sábado, agosto 28, 2021

«Leitor de BD»

 

Buck Danny - Histoires Courtes  - vol. 1(1946-1969)
Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon

aqui

quinta-feira, agosto 26, 2021

Afeganistão: os aliados de calças na mão e sem tempo para pensar -- ou a não-discriminação selectiva

 O que se assiste no Afeganistão é inominável. Não que houvesse grande ilusões, quanto ao desfecho, mas à forma como os Estados Unidos deixaram os seus aliados, para não falar com os afegãos, com as calças na mão. As declarações do G7 são patéticas, ridículas e só demonstram medo e impotência. É bem feito para estes mesmos aliados que, como diz Putin, muitas vezes com razão, se comportam menos como aliados e mais como vassalos, a começar por Portugal (veja-se como fomos obrigados a reconhecer a "independência" -- piada amarga -- do Kosovo).

Vamos tentar resgatar cento e poucas pessoas, a cinco dias do prazo que os talibãs deram aos Estados Unidos e aliados. (Se não estamos no domínio do improviso, do remendo, do desenrasca, de que tanto gostamos, o que vem a a ser isto?).

Fez-me confusão saber que no caso português estão contempladas as mulheres dos colaboradores dos portugueses, mas apenas uma; quando houver mais -- porque no islão, um homem pode ter mais de uma mulher -- alguma terá de ficar para trás. E como será? Tira-se à sorte? E os filhos de cada uma? Então não é este governo tão defensor de direitos básicos e essenciais de não discriminação? E anuncia que se desemerdem os afegão que trabalharam para nós que têm o azar de ter uma família composta por mais de uma mulher? Como é?, a não descriminação é só para os que têm os nossos padrões? 

domingo, agosto 22, 2021

A. J. Saraiva (4), «De Alfonso X, o Sábio a D. Dinis»

 


«De Alfonso X, o Sábio, a D. Dinis», o capítulo inicial, pp. 15-22 ocupa 6,5% do total. O primeiro subcapítulo versa sobre "Os cancioneiros e a lírica jogralesca" (16-22). A poesia trovadoresca, uma adaptação em boa parte do lirismo provençal casado com o cancioneiro primitivo galaico-português, de que resultaram as célebres "cantigas" (de amigo, de amor, de escárnio e de mal-dizer), realçando os três níveis, consoante a densidade: do ambiente rural ao cortês, passando pelo doméstico; ou da "tradição oral" ingénua e campesina à "invenção literária" propriamente dita, à "dialéctica dos sentimentos" em meio palaciano.

Os autores referidos: Afonso X o Sábio, D. Dinis, Airas Nunes de Santiago. Os títulos: Cantigas de Santa Maria, Cancioneiro da AjudaConexões: Dante, Petrarca, Bernardim Ribeiro (Menina e Moça).  

"A épica jogralesca" (16-23). Trata das façanhas de Afonso Henriques, gesta vertida para prosa na 3.ª Crónica Breve de Santa Cruz de Coimbra e a Crónica General de Espanha de 1344, cujo original, perdido, foi escrito em português: «O ciclo épico em torno de Afonso Henriques apresenta-nos um herói bravio e instintivo, verdadeira encarnação da nobreza guerreira do século XII, em luta com os Leoneses, o clero e com os Árabes.»

Conexões: Cantar de Mío Cid e Lendas e Narrativas (Alexandre Herculano).

"O romance de cavalaria" (23-25). As traduções do Ciclo da Bretanha, Demanda do Santo Graal, O Livro de José de Arimateia, (séc. XIII) ou a História de Barlão e Josafate, baseado na vida de Buda, cuja tradução portuguesa se fez em Alcobaça, abrem caminho para um romance como o Amadis de Gaula, cujo original em português se perdeu, cuja autoria foi atribuída por Zurara ao trovador Vasco de Lobeira [entretanto, a atribuição já passou para um outro, chamado João Pires de Lobeira].

Conexões: Cervantes, Dom Quixote.

sexta-feira, agosto 20, 2021

«Leitor de BD»

CRÁS! (vários autores)
 

terça-feira, agosto 17, 2021

um passeio com A. J. Saraiva (3)

Afonso VI de Leão
Repartido por treze capítulos, é precedido dum "Intróito", pp. 12-15, com referencia ao provavelmente mais antigo fragmento escrito do galaico-português, inserto numa crónica redigida em latim: a lamentação chorosa de Afonso VI, rei de Leão e Castela, avô de D. Afonso Henriques, após a derrota na batalha de Uclés (1108) diante dos almorávidas, em que morre o seu único filho varão. É uma queixa lancinante, que impressiona pela clareza com que a lemos passados mais de novecentos anos; «[...] ay meu fillo, alegria do meu coraçon e lume de meus ollos [...]».

Citação: «[...] como o mostra a lamentação citada de Afonso VI, quando se formou o reino de Portugal já o Noroeste da Península constituía um espaço linguístico, o domínio do galego-português como língua materna.» 


segunda-feira, agosto 16, 2021

«Leitor de BD»



 Alix Senator, de Valérie Mangin e Thierry Démarez, aqui

domingo, agosto 15, 2021

um passeio com A. J. Saraiva (2)

 A propósito do título, este pequeno livro de 172 páginas vem substitui um outro da célebre «Colecção Saber», da Europa-América (muito suportada para os títulos estrangeiros na célebre «Que sais-je?», da PUF), a breve História da Literatura Portuguesa, que gostaria de ter à mão para ver as balizas. Iniciação é um título que dá liberdade ao autor, permitindo-lhe um grau maior de liberdade e subjectividade que o substantivo História denega. Mantenho, no entanto, que é sempre arriscadíssimo entrar pelo nosso tempo adentro, sem fugir às antipatias, ajustes de contas, sem falhar. Por isso, se o autor tivesse parado ao fim de dois terços do XIII e último capítulo, sustendo-se por pelos autores a que se refere nascidos em torno de 1900, Ferreira de Castro, Vitorino Nemésio, José Rodrigues Miguéis e José Régio -- os quatro maiores da sua geração no romance (Castro), poesia (Nemésio), conto e novela (Miguéis) e ensaio (Régio) --, a obra estaria "imaculada".* A alteração realizada (que diz o autor não ser meramente uma mudança de título) o que se compreende, atendendo à evolução do seu pensamento) permite, pois, a liberdade de dizer que numa súmula da literatura portuguesa, o iniciado deverá "forçosamente" ler os autores referidos, mesmo salvaguardando, como o faz para o século XX o mais extenso dos capítulos, que é impossível referir todos os autores de valor. Mas há sempre uma escolha, e neste particular, é curioso ver que foi eliminado. Destas ausências, haverá umas que percebo e outras que não. E há ainda as que me divertem, concordando ou não. 

* Nemésio, não sendo o maior romancista da sua geração, é autor do melhor romance da literatura portuguesa já lido por mim, e não sou o único a ter esta opinião, e era um ensaísta genial. Régio, não sendo o maior poeta da sua geração, é grande em todas as áreas em que trabalhou. 

sábado, agosto 14, 2021

Um passeio com A. J. Saraiva (1)

António José Saraiva (1917-1993) foi um dos grandes ensaístas e historiadores da literatura e cultura portuguesas do século XX. Inquisição e Cristãos-Novos (1969) foi o primeiro que li, que é do meu Pai, inesquecível -- até pela acesa polémica que originou com I. S. Revah (1917-1973), que Saraiva incorporou numa reedição, com bastante fair play. A Tertúlia Ocidental (1991) é uma filigrana, própria de quem muito escreveu e pensou, como sucede com as obras dos grande autores no fim da vida. Num outro registo, Maio e a Crise da Civilização Burguesa (1970) é um inesquecível testemunho sobre o Maio de 68, vivido com uma alegria libertária, já afastado do PCP, de que foi um dos mais proeminentes intelectuais. Co-autor de uma monumental História da Literatura Portuguesa (1ª ed., 1961), com Óscar Lopes, escreveu também súmulas sobre a mesma, a última das quais é uma Iniciação na Literatura Portuguesa (1985), que só agora li, vinte anos depois de a comprar.

Como se não tivera nada mais para fazer, fui interpelado por este resumo brilhante, que vai até aos "novíssimos" seus contemporâneos. Estava tentado a dizer que ele se espalha no século XX, em que deveria ter ficado pelo Ferreira de Castro, o José Régio, etc. Mas não. Ele não se espalha efectivamente -- a não ser no neo-realismo, de que foi uma das cabeças de cartaz; mas ele faz uma escolha, e assume-a, mesmo ressalvando o que de bom fica de fora.

É um livrinho esplêndido, e vou passar o resto das férias a passear com ele por aqui, a fazer aquelas continhas de que gosto.



sexta-feira, agosto 13, 2021

Saigão, 1975

 Foi o que me veio à cabeça, perante a debandada de Cabul. 

Quem deve estar apreensiva é a China, que tem fronteira a oeste com o país dos talibãs. Estes vão ser racionais e moderados pelo Paquistão, uma vez que os chineses não vão tolerar o mínimo de desestabilização na província de maiorias islâmica. E é possível que depois de três impérios terem de fugir desde o século XIX, o britânico, o soviético e o americano, a China já pensasse trinta vezes em cada uma das possibilidades que se lhe podem oferecer.

quinta-feira, agosto 12, 2021

quadrinhos


Paulo J. Mendes, O Penteador (2020)

 

terça-feira, agosto 10, 2021

o populismo não pensa

 Uma jovem estudante de artes francesa escreveu uma frase na base do Padrão dos Descobrimentos que, não estando totalmente errada -- “Blindly sailing for monney, humanity is drowning in a scarllet sea” --, está muito longe da realidade. Os Descobrimentos foram muito mais do que pilhagem e barbárie. 

Obviamente que isto não é matéria para amadores, mas para historiadores, e sérios. Porque os há vigaristas ou ideologicamente cegos. A jovem, coitada, é jovem, não tem culpa de ser ignorante, tem toda a desculpa ao contrário daqueles que se põem em biquinhos de pés.

O episódio deveria ser ignorado, é uma manifestação da ligeireza e idiotice das "redes sociais", mas é impossível neste tempo de trincheiras -- um tempo que acho especialmente interessante para chamar nomes aos bois -- olhar com o distanciamento que a seriedade impõe.

O populismo e a vigarice à esquerda incomodam-me, pois ainda vou considerando a esquerda o meu campo, apesar de estar difícil. Por isso exulto ao ler uma entrevista de um homem que é um artista e não historiador, Rodrigo Francisco, ir para além da banalidade, do lugar-comum, da banalidade, no que respeita à forma como aborda a Guerra Colonial, o fenómeno dos retornados ou os militares que fizeram a guerra -- uma guerra criminosa, note-se, sob qualquer ponto de vista.

quadrinhos



 

domingo, agosto 08, 2021

caracteres móveis

 «É um amálgama de realidade e pesadelo, trapos de nuvens e palácios desmedidos.»*

«Mas Henrique de Souselas -- que era este o nome do cavaleiro -- fora educado e passara da infância à plena juventude, em Lisboa, levantando-se por avançada manhã, frequentando o teatro, o Grémio, as câmaras, parolando no Chiado ou no Rossio, e indo alguns dias do ano a Sintra, ou a qualquer praia de banhos, desenfadar-se da monotonia da capital.»**

«Mas Luísa, a Luisinha, saiu muito boa dona de casa: tinha cuidados muito simpáticos nos seus arranjos; era asseada, alegre como um passarinho, como um passarinho amiga do ninho e das carícias do macho: e aquele serzinho louro e meigo, veio dar à sua casa um encanto sério.»***

*Raul Brandão, A Farsa (1903)

** Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)

*** Eça de Queirós, O Primo Basílio (1878) 

quinta-feira, agosto 05, 2021

quarta-feira, agosto 04, 2021

caracteres móveis

 «Aqui está um campino fumando gravemente o seu cigarro de papel que me vai emprestar lume.» *

«Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia a que o mundo deu o nome de imaginações desregradas, porque não é para o mundo entendê-las.» **

«Há momentos em que um escritor público se vê forçado a corar.» ***


* Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

** Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

*** Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854)

«Leitor de BD»



 

domingo, agosto 01, 2021