Woody Allen: «Disse-lhe umas piadas acerca da sua nova barba e rimo-nos e bebemos uns goles de conhaque, e depois calçámos umas luvas de boxe e ele partiu-me o nariz. / Naquele ano voltei a Paris pela segunda vez, para falar com um compositor europeu, magro e nervoso, de perfil aquilino e olhos admiravelmente rápidos, que um dia havia de ser Igor Stravinsky e, mais tarde, o seu melhor amigo.» «Memórias dos anos vinte», Getting Even / Para Acabar de Vez com a Cultura (1966) - trad. Jorge Leitão Ramos § Ivo Andrić: «Na maior parte do seu curso, o rio Drina corre através de gargantas apertadas, entre serras abruptas ou profundos desfiladeiros de arribas escarpadas. Apenas de quando em quando as margens do rio se dilatam em vales abertos, formando, de um ou do outro lado, chãs de terra fértil, ora planas, ora onduladas, próprias para cultivo e povoamento.» A Ponte sobre o Drina (1945) - trad. Lúcia e Dejan Stanković § Hans Christian Andersen: «Tinham vindo recomendados pelo nosso Ministro para Espanha e Portugal, dal Borgo, ao Almirante Wulff, em cuja casa ficaram hospedados, frequentando a escola do professor Nielsen. Depressa aprenderam o idioma dinamarquês, tomando amor à nossa terra.» Uma Viagem a Portugal em 1866 (1868) - trad. Silva Duarte § Mikhail Bakunin: «É uma classe condenada pela sua própria história e psicologicamente cilindrada. Marchava dantes na frente, era esse o seu poder; hoje recua, tem medo, condena-se a si própria à destruição.» O Socialismo Libertário - «O movimento internacional dos trabalhadores» (1869) - trad. Nuno Messias § Leonid Andreiev: «Confirmada a demência de Egor Timofeievich Pomerantzev, subchefe da Repartição de Administração local, os amigos promoveram uma subscrição em seu benefício, a qual rendeu o bastante para que ele fosse internado num manicómio particular.» Os Espectros (1904) - versão de Manuel do Nascimento § Michael Gold: «Cerra os dentes, garante que não falará e morde os lábios. / Com a boca sangrenta, jura que jamais soltará uma só palavra. / Com a boca sangrenta, jura que os cinco fortes polícias nunca o obrigarão a falar.» Michael Gold, «Cárcere», Para a Frente América... - trad. Manuel do Nascimento
domingo, dezembro 14, 2025
terça-feira, maio 20, 2025
alhures
«I. 1. "Sois grande, Senhor, e infinitamente digno de ser louvado". "É grande o vosso poder e incomensurávela vossa sabedoria". O homem, fragmentozinho da criação, quer louvar-Vos; -- o homem que publica a sua mortalidade, arrastando o testemunho do seu pecado e a prova de que Vós resistis aos soberbos.» Santo Agostinho, Confissões (397-400) - trad. J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina § «I. Conta Lázaro a sua vida e de quem era filho. Pois saiba vossa mercê, antes de mais nada, que me chamam Lázaro de Tormes, que sou filho de Tomé González e de Antona Pérez, naturais da província de Salamanca, aldeia de Tejares. Nasci no rio Tormes, e daí me veio o apelido. E aqui tem.» Anónimo, Lazarilho de Tormes (1554) - trad. Ricardo Alberty § «Picasso era um homem baixo que tinha uma maneira cómica de andar, pondo um pé adiante do outro atá dar aquilo a que se chama "passos". Rimo-nos com as suas ideias deliciosas, mas pelos finais dos anos 30, com o fascismo no auge, havia muito poucas coisas de que nos ríssemos.» Woody Allen, Getting Even / Para Acabar de Vez com a Cultura - «Memórias dos Anos Vinte» - trad. Jorge Leitão Ramos § «Nessa altura gostava muito da cozinha catalã; mas desde esse dia começaram a desfazer-se-me as gengivas e a apodrecer os dentes. Os médicos, unânimemente, declararam que o meu mal não tinha cura. Mandei deitar as cartas. Foi então que o curandeiro me receitou o regime de nuvens.» Félix Cucurull, Antologia do Conto Moderno - «Carta de despedida» - trad. Manuel de Seabra § «Na cela há cinco polícias fortes e um preso. Os polícias dispõem de meios que tudo alcançam e sabem que o obrigarão a confessar. / Como feras esfaimadas, atiram-se ao preso, às cegas, numa fúria. No fundo sentem-se mal, porque a cela é demasiado pequena para tanta gente. Além disso, os fatos pesados são um estorvo e os colarinhos duros incomodam terrivelmente.» Michael Gold, Para a Frente América... - «Cárcere» - trad. Manuel do Nascimento
terça-feira, setembro 11, 2018
sábado, setembro 01, 2018
«Amo os lobos, nascidos para a solidão e para a fome.» Raymond Léopold Bruckberger, O Lobo Milagreiro (1971) (trad. Jorge de Sena)
«Nas enormes camaratas, junto às janelas abarrotadas, por onde entrava o ar fresco da manhã renovando o ambiente carregado pelo respirar do amontoado de carne, formavam-se os grupos, as tertúlias da desgraça, procurando-se os homens pela identidade dos seus feitos: os delinquentes por crimes de sangue eram os mais numerosos, inspirando confiança e simpatia com os seus rostos enérgicos, os seus gestos resolutos e a sua expressão de selvagem pundonor; os ladrões, receosos e assolapados, com sorriso hipócrita; e entre uns e outros, cabeças com todos os sinais de loucura ou imbecilidade, criminosos instintivos, de olhar vago e incerto, fronte deprimida e lábios delgados, franzidos por certa expressão de desdém; testas de labrego extremamente rapadas, com as enormes orelhas despegadas do crânio; madeixas sebosas com com caracóis até às sobrancelhas; enormes mandíbulas, dessas que só se encontram nas espécies inferiores ao homem; blusas rotas e remendadas; calças no fio, e muitos pés, gastando a pele dura nos ladrilhos vermelhos.» Vicente Blasco Ibañez, «Casa de correcção», Contos Valencianos (1896) (tradução de Manuel do Nascimento)
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