cabral, deveremos preparar-nos para uma dissertação? O mesmo não se dirá, do início de O Retorno, de Dulce Maria Cardoso: qualquer coisa é expectável. Valerá a pena prosseguir?
O título: todos são bons, mas Húmus, sem artigo, transporta-nos para a essência mesma da obra.

1903: «[13 de Novembro.] Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste...» Raul Brandão, Húmus

1997: «Preparemo-nos, descalcemos as sandálias, lavemos o rosto, despojemo-nos, teremos de assistir, de coração limpo, a toda a encenação, participando no final, se estivermos todos de acordo.» Filomena Cabral, Em Demanda da Europa

2012: «Mas na Europa há cerejas.» Dulce Maria Cardoso, O Retorno

sexta-feira, maio 26, 2017

terça-feira, maio 23, 2017

o pior e o melhor na peregrinação do Trump (até agora)

O pior: na meca do terrorismo, e sem vergonha, ataca o Irão, que ao pé da Arábia Saudita é um baluarte da democracia.
O melhor: mulher e filha em cabelo, no reino de Salmão; o epíteto loosers, aplicado aos indigentes que se fazem explodir. Tem razão o Trump: chamar-lhes monstros, assassinos ou coisa parecida, são medalhas para eles; falhados quadra melhor com a natureza dejectória destas subcriaturas.  

domingo, maio 21, 2017

estampa CCXLVI - Dosso Dossi

Um Homem Abraçando uma Mulher (c.. 1524)
National Gallery, Londres

sábado, maio 20, 2017

arquivo: «The Old Country» (Nat Adderley, 1960)

esta nódoa da Suécia vai custar muito a sair

Parece que a Suécia voltou a dar-se ao respeito, desistindo da farsa judiciária que obriga Julian Assange a estar asilado na embaixada do Equador. Como, porém, a Inglaterra anda há muito entregue a atrasados mentais e criminosos, já se terá predisposto a continuar o trabalho sujo. Apesar de tudo, que nódoa para a Suécia.

quinta-feira, maio 18, 2017

quarta-feira, maio 17, 2017

arquivo: «Naima» (John Coltrane, 1959)

os censores de Gonçalo da Câmara Pereira

Tenho cá as minhas opiniões sobre Gonçalo da Câmara Pereira e aquilo que representa: basicamente um espécime etnográfico. 
Também vou tendo umas convicções sobre os polícias de costumes, e acho-lhes menos graça. Estão, aliás, a causar-me uma certa urticária. 

domingo, maio 14, 2017

canções da Eurovisão - Portugal

Palavras para quê? Só uma, para aquele piano gymnopédico.

canções da Eurovisão - Bélgica

Se tivesse votado, teria sido nesta. Blanche, que presença fantástica!

canções da Eurovisão - Grécia

O festival esteve cheio de mulheres giras. Demy foi uma das mais, e a certa altura parecia uma estátua grega em seu pedestal.

Canções da Eurovisão - Itália

De longe a mais divertida. O Gabbani é um ponto.

canções da Eurovisão - Noruega

De repente, olhei para o Jowst e foi como se tivesse visto o Breivik todo cool, saído da prisão e concorrente ao Festival. Coitado do Jowst. A música é gira, está bem esgalhada.

canções da Eurovisão - Croácia

Festivaleira até ao enjoo, mas aquele solo violino-violoncelo merece ser visto.

canções da Eurovisão - Azerbaijão

Gostei da Dihaj, e gostei muito do coro.

canções da Eurovisão - Hungria

Não percebi nada do que disse o Joci Pápai, mas que ele é bom, é. E cantou em húngaro, que é uma língua horrível, mas é a sua.

canções da Eurovisão - Holanda

OG3NE, Estas impressionaram-me pelo trabalho vocal soberbo. 3 grande cantos.


canções da Eurovisão - Arménia

Canção bem feita, muito bem cantada (em inglês, foi pena). A Arménia é um país que me fascina. 
(A Artsvik chorou depois de o Salvador Sobral cantar.)




sábado, maio 13, 2017

a grande procissão

parece que afinal é hoje no Marquês.

Adenda: que se passa com este país?: dois santos duma assentada, o tetra do Benfica e a vitória inédita no festival da Eurovisão a somar à ONU, ao CR7, à vitória do Euro, ao mundial de hóquei, à Geringonça... Depois da depressão da troika, não se aguenta tanta felicidade...

arquivo: «Mulheres de Atenas» (Chico Buarque, 1976)

sexta-feira, maio 12, 2017

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Qualquer dos três incipit é bom: Abel Botelho  faz com que queiramos saber de imediato de que  justeza se trata; Raul Brandão já nos sobressaltou antes de chegarmos ao segundo ponto de exclamação; por sua vez, Nuno Bragança deixa-nos logo com um sorriso, até porque já se sabe que a forma como ele pega nas palavras nunca mais nos dará descanso até ao fim do livro

1898: «[15 de Fevereiro de 1893.] É justo.» Abel Botelho, O Livro de Alda

1903: «-- Ai que ma levam!, ai que ma levam!» Raul Brandão, A Farsa

1970: «Criado embora entre hálitos de faisão, cedo me especializei na arte de estender os braços.» Nuno Bragança, A Noite e o Riso 

quinta-feira, maio 11, 2017

arquivo: «Mood Indigo» (Duke Ellington And His Famous Orchestra, 1930)

Sou donde estou e só sou português / por ter em portugal olhado a luz pela primeira vez
Ruy Belo

terça-feira, maio 09, 2017

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Fica-se mais fatigado a ler o incipit  de Abel Botelho (aliás, um romance importante) do que o de António Lobo Antunes, uns furos abaixo do livro de estreia. António Alçada Baptista com um livro interessante, por uma vez (comparar este início com os anteriores). O vento de Filomena Marona Beja tresanda a Antiguidade.
O título: O Eléctrico 16.

1901: «-- Essa ceia está pronta? -- perguntou enfastiado o Serafim, cuja figura esgalgada e curva, tendo vencido o último degrau da escada, assomava oscilando à porta da cozinha.» Abel Botelho, Amanhã

1979: «O Hospital em que trabalhava era o mesmo a que muitas vezes na infância acompanhara o pai: antigo convento de relógio de junta de freguesia na fachada, pátio de plátanos oxidados, doentes de uniforme vagabundeando ao acaso tontos de calmantes, o sorriso gordo do porteiro a arrebitar os beiços para cima como se fosse voar: de tempos a tempos, metamorfoseado em cobrador, aquele Júpiter de sucessivas faces surgia-lhe à esquina da enfermaria de pasta de plástico no sovaco a estender um papelucho imperativo e suplicante:» António Lobo Antunes, Memória de Elefante

1989: «Quando, há muitos anos, o Sr. Trocato me contou as razões por que não acreditava na história que corria sobre a morte do Dr. Júlio Fernandes da Silva e da mulher, eu não tive dúvida de que aquilo foi um crime porque me lembrei logo da minha tia Suzana.» António Alçada Baptista, Tia Suzana, Meu Amor

2013: «Ali, o vento emprenhava as éguas.» Filomena Marona Beja, O Eléctrico 16

segunda-feira, maio 08, 2017

50 discos: 12. CARAVAN (1968) - #5 «Cecil Rons»


Macron e a União Europeia

Um aspecto positivo da campanha de Macron foi o da defesa da União Europeia, sem vacilações, numa altura em que ser contra ela dá assinaláveis dividendos políticos. Positivo, porque o simples bom senso e a elementar racionalidade evidenciam que não há qualquer alternativa sensata e racional, para quem não for nacionalista, xenófobo ou albanês (corrente hoxista), mesmo com a crise profunda que a UE atravessa.
É claro que esta assunção elementar de racionalidade política de pouco servirá se Macron se limitar a seguir os passos dos antecessores. Se, pelo contrário, quiser salvar a União, tem todas as condições políticas para se impor à Alemanha e respectivos satélites, condições que decorrem da autoridade moral com que soube defender o projecto europeu dos ataques da extrema-direita, e mesmo da tendência hoxizante de alguma esquerda. A aparição pública diante dos apoiantes junto da Pirâmide do Louvre ao som do Hino à Alegria coroa, pelo simbolismo, essa linha europeísta e dá-lhe ainda mais força para defrontar, dentro da UE, aqueles que por cegueira, egoísmo ou inépcia a conduziram a um beco sem saída. Força, tem-na; é só querer e saber usá-la. Se o fará, veremos. 

arquivo: «La Fiesta» (Woody Herman, 1973)

domingo, maio 07, 2017

na vitória de Macron

Nos dois discursos de vitória, Macron falou na validade do projecto das Luzes para a Europa e, concomitantemente, enunciou a divisa da Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, o que foi bom. Nos tempos que correm, para mim é suficiente. O resto, o tempo o dirá.

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Da deliciosa simplicidade ingénua de Sarah Beirão, de que a narrativa não se desviará, à fábula onírica de Miguel Barbosa, passando pela literatura marie-claire de António Alçada Baptista. Um despojamento directo e seco num grande romance de António Lobo Antunes e, finalmente, aquele «uma velhice tão antiga» que é elemento perturbador e toque de grande arte do livro de Baptista-Bastos. Dos títulos, balanço entre Cão Velho Entre Flores e Auto dos Danados.

1952 [?]: «Vivia-se com muitas dificuldades naquela pequena aldeia da Beira Alta.» Sarah Beirão, Triunfo

1974: «Quem vem do palácio real e desce a calçada vê à direita um carvalho com as raízes expostas e uma velhice tão antiga que nem a Primavera rejuvenesce.» Baptista-Bastos, Cão Velho Entre Flores

1985: «Na segunda quarta-feira de Setembro de mil novecentos e setenta e cinco comecei a trabalhar às nove e dez.» António Lobo Antunes, Auto dos Danados

1988: «Temos dificuldade em compreender nos outros aquilo que não somos capazes de viver.» António Alçada Baptista, Catarina ou o Sabor da Maçã

2008: «O rio, a árvore e o rouxinol tinham a razão de existir idêntica à do dia arrastado pelas metamorfoses sombrias da noite e pelo vento frio do norte.» Miguel Barbosa, Anatomia de um Sonho

sexta-feira, maio 05, 2017

50 discos: 11. CHEAP THRILLS (1968) - #5 «Turtle Blues»


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Em João Pedro de Andrade o interdito vela-se por detrás da frase anódina -- o título da novela, aliás excelente, põe-nos de sobreaviso.  Do livro de estreia, que não o primeiro, de António Lobo Antunes, uma torrente, contrário ao que pareceria desejável. A mestria é, porém, tanta, que é o longo incipit que nos fica à maneira de fim de rebuçado. Augusto Abelaira, em maré de XVIIª (1983), põe-nos a bordo de uma nau quinhentista. Não se trata, contudo, de um romance histórico, antes um afloramento da reconhecível faceta irónica e crítica do autor -- tanto quanto me lembro da leitura, com décadas. O incipit de António Alçada Baptista dá a medida do catolicismo light do romance, aliás intragável. Finalmente, o de Miguel Barbosa reitera um coloquialismo que em tempos deu frutos.

1942: «Desde o inverno que Jaime andava a falar na visita do seu sobrinho Luís.» João Pedro de Andrade, A Hora Secreta

1979: «Do que eu gostava mais no Jardim Zoológico era do rinque de patinagem sob as árvores e do professor preto muito direito a deslizar para trás no cimento em elipses vagarosas sem mover um músculo sequer, rodeado de meninas de saias curtas e botas brancas, que, se falassem, possuíam vozes tão de gaze como as que nos aeroportos anunciam a partida dos aviões, sílabas de algodão que se dissolvem nos ouvidos à maneira de fins de rebuçado na concha da língua.» António Lobo Antunes, Os Cus de Judas

1982: «Embarquei-me enfim com a minha fazenda numa nau que ia com muitos cavalos e pimenta em que era capitão Dias de Almeida, de alcunha o Tigre, filho do conde de Alcântara, o qual carregava a ossada do pai para Goa, donde seguiria para Coimbra, dando cumprimento a uma ordem de El-Rei Dom Manuel.» Augusto Abelaira, O Bosque Harmonioso

1994: «A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana.» António Alçada Baptista, O Riso de Deus

2010: «Eu tinha chupado a vida por uma palhinha e o que restava dela e de mim era um monte de ossos de algum sebo!» Rusty Brown (aliás, Miguel Barbosa), Os Crimes do Buraco da Fechadura

(o título: Os Cus de Judas)

quinta-feira, maio 04, 2017

o debate Macron-Le Pen, ou o deus-milhão e o campo de concentração

Assisti a quase todo o debate. Excessivamente agressivo de parte a parte, mas já se esperava. Le Pen a encostar Macron a financismo predatório, sem novidade; Macron a mostrar a verdadeira face de Le Pen, a do chauvinismo.


As coisas não são, porém, assim tão simples: reduzir Macron a homem de mão dos potentados financeiros e Le Pen a uma edição actualizada do pai, embora não seja totalmente falso, traduz-se num esquisso caricatural que serve para a indigência dos telejornais e para a fauna peticionária do facebook, mas que resulta num primarismo de análise que a complexidade do(s) problema(s) não sustenta.


Macron deixou Le Pen a patinar com a questão da saída da França do euro, neste sentido: numa economia integrada como a da Zona Euro, o abandono de um dos seus membros, neste caso a França, traria uma avalancha de custos que resultaria insustentável para o status quo, não apenas económico mas também político. Macron tem aqui toda a razão, mas  o que nenhum disse é que a saída da França do euro implicaria o fim da moeda única, e, nesse caso, o problema posto por Macron deixaria de existir. Não havendo moeda única, seria o regresso às moedas nacionais, e aí, a França, como uma das grandes economias mundiais, teria argumentos superiores a outros países, como, por exemplo, Portugal. Le Pen poderia ter explorado este caminho, no entanto, é possível que tenha querido evitar abordar (mais) um cenário de débacle, guardando possíveis argumentos para a sua proposta de referendo sobre a permanência da França na União Europeia.


Le Pen tomou a iniciativa e marcou pontos no tema do radicalismo islâmico. Fez orelhas moucas ou esquivou-se como pôde às farpas desferidas por Macron sobre o cadastro da Frente Nacional em matéria de racismo e xenofobia e revolveu, e bem, a chaga do laxismo da república em relação ao fundamentalismo islâmico, ao defender, e de novo bem, a dissolução de todas essas pretensas associações culturais e desportivas espalhadas de norte a sul da França, fachadas legais e veículos do fascismo islâmico, contando com a cumplicidade interesseira dos maires, da direita à esquerda, a troco duns milhares de votos para as respectivas reeleições. E tão bem sucedida foi nessa argumentação que, onde Le Pen dizia mata!, Macron jurava esfola!.


Acredito numa vitória de Macron, por poucos, no que será uma derrota para esta V República, que parece moribunda. Quanto a Le Pen, penso que terá uma grande votação, o que fará sempre dela uma vencedora, e, numa conjuntura semelhante, futura presidente.


Quanto aos democratas e pessoas de esquerda que dizem não votar em Macron, o único qualificativo que lhes assenta é o de tontinhos, pois se estamos em modo de caricatura, a escolha que se lhes apresenta é esta: o 'deus-milhão' ou o campo de concentração. Há dúvidas entre um e outro?...


criador & criatura


Charles M. Schulz e Charlie Brown



terça-feira, maio 02, 2017

O meu misticismo é não querer saber. É viver e não pensar nisso.
Fernando Pessoa / Alberto Caeiro

50 discos: 10. THE DOORS (1967) - #5 «Alabama Song (Whiskey Bar)»


segunda-feira, maio 01, 2017

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Escolher um início de narrativa, esquecendo todo o livro que vem a seguir, é difícil, Nestes cinco livros há de tudo para mim: o excelente (As Primeiras Coisas) e o detestável (Aldeia das Águias); o indiferente (A Cidade das Flores), o desafiante (A Torre da Barbela) e o intrigante (A Voz dos Deuses). 
Se Ruben A. consegue levantar a sobrancelha, impelindo-nos à leitura interessada e Bruno Vieira Amaral introduz um problema individual, com todas as possibilidades em aberto, em oposição ao bocejar existencialista que se desenrolará em Abelaira, o de João Aguiar traz consigo uma ressonância trágica, seca e límpida, algo que os adjectivos de Guedes de Amorim são incapazes de emprestar àquele crepúsculo.
Não tivesse eu uma opinião formada sobra cada uma das obras e a minha escolha seria a mesma? talvez não.

em 1939: «Rápido, roxo e frio vinha o crepúsculo.» Guedes de Amorim, Aldeia das Águias

em 1959: «Sentado, as pernas cruzadas, uma das mãos no bolso e a outra a brincar com o lápis, Giovanni Fazio observava os passos, para diante e para trás, dum casal de ingleses.» Augusto Abelaira, A Cidade das Flores

em 1964: «Sempre que do portão se avizinhava mero turista ou descobridor de mistérios e o sino ficava longo tempo a retinir pela ribeira, ouviam-se pesados bate-lajedos de caseiro em movimento.» Ruben A., A Torre da Barbela

em 1989:  «Arcóbriga e Meríbriga são cidades mortas desde que os habitantes foram obrigados a descer para o vale.» João Aguiar, A Voz dos Deuses

em 2013: «Quando, em finais dos anos noventa, voltei costas ao Bairro Amélia, com os seus estendais de gente mórbida, a banda sonora incessante das suas misérias, nunca pensei que a vida me devolveria ao ponto de partida.» Bruno Vieira Amaral, As Primeiras Coisas

em tempo -- título preferido: Aldeia das Águias).

arquivo: «The Jive Samba» (Cannonball Adderley Sextet, 1962)