Eu parabenizo
Tu analfabeto
Ele saloio
Nós atentos, veneradores e obrigados
Vós nem carne nem peixe, antes pelo contrário
Eles perdoai-lhes que não sabem o que dizem
´
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
Eu parabenizo
Tu analfabeto
Ele saloio
Nós atentos, veneradores e obrigados
Vós nem carne nem peixe, antes pelo contrário
Eles perdoai-lhes que não sabem o que dizem
´
«A pátria existe na carne»
A Paixão das Armas (1983) - «Ao ouvido do muro»
«Está certo. Parte-se carregado de coisas, elas vão-se perdendo no caminho. Se ao menos uma breve ideia. Não tenho. Não é bem a vida que faz falta -- só aquilo que a faz viver. Trago o carro para dentro, vou metê-lo na garagem.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)
«as ideias, meu amigo, são menores nos nossos dias. não importam. as liberdades também fazem isso, uma não importância do que se pensa, porque parece que já nem é preciso pensar. sabe, é como não termos sequer de pensar na liberdade. é um dado adquirido, como existir oxigénio.» Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)
Simone de Beauvoir: «E se a submetermos a um exame sério, compreendemos que não conseguiria satisfazer: é apenas por preguiça que tanta gente recorre a ela. / Da mesma forma. não se pode culpar a estética existencialista em nome de princípios absolutos; essa estética não existe, uma vez que a literatura é aquilo que o homem faz que ela seja.» O Existencialismo e a Sabedoria das Nações (1948) - trad. Mário Matos § Génesis: «Deus disse: "Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que dêem fruto sobre a terra segundo as suas espécies, e contendo sementes. E assim aconteceu. A terra produziu verdura, erva com semente, segundo a sua espécie, e árvores de fruto, segundo as suas espécies, com a respectiva semente. Deus viu que isto era bom.» Bíblia Sagrada (Missionários Capuchinhos) § Jane Austen: «Primeira Carta // De Isabel para Laura // Quão frequentemente, em resposta às minhas incessantes e repetidas súplicas de que daria à minha filha um ror regular das desventuras e venturas da sua vida, me declarou: "Não, cara amiga, jamais irei concordar com o seu pedido até que esteja longe do perigo de uma vez mais experimentar tais horrores."» Amor e Amizade (1790) - trad. Inês Fraga
Adérito Sedas Nunes a Marcelo Caetano (1973) .../... «De todo o modo, e independentemente dos juízos que se formulam a respeito das posições que noutras circunstâncias têm sido assumidas pelo Prof. Francisco Moura, com cujas opiniões e atitudes eu mesmo não raras vezes me encontro em discordância, estou certo de que V. Ex.ª concordará com que se trata de uma pessoa merecedora do máximo respeito.» .../... Cartas Particulares a Marcello Caetano (1985) - ed. João Freire Antunes
«Palavras não as profiro / sem que antes as tenha encantado»
O Corpo de Atena (1984) - «Metodologia»
«não se preocupe, continuou, a conversa é mais para o distrair e, se ficar distraído sem reacção, também não lho levo a mal. é o que fez a liberdade, acrescentou. um dia estamos desconfiados de tudo, e no outro somos os mais pacíficos pais de família, tão felizes e iludidos, e podemos pensar qualquer atrocidade saindo à rua como se nada fosse, porque nada é.» Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)
«Soriano ouvia, com interesse, o filho, enquanto utilizava a língua como um palito, ora empolando a face direita, ora a esquerda. Mas já Mercedes saía do quarto, sempre com movimentos apressados. Tinha avivado o pó-de-arroz e dado um jeito mais gracioso ao seu cabelo; no braço trazia uma pele de raposa.» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)
« -- Chiu! -- mandou o furriel, chefe da equipa de cinco soldados. -- Vocês querem que os "turras" saibam que estamos aqui? -- interrogou com cara de poucos amigos. E sentenciou: -- Vamos lá a falar baixo. // -- "Chouriço de carne em óleo de mendobi", que raio será esta mistela avermelhada?... -- interrogava-se o Torrão, um soldado lingrinhas, uns olhos escuros de pardal brilhando debaixo da pala do quico, lendo o papel amarelo onde estava escrita a ementa:» Carlos Vale Ferraz, Nó Cego (1983)
«Nada mais natural / Do que fazer uma coisa / Pela última vez.»
Ouvir a palavra (2017)
«Cavaleiro defenestrado do real, / puro insurgente tão fora / da ordem estabelecida // como qualquer revolucionário.»
Insolúvel Flautim (2023) - «Não matarei D. Quixote»
Podem fazer as piruetas que entendam, mas a verdade é que a maior potência militar irá sentar-se na sexta-feira, em Islamabad, à mesa das negociações, para conseguir o que poderia ter obtido há um mês e tal.
Ou seja: a confirmar-se as notícias que estão a sair, há um vencedor desta guerra de cinco semanas, o regime dos aiatolas. Os americanos, de facto, nunca desiludem.
No Now, ontem à noite, insersor alerta para a série "Inferno no Irão", assim tal e qual, à espera da mortandade, como qualquer necrófago; o mesmo a CNN-Portugal, relógio em contagem decrescente, excitação para as massas; imagino a sic, mas raramente passo por lá; talvez a RTP seja mais parcimoniosa, não reparei.
«Ao frio do sal que sob os pés sentiam / e à escuridão mais fundo, ao sonolento / e bruto som da corda e da madeira, / às dores de fome e ao gemido fraco / duma saudade parda, à solidão / sem espelho, à gula insaciada, ao medo // -- a tudo combatia uma paixão»
Depois de Ver (1995) - «Os nautas»
O que fizemos com a nossa liberdade? -- «Voltaremos ao mar. Não como conquistadores, nem como vassalos, mas como iguais, junto aos povos que lutam pela justiça e pela paz.»
«Amor -- chama e, depois, fumaça... / Medita no que vais fazer: / O fumo vem, a chama passa...»
A Cinza das Horas (1917) - «Chama e fumo»
Machado de Assis: «Pela janela viu na janela dos fundos de outra casa dous casadinhos de oito dias, debruçados, com os braços por cima dos ombros, e duas mãos presas. Mestre Romão sorriu com tristeza. / -- Aqueles chegam, disse ele, eu saio. Comporei ao menos este canto que eles poderão tocar...» Histórias sem Data (1884) - «Cantiga de esponsais» António Ferro: «Os vestidos são os cartazes do corpo.» Teoria da Indiferença (1920) § Fialho de Almeida: «Nenhum canto de natureza infecundo!, o mesmo amor que sobe da terra, a revigorentar os arvoredos, comunica-se aos ninhos, cinge os casais de pássaros, extravasa no ar como nafta de bodas bíblicas, e comunica-se, aspira-se, vai-se infiltrando em toda a parte. Eu bem na sinto! Eu bem na sinto!» O País das Uvas (1893) - «Pelos campos» § Maria Gabriela Llansol: «["] É o instante físico, dilacerante, em que subo a um monte, e desço um declive. / É um sentimento incrível, o que estás a viver -- diz-me Eckhart, acusando-me com um sorriso. / Mas a sua companhia é doce, ágil, vai dando voltas ou descrevendo curvas à altura do meu sofrimento.» Sintra em Passo de Pensamento (póst., s.d.) § Branquinho da Fonseca: «É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso. / Ia fazer um sindicância à escola primária de V...» O Barão (1942) § Adérito Sedas Nunes a Marcelo Caetano (1973): .../... «Dizem-me que se suspeita de uma ligação entre a iniciativa que conduziu aos actos efectuados na capela e a deflagração de explosivos, acompanhada da divulgação de panfletos, ocorrida no dia 31 de Dezembro. Gostaria, porém, de assegurar a V. Ex.ª que, conhecendo de muito perto, como V. Ex.ª sabe, o Prof. Francisco Moura, com quem tenho muito contacto, estou talvez melhor colocado que ninguém para poder considerar completamente absurdo que acerca dele se possa pôr a hipótese de ter qualquer relação com organizações cujos meios de acção sejam dessa natureza.» .../... Cartas Particulares a Marcello Caetano (1985) - ed. João Freire Antunes
«um povo assim, está a perceber. pousou a caneta. queria tornar inequívoca aquela ideia e precisava de se assegurar da minha atenção. não tenho muita vontade de falar, sabe, senhor, estou um pouco nervoso, respondi.» Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)
«Soriano e o filho ergueram-se também. O taque-taque do relógio parecia mais nítido, mais corajoso, à medida que o iam deixando sozinho. Os dois detiveram-se no corredor. Paco comentava os numerosos palacetes que estavam a ser construídos em San Rafael, para elementos do Partido Radical.» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)
« -- O filho da mãe que fez as correias tão estreitas é que devia andar aqui no mato a amargá-las com um saco às costas -- resmungou um soldado. / -- De-de-ve ser pa-pa-ra pou-pou-par -- gaguejou outro em resposta. / -- Chiu! -- mandou o furriel, chefe da equipa de cinco soldados. -- Vocês querem que os "turras" saibam que estamos aqui? -- interrogou com cara de poucos amigos. E sentenciou: vamos lá a falar baixo.» Carlos Vale Ferraz, Nó Cego (1983)
«Trago palavras como bofetadas / e é inútil mandarem-me calar / porque a minha canção não fica no papel.»
Praça da Canção (1965) - «Apresentação»
«O mar em vez de nós.»
Alguns Círculos (1973) / A Pequena Pátria (2002)
Woody Allen: «Scott estava com uma grande problema de disciplina e, apesar de todos gostarem muito de Zelda, concordávamos que ela tinha um efeito adverso na sua obra, reduzindo a sua produção de uma novela por ano a uma esporádica receita de mariscos e a uma série de aspas.» Getting Even / Para Acabar de Vez com a Cultura (1966) - «Memórias dos Anos Vinte» - trad. Jorge Leitão Ramos § Simone de Beauvoir: «Por exemplo, não é verdade que a massa dos opositores do existencialismo olhe o mundo com olhos ingénuos; apreendem-no através desses lugares-comuns que constituem a Sabedoria das Nações, incoerente, contraditória; essa sabedoria é, entretanto, uma visão do mundo que convém pôr em causa.» O Existencialismo e a Sabedoria das Nações (1948) - trad. Mário Matos § Leonid Andreiev: «Nos dias de festa e bem assim todos os domingos, o Director mandava içar a bandeira nacional pra reozijo dos doentes. O facto provocava uma sensação estranha e feliz a que chamaríamos garridice na demência.» Os Espectros (1904) - versão de Manuel do Nascimento § Balzac: «Há em certas cidades da província casas cuja visão inspira uma melancolia igual à que nos causam os claustros mais sombrios, as charnecas mais estéreis ou as ruínas mais lúgubres. Talvez haja nessas casas, ao mesmo tempo, o silêncio do claustro, a aridez das charnecas e a desolação das ruínas.» Eugénia Grandet (1833) - trad. Jorge Reis § Génesis: «Deus chamou céus ao firmamento. Assim, surgiu a tarde, e, em seguida, a manhã; foi o segundo dia. / Deus disse: "Reúnam-se as águas que estão debaixo dos céus num único lugar, a fim de aparecer a terra seca". Deus, à parte sólida, chamou terra, e, mar, ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom.» Bíblia Sagrada (Missionários Capuchinhos) § Geneviève de Gaulle Anthonioz: «De súbito, passou a haver apenas o feixe de uma lanterna, o rosto assustado da nossa chefe de barracão, a ordem rouca para me levantar e a sombra de dois SS. Pesadelo ou realidade? Baty e Félicité, as minhas vizinhas de enxerga, despertaram. Juntaram alguns objectos, entre os quais o meu púcaro e a minha gamela, ajudaram-me a descer do beliche, beijaram-me. Que sorte me espera?» A Travessia da Noite (1998) - trad. Artur Lopes Cardoso
Vitorino Nemésio (1901-1978) é, consabidamente, um dos maiores escritores portugueses, não apenas do século passado. Grande como poeta, ensaísta, historiógrafo, atrevo-me a dizer (e não sou o único), que escreveu o mais extraordinário romance da nossa literatura, Mau Tempo no Canal (1944). É um real atrevimento, sabendo que poderíamos convocar para esta distinção umas boas duas dezenas, pelo menos, de outras extraordinárias narrativas. A Nemésio eu poderia juntar, sem dificuldade um ou mais títulos de Camilo, Júlio Dinis, Eça, Aquilino, Castro, Redol, Manuel da Fonseca, Vergílio Ferreira, Sena, Saramago, Cardoso Pires -- os grandes romances dos grandes.
Sem justificar, como deveria, a minha escolha por esta obra(-prima) do poeta de O Bicho Harmonioso (1938), apetece-me aludir ao seu estilo, que nos aparece como uma dádiva: Nemésio escreve como respira, sem se dar por isso, do mais trivial às mais profundas elucubrações, do breve registo oral às mais inesperadas ou cintilantes metáforas, com a naturalidade da água que corre; o que não sucede com a maioria dos seus pares, incluindo os atrás referidos, a não ser nos seus grandes momentos, que felizmente abundam. Como Nemésio, muito poucos me dão essa sensação num romance encorpado como a história de Margarida Clark Dulmo e João Garcia; talvez, apenas o melhor Eça, e Machado de Assis, do outro lado do Atlântico.
«Janelinha triste, escorrendo água,»
A Vigília e o Sonho (1951) - «Quase lírica»
«Entre gentes tão poucas e medrosas, / Não mostra quanto pode, e com razão, / Que é fraqueza entre as ovelhas ser leão.»
Os Lusíadas (1572) - Canto I-68
Não me lembro de quem, mas tenho pena: ontem um comentador numa estação fez notar que Trump -- tão bem enrolado pelo Netanyahú (e, quiçá, pelo próprio MBS) -- está a enviar toda aquela tropa para o Golfo Pérsico para forçar a abertura do Estreito de Ormuz, que estava aberto antes de começar este carnaval... Maior brilhantismo é impossível.
Antes, tínhamos um senil manipulado por falcões, Joe Biden; agora um tipo que não é estúpido, antes um mitómano doido varrido, rodeado de yes men. Num caso e noutro, ambos patifórios.
Escusado será dizer que quero muito que eles levem nas lonas. Veremos. Quem vai pagar as favas será Cuba, que passará do comuno-tropicalismo para os bons velhos tempos em que a ilha era um vasto casino e uma colorida casa de putas da máfia e demais elite n-americana.
«As buzinas dos carros proclamam / a vossa pressa de chegar a casa, / a um jantar desatento, / a caminho do sono.»
Mais Tarde (2003) - «Manifesto»
«1. o fascismo dos bons homens - somos bons homens. não digo que sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos uma ingénua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores.» Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)
« -- O que me importa e irrita é essa mania que tu tens de achar bom tudo quanto é estrangeiro e mau tudo quanto é espanhol. Mas não me admira nada; mesmo nada; todos os teus correligionários são assim... / Soriano contemplava-a com esse sorriso complacente e irónico de quem não está disposto a melindrar-se. Ela levantou-se da mesa e caminhou apressadamente para o seu quarto.» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)
«Examina-se com mais minuciosidade, mas com menos entusiasmo; analisa-se mais e melhor; porém a própria análise é a prova de que se sente menos. Onde domina o sentimento e a imaginação, mal têm cabida a paciência e fleuma, necessárias aos processos analíticos. O homem positivo e frio recolhe de qualquer excursão à pátria com a carteira cheia de apontamentos; o entusiasta e poeta nem uma data regista. Viu menos, sentiu mais.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
«Esmaguei meu coração / Para o triste te esquecer,»
Trocando Olhares (póst., 1994)
«Deu-te o Senhor, mulher! o que é vedado,»
Sonetos Completos (1886) - «A M. C.»
«Só pelo preço de muitas jornadas se compra o hábito de ficar impassível no meio dos episódios destas pequenas odisseias, que atormentam e exaurem o ânimo dos Ulisses novatos; mas ai, quando se adquire esse hábito, também nos achamos já com a sensibilidade mais embotada para as comoções do belo.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
«Porém, e este ponto de doutrina só raros o desconhecem, sobretudo se pertencerem à geração veterana, o cão Cérbero, que assim em nossa portuguesa língua se escreve e deve dizer, guardava terrivelmente a entrada do inferno, para que dele não ousassem sair as almas, e então, quiçá por misericórdia final de deuses já moribundos, calaram-se os cães futuros para toda a restante eternidade, a ver se com o silêncio se apagava da memória a ínfera região.» José Saramago, A Jangada de Pedra (1986)
«Ao ver a expressão da irmã, Soriano julgou adivinhar nela uma discordância que se continha por falta de tempo para discutir. / -- Há muitas excepções, é claro, e tu és uma delas... -- acrescentou ele a sorrir. / Não é isso o que me importa -- interrompeu Mercedes, pousando a chávena.» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)
Esqueçamo-nos dos aiatolas (mas não das suas malfeitorias); isto já são os velhos persas. Trump, borradíssimo, engole a própria basófia. Ou então prepara-se para ludibriar os iranianos outra vez. Mas quem se deixa ludibriar por Trump três vezes? Se este meter a viola no saco, o estreito de Ormuz será uma espécie de Termópilas para o estado do Golfo Pérsico, ou um novo David contra Golias.
«Com peso triste caminha na rua o Outono.»
Cuidar dos Vivos (1963) -- «Tentas, de longe»
Sendo contra toda a forma de coacção, seja ela violenta ou insidiosa , política e/ou religiosa, venha das igrejas ou das associações cívicas, só espero que o energúmeno que se atreveu a lançar um cocktail molotov para dentro de uma marcha que se autointitulava "pró-vida", e que tem todo o direito a manifestar-se publicamente, seja exemplarmente indiciado, acusado, julgado e condenado a uma pena pesada, seguida de obrigatoriedade de reeducação, para servir de exemplo aos patetas de esquerda e de direita.
Eu não ignoro que estes movimentos de fanáticos religiosos chamados "pró-vida" exercem uma coacção psicológica aviltante, ilegítima e ilegal junto de mulheres que planeiam abortar, seja por que razão for. Isto e um certo laxismo tolerante das autoridades para com estas práticas criminosas não pode ficar em claro.
Aceito que por razões éticas se faça campanha e procure influenciar a opinião pública contra ou a favor do aborto e da eutanásia. Já manifestações religiosas nesse sentido, parece-me mais complicado -- a religião é sem dúvida o ópio do povo, mas pode ser também o conforto do indivíduo ou o amparo e resistência de um povo (Timor-Leste). Tenho muitas questões éticas em relação ao aborto, mas considero que é em primeiro lugar um assunto que diz respeito a cada mulher; por outro lado, sou ferozmente pró direito à eutanásia e desprezo quem procure impor lixo religioso para impedir-me de poder escolher o meu fim.
Cada um tem o direito de acreditar ou não acreditar no que quiser, sem ser chateado nem chatear ninguém -- mas ninguém tem o direito a impor as suas convicções ou crendices a terceiros. Este imbecil que procurou atentar contra a integridade física dos manifestantes, além de ser um fanático de outro tipo, conseguiu, por exemplo, desviar as atenções das manifestações pela habitação que se realizaram em vários pontos do país; sem contar que está a dar gás às organizações de extrema-direita cuja violência está a deixar de ser larvar. Além de criminosamente fanático, é estúpido.
Restringir a demagogia e a estupidez deste activismo de manicómio; e já agora, proteger as famílias dos joõescostas & outras alimárias que se incrustam no aparelho de estado.
«Só no silêncio o coração murmura / e desliza a vida para o que a alma quer.»
Poesia (1961)
«Lembras-te da nuvem que tangia / de transparência as cavernas da terra?»
Opus 7 / Oferenda II (1994)
«Amou, floriu, morreu.»
Insolúvel Flautim (2023) - «João Bensaúde, quase heterónimo de José Régio»
Depois de acharem que poderiam não só derrotar como partir a Rússia aos bocados, usando os neonazis que tomaram conta da Ucrânia ocidental --, estes nabos em Washington viraram-se para o Irão (bem manipulados por Netanyahu), crendo que os aiatolas eram palhaços do tipo Maduro, e que a velha Pérsia, com milénios em cima e habituados a bater-se contra gregos, romanos, mongóis, otomanos e russos, iriam facilitar e não vender cara a pele.
E de tal maneira, que Trump já está em pânico de poder atolar-se ali, tendo começado a coagir os idiotas úteis da Europa e arredores, que tão prestimosos foram para com a administração alegadamente liderada pelo senil que o antecedeu.
Veremos se com tanta cordura solidária para com o nosso grande vizinho, ainda não seremos obrigados a enviar uma fragata -- afinal não somos da raça de Albuquerque, o Terríbil?...
«Agitaram-se os cabelos / sobre as dunas. Estendida.»
Cântico Escorreito (2020) - «Sobre as dunas»
«Outra coisa que igualmente não se sabe é por que mutações orgânicas teria passado o famoso e altissonante canídeo até chegar à mudez histórica e comprovada dos seus descendentes de uma cabeça só, degenerados.» José Saramago, A Jangada de Pedra (1986)
«Em Espanha não só se come tarde, mas também se come demasiado. Provavelmente, o nosso carácter violento deve-se, em grande parte, ao excessivo trabalho que damos ao fígado... E é ver as nossas mulheres... Tão bonitas, tão sedutoras antes dos trinta anos! Mas, depois dos trinta, porque jantam tarde e se deitam, quase todas, em seguida ao jantar, começam a exibir umas ancas tão prósperas como se fossem mães de toda a Humanidade...» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)
«A dureza do colchão, em que se dorme, do albardão ou selim sobre que se monta, o tempero ou destempero do heteróclito cozinhado com que se enche o estômago, a lama que nos incrusta até os cabelos, o pó que se nos insinua até os pulmões, o frio que nos inteiriça os membros, o sol que nos congestiona o cérebro, tudo então nos desafina o espírito, que trazíamos na tensão necessária para vibrar perante as maravilhas da natureza ou da arte.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
Com palavras de 7$50, o Ministério Público mandou arquivar o inquérito sobre os cartazes miseráveis, xenófobos, badalhocos e racistas (portanto, inconstitucionais e fora-da-lei) do Chega.
Que asnal falta de vergonha, que imbecilidade, que estrabismo e que espessa estupidez, como bem demonstra a professora de Direito Cláudia Santos (texto para arquivar).
"Uma proposição apodítica"... Arre!, que se lhes foi a inteligência toda com as descargas de autoclismo diárias do "Processo Marquês".
«uma tarde que outra (e os dias passam) / há percalços que nos traem»
Mais Tarde (2003) - «Quem Espera?»
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.