terça-feira, janeiro 22, 2019

sábado, janeiro 19, 2019

vozes da biblioteca

«Essa minha paixão levava-me a passar horas perdidas, nos campos, a desenhar na terra, nas cascas de árvores, no chão, enfim, em todo o lado onde uma linha pudesse existir e fazer sentido ao lado doutra linha.» Rui Chafes, «A história da minha vida» (2011), Entre o Céu e a Terra (2012)

«Fui fazendo isto, porque não sou de me deixar estar, a permitir que o mundo me esfregue sal na grande ferida que sou.» Victória F., «Requerimento», Elogio da Infertilidade (2018)

«Os progressistas arregimentavam gente sã, todas as pessoas sensatas da terra, destas criaturas de uma só cara, que sabem por onde trazem a cabeça, maduras de anos e experiência, dignas de todo o respeito.» João da Silva Correia, «Mijados e chamorros», Farândola (1945) 

12 sinfonias: 12. Prokofiev, Sinfonia #1 (1918) - IV. Finale. Molto vivace

estampa CCCL - Thérèse Schwartze


Retrato de Lizzie Ansingh (1902)

sexta-feira, janeiro 18, 2019

«Julgo eu que se não pode ser grande escritor sendo pequeno homem, e que é preciso ter coisas em si para poder interessar aos outros.»

José Régio a João Pedro de Andrade, aqui.

vozes da biblioteca

«Julgas que é fácil ser-se mulher de um oficial da marinha que sonha com Índias e Vascos da Gama e que passa as noites a fazer as palavras cruzadas do jornal?» Luís de Sttau Monteiro, Angústia para o Jantar (1968)

«Sim: logo que vencesse a pior barreira, não me faltariam tempo e inteligência para dar explicações aos que tinham moedas a mais no bolso e engenho a menos na cabeça.» Francisco Costa, Cárcere Invisível (1949)

«Toda a memória lhe vem das janelas em guilhotina da 1.ª Classe , para onde tantas vezes olhou em vão, na esperança de que viessem socorrê-la.» João de Melo, Gente Feliz com Lágrimas (1988)

quinta-feira, janeiro 17, 2019

lido

capa: José Pádua

lido


VOZES DA BIBLIOTECA

«É muito bonito o meu amigo de agora; tem o mais belo pêlo da floresta, / e olhos onde brilha, em noite escura, / o faiscar do gelo nas alturas.» António Franco Alexandre, Aracne (2004)

«Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.» Carlos Drummond de Andrade, «Poema de sete faces», Alguma Poesia (1930) / 65 Anos de Poesia, edição de Arnaldo Saraiva (1998)

«Sim, é pai, mas -- a crença no-lo ensina: / Se viu morrer Jesus, quando homem feito, / Nunca teve uma filha pequenina!...» Afonso Celso, Poesias Escolhidas (1902) / Evaristo Pontes dos Santos, Antologia Portuguesa e Brasileira (1974)

quarta-feira, janeiro 16, 2019

50 discos: 19 ARGUS (1972) - #6 «Warrior»



Quadratura do Círculo

Nunca percebi por que razão a Quadratura do Círculo se configurou para não passar das meias-tintas, no que respeita à amplitude de visões políticas do seus intervenientes. Recordo-me que o «Flashback», da TSF, e de onde provém a QdoC, começou com Pacheco Pereira, nessa altura uma das figuras mais proeminente do cavaquismo, José Magalhães, então aguerrido deputado do PCP, e Vasco Pulido Valente, tão instável quanto estimulante. A saída de Pulido Valente foi remediada por Miguel Sousa Tavares, durante pouco tempo, depois Nogueira de Brito, e, finalmente, com Lobo Xavier. É já com essa composição, e Magalhães passado para o PS, que o programa se reinventa na televisão, com o nome que o conhecemos.
Estranhei na altura o convite a Jorge Coelho, um homem de aparelho, muito inteligente e eficaz, porém sem grande bagagem intelectual; achei que aquilo se tinha tornado numa coisa institucional e de meias-tintas -- não fosse a progressiva e salutar radicalização  de Pacheco Pereira --, que o convite a António Costa para substituir Coelho mais não fez do que confirmar. Do ponto de vista da troca dos pontos de vista, seria, à partida, mais interessante o "Prova dos 9", da TVI, com Rosas, Silva Pereira e o inefável Rangel, ou o outro lado, na RTP 3, com Rui Tavares, Pedro Adão e Siva, normalmente com grande solidez, e José Eduardo Martins. 
A QdoC mantinha-se, porém, como o meu programa preferido de debate político: o contraste entre um Pacheco Pereira muito incisivo, geralmente indo ao nó dos problemas, fazia um bom contraste com o conservadorismo respeitável de Lobo Xavier, e era em ambos que muitas vezes se polarizava o debate. Jorge Coelho, muitos furos abaixo, em especial de Pacheco Pereira, colmatava essa diferença com performances muito vivas, bulldozer em acção, que nem o atabalhoamento do discurso e os pontapés na garmática detinham.
Desfecho lógico no processo de animalização das televisões privadas, que vão esticando a corda tanto quanto as deixarem. A alternativa deve ser linda, estou curioso por continuar a acompanhar o processo de degradação da baiuca. Divertidas foram as justificações sonsas do director: parece que o programa acaba, aproveitando a mudança de instalações. Brilhante, como tudo o que dali sai. Já agora, podiam acabar com o normalmente pífio «Expresso da meia-noite». Desse sim, ninguém iria sentir-lhe a falta, a começar pela música épica do genérico, tão desajustada que só não vê quem não se enxerga; e os tweets palermas do público em rodapé, que não passa de irritante visual.
Em resumo, mais um passo na poluição comunicacional do espaço público, com todas as consequências que daí advêm.
em tempo: provavelmente, o programa político da nova grelha será esta coisa em forma de assim

criadores & criatura

Adicionar legenda

Iron Man / O Homem de Ferro
Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck e Jack Kirby

terça-feira, janeiro 15, 2019

432-202: Brexit ao fundo!

Grande dia em que se abre a possibilidade de dar ao povo britânico os meios de reverter uma situação a que o conduziram políticos sem escrúpulos e gente manhosíssima. Se isso suceder, será um bom dia para a Europa e para Portugal, pois com ou sem a Inglaterra, a União Europeia é uma coisa completamente diferente. 

vozes da biblioteca

«Com a queda do velho Lemos, no Pará, os Alcântaras se mudaram da 23 de Junho para uma das três casas iguais, a do meio, de porta e duas janelas, 160, na Gentil Bittencourt.» Dalcídio Jurandir, Belém do Grão-Pará (1960)

«O beijo de despedida, que pertencera ao ritual familiar, perdera continuidade nos últimos tempos (como muitas outras coisas), sem que, aliás, tivesse havido um motivo para que o hábito se alterasse.» Fernando Namora, O Rio Triste (1982)

«Outrora não teria hesitado e, zape-zape, pinheiro arriba, iria ver em que estado se encontrava o novo berço e voltaria, depois, pelos ovos ou pelas avezitas ainda implumes, as pálpebras cerradas e o biquito glutão semiaberto ante qualquer ruído.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)

segunda-feira, janeiro 14, 2019

domingo, janeiro 13, 2019

vozes da biblioteca

«Ora aconteceu que, uma vez, caiu sobre a Terra uma noite muito longa e santa.» Selma Lagerlöf, Os Milagres do Anticristo (1897) (trad. Liliete Martins)

«Tenho vinte e seis polegadas de altura, mas sou perfeitamente constituído e proporcionado, salvo no que respeita à cabeça, que é um pouco grande.» Pär Lagerkvist, O Anão (1944) (trad. João Pedro de Andrade)

«Tinha-lhe parecido que aquele casamento iria ser, entre todos os casamentos, uma aventura.» D. H. Lawrence, A Mulher que Fugiu a Cavalo (1925) (trad. Aníbal Fernandes)

12 sinfonias: 11. Sibelius, SINFONIA #1 (1899) -IV. Finale (Quasi una fantasia): Andante. Allegro molto. Andante assai. Allegro molto come prima. Andante (ma non troppo)