Von der Leyen, obtusa ou velhaca (ou obtusa e velhaca), não gostou de ver uma multidão e entidades oficiais sérvias no funeral do general Ratko Mladic. Porque será que um povo se sente tocado pelo desaparecimento de um militar por crimes de guerra? A dissolução e guerras da Iugoslávia dão (deram e darão) para milhares de livros. Entre nós, há um inultrapassável em todos os sentidos, Da Jugoslávia à Jugoslávia (1999), do jornalista e historiador Carlos Santos Pereira -- um daqueles que não transigiam e incomodavam as subespécies de plumitivos agenciados e de pivôs asnáticos.
O fim da Iugoslávia, de instigação germânica à revelia da própria União Europeia, que depois teve de apanhar o comboio, foi uma espécie de ensaio-geral para o que seria projectado para a Rússia. Aliás, Putin assistiu a tudo, sem vontade de rir-se. Então, os sérvios foram apresentados ao mundo como um execrável povo de assassinos, que se entretinham a exterminar croatas e "muçulmanos" da Bósnia-Herzegovina -- estes uma bizarra invenção étnica de Tito, com gravosas consequências para a federação.
Os Sérvios, povo de fronteira (de ukraína, como eles dizem e de onde provém o nome Ucrânia) são uma das mais valorosas nacionalidades europeias; é ver o que passaram os alemães, quando invadiram a Iugoslávia, na II Guerra, ou o estado do seu poderio militar após mais de um mês de bombardeamento aéreo da Nato -- quando a organização passou de defensiva a belicista.
Claro que cometeram crimes de guerra, como sucedeu com os outros e sucede em todas as guerras. O problema está em instigá-las ou começá-las.
Toda a propaganda dirigida ao grande público, que depois vimos ensaiada contra a Rússia, por causa da Ucrânia, foi aplicada aqui. E muitos nela caíram. Uma das minhas infelicidades é ter, em ambos os casos, guardado na minha valiosa memória (valiosa, porque se gasta) o grotesco José Rodrigues dos Santos a ser um pobre veículo de propaganda orquestrada (ou terá sido um sensacionalista vulgar, que engendra sensações?). A primeira foi quando, apresentando imagens cruentas de um campo de prisioneiros escanzelados à guarda dos sérvios, anunciava que os campos de concentração tinham regressado à Europa. Estão a ver: campos de concentração = nazis; logo, sérvios = nazis. Básico e eficaz. Tal como quando começou a Guerra da Ucrânia o mesmo inefável jornalista dava o anúncio, dizendo, aos pulos, que Putin, nas vésperas da invasão, juntamente com as acusações ao governo ucraniano, citara Lenine e Stálin, não percebendo (ou fingindo não perceber?) que Putin os citara para criticar-lhes a criação de uma república artificial dentro da União Soviética. Estão também a ver: Lenine e Stálin = comunismo > Putin comunista... E, de passagem, dava mais um tiro no PCP, juntando o útil ao agradável.
Os sérvios não servem para capachos, e isso chateou a Úrsula.
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