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quarta-feira, outubro 28, 2026

vária

«O braço, porém, falta. Havia o recurso do prisioneiro. A Inglaterra não hesitou em o aproveitar. E, assim, esta magnífica estrada que conduz a Albert tem, como principais encarregados da sua conservação, cativos alemães e austríacos.» Adelino Mendes, «A cidade de Albert» (A Capital, 29-III-1917), Repórteres e Reportagens de Primeira Página, ed. António Valdemar e Jacinto Baptista (s.d.).

«Não ignoro que se me atribui uma tal e tão apaixonada devoção pelo Brasil que muita gente me supõe capaz de me iludir sobre os aspectos essenciais da vida brasileira. Afirmo, porém, de maneira categórica -- e sem o mínimo receio de ser desmentido -- que o Brasil constitui, de facto, uma das maiores e mais impressionantes maravilhas do mundo contemporâneo.» João de Barros, Adeus ao Brasil (póst., s.d.) - «Brasil de hoje» (1946)

domingo, setembro 13, 2026

A ODISSEIA de Christopher Nolan, um grande filme antiguerra num tempo sombrio


É um filme para a História do Cinema, parece-me. Pelas opções técnicas tomadas neste ano de 2026, e o (brilhante) resultado delas. Nos estudos culturais, ficará também assinalado, pela adaptação do texto homérico, da autoria do próprio Nolan, e pelas inevitáveis discussões em torno. Haverá também um formigueiro que creio será dissipado à volta das cedências ao wokismo, irrelevâncias diante do resultado final.

A Odisseia leva-me para a infância, quando li a adaptação de João de Barros (1881-1960), ilustrada por Martins Barata (1899-1970); depois só voltei aos versos homéricos na tradução antológica de Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017) -- e por aí me fiquei. A epopeia cerzida pelo aedo Homero faz parte do imaginário ocidental, de tal modo que até gostamos de lembrar a lenda da fundação da cidade de Lisboa por Ulisses (Ulisipo...), como Camões teria gostado.

Um filme é sempre uma adaptação e é assim que deve ser encarado; quem quiser o texto, mesmo sem saber grego antigo, tem disponíveis as traduções (ou então procure no Canal História).  Nolan teve (tem) todo o estofo para tal, pela formação académica como pelo percurso enquanto cineasta, um dos grande da actualidade. Uma cinéfila que muito prezo escreveu que este era um filme de homenagem ao cinema, e eu, humilde protocinéfilo, concordo. A sua lista de referências é aliás esmagadora (Stanley Kubrick, Terrence Malick, Orson Welles, Fritz Lang, John Huston, John Frankenheimer, Sidney Lumet, Ridley Scott, Nagisa Oshima, Eric von Stroheim, George Lucas...)  

Muito dos anacronismos são deliciosos: "É o fim da Idade do Bronze..." ou análise geopolítica percuciente de Ulisses (o rapto da bela Helena foi só um pretexto para anular o domínio das rotas comerciais pelos troianos...) Vi a queda das torres gémeas num colapso em Tróia; a tropa de Darth Vader nos uniformes dos troianos, e o Batman nas aparições de Agamémnon... Esplêndido. O feminismo radical de Circe (os homens são todos uns porcos) passa bem na gloriosa interpretação de Samantha Morton. 

Para quem não saiba, os actores não têm cor, nem sequer sexo, se forem bons. Mesmo que Nolan goste do manicómio woke (não faço ideia) ou resolvesse atirar milho para os comissários de Hollywood, para não o chatearem, não me interessa nada. Podemos pôr reservas a Lupita Nyong'o (que é muito mais bonita do que aparece no filme, diga-se; e Helena de Tróia era a Beleza personificada), tanto como à escolha de Anne Hathaway (lembrei-me de Elizabeth Taylor...) ou de Charlize Theron (lembrei-me da Marilyn Monroe). Mas isso é de tal maneira irrelevante, que nem vale a pena falar mais. Matt Damon (nem é um dos meus actores preferidos) faz um papel magnífico. Toda a cena das sereias, com Ulisses preso ao mastro, é de uma soberba pungência. Bravíssimo.  

O filme é passível de várias leituras; a que me fica é a de um épico antiguerra, neste tempo sombrio. Tinha de ser um grande filme, e é-o; um filme-marco. 



quinta-feira, agosto 06, 2026

vária

«Tendo-o visitado com intervalos que nunca excederam mais de quinze anos -- e, em geral, muito menos ainda --, foi-me lícito observar a vertiginosa ascensão daquela pátria e daquele povo entre as outras nações do continente americano.» João de Barros, Adeus ao Brasil (póst., s.d.) - «Brasil de hoje».

«Eu bem na sinto!, eu bem na sinto! E, apoiada sem peso ao nosso braço, a criatura vai vaporosamente, no silêncio duma ventura profunda, de olhos descidos, o rosto fino, e bons dias a esta árvore e àqueloutra, uma palestra sem fim com os carvalhos e velhos olmos.» Fialho de Almeida, O País das Uvas (1893) - «Pelos campos»

«E como não há macdames que resistam a este trânsito fantástico a que estão sujeitos os macdames do Norte da França, a legião dos que se empregam em os reparar constitui um verdadeiro exército, que trabalha sem descanso e cuida com desvelo de impedir que as estradas, trilhadas por toda a casta de veículos, se tornem intransitáveis.» Adelino Mendes, «A cidade d'Albert», A Capital, 29-III-1917, Repórteres e Reportagens de Primeira Página (s.d.)

quinta-feira, abril 02, 2026

Henrique de Barros (1904-2000), Presidente da Assembleia Constituinte


Professor Universitário e prestigiado Agrónomo e académico, expulso da Universidade na primeira grande purga aos docentes feita pelo governo de Salazar, em 1934, foi o cidadão que presidiu aos trabalhos que elaboraram a Constituição de 1976, aprovada há cinquenta anos, a 2 de Abril. Era filho do poeta João de Barros, antigo ministro da República, e cunhado de Marcelo Caetano, o Presidente do Conselho de Ministros, deposto a 25 de Abril de 1974.




 

terça-feira, setembro 02, 2025

2 versos de João de Barros

«Ó Sol quente de Julho, ó Sol das romarias / Queimando e endoidecendo as multidões sadias;» 

«Alegria», Terra Florida (1909)

domingo, janeiro 26, 2025

correspondências

(António Cândido a João de Barros, 1907) .../... «O Conselho só conhece dos recursos da comissão quando eles têm por fundamento qualquer infracção por formalidades legais. / Doutros recursos só o Ministro conhece. / Como podia ter havido alguma irregularidade grave no julgamento da Comissão, escrevi a dois colegas meus. / Sou, com a maior consideração, e com verd.ª estima, // De V. Ex.ª / Adm.or e am.º certo e obgd.º // António Cândido // 20-8-907» Cartas Políticas a João de Barros ***

(Eugénio de Andrade a Jorge de Sena, 1955) .../... «Devo até dizer-lhes que o melhor de mim, passada a decepção que inicialmente tive, se alegrou com a notícia de o prémio ter sido atribuído a um livro do José Terra, com quem simpatizo imenso. Se tiver ocasião de falar com o Cochofel peço-lhe que lhe diga isto mesmo. / Pela vida fora terá o Jorge, com certeza, testemunho de que lhe digo rigorosamente a verdade» .../... Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena**

(José da Cunha Brochado a desconhecido, 1696) .../... «Viva V. Ex.ª para ilustre distinção do nosso reino, pois, se este invejou a outro a fortuna do nascimento de V. Ex.ª, outros lhe invejam agora a glória da sua adopção. Cante Lisboa os triunfos que por V. Ex.ª logra na corte de Viena, que, se outra pátria teve a fortuna de fazer seu a V. Ex.ª, ela granjeou o crédito de que V. Ex.ª a fizesse sua.» .../... Cartas*


*** Cartas Políticas a João de Barros (ed. Manuela de Azevedo, 1982)

** Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena (ed. António Oliveira, 2015)

* José da Cunha Brochado, Cartas (ed. António Álvaro Dória, 1944)

quarta-feira, dezembro 18, 2024

correspondências

(José da Cunha Brochado a desconhecido, 1696) .../... «Porém, hoje não serei o primeiro mudo a quem o alvoroço dos afectos rompesse o embaraço das expressões, porque a alegre nova da entrada de V. Ex.ª nessa Corte, que passou além da magnificência, dispensou ao meu silêncio estas vozes e ao meu respeito estes júbilos.» Cartas***

(António Cândido a João de Barros, 1907) «Exm.º Snr. // Tenho estado doente e impossibilitado de responder à carta de V. Ex.ª / Ao meu velho amigo T. de Queirós já disse que punha mt.º gostosam.te todo o meu valimento ao serviço de V. Ex.ª, embora, essa hipótese, me parecesse que era sem resultado útil.» .../... Cartas Políticas a João de Barros**

(Eugénio de Andrade a Jorge de Sena, 1955) .../... «De resto, a todas as palavras embaladoras que alguns amigos, prematuramente, me disseram, invocando até o facto de eu ser seu amigo, da Sofia e do Cochofel, respondi eu sempre, que uma das razões da minha amizade a esses elementos do júri provinha de os saber intelectualmente responsáveis e honestos para darem o prémio a quem o merecesse, sem quaisquer implicações sentimentais.» .../... Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena*


*** José da Cunha Brochado, Cartas (ed., António Álvaro Dória, 1944)

** Cartas Políticas a João de Barros (ed. Manuela de Azevedo, 1982)

* Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena (ed. António Oliveira, 2015)

domingo, outubro 20, 2024

correspondências

(Eugénio de Andrade a Jorge de Sena) «Porto, 30 de Maio de 1955 // Meu querido Jorge: se o Proust não tivesse dito ao Gide palavras semelhantes, eu dir-lhe-ia: valeu a pena ter perdido o prémio só pelo prazer de ter recebido a sua bela carta.» .../... Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena (3)

(Afonso de Barros a João de Barros) «Figueira, 26-6º-1926 // Meu querido João // Obrigado pela tua pronta resposta à minha precedente carta, e oxalá que o teu optimismo se realize, mas as prisões já começaram!... Cautela meu João! / E conta sempre comigo para tudo (que não poderá ser muito) que eu possa fazer. / Beija os meus queridos netos e querida Raquel, e a ti, beijo-te // e abraço-te de todo o meu coração / Afonso // Faz favor de dar à irrequieta Teresa o papelinho junto e ela que entregue ao [...?]» Cartas a João de Barros (2)

(Raul Brandão a Teixeira de Pascoais) «Meu Exm.º Amigo // Li ontem dum fôlego o Verbo Escuro. Eu gosto imenso de livros assim, mas o seu, tão profundo e tão belo, há-de ser compreendido por poucos leitores. É o livro dum grande poeta e dum filósofo. / Felicito-o e abraço-o. Creia-me sempre / De V. Ex.ª/ad.or e a.º agr.º / Raul Brandão // Alto / 27 Março / 1914» Correspondência (1)



(1) Raul Brandão - Teixeira de Pascoaes, Correspondência (ed. António Mateus Vilhena e Margarida Marques Mano, 1994.

(2) Cartas a João de Barros (ed. Manuela de Azevedo) s.d.

(3)  Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena (ed. António Oliveira, 2015)

domingo, setembro 08, 2024

vária

«Janeiro de 1918 / Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo; não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida.» Raul Brandão, Memórias I (1919) § «Estava no Funchal havia quinze dias. Levara um encargo fácil. Entrevistar Norton de Matos, que vinha pela primeira vez à metrópole depois de ter exercido o cargo de Alto Comissário de Angola. O antigo ministro da União Sagrada era, nesse tempo, uma figura discutidíssima.» Artur Portela, «Como se perde uma "reportagem"», Uma Hora de Jornalismo (1928) § «Regressado do Brasil pela quinta vez, aqui trago de novo o meu testemunho de observador imparcial mas, tanto quanto sei e posso, compreensivo, perante o incansável ritmo de progresso que a esse grande país deu a sua posição hegemónica na América do Sul.» João de Barros, «Brasil de hoje», Diário de Lisboa, 21-VI-1946, Adeus ao Brasil (póst.) § «Eu bem na sinto! Eu bem na sinto!, apesar das fuligens do céu mal-humorado e da ventania que me apupa, através das frinchas das janelas. Uma pulsação vigora as alamedas, nas ascendências inexauríveis da seiva, rebentando em folhagens de contextura fina, por forma que já não é ficção o caso do homem que ouvia crescer erva nos campos, visto que eu há quinze dias ouço, no recanto onde vivo, sob uma umbela vermelha de paisagista, o burburinho da natureza que se revigora e emplumesce, numa dessas orgias de cor que faziam rir o olho azul de Rousseau e punham emoções na palidez fatigada de Huet, o paisagista da ilha verde de Seguin.» Fialho de Almeida, «Pelos campos», O País das Uvas (1893) § «As notas que compõem esta navegação de cabotagem (ai quão breve a navegação dos curtos anos de vida!), à proporção que me vinham à memória, começaram a ser postas no papel a partir de Janeiro de 1986. Zélia e eu nos encontrávamos num quarto de hotel em Nova Iorque, ambos com pneumonia -- os dois, parece incrível --, febre alta, ameaça de hospital.» Jorge Amado, Navegação de Cabotagem (1990)

terça-feira, abril 09, 2024

Eugénio Lisboa (1930-2024)

Estive com ele há poucas semanas. Devo-lhe a generosidade de me prefaciar um livro; devo-lhe mais: o exemplo da liberdade de pensar.

Eugénio Lisboa é um ensaísta arguto, culto e informado, e sendo uma autoridade em José Régio e na presença, foi muito mais que isso: alguém que se deixava encantar pelo talento verdadeiro, e pouco atreito a fazer fretes.

Foi também um temível polemista. Temível, porque tinha uma cultura vasta que lhe servia um espírito crítico acerado; e não tinha medo, não andava aqui para agradar, como sucede com tanto patife e tanto invertebrado.

A sua obra de ensaísta claramente ficará -- para os happy few, expressão que gostava de usar. Tenho especial estima por O Objecto Celebrado (Coimbra, Imprensa da Universidade, 1999), talvez por ser o primeiro que me ofereceu, já eu o admirava há muito. Mas não podemos esquecer o poeta, com grandes momentos, em especial no início, o memorialista e o diarista.

Tenho, há anos, preparada uma antologia de poemas dedicados a Ferreira de Castro, por poetas de várias gerações, começando em João de Barros (1881-1960). No ano passado, num Encontro Castrianos/Regianos, em Vila do Conde, Eugénio Lisboa não pôde estar presente, mas enviou duas óptimas composições, uma sobre José Régio, a outra sobre Ferreira de Castro.

No nosso último encontro, ao fim da manhã de 16 de Março, em S. Pedro do Estoril, dei-lhe nota de que pretendia incluir esse poema na minha antologia, enviando-a depois por mail. A sua resposta, na nossa derradeira conversa, reproduzo-a aqui:

"Caríssimo Ricardo, recebi, li e agradeço a antologia. Tem poemas belos e, toda ela, merece ser retida, até porque reflecte bem a marca de afecto que a obra do escritor suscitou. Para muitos leitores FC ficou como escritor e eterno Amigo. Não é para todos!

Forte abraço do / E.".


Um grande e grato abraço, Eugénio Lisboa!

terça-feira, julho 25, 2023

caderninho

 «Procuremos sòmente pensar e falar com acerto, sem querer sujeitar os outros aos nossos sentimentos. Tal empresa seria excessiva.» 

La Bruyère, Os Caracteres (1888) - trad. João de Barros

segunda-feira, junho 12, 2023

João de Barros,

sobre o novo livro do poeta brasileiro Ribeiro Couto, a 12 de Junho de 1952, no Diário de Lisboa: «Os poemas de Entre Mar e Rio como que transcendem e superam a expressão poética -- são a própria e nua Poesia». 

Adeus ao Brasil (póstumo, s.d.)

domingo, junho 11, 2023

João de Barros

«O Brasil, de um lado, Portugal, Açores e Angola do outro -- tal como vi indicado num imenso mapa da sala principal da delegação portuguesa à Conferência da Paz de Paris, em 1919 -- comandam, dominam todos os caminhos do Atlântico Sul, realidade patente que seria imperdoável não aproveitar.»  João de Barros, Diário de Lisboa, 11 de Junho de 1949.  
Adeus ao Brasil (póstumo, s.d.)

domingo, dezembro 25, 2022

caracteres móveis

 «A glória de não consentir que a mentira e a ingratidão mandem nos homens e nos povos sempre valerá o mesmo ou, porventura, um pouco mais do que a triste vanglória dos incitadores da guerra e dos vendedores de canhões.» João de Barros, «Lealdade» (1948), Adeus ao Brasil (s.d. - póstumo)

segunda-feira, julho 22, 2019

vozes da biblioteca

«de Lisboa e das cortes estrangeiras / não saberei dizer-te cousa alguma, / que o tempo todo gasto em ler Virgílio / no meu pobre, mas certo domicílio.» Correia Garção, «Epístola a Olino», Obras Poéticas (póst. 1778) / M. Rodrigues Lapa, Poetas do Século XVIII

«Fugir!... Deixar / essa tristeza de ser nau -- e não vogar, / Essa agonia de ser livre -- e de estar preso!...» João de Barros, Oração à Pátria (1917)

«Os botes tinham sido descidos de navios esguios, / as suas velas como lenços de cabeça de mulher, / mas imensos e brancos, / desenhados a cruzes» Ana Luísa Amaral, «O sonho», Escuro (2014) 

sexta-feira, julho 12, 2019

vozes da biblioteca

«a recta, a espiral, e o nada / que só à filigrana se consente, / são todo o meu orgulho, e no final / ter desenhado esse lugar exacto / onde em segredo posso ser humano.» António Franco Alexandre, Aracne (2004)

«Vão, sem destino, errando ao sabor da corrente.» João de Barros, Algas (1900)

«você me diz psiu, violência / no jeito de piscar as pálpebras» Ademir Assunção, Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil (ed.. Claudio Daniel e Frederico Barbosa, 2002)

quinta-feira, junho 30, 2016

uma carta de Manuel Laranjeira

Laranjeira por Amadeu de Sousa Cardoso
Carta extraordinária de um espírito brilhante e torturado. Por um lado, pela forma como se expõe a João de Barros na sua assustadora (sabêmo-lo suicida) vulnerabilidade; por outro, no seu agudíssimo conceito sobre a recepção literária e as suas óbvias fragilidades.

(ler)

terça-feira, março 08, 2016

uma carta do Visconde da Marinha Grande

Testemunho maravilhoso de amor paternal dum velho de 90  anos -- Afonso Ernesto de Barros (1836-1927) ao seu mais do que adulto filho.  João de Barros (1881-1960) fora uma personalidade influente na I República, um dos nomes do ímpeto político do incremento da Instrução Pública que caracterizou essa fase da vida do país, e também ministro dos Negócios Estrangeiros.  Era também um importante poeta, cujo percurso se iniciara ainda durante o regime monárquico. Com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, a situação pessoal complicava-se, e seu pai, o Visconde da Marinha Grande, dava conta das suas preocupações.
Publicado por Manuela Azevedo, Cartas a João de Barros (s.d.), que escreve: «A ternura com que ele se exprime só a um filho muito merecedor se confessa.»

(ler aqui)

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Para um Dicionário de Ferreira de Castro: B de Barros, João de

Poeta, pedagogo, político -- foi ministro dos Negócios Estrangeiros na I República -- João de Barros (Figueira da Foz, 1881 - Lisboa, 1960), é um dos últimos grandes vates pré-modernistas portugueses, autor de uma poética vitalista e inconformada, muito ao arrepio da tradição nacional, fatalista e lamentosa. Como escritor, importa referir também a importante obra cronística e ainda -- muito ligado à sua faceta de pedagogo -- a adaptação de clássicos, «contados às crianças e ao povo»,  como Os Lusíadas, entre outros. Era pai de Henrique de Barros, agrónomo e professor universitário que presidiu à Assembleia Constituinte (1975-1976) e sogro de Marcelo Caetano.
A estreita amizade com Ferreira de Castro -- foi padrinho da filha deste, Elsa -- remonta à década de 1920. Barros foi dos poucos autores em relação ao qual Castro transigiu, escrevendo um prefácio para a edição reunida de Anteu  e Sísifo (1959). Há pelo menos três poemas que lhe são dedicados.

(a desenvolver)

Bibliografia: além da activa de ambos, as 100 Cartas a Ferreira de Castro, o apêndice na Correspondência entre Ferreira de Castro e Roberto Nobre sobre a propositura ao prémio Nobel, em 1951.

(também aqui)