sexta-feira, maio 20, 2022

António Costa na Ucrânia (ucranianas XCVI)

Até agora, Costa tem cumprido os serviços mínimos, porque ele, fino como é e com assessores militares que parece parece ter, está farto se ver o filme dos americanos. Mas a verdade é que temos de fazer os que os Estados Unidos mandam. pobres de nós; se até a França e a Alemanha andam a arrastar os pés... A Inglaterra não passa da ponta de lança dos americanos, com um reles que se presta a tudo -- os tories têm o seu Bliar. Quanto à Turquia, veremos, se como é dito pelos analistas, tudo não passa de barganha de bazar. 

Não me parece que a vontade de ir fazer o número com o Zelensky fosse grande, mas há coisas que nos ultrapassam. Eu gostaria que ele não fosse para lá dizer as tretas consabidas e fazer dos portugueses parvos, já nos basta o Santos Silva. Que fosse lá só fazer os serviços mínimos...

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quarta-feira, maio 18, 2022

playlist: «Particles»

o milagre da transformação da rendição em retirada (ucranianas XCV)

Rendição. Todos vimos a rendição de tropa ucraniana aos soldados russos, vindos dos estaleiros em Mariupol.  Tropa essa que seguiu para território ocupado pela Rússia. Que as autoridades ucranianas e aliados tivesse querido minimizar a derrota, falando em retirada em vez de rendição, estão no seu papel, compreende-se. Que as televisões embarquem na propaganda, não espanta, tem sido sempre esse o seu papel, pelas razões que tenho aduzido. Felizmente há os militares, que não estão, na sua maioria para se prestar ao jogo sujo, não se deixam utilizar nem se intimidam com a pressão analfabeta das "redes"..., e falam no óbvio, que toda a gente viu: a rendição. Além de Agostinho Costa e Carlos Branco, que se dão ao respeito, respeitando que os escuta, também o general Pinto Ramalho, ex-CEME, se referiu à rendição. Claro que também ouvi o historiador António José Telo a dizer parvoíces, sustentando de que não, de modo algum, não se tratava de uma rendição mas do cumprimento de instruções superiores. Eu já o tinha ouvido delirante falando na resistência heróica deste pessoal. Descontando o facto de quererem salvar a pele, pois há contas a ajustar relativas a 2014, o heroísmo está todo na cabeça de Telo. E essa das instruções superiores que terão recebido, é de rir. Instruções superiores para se entregarem ao inimigo que nome tem? Não é rendição?

"Heróis da Ucrânia". Ainda mais branqueados os neo-nazis do Batalhão de Azov, agora transformados em heróis da Ucrânia. Claro que os americanos e os seus homens de mão não têm escrúpulos. Mas fazer desta tropa fandanga heróis (o heroísmo foi o de se barricarem nos estaleiros, apesar de tudo), vem até dar razão ao Putin: que raio de país este que faz dos neo-nazis heróis... Claro que a maioria dos ucranianos não é nazi, até pelo que sofreram na II Guerra Mundial. Mas que eles estão ao serviço do Pentágono, e dos agentes que estão no governo da Ucrânia, lá isso...

O interesse da Europa. Pinto Ramalho foi, aliás, claríssimo no que respeita ao interesses da Europa, que não são exactamente os mesmos dos Estados Unidos, criticando aquele ímpeto anglo-americano exortativo: a Ucrânia vai ganhar a guerra. Talvez já não seja até ao último ucraniano, como planeado, mas até ao último europeu. Os militares já viram o filme todo há que tempos, e porque estudam e sabem, sem andarem a mandar bocas nas "redes", são os mais preocupados.

Derrota estratégica. O ministro João Gomes Cravinho, a propósito do pedido de adesão da Finlândia e da Suécia à Nato, afirmou que a Rússia sofrera uma derrota estratégica. É indesmentível. Mais uma razão para não deixar a Ucrânia na mão dos americanos, como estava até aqui. Portanto, para já, meia derrota.

terça-feira, maio 17, 2022

domingo, maio 15, 2022

"Porque nos estão a fazer isto?..." (ucranianas XCIV)

Vi hoje duas intervenções de Carla Rodrigues, com imagem de João Franco, na CNNPortugal/TVI a partir de uma tenda em Zaporíjia -- a antiga Aleksandrovsk do Império Russo --, acolhendo refugiados vindos das cidades do sul, como Mariupol.

Sem ter nada de espectacular enquanto reportagem de guerra -- ataques, fugas, etc. -- foi das melhores a que assisti, pela sua dimensão humana. Muita gente nove e de meia idade, algumas crianças (não me lembro de ver velhos), em actividades tão anódinas como fundamentais pata quem vem de da guerra: tomar uma refeição, falar com o vizinho da mesa, preencher formulários, falar ao telefone com familiares ou amigos, dando ou recebendo notícias.

Segundo Carla Rodrigues, são pessoas exaustas, física e em especial psicologicamente. Pudera. E a ecoar, a pergunta tantas vezes já por mim ouvida, transmitida pelos mensageiros, os jornalistas: porquê isto?; porque nos estão a fazer isto?...

São as vítimas daquilo que o Mircea Eliade designava pelo terror da História. Somos todos nós, quantos querem viver a sua vida sem oprimir ninguém nem ser oprimido ou utilizado, apanhados pelo jogo de interesses e pelas políticas imperiais e belicistas, demasiado fracos para sustê-las, tendo poucas formas de resistir: fugir, ficar ou ficar e pegar em armas conforme o lado de que se esteja.

Sons e imagens que nos forçam à humildade, mas que nos espicaçam ainda mais o sentido crítico, para perceber o que está em causa e as origens de tudo isto. E fazê-lo com honestidade e independência moral, como sempre procurei e continuarei enquanto me deixarem, a propósito desta guerra entre os Estados Unidos e a Rússia em solo ucraniano, como sempre tenho dito e continuarei a dizer cada vez com mais força -- estamos à beira de uma guerra incitada pelos Estados Unidos  (ou pelo Pentágono e a CIA, que, em política externa significam EUA).

Outro momento particularmente comovente foi o da nonagenária de São Petersburgo, sobrevivente do cerco de Leningrado, detida por, maravilhosa, protestar contra a guerra na Ucrânia, empunhando dois cartazes caseiros.

Finalmente, outra cena marcante, agora perto da frente, com a repórter Ana Sofia Cardoso e o repórter de imagem, cujo nome infelizmente não fixei: com uma camponesa ucraniana de enxada na mão quando têm de abrigar-se dos morteiros disparados pelos russos. A camponesa entoa a ladainha, e pela tradução e entoação, percebi que não era apenas um responso de livração do perigo, mas uma verdadeira encomendação da alma. Dramático a valer...

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playlist: «Loud Shoes»

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sábado, maio 14, 2022

playlist: «Love Is The King»

ai Erdogan, Erdogan... (ucranianas XCIII)

Ser contra a entrada na Finlândia e da Suécia na Nato porque servem de refúgio aos membros do PKK... Já vi melhores desculpas. Mas cola, como argumento comunicacional, para os que estão a leste, é claro. Vamos ver quanto tempo aguenta.

A Turquia, país da Nato, não pode dizer o que diz o Papa ou Lula, nem chamar provocadores aos EUA nem àquele rafeiro inglês -- um perfeito representante dos nossos valores. 

O Erdogan é um cágado velho, e sabe perfeitamente que os amigos americanos orquestraram o golpe para o derrubar, mas, claro, não pode admiti-lo.

Só tenho pena que, mais uma vez, os curdos estejam na berlinda. Depois de combaterem por nós contra o Daesh, talvez sirvam de álibi para que não se faça a vontade ao Biden e do inqualificável Boris Johnson. Estar ao lado destes gajos é que é uma verdadeira vergonha, e deixar-se manobrar por eles, ainda pior.

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sexta-feira, maio 13, 2022

playlist: «This Ship Will Sink»

caracteres móveis

«As pessoas poderosas podem dar-se ao luxo de ser malcomportadas, ao passo que as pobres e indefesas têm de ter cuidado consigo. Têm de aceitar a acusação de serem insípidas, de modo a evitar acusações mais graves.» 

Terry Eagleton, Como Ler Literatura (2013, trad. Miguel Martins, 2021) -- a propósito de uma personagem de um livro de Jane Austen.

Quem não tem medo do Poder?: o louco, o desesperado, o que não tem nada a perder. Os outros, mesmo o despojado que nada quer para si a não ser assistir à luz da manhã, até esse tem medo que esta lhe seja retirada

playlist: «Strange Timez»

quinta-feira, maio 12, 2022

sobe a parada (ucranianas XCII)

Como é público e notório, o que me interessa é que os Estados Unidos não ganhem esta guerra com a Rússia. Até porque, a acontecer e com uma Rússia enfraquecida, em poucos anos haverá uma outra no Pacífico, com a China.

Não sei o que irá acontecer. Neste momento, a minha convicção é de que a Ucrânia pode dizer adeus ao Donbass, ficando possivelmente sem acesso ao mar, o que seria um castigo pesado, embora tudo aquilo seja russo desde o século XVIII, as cidades, a maioria da população.

Que as coisas não correram militarmente bem a Putin no início, creio que é uma evidência, salvo opinião mais abalizada. Não vou atrás da propaganda massiva e nunca vista desencadeada sobre a opinião-pública ocidental, mas pelo facto singelo de a operação ter mudado de comando poucas semanas depois de iniciada.

Pelo que tenho ouvido dos militares, a progressão no Donbass tem sido consistente, embora lenta, e parece-me que tem avançado rapidamente no sul.

A utilização do armamento da Nato poderá fazer a diferença, mas, como tem sido dito, será preciso que ele chegue lá e haja gente que o maneje. 

O pedido de adesão, principalmente da Finlândia, à Nato, é uma derrota de Putin, claramente. E, do meu ponto de vista de português à beira do Atlântico, não de um finlandês sobre o Báltico, creio que se trata de um erro, de uma grossa asneira, para o qual contribuiu o compreensível sentimento de insegurança dos cidadãos, que, como todos os cidadãos desinformados em qualquer lado, não compreendem a razão desta invasão, embora ela exista. E com o desenrolar do terror da guerra e da propaganda pesada, os 70% que eram contra a adesão da Finlândia passaram a 20% ou menos. Ou seja: a Finlândia resistiu à União Soviética, mas não resiste a Putin. Ridículo.

Entretanto, numa hábil jogada, hábil e audaz, o peão inglês dos Estados Unidos assina um tratado de aliança e assistência militar, comprometendo-se a entrar na guerra em caso de agressão ou invasão, a pedido dos países invadidos. 

Tal como a maior parte dos observadores, não penso que a Rússia invada a Finlândia, mas pode atacá-la destrutivamente (tal como poderia ter facilmente arrasado Kiev...). E ficar à espera das botas inglesas, sem atacar esta, país da Nato.

É evidente que os analistas do Kremlin estudaram todos os cenários, mesmo se surpreendidos por uma resistência ucraniana com que parece não terem contado. Ou seja: se não desde o início, há semanas que os russos estão à espera disto.

O que vai acontecer? Não sei. O arrastar da guerra na Ucrânia é altamente indesejável para a Rússia, mas não me parece que os ucranianos possam sonhar tirá-los de lá. (Uma situação de guerra de baixa intensidade pode manter-se, mas isso não causará uma tão grande mossa à Rússia, suponho). Ou podem querer, num acto de desafio ainda mais arriscado do que o inglês, fazer pagar caro à Finlândia com um ataque brutal.

Apesar de tudo, espero que não. No entanto, Rússia e Estados Unidos já estão frente a frente.

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quarta-feira, maio 11, 2022

playlist: « Over and Over and Over»

JornaL

1. Abuso de crianças dentro da igreja.  Bem sei que a questão é mais complexa, mas estou convencido de que uma aberração como o celibato obrigatório dos padres e freiras contribuiu para deformar algumas mentes.

2. Lei dos Metadados. Não percebo como é possível a Assembleia da República parir leis inconstitucionais. Não há para lá assessores aos pontapés? Para que servem?

3. "Pégasus". Muitíssimo conveniente as alegadas escutas dos serviços secretos espanhóis a Pedro Sánchez e alguns ministros, depois de serem apanhados a espiar os líderes catalães. devem pensar que somos parvos, carne para canhão comunicacional, à maneira do método emprenhamento artificial usado com a guerra da Ucrânia.

4. Atrasos de vida. Os talibãs voltam a impor o véu completo e recomendam a burca. Primitivos e maus.

5. Les beaux esprits...  João Botelho a filmar a poesia de Alexandre O'Neill, dará um bom filme? É bem provável.

6. Livro que me apetece. Devagar, a Poesia, de Rosa Maria Martelo (Documenta).

7. Uma frase. «[...] O'Neill tem na relação com Portugal um tema cuja intensidade e profundidade apenas encontra paralelo em pessoa.» Fernando Cabral Martins, JL. Será? O primeiro nome que me vem à cabeça é o de Ruy Belo, mas há outros.

"Leitor de BD"



François Shuiten,.

             Blake e Mortimer - O Último Faraó

(aqui)



terça-feira, maio 10, 2022

playlist: «Nha Charme»

sai um memofante para o prof. Azeredo Lopes (ucranianas XCI)

Deu-me ontem para ver o Telejornal. Depois de assistir ao indigente comentário dialogado Márcia Rodrigues-José Rodrigues dos Santos (o ridículo não mata), cai-me no colo a Cândida Pinto. Escusado será dizer que me levantei logo, nauseado, e saí dali. No regresso, liguei para a cnn-Portugal, como de costume (quem diria....). 

Depois, chego aos agregadores de notícias, e dou com um texto do antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes, que mostra bem o quanto a universidade bateu no fundo. Condenar a invasão russa da Ucrânia com base no óbvio ululante de que o Direito Internacional foi violado, pode servir para o papagueamento comunicacional político-jornalístico, mas é inadmissível para um observador objectivo das relações internacionais, a não ser por parcialidade, que deveria ser assumida sem ambiguidade, em vez de se acobertar sob a capa da análise. Outro fosse o protagonista e seria só analfabetismo.

(parênteses: Eu cá sou parcialíssimo: em primeiro lugar sou anti-americano (primário, secundário e terciário -- anti-administração, repito-me); depois logo se vê. Entretanto, Tulsi Gabbard...)

Lopes esquecido: esquece-se de que a Rússia só aceitou a independência da Ucrânia depois da desnuclearização desta, que foi efectivada. Por alguma coisa seria. Achava-se então que a previsível (?) adesão da Ucrânia à Nato seria algo a que Putin, ou outro qualquer, aceitaria impávido, pois estava em causa o Direito Internacional?...  Claro que há sempre os vigaristas que dizem: "Nãããão... A Entrada na Nato não estava em cima da mesa...!" Não, pois não estava...

Ao menos podiam aprender alguma coisa com o Papa, e até com o antigo operário Lula. Que jornalistas superficiais vão na cantiga, é apenas triste; mas o espaço comunicacional está a abarrotar destas habilidades, destas meias-verdades e também deste tipo de burrice, forjada ou efectiva. 

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segunda-feira, maio 09, 2022

playlist: «Lisboando»

a geometria variável dos altifalantes do Pentágono e um aviso à navegação aos mais excitados (ucranianas XC)

 Ouvi ontem um dos muitos especialistas em relações Internacionais (alguns são bons; outros, poucochinho), elocutar mais esta parvoíce: a Rússia fica cercada, tornando-se um pária internacional. A senhora, nada desagradável, diga-se, acha que o mundo se resume aos Estados Unidos e à União Europeia, esta tornada numa espécie de Bielorrússia dos americanos -- notoriamente. Esquecem-se de que existe a China, a Índia, o Irão (que tem o melhor cinema do mundo, já agora...), toda a América Latina -- que conhece bem o cadastro dos americanos --, a começar pelo Brasil.

Há aqui uma série de pessoas, por razões várias, que me dispenso de analisar, não s exime ou a mostrar a parcialidade ou a amochar. 

Também, verdade seja dita, não só não se convidam analistas que defendam a Rússia, como são pouco os que se dão ao luxo de dizer tudo o que pensam -- só os séniores como Jaime Nogueira Pinto, Fernando Rosas ou Ângelo Correia, e pouco mais, entre os quais alguns, poucos, militares.

Isto sem contar, com as ameaças. É nestas situações que eu tenho pena de não ser um verdadeiro putinista...



domingo, maio 08, 2022

playlist: «Lavender's Blue»

questões nucleares ou as barbas dos finlandeses (ucranianas LXXIX)

A Nato "a ladrar" às portas da Rússia levou à reacção de Moscovo, disse o Papa. Talvez as declarações de Francisco possam abrir os olhos a muitos, e questionar para onde nos estão a levar os idiotas dos dirigentes europeus, a mando dos americanos. O Papa não é parvo nem é um coninhas, ao contrário de boa parte daqueles.

Discordo do grande Lula. Diz que Zelensky é tão culpado quanto Putin. Não é bem assim: como também disse o anterior e espero que próximo presidente, "Zelensky quis a guerra". Como tenho dito e redito: enganado, comprado ou ambas as coisas pelo aparelho militar americano.

Numa visita a uma fábrica de armamento, Biden, senil como sempre, saiu-se com esta junto de trabalhadores (cito de memória): estas armas vão salvar vidas e proteger-nos de uma III Guerra Mundial em solo europeu. Boneco de ventríloquo do Pentágono e da indústria de armamento, aquele senil deixou fugir o que todos sabem: a convicção de que uma guerra nuclear no Velho Continente é possível sem que lhes bata à porta.

"Especialistas" de meia-tigela em relações internacionais, jornalistas analfabetos, esportulados pela CIA, e demais putedo comunicacional sortido têm servido de agentes de comunicação oficiosos do Pentágono. No outro dia, uma destas senhoras que vêm debitar a propaganda americana foi candidamente clara (ou então já nem se preocupa em disfarçar): a Rússia não pode ganhar esta guerra e os Estados Unidos não a podem perder, pois a seguir virá a China. Já se tinha percebido há muito.

Finlândia. Tal como a Polónia e os estados bálticos, a Finlândia tem razões de queixa da União Soviética, mas ao contrário destas, gozou de um estatuto de neutralidade que, repetindo-me, proporcionou-lhe uma prosperidade e bem-estar que são conhecidos. A opinião pública assustada pela reacção russa à estratégia americana desenvolvida na Ucrânia, porém mascarada pelos propagandistas do Pentágono, inclina-se para a adesão à NATO, constituindo-se, assim, uma nova ameaça para a Rússia. Para mim, trata-se de uma flagrante imprudência, não sendo de admirar que esta faça um aviso definitivo e musculado -- e quem sabe devastador. A fronteira finlandesa está mais próxima de São Petersburgo que a ucraniana. Não faço ideia o que seja a classe dirigente finlandesa, mas não me admiro que seja da mais baixa extracção política. como a maioria dos congéneres europeus. O melhor será os finlandeses porem as barbas de molho.


quinta-feira, maio 05, 2022

playlist: «Villa Mariana (Pela Madrugada)»

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a "Batalha de Kiev" e outras aldrabices (ucranianas LXXVIII)

E não só: o miserável Johnson falou aos deputados ucranianos. Este traste, aplaudido por Zelensky, comprovadamente outro homem dos americanos, disse que a Ucrânia vai ganhar esta guerra. 

É de rir.  Desde que os Estados Unidos passaram a tomar conta do país, a Ucrânia já perdeu. Tem de arrostar com a ira dos russos, pode dizer adeus ao Donbass, a uma parte, senão a toda a costa do Mar Negro, e será afortunada se conseguir manter Kiev. A não ser que haja um golpe de estado em Moscovo (nem estou a ver bem por que razão, para já). 

Tentam prolongar a guerra à custa do povo ucraniano e da destruição do país. à espera que o golpe chegue. Mas com ou sem Putin, a política externa não sofrerá grandes alterações. Mesmo com o bebedolas do Ieltsin, os russos só aceitaram uma Ucrânia independente desarmada (a ligeireza com que estas coisas se esquecem...) e a manutenção da frota do Mar Negro, em Sebastopol.

Bem pode por isso o Biden pedir ao Congresso para despachar a dotação de 30 mil milhões de dólares em ajuda à Ucrânia. Em última análise o mais que conseguirão é um encontro marcado com o destino. Já me perdi com os montantes da generosa espórtula americana à Ucrânia. Meu Deus, como eles são altruístas... Comove-me grandemente nesta fight pela democracy. E quando eles falam na "batalha de Kiev"? Mas eles estarão a falar para quem? Para as opiniões-públicas que andam a enganar. Se o tempo corre contra a Rússia, o que é verdade, também corre contra a manipulação.

A incrível Úrsula, a perorar belicosa no Parlamento Europeu, ou seja, uma presidente da Comissão Europeia, totalmente enfeudada aos interesses americanos, com um discurso agressivo. Depois desta fraseologia vem o quê? Com a Alemanha manietada, a Polónia de garra garra afiada, estamos entregues às perícias do Macron, sem esquecer o inestimável Orbán, que, no que respeita à UE não é um banana como nós aqui (do Chega ao Bloco, uma frente unida; salva-se o PCP, honra lhe seja.)

Por falar em imprensa, li na sic, no restaurante ao almoço, que o russo de Setúbal "tem ligações ao Kremlin". Está-se mesmo a ver: saído daquela enxovia onde tem a sede directamente para a mesa de seis metros do Vladimir. Que o homem trabalhe para a embaixada, ainda posso admitir; mas em Setúbal? Certamente à cata de inéditos fesceninos do Bocage, para desmoralizar o país e dar mais argumentos á Úrsula.

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terça-feira, maio 03, 2022

«Mamma Roma»





Um filme que é a Magnani, e que não difere muito de Accattone, excepto em subtileza e nas referências há pintura de Caravaggio, fui lembrado, Mantegna, claro. O final é glorioso.

domingo, maio 01, 2022

foi uma pena os russos não terem mandado uns mísseis quando lá esteve a estafermo da Pelosi (ucranianas LXXVII)

A indecorosa Nancy Pelosi foi a Kiev visitar os seus homens, dar ânimo às suas tropas. Eu comecei esta série sobre a maldita guerra dizendo que os americanos iam dar guerra naos russos até ao último ucraniano. E é isso mesmo que está a acontecer, debaixo dos nossos narizes.

Com sorte, a guerra vai bater-nos à porta. Temos os homens dos americanos na Europa: o saguim do Stoltenberg, todo o governo inglês, a figura de Úrsula, os polacos.  E o Zelensky, agora comprovadamente um joguete dos americanos, algo que até agora eu tivera sempre cuidado em não dizer, porque não gosto de falar no ar

Ou o Putin consegue acabar depressa com esta porcaria e nos livra da Ucrânia e dos seus agentes americanos, ou então adeuzinho ao Putin, talvez até a uma boa parte da Europa. Mas aí, talvez os americanos não se fiquem a rir, como até agora. Se o mal chagar, vamos também pensar neles nas nossas orações.

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playlist: «All The Love in Paris»

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sábado, abril 30, 2022

sexta-feira, abril 29, 2022

playlist: «Night Hours»

táctica asneirenta (ucranianas LXXVI)

 Se tivessem feito o mesmo quando se deu a visita da permanente figura de Úrsula, do speedy Borrell ou da louca de Malta, seria uma coisa; agora, durante a visita do secretário-geral da ONU?... 

Foi estúpido, e não ganharam grande coisa com isso. E isto não tem nada que ver com o facto de tratar-se de António Guterres, cuja acção foi até agora passível de crítica. Tinha sido giro fazê-lo com os dois patifes enviados pela cia. A fábrica de armamento podia ter sido destruída a qualquer hora. Não há grande paciência, de facto.

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playlist: «Eu Só Preciso»

quinta-feira, abril 28, 2022

quarta-feira, abril 27, 2022

terça-feira, abril 26, 2022

"guerra injustificada" -- uma treta para enganar os crédulos (ucranianas LXXV)

1. Ontem, uma especialista em relações internacionais abertamente alinhada com a Nato, Diana Soller, disse que uma das razões por que o corte da importação de gás, petróleo, etc. era inoportuno se prendia com a necessidade de ter as opiniões públicas do lado ocidental.

2. Que as opiniões públicas têm sido sujeitas a uma carga nunca vista de propaganda, da mais primária à mais insidiosa, para todos os públicos, é notório -- um case study para toda essa fauna da comunicação e marketing políticos. 

3. Pressinto, cada vez mais, que a torrente está a chegar ao ponto de saturação. Por muito que os porta-vozes oficiosos da Nato venham ao comentário aldrabar, e por mais que os primatas que fazem de pivôs nos telejornais papagueiem o fraseado cozinhado pela propaganda de guerra americana, com a cumplicidade parvovirótica do trio grotesco que nos coube em sorte à frente da UE -- pressinto que o cidadão comum mais atento, e que não gosta de sentir-se usado, comece a achar esquisitas algumas coisas, como por exemplo:

3.1. A fortuna incomensurável (quaquilhões, em americano) que os Estados Unidos, sempre generosos e solidários, despenderam já em defesa da democracy... A intervenção do Lloyd Austin, após o encontro-farsa em que ele e o Blinken, foram dar um pouco mais de tónus à cúpula cúmplice ucraniana nem conseguiu disfarçar (o quê?...), ao falar da "nossa" (deles) acção de resposta. É hilariante vê-lo a meter os pés pelas mãos e o risinho filho-da-puta (ver aqui o segundo vídeo). Como digo desde antes do início da guerra, trata.se de um conflito entre a Rússia e os Estados Unidos, em que a Ucrânia é campo de batalha e os ucranianos carne para canhão. Qualquer historiador, estrategista ou especialista em relações internacionais que não parta daqui, ou é estúpido ou então, aldrabão. E os líderes europeus, cúmplices, em maior ou menor grau, à excepção do Boris Johnson, um saguim amestrado dos americanos, como antes já havia sido aquele ignóbil Tony Blair.

3.2. Estou também convencido que muitos cidadãos de boa-fé já torcem o nariz a episódios como o das crianças e famílias encerrados nos estaleiros de Mariupol. Que estão a ser usados pelos nazis que lá estão entrincheirados, só não vê quem não quer. Mas se estas crianças e mulheres perfidamente utilizadas vierem a ser uma das muitas vítimas desta guerra que a Rússia foi forçada a levar a cabo (vai a negrito, que é para se ver melhor), não venham chorar-se. São enganados e aparentemente não se importam.

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playlist: «Cirice»

segunda-feira, abril 25, 2022

domingo, abril 24, 2022

Páscoa em Kiev, e um outro olhar sobre a religião, seguido de jornalismo a sério e de ranhura (ucranianas LXXIV)

1. Páscoa em Kiev. Sou radicalmente ateu e não suporto quaisquer imposições de índole religiosa. Rio-me delas, porque vivo num país laico e em que a Igreja Católica foi posta no seu sítio depois da Revolução Liberal de 1820 e da Guerra Civil de 1828-1834 -- porventura com excessos e severidade, de qualquer modo com muito menos violência da que foi exercida por si e em seu nome durante séculos. Respeito as convicções individuais e desprezo a hipocrisia.

Mas há alturas em que a religião é um lenitivo quando tudo se desmorona, convém não o esquecer. foi assim em Timor-Leste, durante a selvática ocupação indonésia; assim na Polónia, na resistência ao totalitarismo comunista e a uma sociedade vilmente policiada. Hoje quando vi as imagens comoventes de um padre ortodoxo a aspergir na rua água benta aos fiéis, vi nestes um sorriso de felicidade e conforto. E isso comoveu-me.

2. Jornalismo. Acabo de ver uma incursão na linha da frente pelos jornalistas da sic, Nuno Pereira e José Silva (repórter de imagem). Excelente trabalho, grande coragem. Assim como o que é desenvolvido do lado russo por Bruno Amaral de Carvalho (não sei o nome do repórter de imagem), sempre isento das vezes que vi, ao contrário de alguns colegas seus, e que alguns pulhas de cá insultam na imprensa, como se ele fosse propagandista dos russos -- estes mesmos analfabetos ou oportunistas que debitam a propaganda do Pentágono. Quando vejo alguns deles, ponho-me à procura da ranhura por onde lhes metem as moedas no coiro, antes de começarem a debitar.

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playlist: «All That Reckoning (Part 1)»

sábado, abril 23, 2022

quinta-feira, abril 21, 2022

playlist: «Sunrise»

o péssimo discurso de Santos Silva (ucranianas LXXIII)

Não ouvi o final, por causa da box, e não tive paciência para ir à procura outra vez. Santos Silva, que começou bem o mandato, cortando a palavra ao badalhoco do Chega, esteve igualmente bem ao falar da integração harmoniosa dos imigrantes ucranianos na sociedade portuguesa e, já agora, naquele aceno erudito da Sonia Delaunay com o Amadeu de Sousa-Cardoso.

Não esteve nada bem no tom justificativo com que quis mostrar a Zelensky um país obediente aos interesses geopolíticos da Nato, nem na aldrabice de dizer que Portugal é um país respeitador do Direito Internacional. Tem dias... Quando o infractor são os Estados Unidos, lá estamos nós, acriticamente obedientes. Exemplos: o Iraque e o Kosovo, duas manchas, sem falar, com este então ministro, na farsa do autoproclamado "presidente Guaidò" na Venezuela -- não porque o Maduro mereça respeito, não merece nenhum --, mas porque pôs em dificuldade a grande comunidade portuguesa no país, hipotecando-se mais uma vez aos interesses dos Estados Unidos, sem qualquer vantagem para nós -- Estados Unidos, aliás, que se preparam para reabilitar Maduro, graças ao petróleo, deixando cair, como é seu costume o investido factotum na Venezuela.

Zelensky fez um discurso fraco, de ocasião. O PCP deveria ter estado presente, pois, repetindo, estava em sua casa.


(em tempo: e o dispensável ar fortalhaço com que se referiu à Rússia...)

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da Sputnik ao Sarmat, começando pelo PCP (ucranianas LXXII)

 1. PCP.  O PCP está em sua casa, por isso tenho dúvidas sobre o acerto da decisão de não assistir à intervenção de Zelensky, por razões aliás bastante atendíveis, sendo que para mim a mais relevante é o seu comportamento como um homem dos americanos, não sei se a gosto ou a contragosto (desconheço a correlação de forças dentro do poder ucraniano). De qualquer modo, como tenho dito, a liderança ucraniana faz o jogo dos patifes dos americanos. Vou ouvir com muita atenção o que ele vai dizer.

2.  Sputnik e Sarmat. Quando os russos foram os primeiros a fabricar a vacina contra a Covid-19, a UE, fiel como uma cadela aos ditames americanos, recusou-se a validar a Sputnik, mesmo que à custa da doença e morte de europeus. Suponho que agora também não queira validar um supositório como o Sarmat. Que obviamente irá ser replicado pela Nato. Mas a questão é que é simplesmente maravilhoso que haja quem trave os pulhas que infestam a administração americana. O mundo será menos pior, e talvez a ideia de uma guerra nuclear limitada a território europeu se desvaneça daquelas cabeças. Como também já escrevi, só um tonto ou um alucinado achará que uma guerra nuclear se limitaria ao Velho Continente.

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quarta-feira, abril 20, 2022

playlist: «In Castle Dome»

ah, que orgulho nos nossos valores... (ucranianas LXXI)

Sempre a pugnar pela liberdade e a autodeterminação dos povos, Pedro Sánchez irá a Kiev; claro que isso vai obrigá-lo a fazer marcha-atrás na traição ao povo do Saara Ocidental. Vindo de Kiev, passará por Barcelona, Bilbau e Santiago de Compostela, anunciando o exercício pleno do da democracia -- que ele, Sánchez, não é um reles troca-tintas --, com um referendo sobre a autodeterminação daquelas nações. E já agora, uma pergunta aos oliventinos, cuja vila ocupam ilegalmente: querem voltar ao Alentejo ou permanecer espanhóis?

Diz-se que estarão mulheres e crianças nos estaleiros de Mariupol, onde aboboram os neo-fascistas do Azov. A ser verdade, estão lá a fazer o quê? E a resposta certa é...

E já que estamos a falar dos nossos valores, parece que o Assange sempre será extraditado, depois de anos de tortura (refúgio numa embaixada e solitária na cadeia). Que a Inglaterra, desde que deixou de ser a superpotência imperial que foi até há pouco mais de um século, passou a mastim da ex-colónia.

E já agora: que coveniente aquela acusação de desvio de fundos contra a Le Pen. Se é assim que a UE pensa que vai sobreviver, podemos já dizer adeus a essa bela aspiração secular.

Ah, os valores europeus, que orgulho, que orgulho...

Mas, para mim, nada há de mais valioso do que os valores dos Estados Unidos, democracy, sempre!

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