Mostrar mensagens com a etiqueta José Agostinho Baptista. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Agostinho Baptista. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, julho 30, 2025

3 versos de José Agostinho Baptista

«incessantemente procurei um sentido para os dias e para as noites / interroguei-me sobre civilizações antigas / entreguei-me a surpreendentes ofícios» 

«A rigorosa inutilidade de tudo», Deste lugar Onde (1976)

quarta-feira, julho 09, 2025

3 versos de José Agostinho Baptista

«hoje sentei-me no tejo. / era um livro desordenado e sombrio com sangue / sangue no meio --» 

«Hoje vi os barcos», Deste Lugar Onde (1976)

terça-feira, junho 17, 2025

2 versos de José Agostinho Baptista

«entretanto alguma coisa se passou que ultrapassa a / excessiva solidão do poema.» 

«A Maria C.», Deste Lado Onde (1976)

sexta-feira, maio 23, 2025

2 versos de José Agostinho Baptista

«primeiro o sossego do teu corpo / e só depois as cidades abertas à multidão --» 

«E as casas são brancas loucamente brancas e vermelhas», Deste Lugar Onde (1976)

quarta-feira, abril 23, 2025

5 versos de José Agostinho Baptista

«por vezes / as aves do litoral, em largos círculos à volta dos navios, traziam / notícias do norte que eu abandonara -- / campos de silêncio adormecidos pelos séculos, vinhas e árvores, / atalhos onde pela noite se reuniam as feiticeiras da ilha;» 

«Morituri», Deste Lado Onde (1976)

segunda-feira, março 03, 2025

6 versos de José Agostinho Baptista

«ainda me perturbam todos os nomes e as regiões agora / desabitadas / gente que vi partir deixando o olhar parado à volta / nas encostas e nos telhados vermelhos / gente perdida nas altas escarpas do norte e / no passado interminável...»

«Nunca mais sossegou a minha vida», Deste Lado Onde (1976)

quinta-feira, janeiro 30, 2025

2 versos de José Agostinho Baptista

«possivelmente terias seis anos / mas sempre me fascinaram o vermelho antigo dos lábios»

«Retrato» Deste Lado Onde (1976)

quinta-feira, janeiro 16, 2025

2 versos de José Agostinho Baptista

«para o fim de uma primavera de fome um velho cargueiro do Pacífico / trouxe-me, louco de dor, aos portos malditos da Península -- barcelona, cadiz, lisboa...»

«México», Deste Lado Onde (1976)

quarta-feira, novembro 06, 2024

2 versos de José Agostinho Baptista

«OH crepúsculos lentos onde me suicidei no verão enquanto / no mundo aldeias e aldeias eram devoradas pelo fogo yankee...» 

Deste Lado Onde (1976)

quarta-feira, julho 17, 2024

1 verso de José Agostinho Baptista

«depois do sol tu vinhas.»

Deste Lado Onde (1976)

sexta-feira, maio 10, 2019

vozes da biblioteca

«-- dentro do poço, com sua febre; dentro da horta, sem ter seu curso; na longa espera de sua demora / Pedro Venâncio selava o selo de ser intruso no vão comércio de seu disfarce.» Mário Chamie, «Pedro Venâncio», Antologia da Novíssima Poesia Brasileira (ed. Gramiro de Matos e Manuel de Seabra, s.d.).

«eram belas as túnicas de argel e as velhas botas espanholas que te / dera o último amante.» José Agostinho Baptista, Deste Lado Onde (1976)

«Nós, os preguiçosos, dados ao sonho / Incomportável de uma ferida / Nas sociedades de consumo, somos / Aqueles que se lembraram das canções / Perdidas na falência dos campos.» Rui Almeida, Muito, Menos (2016) 

sábado, abril 27, 2019

vozes da biblioteca

«A vila, cercada de seus muros e torres.» Mário Avelar, Seduções do Infante (1995)

«Agradeciam quando eram os filhos das outras a morrer, / não os delas, mesmo que os filhos das outras / tivessem sido assassinados pelos seus próprios filhos.» Ana Luísa Amaral, Escuro (2014)

«E tudo se resumiu à evidência do pó.» José Agostinho Baptista, Agora e na Hora da Nossa Morte (1998)

segunda-feira, abril 23, 2018

«e ele dizia-me, se tu / fores um poema de amor / eu apaixono-me por ti, e / eu desaparecia boca / fora para dentro dele» Valter Hugo Mãe, O Resto da Minha Alegria (2003)

«No pensar que é a vida que se estua / a ilha continua» António Jacinto, «Paisagem concentracionária», Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985)

«Um sino toca algures onde se enlouquece.» José Agostinho Baptista, «Anoitecer», Agora e na Hora da Nossa Morte (1998)

quinta-feira, abril 12, 2018

«Quando os lobos uivam e aberta já está a lua, / as flores amargas dos teus olhos / desfazem-se aos meus pés.» José Agostinho Baptista, «Desamparo»Agora e na Hora da Nossa Morte (1998)


«Do visto vos aviso: a vida não é / a retorta infindável, que destilará / esse metal puro, o nada, / nem o pó, que sem estrépito, / assenta no pó -- é a sucessão / de dias pequenos e resultados desportivos / para a qual não fostes convidados.» José Alberto Oliveira, «Manifesto»,  Mais Tarde (2003)


«Se nenhum deles, a acreditar no Google, deixou cadastro / cultural foi porque a vida, ou nem sequer a vida, / sabotou as adolescências de que fui breve testemunha.» Manuel de Freitas, «Victims of the dance», Walkmen (2007)

terça-feira, março 27, 2018


«Eu sei por que veio, o que quer, o que faz aqui, / mas tu ergues os cálices / tu olhas para ela e ofereces uma rosa e / repartes o pão / e depois adormeces e entras no túnel que dá / para as colinas de Deus, / para os seus mortos antigos.» José Agostinho Baptista, «Agora», Agora e na Hora da Nossa Morte (1998)

«tão em descuido caiu / seu nome em meu coração / como pedra boca adentro / o silêncio morrendo» Valter Hugo Mãe, O Resto da Minha Alegria (2003)


«Quem canta afunda-se em amargura, / berra, protesta que não há razões / (nem o direito) de negar aos outros / a miséria que nos assiste.» José Alberto Oliveira, «Quem espera?», Mais Tarde (2003)  

quarta-feira, setembro 20, 2006

Antologia Improvável #162 - José Agostinho Baptista (2)

JANEIRO 74

toda a noite eu podia ouvir os comboios
e sabia que as grandes fomes estavam a chegar.

todas as palavras eram já estranhas
e era tempo de partir --

uma extrema solidão marcava a minha vida.

nunca fora tão insuportável a tua morte
nem tão longínquos os pequenos barcos do rio.

as minhas mãos cheiram fortemente a tabaco.
frenéticas e magras
dir-se-iam que esperam o teu regresso ou o sol
ou a tua cabeça serena.

nada poderá valer-nos.

tarda a Imensa Revolução
e os belos pensamentos ardem em nossas cabeças
afinal tão infantis.

em 1974 eu podia ouvir os comboios toda a noite.

da janela aberta de um 4.º andar suburbano
sob um céu pardo de inverno
eu avançava possuído de terror na minha insónia.

abandonara os poemas e as comovedoras histórias da Galileia.

por vezes bebia demasiado
dava longos passeios e gostava de futebol.

toda a noite eu ouvia os comboios seguirem para o norte e
para o sul
e sabia que as grandes fomes estavam a chegar.

Deste Lado Onde

José Agostinho Baptista

Posted by Picasa

terça-feira, janeiro 24, 2006

Antologia Improvável #96 - José Agostinho Baptista

E NA HORA

Quase tudo se passa em surdina
como uma trepadeira que sobe sem se ver
e se deita no verão das ribeiras e dos terraços,
não aqui, mas
em naturezas menos mortas,
menos rarefeitas pela solidão do ar.

Junto às lareiras cuja lenha ainda verde
estala em murmúrios ancestrais,
e em estranho idioma talvez nos diga que
os crimes se iniciam na sedução do lume,
ao longo de veias que ambicionam um ritmo
mais veloz,
mais de acordo com as leis do sangue e da
terra,
sem escutar o eco nas regiões de eterna
penumbra
nos convoca para o sepulcro,
vamos cumprindo a tua vontade, a tua
dádiva cruel,
Senhor.

Agora e na Hora da Nossa Morte

José Agostinho Baptista

quinta-feira, abril 28, 2005

Caracteres móveis - José Agostinho Baptista

A febre volta, e demora-se.
Nada podes contra os desígnios da carne mortal.

Febre