terça-feira, abril 18, 2023
segunda-feira, abril 17, 2023
150 portugueses: 2. Egas Moniz (c. 1080-1146)
Lula a dizer as coisas como elas são, para grande consternação destes parvos (ucranias CLXXIX)
O que Lula disse, tanto sobre as responsabilidades russas e ucranianas na guerra em curso, e ainda do papel dos Estados Unidos e da Nato ("a ladrar às portas da Rússia", como disse o Papa Francisco), e da União Europeia (que generosamente põe em pé de igualdade com os EUA, mas que na verdade se porta como vassala dos americanos, como diz Putin, e bem), cria a confusão dentro do Portugalório político. Só não é hilariante, porque é grave. Marcelo deve estar à rasca, como à rasca está o PS; o PSD, través dos inenarrável Rangel que dar provas de existência; Ventura incha de prosápia; o tipo da Iniciativa Liberal perdeu a oportunidade de mostrar que não é um pateta; o Bloco, até agora calado, e porventura constrangido (isto de estar no mesmo lado da barricada do Chega, não deve ser fácil). Só se safa o PCP, o único que neste particular não faz o papel de criado dos americanos.
Os custos de não ter uma política, não direi independente, o que é impossível -- o nosso lugar é mesmo na Nato, infelizmente --; mas de não se ser subserviente. Depois falem em cplp's, lusofonias e mais conversa.
domingo, abril 16, 2023
sábado, abril 15, 2023
história e bd
Os quase 900 anos de História de Portugal são uma mina que a BD portuguesa aproveitou quase sempre para obras de teor essencialmente didáctico, mas de pouco brilho narrativo. O que não seria, se este filão fosse aproveitado por argumentistas da craveira de Charlier, Greg ou Van Hamme, que por cá não houve, não se sabe bem porquê? Há excepções, claro; e uma delas foi a do saudoso Jorge Magalhães (1938-2018), que fez o que pôde. Em Giraldo o Sem Pavor (1986), Magalhães deixa brilhar um talento com 20 anos, à data da elaboração destas páginas: José Projecto (Évora, 1962), apregoado e evidente admirador de desenhadores como Auclair, Rosinski e Segrelles.
Geraldo Geraldes, “o Sem Pavor”, é uma dessas figuras reais cobertas pelo mito, uma das muitas personagens dum passado a pedir autores. Cavaleiro nobre, mercenário, chefe de salteadores, quando lhe convinha guerreava ao lado dos mouros contra os cristãos como ele. Praticante do fossado, incursão relâmpago no reduto inimigo, tinha, qual guerrilheiro, rectaguardas inexpugnáveis.
Estamos diante duma caça ao homem: depois de matar um cavaleiro de D. Afonso Henriques, Geraldo é perseguido até alcançar refúgio entre os sicários que comanda, não sem antes pernoitar numa casa isolada, onde uma mulher o aguarda. Um pretexto para desenhar cenas de combate, belas figuras humanas e animais de vário tipo, algo que Projecto faz com verificável gosto e competência.
Giraldo o Sem Pavor
texto: Jorge Magalhães
desenhos: José Projecto
edição: Futura, Lisboa, 1986
(Setembro de 2019)
sexta-feira, abril 14, 2023
De Medvedev a Kuleba (CLXXVIII)
Há dias, o antigo presidente russo Dmitri Medvedev, habitualmente um homem cordato até ao momento em que os americanos decidiram usar a elite política ucraniana nas suas jogadas estratégicas, disse, com saudável brutalidade que o estado ucraniano poderia acabar, uma vez que não interessa a ninguém.
O que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, talvez em desespero, veio hoje dizer -- que o Mar Negro deve tornar-se um mar nato, como sucedeu com o Báltico, alusão à evidente derrota diplomática russa com a adesão da Finlândia, de resto já esperada -- só vem confirmar a justeza da dura afirmação do ministro russo. Outro Dmitri, agora Peskov, já respondeu
Por mim, de resto, como já tenho dito, os russos podem ir até Kiev, deixando a polaca Lvov aos polacos -- essa mesma Lvov, ou Lviv, que é tão ucraniana quanto o são Odessa ou a Crimeia.
quarta-feira, abril 12, 2023
terça-feira, abril 11, 2023
segunda-feira, abril 10, 2023
150 portugueses: Afonso Henriques (Coimbra?, 1109/1111 - 1185)
O que faz um rei medieval fazer um novo reino: o apoio da nobreza senhorial de Entre-Douro-e-Minho (Maias, Mendes, Sousas, etc.), que procuram livrar-se da pressão galega; a densidade política do território que se administra fundada, desde a formação, em 868, por Vimara Peres; a rivalidade entre Braga, primaz das Espanhas, e Santiago de Compostela; as divisões internas dentro da cristandade peninsular; as divisões internas dentro do islão peninsular (almorávidas e almóadas).
E antes e depois de tudo: uma personalidade fortíssima (arma-se a si próprio cavaleiro, como só os reis faziam, leio no verbete de Torquato de Sousa Soares, no Dicionário de História de Portugal) e uma têmpera robusta de lutador.
sábado, abril 08, 2023
sexta-feira, abril 07, 2023
o meu Amigo e poeta Manuel Matos Nunes em diálise com Drummond
a propósito do 11.º Colóquio de Pesquisas Luso-Brasileiras, em que irá participar, com blogue a seguir.
rei, estado, mar, língua e literatura -- ou o quê, quem e como se fez o povo português
É curioso verificar que o povo português é uma criação do país chamado Portugal. Ao contrário do que sucedeu com outros, que ajustaram etnia e território, os indivíduos que coabitaram no rectângulo, muito heterogéneo étnica e morfologicamente, entre o Atlântico e o Mediterrâneo (Orlando Ribeiro), que veio a chamar-se Portugal, cooperando e/ou guerreando-se eram, sucessiva ou simultaneamente, iberos, celtas, romanos, germânicos suevos e visigodos, berberes, árabes, judeus... Como escreve algures José Mattoso, portugueses designava, na Idade Média quando o reino se constituiu, os súbditos do rei de Portugal.
Não oferece dúvidas, porém, a efectiva e significante (embora actualmente nada pujante, também por inépcia dos múltiplos desgovernos) existência de um povo português, forjado ao longo dos séculos habitando maioritariamente no continente europeu num território cuja primeira parcela, até Coimbra, se tornou de facto independente desde há 900 anos, que se cumprirão daqui a um lustro, em 2028.
Este povo, que antes não existia, deve o facto de ser uma realidade não despicienda, apesar de tudo, no mundo global em que vivemos, a dois factores: a criação do estado e a codificação da língua portuguesa, não apenas como veículo, mas como arte. E a perenidade que parece ter alcançado, permitindo-lhe chegar ao milénio (espera-se, pois em História nada é imutável; e chegando lá, em que condições?...), assentou no(s) rei(s) e no exército que lhe assegurou a independência; a localização atlântica, cativando-o para um empreendimento a que não é errado caracterizar como gesta (termo usado como substantivo e não adjectivo), nas suas glórias e misérias, traduzindo-se na expansão extracontinental e na descoberta de territórios, povos e geografias insuspeitados, que tornando a tal perenidade de memória inapagável e irremovível enquanto a humanidade existir. São os séculos XV e XVI, de Henrique o Navegador e Gil Eanes, a Afonso de Albuquerque, "o Leão dos Mares" e Fernão Mendes Pinto.
Finalmente, a língua, vinda do latim e separando-se do galego pela conjuntura politica, património e identidade, que se espalhou; e através da língua, a literatura, em especial a poesia. Se nas restantes artes, não nos podemos equiparar aos grande países -- embora nomes respeitáveis não faltem, da pintura à música, na literatura só há um Camões e um só Fernando Pessoa; e em torno deles, um acervo gigantesco de literatura, dos trovadores medievais aos prosadores dos séculos XIX e XX.
O povo português, que antes de existir Portugal não existia ele próprio, é o resultado miscigenado de tudo isto.
quinta-feira, abril 06, 2023
terça-feira, abril 04, 2023
os indivíduos na História
Uma historiografia da qual os indivíduos estão ausentes, não me interessa para nada. Se a história apologética ou mitográfica das grandes figuras já foi ultrapassada há um século, não menos falha se mostrou a historiografia que varreu o indivíduo das estruturas. O menosprezo do papel do indivíduo da história de há muito que que se revelou insuficientíssimo para a tentativa de ler o passado. A fundação de Portugal nunca se perceberia sem a figura de Afonso Henriques, primus inter pares entre a nobreza de Entre Douro e Minho, tal como Luís XIV e Versalhes não são explicáveis sem a Fronda e os passos do jovem rei nela. Nem os Descobrimentos são entendíveis sem o ouro e a fé.
segunda-feira, abril 03, 2023
cheiro "a convés lavado de fresco"
«Passado Toulon, que ora cheira a pólvora, ora a convés lavado de fresco, e ostenta em cada passeio, em cada Café, mulheres que, de noite, serão sombras errantes na vizinhança do porto, atravessámos Hyères, de luminosa tranquilidade e fisionomia de comarca provinciana, onde a vida parece tão suave como as suas ruas adormecidas sob lençóis ao sol.» Ferreira de Castro, «Mónaco» (1935), Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
domingo, abril 02, 2023
estórias dentro da História
Salamina, Lepanto, Trafalgar, nomes que ligamos imediatamente a batalhas navais decisivas na História. A maior de todas, pelos meio e homens envolvidos parece ter sido a Batalha da Jutlândia, durante a Grande Guerra, ocorrida no Mar do Norte. entre 31 de Maio e 1 de Junho de 1916, envolvendo as armadas britânica e alemã.
Esta BD de Jean-Yves Delitte (Bruxelas, 1863) não é propriamente a história desta batalha de proporções épicas e decisiva para as marinhas de ambos os impérios -- para isso, há uma contextualização completa e ilustrada em apêndice -- mas antes o relato particular de duas histórias humanas, postas em situação no antes e durante a batalha, tornando a narrativa mais próxima, pelo que representa de sacrifício, e não um relato para-historiográfico de factos e números. É o caso do comandante Thomas P. Bonham, que apenas regressado de uma missão se despede da mulher e da filha para o que seria um exercício de rotina; ou o jovem Erik (ou Eric, como insiste o pai em escrever) habitante do Mosela, território alemão desde a Guerra Franco-Prussiana, que tem o sonho de ser piloto de guerra, mas será recrutado para a marinha.
Pintor oficial da marinha belga, apaixonado pela história naval (atente-se na assinatura) Delitte é também um esplêndido quadrinista, cujos começos remontam ainda à extinta e histórica revista Tintin. Além do argumento seguro, o traço rugoso evoca os de Hermann (Bernard Prince, Comanche, etc.) ou Franz (Lester Cockney) .
Jean-Yves Delitte, Jutlândia
colecção "As Grandes Batalhas Navais"
edição: Gradiva, Lisboa, 2023
agradeço à Gradiva o envio do livro
sábado, abril 01, 2023
temos o Ventura que merecemos
Nem eu tenho grande disponibilidade mental para me debruçar sobre outra coisa que não seja a guerra na Ucrânia e o nosso papel, português e europeu, de serviçais inconscientes e cobardes dos interesses americanos, nem isto é um blogue de comentários de actualidade.
Fiquei, no entanto, como toda a gente estarrecido com o sacrifício de duas jovens mulheres Mariana (24) e Farana (49). Já nem ligo às costumeiras javardices do Ventura, com grande acolhimento entre as massas ignaras, mas também entre os herdeiros privilegiados dos fachos e salazaristas analfabetos, que, como quem muda de camisa, trocaram o civilizado CDS por um coio de trogloditas, o que revela bem a sua verdadeira natureza (Cascais, a minha terra, é um triste exemplo disso mesmo).
Os artigos de Tiago Franco no Página Um e de Telmo Correia no Novo, embora parciais, acertam nas respectivas mouches e complementam-se. O voto de pesar da Câmara de Lisboa é exemplar.
sexta-feira, março 31, 2023
quinta-feira, março 30, 2023
mais do que um "divulgador"
Era um dos grandes escritores vivos, no que há crónica diz respeito. Fernando Lopes-Graça foi outro caso semelhante, um dos grandes do século passado, embora o próprio Lopes-Graça só se assumisse como músico e compositor, propositadamente, pois não queria contribuir para menorizar aquela que era a sua razão de ser, a música.
José Duarte, que morreu hoje, além de um ouvido sobredotado e uma capacidade nata de comunicar -- e não é nada fácil falar de música sem cair no oco lugar-comum --, foi um extraordinário escritor, como eu muitas vezes lho disse e até escrevi. Ele gostava, claro, e dizia-me que também Fernando Assis Pacheco lhe elogiava a forma, e esta, acrescento, não é menos importante que o fundo. Vai-se o homem com as suas imperfeições, ficam (não só) os livros.
quarta-feira, março 29, 2023
quando um presidente norte-americano usa a palavra democracia, ou os mortos não (se) contam
País de plutocratas, assente sobre o genocídio dos indígenas, racismo estrutural e imperialismo predatório (um pleonasmo), em que uma inegável liberdade de expressão, de credo e iniciativa individual não esconde uma colossal massa amorfa de subcidadãos largados à sua sorte e consumidores escravizados, pasto fértil dos mercados, desde logo o negócios das armas, tão importante dentro de fronteiras como fora delas. Os mortos não (se) contam.
Banda sonora: Khail El'Zabar, em tempos Clifton Blackburn...
Se é para sancionar os 13 marinheiros do NRP Mondego, toda a cadeia hierárquica deverá sofrer sanção proporcional, ou seja, mais grave
Não tenho opinião formada sobre o modo como deve ser tratado o caso da desobediência (chamar-lhe "insurreição" é sensacionalismo barato e pulha); o que me parece evidente, claro, indiscutível, após o que se passou ontem, é que o chaço comprado em segunda mão à Dinamarca (e somos nós um país marítimo, com a maior ZEE da União Europeia) não tem sequer condições para render a guarnição nas Selvagens, quanto mais acompanhar um vaso de guerra russo, ao largo das nossas águas territoriais...
Então, se não está em condições, porque o mandámos em missão? Porque somos um país do desenrasca e do faz-de-conta, para inglês ver, a trabalhar para as estatísticas, gráficos, relatórios, tantas vezes sem adesão ou aderência à realidade. A seriedade não nos assenta lá muito bem
Voltando aos marinheiros: sim a coisa não pode ficar em claro, mas a responsabilidade percorre toda a cadeia militar, sem nunca esquecer a tutela política, afinal de onde tudo parte.
Sobre o que se disse de um eventual dedo do PCP, atendendo ao seu historial em matéria militar (nunca exortou à deserção -- que seria mais do que justificada -- durante a Guerra Colonial; é, creio, o único partido a defender o serviço militar obrigatório, na lógica da responsabilidade popular em tomar para si a defesa do país), o que me parece mais do que dispensável) -- aquilo que se disse parece-me jornalismo ou comentarismo pateta.
terça-feira, março 28, 2023
lengalenga (ucranianas CLXXVII)
Tinha de ser: a propósito do iva 0% para as courgettes, António Costa lá veio com a lengalenga do ataque da Rússia à Ucrânia. Como Costa não é um lapuz saído das berças, sabe muito bem por que razão a Rússia atacou. No entanto, quer fazer que não percebe e/ou fazer de nós parvos.
segunda-feira, março 27, 2023
domingo, março 26, 2023
em cavalgadura, no tempo do comboio
«Mil vezes se arrependeu, depois, da resolução tomada; mil vezes mandou ao diabo o conselho do médico e fantasiou horríveis exacerbações em todos os seus males. Os inconvenientes de uma jornada, feita ainda segundo os velhos processos, com malas, coldres e pistolas, botas de montar e almocreve, ampliava-lhos a proporções estupendas o prisma da hipocondria.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
a facilidade de ser-se Jacinto
«E depois (acrescentava) só a Cidade lhe dava a sensação, tão necessária à vida como o calor, da solidariedade humana. E no 202, quando considerava em redor, nas densas massas do casario de Paris, dois milhões de seres arquejando (para manter na Natureza o domínio dos Jacintos!) sentia um sossego, um conchego, só comparáveis ao do peregrino, que, ao atravessar o deserto, se ergue no seu dromedário, e avista a longa fila da caravana marchando, cheia de lumes e armas...» Eça de Queirós. A Cidade e as Serras (póstumo, 1901)
sábado, março 25, 2023
"antes as rugas veneráveis"
«As pesquisas, porém, nada haviam adiantado. O tempo não ia além de Afonso Henriques, embora houvesse quem remontasse mais longe as suas origens. Mas não era a tese litigiosa da fundação que preocupava Luciano. O que ele via na Sé era uma relíquia a desencodear da ganga dos entulhos, um corpo a despojar de ignóbeis cataplasmas. Artista e construtor, entristecia-o ver a catedral romano-gótica completamente desfigurada nas suas linhas típicas, como estátua que tivessem o mau gosto de enroupar para lhe encobrir mutilações. Antes as cicatrizes disformes do que arrebiques casquilhos. Antes as rugas veneráveis do que a maquilhagem de gesso.» Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
sexta-feira, março 24, 2023
vista d'olhos
L'Affaire Markovic, de Manu Cassier e Jean-Yves Le Naour (Grand Angle). O caso da conspiração contra Pompidou, vinda de dentro do partido gaullista, em 1968: numa publicação lumpen, uma fotomontagem grosseira, "mostra" a mulher do futuro presidente francês em cenas de sexo explícito, escândalo que envolveu uma superestrela do cinema francês. Já se sabe: na política, os inimigos estão dentro do partido.
L'Impudence des Chiens, de Nicolas Dumontheuil e Aurélien Ducodray (Delcourt). No Antigo Regime não havia divórcio, mas uma mulher -- da nobreza, claro está --, negligenciada pelo marido e quisesse acabar com a pouca sorte, teriam ambos de sujeitar-se a cópula diante de um júri eclesiástico, que iria aquilatar da observância do múnus marital no seio do himeneu
La Synagogue, de Joann Sfar (Dargaud). Um judeu laico, num país, o seu, que coloca no parlamento um partido cujo fundador é um negacionista (palavra de uso exclusivo para os que negam o Holocausto perpetrado pelos nazis).
quinta-feira, março 23, 2023
quarta-feira, março 22, 2023
não sei se estão a ver a imagem (ucranianas CLXXVI)
terça-feira, março 21, 2023
a arte de começar mais depressa
«Andorra foi sempre, na terra portuguesa e na Europa inteira, um tear de sorrisos.» («Andorra», 1929)
«São cinco horas da tarde.» («Rodes», 1935)
«Soturna e larga cortina de chuva fecha o horizonte à proa do navio.» («Malta», 1935)
«O Don Jaime I solta as amarras às nove da noite.» («Maiorca», 1935)
«A ida à Córsega é rápida e fácil.» («Córsega», 1934)
«Como Andorra, Mónaco tem servido, com basta ninhada de ironias, para gáudio de horas vagas.» («Mónaco», 1935)
«A ilha de Monte Cristo, de existência assoalhada apenas pelo romance de Alexandre Dumas e por alguns mapas minudenciosos, ergue-se no Mar Tirreno, entre a Córsega e a Toscana, e à Itália pertence.» («O mistério da ilha de Monte Cristo»)
«Alguns pontos negros, isolados, surgem à proa do navio e vão crescendo à medida que nos acercamos.» («Egipto», 1935)
«Veio a manhã, veio a tarde e o navio fundeou em Haifa, porto da Galileia e um dos principais da Palestina.» («Palestina», 1935)
«O barco deixa-nos em Bizerta, grande abrigo naval da França e um dos mais fortes portos de guerra do Mediterrâneo.» («Cartago e Pompeia», 1935)
«Atravessámos o Canal de S. Jorge numa tarde friorenta e nublosa.» («Irlanda», 1930)
«Após o mundo dos monumentos, o mundo da paisagem.» («Madeira e Açores», 1932/1930?)
Ferreira de Castro, Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38)
o que vale é termos um mne que é um zero à esquerda
A perguntas estúpidas, Cravinho responde estupidamente. Ficámos a saber que se Putin viesse a Portugal seria detido, graças ao mandado de captura emitido pelo TPI, uma farsa que nem os americanos se dão ao trabalho de fingir acatar. Isto, no vigésimo aniversário do ataque ao Iraque das alegadas armas de destruição maciça (quantos milhares de mortos, ó palhaços?; onde o tpi, vigaristas?...)
E são aventesmas destas que nos calham em sorte -- é preciso ter muito azar. Estou para ver o que dirá a criatura quando a Polónia avançar para a guerra, e como vai esta matilha continuar a enganar-nos.
segunda-feira, março 20, 2023
domingo, março 19, 2023
sábado, março 18, 2023
da "batalha de Kiev" à "deportação de crianças ordenada por Putin" (ucranianas CLXXIII)
Eu gostaria de rir-me a bom rir, quando vejo uma atraso de vida de uma pivô embarcar com a mais saloia candura nestas manobras de propaganda; mas os canalhas por detrás disto agoniam-me. Agora é o TPI, instituição de crediblidade abaixo de cão e de zero. Vale a pena perder tempo com estes asnos? Não. Felizmente, ainda há vozes sérias audíveis, no meio destas pocilgas que nos entram pela casa dentro.
sexta-feira, março 17, 2023
quinta-feira, março 16, 2023
quarta-feira, março 15, 2023
terça-feira, março 14, 2023
a vergonha do bom papa Francisco
A propósito desta peste dos abusos sexuais na igreja, ainda há dias vi em imagens de arquivo Francisco manifestar a sua vergonha repetidamente e duma forma dilacerante. Sou ateu, embora de formação católica, como quase todos os portugueses; andei seis anos num colégio de padres e felizmente nunca por lá se ouviu, pelo menos no meu tempo, qualquer escandaleira relativamente a abuso de crianças, embora houvesse por lá um que fazia incursões nos colégios de religiosos femininos (era o tempo da separação dos sexos). Nada deve ter acontecido a esse gajo, que ou já está no Inferno, ou para lá caminha (costuma dizer-se que os patifes têm vida longa).
Não vou elaborar sobre os efeitos nefastos da pseudo-moral judaico-cristã, até por incompetência para tal, nem sobre a hipersexualização do espaço público, nomeadamente publicidade e televisões, que deve virar a cabeça a muito labroste. Tem-se falado nas consequências do celibato obrigatório; neste ponto concordo com o padre Anselmo Borges: para determinados indivíduos, este afastamento repressivo e antinatural do sexo oposto será fautor de uma sexualidade desviante e doentia. Aliás, não se percebe a parvoíce da da sua manutenção, uma vez que não é uma questão dogmática. Traumas da Reforma? É bem possível que a igreja católica esteja a atravessar a sua crise mais profunda dos últimos séculos. No Chile incendiaram-se igrejas, e não foram os revolucionários anarquistas.
Parte da igreja (em que proporção?) é um organismo doentio e malsão. Não é algo que me agrade particularmente, pelo importante papel social que ela tem, e, já agora, por razões histórico-culturais. Portugal existe porque houve uma aliança e uma política inteligente de D. Afonso Henriques no que respeita à ocupação do território. Sem ele, Portugal não existiria, e creio que sem a igreja também não.
Voltando ao bom papa Francisco: alguém viu replicado nestes desgraçados bispos de quem se fala a vergonha excruciante do sumo pontífice? Eu só vi justificações canhestras, pés pelas mãos, já para não falar dum imbecil que é bispo em Beja, um idiota em Santarém, mais o tontinho do Porto. Com excepção daqueles que prontamente agiram, só vi falta de empatia pelas vítimas, estão-se nas tintas para elas. E como cidadão tenho toda a legitimidade para perguntar-me onde acaba o desinteresse anticristão e começa a cumplicidade.
na mouche
João Pedro Marques: "O caso Roald Dahl é, na área das “correcções” woke da literatura, apenas o mais recente de vários outros (os de Mark Twain, Harper Lee, etc.). O que sucede — e que os woke mais perspicazes e racionais já perceberam — é que essa acumulação de casos provoca, tanto na direita como na esquerda moderada, uma reacção de chacota e de rejeição. E, perante essa reacção, surgem a atrapalhação e os lamentos de vários woke que, sentindo-se a perder o pé ou sem argumentos, e não querendo ficar conotados com as óbvias parvoíces a que o wokismo extremado conduz, recorrem à táctica de fingir que nunca existiram. O embaraço é tanto que, em sentido figurado, se metem no primeiro buraco que conseguem encontrar e desaparecem de cena. É tanto que renegam a família a que pertencem a ponto de a apagar. Atiraram a pedra, mas agora escondem a mão e fazem crer que quem os contesta e confronta está alucinado, criou fantasmas e anda a lutar contra moinhos de vento. Seja pela voz de António Guerreiro, seja pelo seu próprio comportamento, nesta altura do campeonato os woke dissimulam-se, confundem-se com a folhagem, fingem-se de mortos ou, pior, de inexistentes, como se nunca tivessem estado lá."
Ler mais: https://ceuenganador.webnode.pt/news/os-woke-nunca-existiram/segunda-feira, março 13, 2023
o começo do dia
«A sua primeira tarefa era a ordenha. Tirar o leite a mais de duzentas ovelhas e arrastar para fora da corte os cântaros cheios, é trabalho que estafa um adulto. Para ele, aos onze anos, era o começo do dia. E antes de o sol romper pegava no cajado, deitava o surrão ao ombro, assobiava um silvo de comando e abria a grade.»
«Essa era a vida do Gato, desde o romper do dia até à hora do comboio. Deixava então os rebanhos entregues aos cães, e corria à taberna da aldeia, a buscar o saco do correio. Em seguida, formiga apressada, ia encosta abaixo, encosta acima, até desaparecer do cume que esconde a planura que levava ao apeadeiro.»
«Calado, esforçava-se por encontrar um superlativo, mas incapaz de o descobrir fazia comparações: ser correio era melhor do que ser guarda, melhor que caçador, taberneiro, feirante, sacristão...»
J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003)
domingo, março 12, 2023
"Três caminhos para lado nenhum" -- ou a razão por que compro o DN todos os sábados
A crónica de Viriato Soromenho Marques.
sábado, março 11, 2023
num semestre literário
1 de Fevereiro de 1908: Raul Brandão recebe a notícia do assassínio do rei D. Carlos: «Está uma tarde linda, azul, morna, diáfana. Converso na Livraria Ferreira com o Fialho, quando entra esbaforido e pálido o pintor Artur de Melo, que conheço do Porto, e diz num espanto ainda transtornado: «-- Acabam de matar agora o rei!» Memórias vol. I (1919)
1 de Março de 1933: Estudante em Coimbra, Miguel Torga anota no Diário, a propósito da "diversão" da matança de gatos: «Não há universidade que nos tire da idade da pedra lascada.»
7 de Abril de 1962: João Palma-Ferreira evoca no Diário os subterrâneos Joyce, Kafka e Pessoa, a coragem da obra, e o nanismo dos consagrados autores nacionais: «Ou haverá aí algum Kafka incógnito a pregar-lhes a partida?»
1 de Maio de 1500: Pero Vaz de Caminha redige a célebre carta a D. Manuel I, por ocasião do achamento do Brasil, obra-prima da literatura portuguesa: «[Vossa Alteza] creia bem por certo que, para alindar nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.»
1 de Junho de 1890: Camilo Castelo Branco suicida-se em casa, São Miguel de Seide, com um tiro de revólver.
sexta-feira, março 10, 2023
quinta-feira, março 09, 2023
quarta-feira, março 08, 2023
terça-feira, março 07, 2023
(ucranianas CLXXI bis)
Em tempo: devo ter sofrido um curto-circuito, pois esqueci-me de dizer, a propósito deste arrazoado, que nem uma palavra a respeito do imperialismo americano. Talvez pela sua benignidade, trazendo consigo a democracy. Que o digam, entre outras, os milhares de iraquianos com as família destroçadas. Mas, claro, nessa altura havia as armas de destruição maciça, cujas provas da existência Durão Barroso viu.
segunda-feira, março 06, 2023
ph.n(egativo) (ucranianas CLXXI)
Hoje de manhã, na TSF, ouço, contrariado, a crónica de Raquel Vaz Pinto (RVP) -- uma daquelas catástrofes do comentário que nos tem caído na sopa desde o início desta segunda fase da guerra entre a Rússia e os Estados Unidos. Parece ser também admiradora de Hillary Clinton, o maior estafermo da política americana, desde que o erro da natureza de que é cônjuge deixou o cargo..
Pois esta comentadora conseguiu estarrecer-me mais uma vez, pela incompetência da própria parcialidade. A propósito de uma entrevista que a jornalista Anne Applebaum concedeu à estação (que não ouvi; chegou-me vê-la uma vez algures num canal), cita em êxtase a norte-americana que parece ter sustentado o seguinte: a Rússia tinha dois grandes trunfos no início da guerra: primeiro, o gás natural e o petróleo, parece agora que destrunfada pela União Europeia? A sério? Então e o gás vendido à China e à Índia, entre outros?; e o gás russo de contrabando que a UE compra mais caro por portas travessas? Ai este eurocentrismo. O segundo trunfo, parece que de acordo com a mesma jornalista. segundo a sua fã, é (era?) o armamento nuclear; mas esse parece que continua a existir -- o que não impede RVP de afirmar que, apesar desse pormenor, a Rússia está acabada. Toda a crónica não sei se é de rir ou chorar (aquela de Portugal ter deixado de sentir a necessidade de ser um império colonial é impagável). Ouvir aqui, não tendo nada sério ou interessante para fazer.
do realismo
«Ibsen fixa o olhar no sempre mais pequeno e isto é a melhor prova de que a sua inteligência é de boa qualidade. As pálpebras vão-se fechando cada vez mais em torno da pupila. Ibsen reduz cada vez mais o seu campo de visão. Os "motivos" da sua fantasia poética tornam-se cada vez menos importantes mas, em compensação, no cada vez mais pequeno ele vê sempre maior e, sobretudo, sempre mais "necessário".» Alberto Savinio, Vida de Henrik Ibsen (póstumo, póstumo, 1979)
domingo, março 05, 2023
Estados Unidos e Rússia, ambos estavam à espera (ucranianas CLXX)
Estava a ver o Oliver Stone num podcast, quando a certa altura diz que não se lembra de ter assistido a uma tão grande massa de propaganda, a propósito da guerra na Ucrânia; outros já o disseram, um dos primeiros de que me lembro foi Miguel Sousa Tavares. Esta miserável propaganda de condicionamento da opinião pública estava a ser preparada de há muito, pelo menos desde a abortada presidência Hillary Clinton.
O Putin sabia-o muito bem; basta ver as entrevistas ao Oliver Stone. E assim também ele se preparou para os pacotes de sanções, que tanto êxito têm tido em prejudicar os cidadãos europeus...
Porque uma das evidências que vai ficar desta guerra, será o molho de imbecis ou espertalhões à frente da UE -- ontem, tivemos a atrasada mental da presidente do PE em Kiev --; mas pior que isso, a fraqueza e cobardia dos líderes europeus, Eles mostraram que na hora da verdade a União Europeia é uma mistificação, e que quem manda é quem pode.
Entre nós, dois ministros dos Estrangeiros, um pior que o outro; um primeiro-ministro que gosta de agradar a quem detém o poder, um PR tornado num porta-medalhas, sem qualquer relevância neste assunto, nem internamente -- e a gravidade da situação assim o exigia. Apesar de pouco ter conseguido por ocasião do banditismo ocidental no Iraque e até no episódio da província sérvia do Kosovo, que diferença para Jorge Sampaio.
é por isto que compro o "Diário de Notícias" todos os sábados
Isto, é a crónica semanal de Viriato Soromenho Marques. Há poucos a escrever como ele no espaço público.
sábado, março 04, 2023
Ales Bialiatski
A Rússia também tem marionetas, e não apenas os Estados Unidos. Uma delas é o Lukashenko (que bem útil tem sido, o filho da puta, e espero que assim continue).
Só ouvi falar em Ales Bialiatski no ano passado. Além de me parecer um tipo de grande credibilidade, tem um substrato de resistente que vem de longe, não é um palhaço, ao contrário de certas fabricações do Ocidente.
Na minha galeria de prisioneiros de consciência e exilados políticos.
sexta-feira, março 03, 2023
quinta-feira, março 02, 2023
que belo e fresco seria ter o Lula a discursar no 25 de Abril
Sentir-me-ia muito honrado como cidadão -- não pelo facto de tratar-se do PR do Brasil, mas por ser Lula. O 25 de Abril fica-lhe tão bem.









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