terça-feira, junho 02, 2020

«Leitor de BD»

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Morris, La Mine d'Or de Dick Digger



segunda-feira, junho 01, 2020

quinta-feira, maio 28, 2020

na estante definitiva

Na correspondência que trocavam, Ferreira de Castro, escrevendo a Jorge Amado após receber  Mar Morto (1936), disse-lhe ser este romance um poema em prosa, no que eu não poderia estar mais de acordo, até pelo sentido épico de que se reveste a luta do homem contra os elementos -- uma épica colectiva, como teria forçosamente de ser. 
«Agora eu quero contar as história da beira do cais da Bahia.», escreve o narrador, como um autor popular vendendo nos mercados a sua literatura de cordel. Sem arrebiques acacianos, o escritor dessacraliza-se: «Vinde ouvir a história de Guma e de Lívia, que é a história do amor no mar. E se ela não vos parecer bela a culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouvistes da boca de um homem da terra, e dificilmente um homem da terra entende o coração rude dos marinheiros.»
A grande literatura proletária e romântica, de que o autor, aos 24 anos e recém-licenciado no Direito que nunca praticou, se fez veículo.
Uma nota para a capa muito interessante desta minha edição, da autoria de José Ruy, a figuração de Janaína (ou Iemanjá), deusa marítima que colhe o seu tributo...

Jorge Amado, Mar Morto [1936], 4.ª ed. portuguesa, Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d. 
data de posse:Junho de 1984

quarta-feira, maio 27, 2020

«Minstrel in the Gallery»

«Leitor de BD»

sobre Duke -- A Última Vez que Rezei,
por Hermann e Yves H.


segunda-feira, maio 25, 2020

estampa CD - Amadeu de Sousa-Cardoso


Composição com Violino (1916)

sábado, maio 23, 2020

terça-feira, maio 19, 2020

«Leitor de BD»

sobre O Covil de Wolf Barker,
de Floyd Gottefredson



na estante definitiva

Este livro de José Freire Antunes (1954-2015) ocupa a minha estante permanente de historiografia. À data da leitura, constituiu-se como exemplo evidente de como se podia escrever história contemporânea com o rigor possível, sem o distanciamento temporal julgado necessário para abordar o que foi.
Historiografia de curtíssima duração (cinco anos), com um aparato crítico igual ao que vemos em estudos relativos a épocas recuadas, desmentindo a piada de já não me lembro quem, para o qual a História ia só até ao século XV; tudo que depois ocorreu era já do domínio do jornalismo…
Parte do projecto de investigação desenvolvido pelo autor nos Estados Unidos, «The Americans and Portugal: 1941-1976», beneficiando da recente abertura de alguns arquivos.
No limiar do capítulo I, «Política externa: um novo globalismo», temos um subcapítulo sem título, dedicado ao percurso político de Richard Nixon (1913-1994), da mercearia paterna em Yorba Linda, no condado de Orange, Califórnia até à Casa Branca, aos cinquenta e cinco anos. A presidência como obsessão, muito bem esgalhado, em menos de três páginas: «Ao longo de uma trajectória intermitente de sucessos e de ocasos, perseguira obsessivamente o supremo poder da Casa Branca: e faria desse poder o terminal trágico da sua carreira pública.»
Também muito bem escolhida foi a epígrafe de Henry Kissinger -- «esse homem fatal», como diria Eça de Pinheiro Chagas --, com muito que se lhe diga sobre as alegadas "responsabilidades" das nações, algo que, de acordo com o secretário-de-estado os Estados unidos só haviam descoberto com a II Guerra Mundial, e diz esta verdade, que o era para as velhas elites do poder, quer do Estado Novo quer da República e da Monarquia: «Hoje em dia, o país mais pobre da Europa Ocidental -- Portugal -- tem os mais pesados compromissos fora da Europa porque a imagem histórica de si mesmo está ligada às suas possessões ultramarinas.»

José Freire Antunes, Os Americanos e Portugal -- vol. I -- Os Anos de Richard Nixon (1969-1974), Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1986.


sábado, maio 16, 2020

terça-feira, maio 12, 2020

«Living in the Past»


sobre Le Tueur - Raisons d'État, t. I,
de Matz & Jacamon e
Les Oiseaux ne se Retournent Pas, de Nadia Nakhlé

estampa CCCXCIX - Alberto Sousa


Estação de Caminhos-de-Ferro Sul e Sueste, 1910

domingo, maio 10, 2020

orquestrais & concertantes: Brahms, VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE HAYDN (1873) / Dudamel

audições permanentes I (música erudita) - nova entrada

Samuel Barber, Adagio para Cordas*

Béla Bartók  (Nagyszentmiklós, 25.III.1881 - Nova Iorque, 26 de Setembro de 1945) Concerto para Orquestra (1943) - Eugene Ormandy, Orquestra de Filadélfia (Sony Classical)


Henryk Gorecki (Czernica, 6.II.1933 - Katowice, 12.XI.2010) Sinfonia #3 (1976) - David Zinman, Dawn Upshawn, London Sinfonietta (Elektra Nonesuch)

Johan Sebastian Bach  (Eisenach, 21 de Março de 1685 - Leipzig, 28 de Julho de1750) Concertos de Brandemburgo (c.1718-21) Milan Muncliger, Ars Rediviva Ensemble (Supraphon)

*Samuel Barber (West Chester, Pensilvânia, 9.III.1910 - Nova Iorque, 23.I.1981) Adágio para Cordas (1936) Leonard Bernstein, Orquestra Filarmónica de Los Angeles (Deustsche Gramophon)





sábado, maio 09, 2020

criadores & criatura

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Antonio Hernández Palacios, Jean-Pierre Gourmelen e MacCoy


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sexta-feira, maio 08, 2020

quinta-feira, maio 07, 2020

"Triste de quem tenta ser alguém na vida atirando os homens uns contra os outros"

Quaresma, grande Quaresma, craque da bola e não só, puxaste bem as orelhas a esse piolho, tratado pelos demais como um insecto, o que só o engrandece.


Se a criatura falou mesmo em confinamento de uma etnia, sim isso configura crime. Ora, o parlamento não é lugar para criminosos; espero, portanto que haja uma queixa em conformidade, a Assembleia da República lhe retire a imunidade.
Aliás, este advogar de medidas racistas é contra a Constituição; portanto, a confirmar-se, há que prover o saneamento básico ao sistema político, fazendo-se a descarga do esgoto.

em tempo: a magnífica declaração de Quaresma completa aqui.



quarta-feira, maio 06, 2020

terça-feira, maio 05, 2020

«Leitor de BD»

sobre, Lou Velvet em Época Morte e (À Suivre)
de José Calos Fernandes


«I Wanna Be Adored»

«Cockroach King»

domingo, maio 03, 2020

sexta-feira, maio 01, 2020

quarta-feira, abril 29, 2020

«No Lullaby»

«Leitor de BD»

sobre Colt & Pepper, de
Darko Macan & Igor Kordej


jornal i

sexta-feira, abril 24, 2020

na estante definitiva

Gabriela, Cravo e Canela é um romance de costumes e uma crónica de amor -- o amor entre uma retirante e um imigrante sírio estabelecido na cidade de Ilhéus -- o amor de Nacib a Gabriela. E não se estranhe que aqui tanto se fale de amor, porque não há tema literário mais elevado do que o amor…
Aliás, é assim que o narrador inicia o proémio: «Essa história de amor -- […]», como que desintoxicando-se dos três volumes de Os Subterrâneos da Liberdade
A introdução do narrador define o tempo e o espaço -- Ilhéus, 1925 --, trazendo ao proscénio um acontecimento de disrupção (palavra horrível…), o assassínio a tiro, em flagrante delito de adultério, do dentista Osmundo Pimentel e Sinhàzinha Guedes Mendonça pelo marido desta, o fazendeiro encornado Jesuíno Guedes Mendonça.
Escândalo público comentado na capital do cacau por algumas figuras gradas a que somos apresentados:João Fulgêncio, dono da papelaria Modelo, «centro da vida intelectual» da cidade; o político Mundinho Falcão; o advogado e publicista Ezequiel Prado, homem de verbo fácil; e, obviamente, Nacib, dono de um restaurante, a braços com a saída da cozinheira.

«Assim era em Ilhéus, naqueles idos de 1925, quando floresciam as roças nas terras adubadas com cadáveres e sangue e multiplicavam-se as fortunas, quando o progresso se estabelecia e transformava a fisionomia da cidade.»




quarta-feira, abril 22, 2020

50 discos. 20. SELLING ENGLAND BY THE POUND (1973) - #7 «The Cinema Show»



o 25 de Abril, os beatos e os saloios

No meio deste desassossego coronário, tenho assistido, entre o incrédulo e o divertido, à pseudoquerela a propósito das comemorações do 25 de Abril. Só dei por ela, aliás, quando João Almeida do CDS, com ar de catequista, se insurgiu contra a cerimónia depois de, segundo ele, terem proibido a Páscoa. É extraordinário e dispensa outros comentários. Uns dias depois passei pela Rádio Renascença, e senti um tom raivoso contra estas comemorações e eventuais acções previstas para o 1.º de Maio. Percebi, então, que aquela tirada do deputado centrista não fora um acto isolado -- e imagino o lixo que não deve andar por essas "redes sociais". A Igreja fatiga-me.
Cansam-me também os saloios que, a despropósito, falam da necessidade de inovar, recriar o cerimonial & outras maravilhas. Como detesto inovações, lavro desde já o meu protesto. Mas sugiro aos presentes no Parlamento, no próximo sábado, criatividade nestas máscaras de pano que aí vêm. As minhas serão garridas e pouco sanatoriais. Estou até a pensar encomendar uma com pequenos Mickeys...


Há sempre razão para comemorar, nem que seja a civilidade, nem que seja a desexistência da pide -- embora não faltem potenciais agentes e bufos --, nem que seja o fim da opressão colonial que há séculos infligíamos a outros povos, mal e porcamente;  nem que seja em memória do que foi e do que poderia ter sido; mas dificilmente poderia ter sido outra coisa senão isto.
E, mais que tudo, celebrar a liberdade de poder escrever tudo isto em nome próprio, sem receio que os bufos me vão denunciar ou que a pide me vá buscar a casa a meio da noite. 

estampa CCCXCVIII - Franz von Stuck


Estrelas Cadentes. Franz e Mary Stuck (1912)

terça-feira, abril 21, 2020

«Leitor de BD»

sobre Edgar Vasques, Paulo J. Mendes e Jeff Lemire

domingo, abril 19, 2020

sexta-feira, abril 17, 2020

criador & criatura

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Claude Auclair e Simon du Fleuve

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