quinta-feira, agosto 24, 2023

o que se passou com Prigozhin interessa-me pouco; já quanto a Marcelo... (ucranianas CCIII)

 O destino estava-lhe traçado. Como diz o adágio, quem com ferros mata... Se foi o Kremlin ou Kiev, ambos os lados tinham contas a ajustar. A morte de um senhor da guerra é algo de expectável. Quanto ao Wagner em África, correr com os franceses e matar jihadistas, não é propriamente um pecado mortal. Terei pena se a acção deles for afectada por isto.

Agora, Marcelo. O primeiro de dois dias, o exibicionismo do costume, acolitado por um zombie, agravado por uma frase infelicíssima, não apenas por ser falsa e leviana, como pela carga de subserviência que contém: «As fronteiras de Portugal são as da Ucrânia», parece que foi isto que disse o Presidente. Que vontade patológica de agradar, em que tudo se diz independentemente do que se diz... A verdade é que a tirada grandiloquente e oca não vale nada: está-se tudo nas tintas para o que dizem os dirigentes portugueses, uma vez que o soft power que poderíamos ter enquanto velho estado europeu com ligações privilegiadas nos cinco continentes, foi desbaratado nesta questão, desde, pelo menos, que o PM Costa disse que o objectivo do governo era o de derrotar a Rússia (ahahah, caraças!...). Em vez de uma abordagem diplomática inteligente de influência benéfica nas grandes crises, em que pudéssemos ser pelo menos escutados, escolhemos ser como macacos amestrados de circo, cuja recompensa é trajar com lantejoulas e, no final, um amendoim. É triste.

quarta-feira, agosto 23, 2023

caderninho

 «Segue sempre o caminho mais curto: e a mais curta é a via de acordo com a natureza.»

Marco Aurélio, Pensamentos para mim Próprio

terça-feira, agosto 22, 2023

Miles Davis, «Rocker»

caderninho

«Não ser arrastado no turbilhão; mas, como toda a força do instinto, manifestar a justiça; a toda a ideia que se apresente, salvaguardar a faculdade de compreender.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

no meu labirinto - 51-60

51) Andrade Corvo, Um Ano na Corte (1850-51)

52) Vicente Ferrer Neto de Paiva, Princípios Gerais da Filosofia do Direito (1851)

53) Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas (1851)

54) Alexandre Herculano, Eu e o Clero (1851)

55) José do Canto, Calendário Rústico (1851)

56) J. F. Henriques Nogueira, Estudos sobre a Reforma em Portugal (1851)

57) Camilo Castelo Branco, Anátema (1851)

58) A. P. Lopes de Mendonça, Recordações de Itália (1852-53)

59) L. A. Rebelo da Silva,  A Mocidade de D. João V (1853)

60) Almeida Garrett, Folhas Caídas (1854)

segunda-feira, agosto 21, 2023

Frank Sinatra c/ Orquestra de Billy May, «Cheek To Cheek»

caderninho

 «Entre os numerosos grãos de incenso postos sobre o mesmo altar, um cai antes dos outros, outro mais tarde. Isso não tem nenhuma importância.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

como tudo está interessante no Níger

O Níger, as reservas de urânio e o pontapé no cu dos franceses, uma tendência na antiga África gaulesa, e que bem feito! Macron,  boneco de pim-pam-pum, doméstico e internacional (Meloni, pô-lo ko, com pundonor).

Os russos, claro, aproveitam; os americanos, com bases a sul, estão prudentes; quem mandam, porém, para defender os seus interesses? Victoria Nula(nd), famigerado estafermo do golpe de estado na Ucrânia em 2014, humilhada agora em Niamei. (Ver, aqui, O Velho General .) A estupidez dos neocons é sem limites.

O clima aquece mesmo no Sahel: a França não vai querer largar o osso, mas não tem capacidade para sustentar uma guerra ali; os Estados Unidos se não contiverem os danos, vão avançar com os europeus dos costume na defesa da democracy no Níger, até aos últimos africanos dos países a cujos líderes pagam. Porém, a influencia da Rússia (sem falar da China, a assistir) é cada vez maior, felizmente; e a Argélia, cujas forças armadas não são nada despiciendas, já avisou que não vai tolerar uma intervenção armada dos países africanos a soldo do Ocidente. Talvez por isso, a Nigéria, com o maior exército da região, já terá recuado.

Uma nota para Cabo Verde, cujo PR, José Maria Neves, descartou apoiar a veleidade de uma intervenção armada no Níger (na defesa dos interesses franceses, acrescento eu). Chama-se a isso ter dignidade, além de finura diplomática. Um exemplo, incluindo para Portugal, na guerra da Ucrânia.

PS - O Níger, tal como a Ucrânia, é um território onde os impérios se guerreiam, algo que uns quantos indigentes professores e comentadores das relações internacionais ainda não perceberam.


domingo, agosto 20, 2023

no meu labirinto: 41-50

41) Luz Soriano, História do Cerco do Porto (1846-49)

42) Alexandre Herculano, História de Portugal, desde o Começo da Monarquia até ao Fim do Reinado de Afonso III (1846-1853)

43) Alexandre Herculano, O Bobo (1128) (1846)

44) Francisco Maria Bordalo, Eugénio (1846)

45) Almeida Garrett, As Profecias do Bandarra seguido de Um Noivado no Dafundo e A Sobrinha do Marquês (1848)

46) Alexandre Herculano, O Monge de Cister (1848)

47) António Feliciano de Castilho, Felicidade pela Agricultura (1849)

48) A. P. Lopes de Mendonça, Memórias dum Doido (1849)

49) A. P. Lopes de Mendonça, Ensaios de Crítica e de Literatura (1849)

50) Francisco Joaquim Bingre, O Moribundo Cisne do Vouga (1850) 

Louis Armstrong, «Chantez Les Bas (Sing'Em Low)»

caderninho

 «Ainda que devesses viver três vezes três mil anos e mesmo outro tanto dez mil vezes, lembra-te sempre que ninguém perde outra existência senão a que vive e que não vive a que perde.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

sábado, agosto 19, 2023

sexta-feira, agosto 18, 2023

no meu labirinto: 31-40




31) Vicente Ferrer Neto de Paiva, Elementos de Filosofia do Direito (1844)

32) Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa (1844)

33) António Feliciano de Castilho, Escavações Poéticas (1844)

34) Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

35) Marquesa de Alorna, Obras Poéticas de D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, Marquesa de Alorna, Condessa de Assumar, e Oyenhausen, Conhecida entre os Poetas Portugueses pelo Nome de Alcipe (póst., 1844)

36) Francisco Freire de Carvalho, Primeiro Ensaio sobre História Literária de Portugal, desde a Sua Mais Remota Origem, até o Presente Tempo (1845)

37) Almeida Garrett, Flores sem Fruto (1845)

38) Almeida Garrett, O Arco de Sant'Ana (1845-50)

39) Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

40) Almeida Garrett, Dona Filipa de Vilhena seguido de Falar a Verdade a Mentir Tio Simplício (1846)

quinta-feira, agosto 17, 2023

Louis Armstrong, «Ole Miss Blues»

no meu labirinto: 21-30

 

21) Visconde de Vilarinho de São Romão, Histórias de Meninos para Quem não For Criança, Escritas por um Homiziado que Sofreu o Martírio de Estar Escondido Cinco Anos e Dois Meses (1834)

22) Alexandre Herculano, A Voz do Profeta (1836)

23) Almeida Garrett, Um Auto de Gil Vicente (1838)

24) Oliveira Marreca, Noções Elementares de Economia Política (1838)

25) Visconde de Juromenha, Sintra Pinturesca (1838)

26) Alexandre Herculano, A Harpa do Crente (1838)

27) Guilherme Centazzi, O Estudante de Coimbra (1840-41)

28) Visconde de Santarém, Memória sobre a Prioridade dos Descobrimentos Portugueses na Costa da África Ocidental (1841)

 29) Almeida Garrett, O Alfageme de Santarém (1842)

30) Almeida Garrett, Romanceiro e Cancioneiro Geral (1843-51)


a arte de começar

 «Era a hora do estudo da tarde, e Lelito pensava. As Catilinárias  abertas na carteira, o dicionário à direita, o caderno de significados à esquerda e o lápis à mão -- pareciam demonstrar que Lelito preparava a sua lição de latim. Mas Lelito não pensava nas Catilinárias. Na realidade, nem pensava. Melhor fora dizer que vogava ao sabor de um vago devaneio melancólico, através do qual a saudade de casa transparecia num persistente vaivém de recordações, aliada a uma como viscosa, angustiosa, obscura sensação de pavor. Tal pavor, ainda Lelito fugia de o confessar a si próprio; mas há três dias que o perseguia; e há seis que Lelito chegara. Há seis que neste mesmo salão fingia, a esta mesma hora, preparar as lições do dia seguinte.» José Régio, A Velha Casa I -- Uma Gota de Sangue (1946)

quarta-feira, agosto 16, 2023

no meu labirinto: 11-20

11) José Agostinho de Macedo, Exorcismo contra Periódicos e Outros Malefícios: Fugite Partes Adversae (1821)

12) Almeida Garrett, Retrato de Vénus seguido de Ensaio sobre a História da Pintura (1821)

13) António Feliciano de Castilho, Cartas de Eco e Narciso (1821)

14) Almeida Garrett, Catão, seguido de O Corcunda por Amor (com Paulo Midosi, 1822) 

15) Almeida Garrett, Camões (1825)

16) Almeida Garrett, D. Branca (1826)

17) Almeida Garrett, Carta e Guia para Eleitores (1826)

18) Almeida Garrett, Adozinda (1828)

19) Almeida Garrett, Da Educação ( 1828)

20) Almeida Garrett, Portugal na Balança da Europa (1830)

terça-feira, agosto 15, 2023

Buddy Holly, «Modern Don Juan»

a arte de começar

 «Por um claro domingo de Julho, à hora da missa, um landau desembocava a trote no campo da Feira, em Guimarães, indo estacar em frente do palácio dos condes de Vila-Torre -- casarão envelhecido pelas chuvas e sóis de quase dois séculos, cuja frontaria de solar  e convento tomava todo um lado da praça, hasteando sobre um portal enorme, de coiçoeiras denegridas, as armas nobres dos senhorios.» Carlos Malheiro Dias, Os Teles de Albergaria (1901)

segunda-feira, agosto 14, 2023

Frank Sinatra, com Orquestra de Billy May, «Day In, Day Out»

no meu labirinto: para uma lista de 100 livros portugueses do século XIX - 1-10

 1) Nicolau Tolentino, Obras Poéticas (1801)

2) Curvo Semedo, Composições Poéticas (1803)

3) Bocage, Rimas, vol. III (1804)

4) João Pedro Ribeiro, Dissertações Cronológicas e Críticas sobre História e Jurisprudência Eclesiástica e Civil de Portugal (1810-36)

5) José Agostinho de Macedo, Os Sebastianistas -- Reflexões sobre Esta Ridícula Seita (1810)

6) José Agostinho de Macedo, Contemplação da Natureza (1810)

7) José Acúrcio das Neves, História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, e da Restauração deste Reino (1810-15)

8) Silvestre Pinheiro Ferreira, Prelecções Filosóficas sobre a Teoria do Discurso e da Linguagem, a Estética, a Diceósina e a Cosmologia (1814)

9) Filinto Elísio, Obras Completas (1818-19)

10) Curvo Semedo, As Melhores Fábulas de La Fontaine (1820)

sábado, agosto 12, 2023

Miles Davis, «Boplicity»

caderninho

 «Primos são quem vem de longe com novidades.»

Eugénio Roda, O Quê Que Quem Nota de Rodapé e de Corrimão (2009)

quinta-feira, agosto 10, 2023

Louis Armstrong, «Beale Street Blues»

guerra da Ucrània: neo-realistas e Escola de Cavez (ucranianas CCII)

 Há a escola neo-realista (curioso nome), de que se reivindica Carlos Branco. Suponho que os comentários de Agostinho Costa, Mendes Dias, Raul Cunha poderáo com nuances ser ali encaixados. Nao sendo especialista, vejo neste comentário de Godfrey Bloom, ou nas abordagens de Douglas McGregor ou, mais parciais e entusiasmado com o lado russo, Scott Ritter, esse tipo de análise que nºao embarca em mentiras e fantasias.

Há depois a Escola de Cavez, onde bebem todas as lívias e raquéis, todos os gaspares e armandos das relaçoes internacionais (sempre com as honrosas excepçoes); e que é também a que formata, permeia e impregna o Governo, do ministro Cravinho ao pm Costa, sem esquecer o Presidente Marcelo -- que tarda a levar o Penduricalho da Liberdade a Kiev --, o que nºao devemos levar a mal, uma vez que ele é mais constitucionalismo e táctica; geopolítica e estratégia residem noutro departamento.

Sixto Rodriguez, «Sugar Man»

quarta-feira, agosto 09, 2023

Frank Sinatra, com Orquestra de Billy May, «Saturday Night (Is The Loneliest Night Of The Week)»

caderninho

 «Como tudo se desvanece depressa, no mundo os próprios corpos e no tempo a sua lembrança.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

terça-feira, agosto 08, 2023

segunda-feira, agosto 07, 2023

cenas das JMJ, vistas de longe

Do hipócrita  Bordalo II, à chicoespertice de Isaltino, do beija-mao de Marcelo, impróprio para um chefe de estado, à saudaçao do PCP e da sua organizaçao juvenil, própria de um partido sério e maduro, ao contrário duns revolucionários de genitália ou jacobinos do centro de dia que pensam estar ainda na Rotunda. Quanto ao resto, em especial para a igreja portuguesa e o seu cortejo de hipócritas, estou-me nas tintas, nao é problema meu, que sou ateu. E os casos de polícia sao para ser tratados como os outros.

Um ser humano excepcional é sempre 1) ser humano; 2) execpcional. Aliás, o nome escolhido por Jorge Bergoglio, um jesuíta, foi o de Francisco, invocaçao do homem de Assis, que uma certa escrófula esquerdista deveria saber quem foi e o que representa - a começar para a própria Esquerda.

Uma das suas últimas frases na visita a Portugal: O único momento em que é lícito olhar uma pessoa de cima para baixo é para a ajudar a levantar-se.

Eu nao precisaria de ouvir mais.


sábado, agosto 05, 2023

sexta-feira, agosto 04, 2023

«Balada para Sophie»

 (uma vaga sinopse aqui) Se Filipe Melo, artista completo (também músico, cineasta) possui uma destreza narrativa inusitada na BD portuguesa, Juan Cavia, argentino,  é um dos nossos melhores desenhadores, o sector dos quadradinhos em que sempre estivemos mais bem servidos. Esta Balada para Sophie, nem tanto pelo que conta, mas pela forma como o faz, fez-se notada nos exigentes, competitivos e saturados circuitos franco-belga e americano, sem pedir licença a ninguém. Pode alguém ser quem nao é?

Buddy Holly, «Blue Days Black Nights»

quinta-feira, agosto 03, 2023

Eça transformado em escritor do regime? Nem deste nem de nenhum outro

 Se, há cerca de trinta anos, deputados do PS, ou outros, propusessem trasladar os restos mortais de Eça de Queirós para o Panteao Nacional, nao seria eu quem torceria o nariz, uma vez que depositados num jazigo ao abandono num dos cemitérios de Lisboa, estavam na iminência de ir parar à vala comum. Uma, e depois outra manchete do extinto diário Europeu, impediram-no, sendo a trasladaçao feita para a imaginária Tormes, onde está e muito bem (Santa Cruz do Douro, concelho de Baiao, que Eça pôs no mapa)

No Panteao está o grande Aquilino Ribeiro, bem sei, mas Tormes tem toda uma poética que o institucional jazigo nunca terá. E depois, trata-se do Eça de Queirós, que sempre foi alérgico a estes manobrismos deputais -- a palavra verborreia foi ele quem a inventou, aplicada aos circunstantes de S. Bento.

 Todos os regimes se tentaram apropriar dele, o que é impossível pois Eça é inapropriável. Liberal, socialista, anarquista, cristao, antijacobino, deputacioná-lo para Santa Engrácia é especialmente infeliz,  por isso o que escreve Eugénio Lisboa, num texto que mao amiga me fez chegar, é justo e válido.

Buddy Holly, «You Are My One Desire»

quarta-feira, agosto 02, 2023

caderninho

 «Anda de outro modo aquele a quem caíram botões nas cuecas.» 

Ramón Gómez de la SernaGreguerías (1917/1955)

domingo, julho 30, 2023

sábado, julho 29, 2023

a opinião de um ateu sobre a visita do papa

 O mundo sem este papa Francisco, um humanista. seria ainda pior e mais animalesco do que já é. Por isso, gosto que ele venha cá. Quanto ao espertalhão Bordalo II, viva a boa imprensa!

sexta-feira, julho 28, 2023

quinta-feira, julho 27, 2023

sobre o "Caso Altice", não tenho nada a dizer



Sobre estas criaturas de mau aspecto não tenho grande coisa a dizer. Alguns nem sei quem são; outros, tenho-os por indivíduos incensados pelos merdia, empreendedores, gestores e todo esse género de fauna que os jornalistas da área adoram, e as business pimping schools dão como exemplo. (É tão bonito, ao folhear, por exemplo o Dinheiro Vivo, suplemento do Diário de Notícias, ver-lhes as carinhas e os títulos com que se apresentam, normalmente em estrangeiro: head não sei do quê; ceo não sei do que mais, e a puta que os pariu, de tão saloios que são.) No outro dia, em zapping pela televisão do Correio da Manha, ouvi a transcrição de uma escuta daquele tipo de óculos escuros, assim de maneira muito breve. Nem tenho ideia de ter ouvido referir alguma ilegalidade; apenas se espojava um predador sem escrúpulos e ganancioso, e agora, segundo a imprensa, também um corruptor confesso. São estas ratazanas que transformam o país num esgoto, feras que compram políticos, jornalistas, académicos debitantes em espaço público, à sua mercê, e que muita inveja causam a tantos do povoléu que gostariam de ser como eles, mas não passam de material calcante onde os seus ídolos pisam e sentam os valiosos cus, sem que tenham a beleza dum Bugatti.
Uma coisa boa, dir-se-ia: as autoridades estão atentas e as feras estão enjauladas ou manietadas. Não sou tão optimista. Por cada vígaro deste tipo que a polícia prende e a justiça tenta julgar, muitos outros e ainda outras negociatas destes mesmos se escoam pelos off-shores, paraísos de gatunos a funcionar nas barbas de todos nós. É como os traficantes de toda a espécie.
Concluindo: os alegados criminosos acima estampados (supondo que todos o sejam), não conheço, e só de dois sabia da existência. Como bandidos, reservo-lhes o lugar e dispenso com eles o tempo que dou aos que matam as mulheres, traficam droga e por aí fora -- ou seja, nenhum. Muito mais grave, os plumitivos que lhes tecem loas -- nunca desinteressadamente --, ou a politicalha que os serve, que tanto podem ser tipos que se dizem "socialistas" como os que se dizem "cristãos" de direita mais ou menos extrema e papam hóstias nas missas de domingo de manhã ou sábado à tarde: além de traidores às ideias que dizem seguir, não passam de serventuários à espera dos restos do jantar dos senhores para quem fuçam, assim como cães.
 

Frank Sinatra, «I Could Have Danced All Night»

terça-feira, julho 25, 2023

caderninho

 «Procuremos sòmente pensar e falar com acerto, sem querer sujeitar os outros aos nossos sentimentos. Tal empresa seria excessiva.» 

La BruyèreOs Caracteres (1888) - trad. João de Barros

segunda-feira, julho 24, 2023

uma do moço de fretes do Pentágono (ucranianas CCI)

 Li ontem, num rodapé passante, que Blinken terá dito que a Ucrânia já reconquistou 50% do território ocupado pela Rússia.

Ora, se eu deslindo bem os vícios de raciocínio desta corja, em primeiro lugar, deve ser mentira (tem sido um sucesso a "contra-ofensiva", com Leopards e tudo); depois, cheira-me que isto traz água no bico e que os americanos se preparam para tirar o tapete ao Zelensky, embrulhando com estes 50% a ideia de que já está bom assim, que a Ucrânia não pode querer tudo e toca a sentar e negociar. É rebuscado? Se calhar é.

Resta ainda saber se o Putin está pelos ajustes. A conversa da cnn-internacional-central de propaganda, era a de que o líder russo estava muito fraquinho depois da tentativa de golpe. Então não se está a ver o quão fraquinho ele está, depois da brincadeira com a ponte de Kersh?

Eu não sei se o pagode continua a mamar a sopa toda que lhe põem à frente, como fazem a maioria dos pobres jornalistas-pivôs daqui, toscos e inimputáveis. O pior não são estas nulidades, mas outras, uns quantos professores de relações internacionais e afins (com honrosas excepções que tenho aqui mencionado) e uns diplomatas do croquete, que não sabem nada para além das entradas (gastronómicas) e das precedências do protocolo, mas que não se engasgam quando os põem a falar sobre manobras militares no terreno. 

domingo, julho 23, 2023

András Kórodi, Sinfonia #1 de Luís de Freitas Branco

caderninho

 «Quem a vida lava / Que vidas oculta?» 

Liberto CruzLivro de Registos, Poesia Completa

sexta-feira, julho 21, 2023

quinta-feira, julho 20, 2023

caderninho

 «Olharam-se da janela em dois comboios que iam em direcções opostas, mas tal é a força do amor que logo os dois comboios se puseram a andar para o mesmo lado.» 

Ramon Gómez de la Serna, Greguerías (1917/1955) - trad. Jorge Silva Melo

quarta-feira, julho 19, 2023

150 portugueses #12. Pedro Hispano / João XXI (Lisboa, c. 1215 - Viterbo, 1276)

 

Para um futuro blogue. Único papa português, foi um grande nome da medicina, da filosofia e da teologia do seu tempo. Filho de um médico da corte e também chanceler de D. Sancho I, Pedro Julião Rebolo, nascido em Lisboa, terá estudado na Sé, desde muito jovem, seguindo depois para Paris ou Montpellier, onde foi discípulo de S. Alberto Magno, e condiscípulo de S. Tomás de Aquino e São Boaventura, tendo Pedro Hispano escrito comentários em primeira mão a Aristóteles -- o primeiro a comentar De Anima -- a partir dos filósofos árabes, como Averróis, Avicena e outros. Dento da escolástica medieval, como informa João Ferreira no verbete do Dicionário de História de Portugal, a especulação filosófica de Pedro Hispano, dava-se em torno das potenciais relações alma/corpo. Enquanto médico, foi autor de vários tratados, dos quais se destaca o Thesarus Pauperum, com mais de oitenta edições e traduções nas principais línguas europeias. Se Santo António foi o primeiro português a firmar o nome na história da cultura ocidental -- palavras de Francisco Fernando Lopes, que já citei --, seguiu-se-lhe Pedro Hispano. Eleito papa em Setembro de 1276, os seus oito meses de pontificado são intensíssimos, até que a morte sobrevém, atingido por uma pedra durante uma visita às obras da catedral de Viterbo, o que deu origem às especulações do costume. Na Divina Comédia, Dante situa-o no Paraíso, pois claro.

Uma edição do séc. XVI do Thesaurus Pauperum


terça-feira, julho 18, 2023

caderninho

 «[...] «o nosso século XIX interior é uma criação de Dickens ou Renoir.» 

George SteinerNo Castelo do Barba Azul (1971) - trad. Miguel Serras Pereira

Frank Sinatra com Orquestra de Billy May, «Too Close for Comfort»

segunda-feira, julho 17, 2023

caderninho

 «O homem é um animal metafísico.» 

Arthur SchopenhauerDa Necessidade Metafísica - trad. A. Lobo Vilela

domingo, julho 16, 2023

sábado, julho 15, 2023

caderninho

 «O amor-próprio é o maior de todos os lisonjeadores.» 

La RochefoucauldMáximas (1664)

Louis Armstrong, com Velma Middleton, «Long Gone»

sexta-feira, julho 14, 2023

caderninho

«Há tanta gente a querer ser a minha causa! A começar pela boa causa, depois a causa de Deus, a causa da humanidade, da verdade, da liberdade, do humanitarismo, da justiça; para além disso, a causa do meu povo, do meu príncipe, da minha pátria, e prevista até a causa do espírito e milhares de outras. A única coisa  que não está prevista é que a minha causa seja a causa de mim mesmo! "Que vergonha, a deste egoísmo que só pensa em si!"»

Max Stirner, O Único e a Sua Propriedade (1844) - trad. João Barrento

quinta-feira, julho 13, 2023

Sonny Rollins, «Blue 7»

caderninho

«Quando Deus abandonava lentamente o lugar de onde tinha dirigido o universo e a sua ordem de valores e dado um sentido a todas as coisas, D. Quixote saiu de casa e já não estava em condições de reconhecer o mundo.»

Milan Kundera, A Arte do Romance

quarta-feira, julho 12, 2023

escrevi cedo de mais: o poder americano sai reforçado, a Ucrânia cada vez mais condenada à destruição e o risco de sermos arrastados para uma guerra com a Rússia, que será uma guerra mundial, aumentou (ucranianas CC)

 

Ainda não li nem vi as notícias ao pormenor, mas esta mise-en-scêne em Vilnius, recusando o óbvio (um convite formal para a adesão da Ucrânia à Nato, mas de facto pô-la lá dentro, foi um truque bem urdido.

O que só demonstra, pela enésima vez, que isto foi sempre uma guerra entre os Estados Unidos e a Rússia, e os ucranianos mera carne para canhão, destino que perigosamente  será o nosso, a breve trecho.

Como é minha convicção de que os russos não irão conter-se, pelo menos largando parte do que tomaram, o Donbass e muito menos a Crimeia, a possibilidade de um confronto directo com a Nato aumentou enormemente. Mas, como tenho dito sempre, os falcões lunáticos americanos estarão muito enganados se acham que a guerra fica pela Europa -- a estúpida Europa que responde com subserviência ao "fuck the EU" duma falcoa do poder americano. Apesar de toda a propaganda nunca vista de manipulação das opiniões públicas. a sabujice, cobardia e mediocridade das lideranças europeias, a América que se ponha a pau: duvido que os russos se deixem imolar sem dar a provar aos americanos o seu próprio veneno.

caderninho

«Não costumam ser as nossas ideias que nos fazem optimistas ou pessimistas, é antes o nosso optimismo ou o nosso pessimismo, de origem filosófica ou por ventura patológica, que faz as nossas ideias.»

Miguel de UnamunoDo Sentimento Trágico da Vida (1913) - trad. Cruz Malpique

a propósito de um comentário do major-general Carlos Branco (ucranianas CXCIX)

 Com paciência beneditina, lá vai respondendo às perguntas pré-programadas (os pivôs bem acenam que sim com a cabeça, mas depois esquecem num instante tudo o que ouviram. A falta de brio nalguns casos chega a ser aflitivamente patética, como se fossem uns zombies ou cucos do relógio, que às horas certas debitam sempre o mesmo...)

Mas não são estes pobres que me trazem aqui, antes uma observação de Carlos Branco sobre o incrível Zelenski, afirmando que nunca ouviu nenhum chefe de estado a pedir o uso de bombas de fragmentação no próprio território. Eu arrisco uma explicação, a mais benigna que posso atribuir-lhe, aliás: o Donbass é composto por população maioritariamente russa, como se sabe; se o Zelensky não hesita em sacrificar o próprio país à hecatombe da guerra, servindo de peão aos americanos e associados, rala-se lá ele com os russos do Donbass... Por outro lado, pode ser que no íntimo saiba que aquele território é uma miragem, e por isso já não se trata do seu país.

Uma miragem mais nítida, de resto, com a derrota política -- aliás, expectável -- na cimeira de Vilnius, apesar de ter ouvido ontem a uns cómicos que haveria anúncios retumbantes. De facto houve, mas foi para a Suécia (os suecos, vítimas de um embuste que ficará para os anais). Como li ou ouvi algures, a cimeira da Nato, apesar de dividida, mostrou-se bastante coesa numa coisa: a de não querer arriscar uma guerra com a Rússia por causa da Ucrânia. Mesmo a ganância das negociatas necessita que se lhe imponham limites.    

terça-feira, julho 11, 2023

Miles Davis, «Budo»

o tempo da idiotia triunfante

Enquanto as notícias fazem por enganar os pategos, noticiando a conquista de uma horta pelas forças ucranianas na região de Bakhmut  (nada mal, os russos, que até tinham de fazer crowdfunding para comprar botas, para além de já terem gasto as munições ao "Ocidente Alargado") -- enquanto a propaganda faz de nós atrasados mentais, e o ministro da Administração Interna protesta junto da RTP por causa de um cartoon sobre os tumultos em França (ainda não foi demitido, o ministro?), ouço de manhã no carro que em municípios espanhóis que têm o Vox no governo, já houve mil e uma tropelias anti-LGBTQIA+ (que sigla....), incluindo a proibição de livros da Virginia Woolf, autora de tendência lesbiana, como diria o Diácono Remédios.

Aqui há gato, porém... A Virginia Woolf?... Se o eleitorado do Vox for parecido com o do Chega -- um vasto lumpen social e cultural, com uns pós de ressabiados do franquismo e do salazarismo (ámen), sabe lá o eleitorado dele quem ela foi, quanto mais tê-la lido. Mesmo se olharmos para o grupo parlamentar doméstico, acredito que três deles saibam de quem se trata, e apenas um -- Pacheco Amorim, que é ali o único tipo com piada -- a tenha lido.  A "notícia" parece pois suspeita.

Mas a idiotia tem largo espectro, indo da extrema-direita tosca à esquerda woke ignorante e activista, igualmente analfabeta. Não foi no Canadá que proibiram os álbuns do Lucky Luke do grande Morris (Maurice de Bévère), entre outros? Ou nos Estados Unidos, pátria do wokismo triunfante, que se quis reescrever o Huckleberry Finn, e que A Canção do Sul, um esplêndido filme de animação e imagem real, de 1946, está censurado há anos (tenho a cassete, e não empresto); no Reino Unido, reescrevendo a Enid Blyton, ou retirando pintura do século XIX das paredes de um museu, porque representavam ninfas; o Brasil, e os livros do Monteiro Lobato. Por cá também há disto.

Se a extrema-direita não lê, a não ser panfletos manhosos como se fossem missais, a esquerda woke e tonta (passe o pleonasmo) treslê. Quem se lembra do caso do alegado e caricato "racismo" do Eça de Queirós?

Os tempos não são interessantes, mas de idiotia triunfante.


caderninho

«Aceito de boamente o lema "O melhor governo é o que menos governa." Gostaria que ele fosse posto em prática mais rápida e sistematicamente. Em última análise, esse princípio resulta num outro em que também acredito: "O melhor governo é o que não governa."» 

Henry David ThoreauA Desobediência Civil (1849) - trad. Manuel João Gomes

segunda-feira, julho 10, 2023

Miles Davis, «Venus de Milo»

caderninho

 «A guerra foi sempre a grande sabedoria dos espíritos que se interiorizam, que se tornam demasiado profundos; na própria ferida reside o remédio.» 

Friedrich NietzscheCrepúsculo dos Ídolos (1889) - trad. António Morão

domingo, julho 09, 2023

de uma maneira ou de outra, a Ucrânia será arrasada (ucranianas CXCVIII)

A entrada "imediata" da Ucrânia na Nato. Esta alarvidade comunicacional e propagandística não tem ponta por onde se lhe pegue, a não ser mostrar ao público o que são os líderes europeus. Resta Erdogan, que está nas relações internacionais como se regateasse lá no bazar, e os tomates do Orbán, que incham e desincham conforme a Turquia está mais de feição -- é o que dizem e faz algum sentido, mas é também mais do que isso.

Claro que ninguém acredita que a Ucrânia entre agora: trata-se do velho truque de elevar a parada para tornar aos russos mais palatável uma associação Nato-Ucrânia, que terá um efeito de encolher bastante a Ucrânia -- a não ser que a estratégia americana resulte e o sistema desabe. Viu-se, porém, como estava tudo à rasca com a int(v)entona do tipo da Wagner, a não ser os alucinados do costume. 

Não estou a ver Putin cair, pelo menos para já, nem acredito nisso, até ver. O que sei, é que de uma maneira ou doutra, a Ucrânia será infelizmente arrasada, a mortandade incontável.

Como escrevi aqui logo de início: os Estados Unidos vão fazer guerra à Rússia até ao último ucraniano. Este episódio das bombas de fragmentação demonstra-o tão bem, se mais evidências fossem precisas.

Helmuth Rilling, Magnificat de Johann Sebastian Bach

José Mattoso (1933-2023)

Como todos os grandes historiadores -- Alexandre Herculano, José Leite de Vasconcelos, Jaime Cortesão, Vitorino Magalhães Godinho, Joel Serrão, etc. -- como qualquer grande autor, há um antes e um depois de José Mattoso. Alguém disse que ele e Herculano eram os pilares da historiografia portuguesa no que respeita à Idade Média. Identificação de um País -- Ensaio sobre as Origens de Portugal (1096-1325) (1986), conjugando História pura e dura, com a Geografia (que já vinha de trás, com Magalhães Godinho, bebendo em Orlando Ribeiro) e a Etnologia, é a pedra de toque da sua obra.

quarta-feira, julho 05, 2023

Louis Armstrong, «Aunt Hagar's Blues»

"O Bosque Harmonioso"

Augusto Abelaira, O Bosque Harmonioso (1982) Um manuscrito alegadamente do século XVI, de Cristóvão Borralho, desconhecido navegador, companheiro de Fernão Mendes Pinto, amigo de Leonardo da Vinci. Trata-se de «O Bosque Harmonioso«, relato de viagens pelo Oriente e não só: Borralho relata também uma ida à Lua, apanhando os ventos favoráveis do cimo das cordilheiras do Tibete para alcançar o planeta satélite, onde encontrará uma outra humanidade. O pouco que se sabe dele vem noutro manuscrito de um seu panegirista, Gaspar Barbosa, com anotações anónimas em caligrafia do século XVIII,vindo ambos parar às mãos do protagonista deste breve romance, Arnaldo Cunha. E a partir daqui, ganhamos uma trama cheia de alçapões muito bem e abelairianamente explorada  (qual morte do autor, qual carapuça! -- o único autor morto aqui é o pobre Arnaldo Cunha, também narrador --; o autor Abelaira, mesmo post mortem, assiste e convive, tem de conviver!, com o leitor, que se apropria do texto como bem entende, sem o trair, claro). A dúvida sobre a autoria do «Bosque Harmonioso» quinhentista instala-se (a Inquisição a operar benemèritamente, ámen.): será Borralho, ou este uma criação de Barbosa -- ou, ainda, tudo não passará de um monumental embuste do anónimo de Setecentos?

Estas as cogitações que no último quartel do século XX se põem ao protagonista -- a ele e à amante, além de um amigo comuno-esquerdista, divergente de Arnaldo / Abelaira da esquerda realista, que hoje, 2023 acredito seria a esquerda desencantada --, num pano de fundo político de retoma da direita, com o triunfo da AD, de Sá Carneiro.

* O incipit é um excerto do manuscrito inicial: «Embarquei-me enfim com a minha fazenda numa nau que ia com muitos cavalos e pimenta em que era capitão Dias de Almeida, de alcunha o Tigre, filho do conde de Alcântara, o qual carregava a ossada do pai para Goa, donde seguiria para Coimbra, dando cumprimento a uma ordem de El-Rei Dom Manuel.» (Situado no Oriente, no século XVI, tendo como narrador Cristóvão Borralho -- Que nome se dá a um falso incipit?)

É no segundo capítulo que entra em cena Arnaldo Cunha -- «Devo prosseguir?» -- o narrador coetâneo, angustiosa personagem, duvidosa do seu lugar no mundo, enquanto homem, profissional e autor: «Sim, não sou nada e não sei nada, limito-me a dar as minhas aulas menos mal, consigo (talvez) interessar os alunos inteligentes (alguns alunos inteligentes). Mas não vou muito além. E, preguiçoso, nunca pude aprofundar nada, jamais nas minhas leitura levo um assunto até ao fim.» Os manuscritos do romance desconhecido e a biografia coeva do autor ignoto pode ser uma oportunidade para sair da irrelevância existencial, pelo apuro e aprumo da obra. Não só culto e muito lido -- Ovídio, Boccaccio, quem sabe Santo Anselmo?... --, suscita paralelismos com Rabelais e parece antecipar, pelo espírito ricamente intuitivo, Pascal, Leibniz, Montesquieu, Voltaire, Swift, e até Proust, e até Henry Miller... Para não falar da teoria da deriva continental, de Wegener. Não um exímio estilista, antes um encorpado mas subtil escritor: «A intenção de dizer certas coisas como se não as dissesse, uma indiscutível arte da entrelinha, uma aguda inteligência de dizer o não dito.» Arnaldo não é intelectualmente coxo, como se vê, mas um calaceiro da pior espécie, que bem gostaria de medir-se neste estudo biográfico com o Huizinga (que Abelaira traduziu) de Erasmo ou o Lucien Febvre de Lutero, mas não tem ilusões; e ademais, de que vale o esforço? No findo, nada parece valer a pena, em momentos de desânimo. 

Por outro lado, em colóquio regular com Irene, relação recente fora do casamento, alvitra-se que tanto romance como biografia podem ser uma falsificação desse anónimo do século XVIII, disfarçando o papel; e o que era uma intuição ou inteligência aceradas, não passaria em várias situações, de plágio. O desafio é, porém, tentador: «Uma obra (O Bosque Harmonioso), um comentário dela (o manuscrito de Barbosa), as anotações do século XVIII. Como -- a comparação parece-me justa -- uma catedral a enriquecer-se progressivamente com as idades, com os estilos diferentes. Um edifício vivo, um todo trabalhado pelo tempo.» 

* Tempo tal como a História, tantas vezes enganosa, fugidia e aldrabada, mesmo que por bem: «[...] assim procederam os monges de Alcobaça quando forjaram as cortes de Lamego. Ao tornarem-se reais, as cortes de Lamego produziram um futuro diferente daquele que existiu sem elas. E criando outro futuro, cimentaram a independência de Portugal com novos e dinâmicos argumentos.» É exacta e esplendidamente isto. E, num assomo genial, uma pergunta de verdadeiro leitor, trazendo à superfície a preocupação de autor, que gostariam uns tantos estivesse morto, mas aqui vivinho da costa, Abelaira aos saltos transmudado em: «-- Estranha coisa -- digo. -- Se O Bosque Harmonioso datar do século XVI consideramo-lo. Escrito posteriormente, não. [...] Preciso de conhecer a data de O Bosque para saber se devo ou não emocionar-me?»

*Ainda: um humor e pensamento ginasticados e muito abelairianos, o Abelaira de «Escrever na Água» e «Ao Pé das Letras», crónicas políticas e literárias, que aqui se encontra; algum brejeirismo remetido a Borralho. mas não só. Se O Bosque Deleitoso (século XVI) é uma obra de celebração mística, O Bosque Harmonioso  ganha evidentes conotações eróticas: «Que é o desejo? A blusa transparente, os bicos escuros... Borralho desaparece do campo da minha consciência, desaparece a blusa da Irene, tiro-lhe a saia. Eis o bosque harmonioso, as aves cantam docemente.»

* Frouxo na vida, frouxo no amor. Alguma lamechice sentimental, que se prende com a insegurança amorosa de Arnaldo é o pior deste breve romance; a forma como é resolvida, porém, redime-o; tal como a conclusão retirada pelo narrador no explicit, apaziguando o porquê e o para quê: «Saber que a vida não tem sentido e no entanto continuar a procurá-lo. / A amargura. A serenidade.»   

* Uma excelente análise, por Carlos Machado pode ser lida no suculento Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa, dirigido por Carlos Reis; texto que propositadamente li depois de terminado este.

terça-feira, julho 04, 2023

segunda-feira, julho 03, 2023

sábado, julho 01, 2023

Se o Zelensky se tornou definitivamente um palhaço, os líderes europeus são o quê?... (ucranianas CXCVII)

Lembro-me bem de quando começou esta nova fase da guerra entre a Rússia e os Estados Unidos na Ucrânia. Embora bastante crítico da liderança ucraniana, em quem depositara esperanças (fui um dos muitos enganados pelo Zelensky), recusei-me aos ataques ad hominem que logo surgiram. Só muito recentemente vi quanta razão tinham todos quanto o insultavam, a começar pelo meu Pai, que lhe antonomasiou o nome em palhaço.

Pois este fantoche dos americanos e dos ingleses anda a ajudar a preparar o ambiente para uma intervenção da Nato (ou de países Nato) na Ucrânia -- tese temerariamente abstrusa defendida por falcões alucinados desde o princípio (crêem que a guerra se limitará à Europa, porque, no fundo fuck the E.U. ) --, vem outra vez com a história de um próximo ataque nuclear da Rússia, o miserável bandalho. O mesmo, aliás, que ordenou o ataque a Zaporizhia, ocupada então como agora pelos russos, mas que os merdia queriam que acreditássemos que os russos estavam a bombardear-se a si próprios.

Quando um indígena como Pedro Sánchez vai a Kiev dizer que a UE vai apoiar a Ucrânia, "independentemente do preço a pagar", o que é ele, que está muito provavelmente de saída da presidência do governo espanhol -- o que é ele a não ser outro paupérrimo palhaço?

Aliás, como disse, Sanches Osório numa entrevista ontem ao Sol, «a Europa não manda nada na guerra», o que sempre se soube, de resto -- mas que é bom repetir, especialmente quando Costa & Marcelo nos vierem endrominar.

Nina Simone, «He Needs Me»

paixões, comprazimentos, contrariedades & outros caracteres móveis

«E a catedral surgia-lhe  em olímpica nudez, remoçada, muito branca, em toda a beleza ideal do século XIV!» Manuel RibeiroA Catedral (1920) 

«Estatura sobre o mediano, a sua cinta era tão estreita que cabia quase no acincho  de fazer o queijo; tinha o ventre escorrido, seco, e as ancas desciam mais arredondadas e certas que os lados dum cantarinho; logo acima, os seios era dois cogulos de coalho em que houvessem caído duas pétalas de rosa, e o pescoço, mais alto que de razão, parecia, na parte que se sobrepunha ao chambre, de andar à queima do sol e do vento, cingido duma ampla gargantilha de oiro velho.» Aquilino Ribeiro, Andam Faunos pelos Bosques (1926) 

«Mas o sorriso dela foi tão melancólico, coisa tão a despegar-se dos lábios, tanto de deitar fora, que ele protestou:» Ferreira de Castro, A Lã e a Neve (1947)

quinta-feira, junho 29, 2023

quarta-feira, junho 28, 2023

Portugal, uma jigajoga na guerra da Ucrânia (ucranianas CXCVI)

 

Quando se diz que uns certos falcões acreditam que uma guerra nuclear na Europa pode ser travada, sem que tal os atinja, estes criaturos do lado, senadores republicano e democrata, já anunciaram que se a Rússia lançar uma arma nuclear em território ucraniano, entrará em guerra com a Nato, ou seja, connosco, sem nos perguntarem nada, como (não) seria de esperar. Tirando os ingleses, o resto é paisagem (aposto que os alemães não foram informados da sabotagem aos Nord Stream).

Independentemente do que estes dois imbecis digam, e do valimento e peso que possam ter em Washington, o que assusta mesmo é a falta de confiança que merece a cúpula política, europeia, e muito em particular, portuguesa, a começar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, que é um zero à esquerda, e a culminar no Supremo Magistrado da Nação, que saca da cartola números como o da outorga do penduricalho da liberdade ao homólogo ucraniano.

Repito-me: nunca poderemos ignorar que somos vizinhos atlânticos dos Estados Unidos e que  fazemos parte da Nato (da qual, chego agora à conclusão, deveríamos sair); ou seja, membros ou não da Nato, teremos de ter sempre relações amistosas (e já agora, construtivas) com a maior potência mundial do momento. Não ignorando o seu poder e a ausência dele da nossa parte, devemos ser inteligentes e astutos o suficiente para fugirmos à actual condição meros vassalos, como diz o Putin a respeito dos países europeus -- e diz muito bem.

Quanto à União Europeia, gerida por incapazes, somos uns meros papagaios que para lá andamos. A nossas postura pública -- que também aqui deve ser sempre construtiva -- é miserável. Não nos sabemos dar ao respeito, o respeito que exige um estado de novecentos anos, um dos construtores do mundo em que vivemos, país do Infante D. Henrique, de Bartolomeu Dias, Afonso de Albuquerque, Luís de Camões e António Vieira -- coisas que não interessam para nada, diria um neocon neoliberal. O país de Jaime Cortesão mereceria bastante mais respeito do que esta jigajoga.

Quanto à CPLP, divergimos do seu membro mais importante, e creio que também da maioria. O que distingue Portugal dos outros países europeus dá pelo nome de Brasil, mas também Angola, Moçambique, Cabo Verde, etc., em relação aos quais, especialmente os referidos, nos devemos esforçar para não estar em barricadas opostas. É algo que deve ser permanentemente alimentado, em vez de servir para tiradas fanfarronas para dignitários estrangeiros, o alardear das nossas relações especiais com África e América Latina. São tão especiais que eles muitas vezes não nos ligam nenhuma, e é bem feito.

150 portugueses: #11. Afonso III, o Bolonhês (Coimbra?, 1210 - Alcobaça (?), 1279)

Para um futuro blogue. Irmão de D. Sancho II, chega ao reino vindo de Bolonha, feudo de que era conde, pelo casamento com Matilde II. É aliciado a entrar em Portugal num período em que o irmão está em sério conflito com a Igreja e parte da nobreza, preparando-se a sua deposição pelo Papa, e com quem entra em guerra. Usa o título de Visitador, Defensor e Curador do reino, tendo subido ao trono com o afastamento e exílio de Sancho II.  Apesar da maçadora traição ao irmão, ganhou estatuto de bom rei e administrador. Registe-se também que nas Cortes de Coimbra de 1245, o povo está representado pela primeira vez. Quanto à consolidação do território, é no seu reinado que o Algarve é totalmente reconquistado pelos cristãos, delineando-se a fronteira sudeste com Castela, traçada no Guadiana.


terça-feira, junho 27, 2023

segunda-feira, junho 26, 2023

mercenários (ucranianas CXCV)

Há mercenários desde que existe poder instituído. Na história da Europa, talvez os mais notórios tenham sido os temíveis mercenários suíços, de cuja Guarda, no Vaticano, é uma reminiscência folclórica das Guerras de Itália do século XV.

Nada de novo relativamente ao que se assiste na guerra da Ucrânia, entre os Estados Unidos e a Rússia: a escória sem dignidade ao serviço do poder, de todos os lados. Porque ser-se selectivo, também neste caso, é ser-se tão escória como os demais.

simulacros & outros caracteres móveis

«Nestas curvas das estradas sorri sempre de longe ao viajante. cansado e aborrecido, que pela primeira vez as trilha, uma prometedora esperança.» Júlio DinisA Morgadinha dos Canaviais (1868)

«Mas para o meu Jacinto, desde que assim me arrancavam da Cidade, eu era arbusto desarreigado que não reviverá. A mágoa com que me acompanhou ao comboio, conviria excelentemente ao meu funeral. E quando fechou sobre mim a portinhola, gravemente, supremamente, como se cerra uma grade de sepultura, eu quase solucei -- com saudades minhas.» Eça de QueirósA Cidade e as Serras (póst., 1901)

«A vila é um simulacro. Melhor: a vida é um simulacro.» Raul Brandão, Húmus (1917)

«-- Eu tinha pensado... É que está aí um seringueiro -- o Balbino, aquele que anda sempre com um charuto na boca -- que foi ao Ceará buscar pessoal para o rio Madeira. Mas, ontem, fugiram-lhe três homens... Ora, eu pensei... Sim, talvez falando com ele, tu pudesses...» Ferreira de Castro, A Selva (1930)

«Ele rebolou os olhos num semblante de agonia, bateu furiosamente umas quantas vezes com o cajado contra os bancos do apeadeiro, e ao ver como aumentava o meu medo rebolou-se de gozo pelo chão.» J. Rentes de CarvalhoA Amante Holandesa (2003)

Louis Armstrong c/ Velma Middleton, «Loveless Love»

sábado, junho 24, 2023

um estado normal não pode estar à mercê de um qualquer condotiero

 Resta saber duas coisas (sem saber das últimas notícias): 

1. O grau de normalidade da Rússia enquanto federação (o projecto de Putin)

2. Quanto custou Prighozin aos americanos & co.

Em tempo: durante o dia, a tese de golpe de teatro tem sido aflorada. Continuamos a saber pouco. 

sexta-feira, junho 23, 2023

quinta-feira, junho 22, 2023

a arte de começar

 «Brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça. Debaixo de sombras irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer. Não consigo comprazer-me desta mediocridade dourada, pese o convite e o consolo do poeta que a acolheu. Também a mim, como ao Orador, amarga o ócio, quando o negócio foi proibido. Os dias arrastam-se, Marco Aurélio viveu, Cómodo impera, passei o que passei, peno longe, como ser feliz?» Mário de Carvalho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (1994)

Nina Simone, «Don't Smoke in Bed»

quarta-feira, junho 21, 2023

não é preciso chamar nazi ao Zelensky, porque ele não precisa (ucranianas CXCIV)

O nazismo foi a perfeita encarnação do Mal na História contemporânea, em maior grau ainda, pela sua selectividade espúria, do que a escravatura praticada em larga escala com destino às plantações das Américas (o ser humano tratado como mercadoria), os genocídios índio e arménio (atavismo territorial primitivo, no fundo à Gengis Khan), para não falar doutro departamento, o terror estalinista, todo um outro departamento. A depravação moral de Hitler e sicários (um sicariato que se estendeu, infelizmente, a milhares de alemães e povos vizinhos), que o fascista Mussolini quase passa por moderado e o chefe Salazar quase por democrata. O nazismo é único no Ocidente contemporâneo e não vale a pena equipará-lo com qualquer outro sistema de poder.

É por isso que me parece contraproducente o PCP enveredar por essa retórica de Putin (de quem aliás o partido tanto se preocupa em dissociar-se). E não é o único: lembremos Pedro Doares, na recente convenção nacional do Bloco de Esquerda, chamando neonazi ao Zelensky. No entanto, foi neste caso uma hiperbolização salutar, pois, mesmo para quem não é nem gosta do BE, como é o meu caso, causava vergonha e embaraço vê-lo alinhado com a nato ou com o Chega.

Dito isto, também não se pode escamotear a presença, o poder e a influência da extrema-direita neofascista e porventura neonazi em todo o processo que conduziu à guerra que decorre entre os Estados Unidos e a Rússia na Ucrânia.

A CIA, aliás, e beneméritas agremiações americanas congéneres às ordens do Pentágono e do complexo militar-industrial norte-americano (não, obviamente, do taralhouco do Joe Biden), gostam muito de recrutar e branquear este género de delinquentes. Veja-se o caso Navalny: independentemente de tresandar a homem-de-mão, foi membro do partido do Jirinóvsky que deus tem. Ou seja: o rebotalho, o lumpen político e social que a implosão da União Soviétiva excretou.

Voltando ao Zelensky: na mais benigna das hipóteses, foi um líder que hipotecou o próprio país ao ser incapaz de estabelecer um status quo com os russos do Donbass. Não é o único culpado? Não será; mas sujeitou-se a servir os interesses de uma potência global interessada em neutralizar a Rússia. Se perder a guerra, como parece irá perdê-la, ninguém lhe perdoará; se a ganhar, admitamos a hipótese académica, o custo será de tal modo elevado, que alguém irá perguntar-lhe se não teria sido preferível ter-se batido por uma solução que teria por base os Acordos de Minsk. É que -- e nisto o PCP tem toda a razão -- a guerra não começou no ano passado, como dizem para aí os intrujões -- cujo mentor é, recorde-se, Boris Johnson (um Nobel da Paz para ele) --, com a invasão da Rússia pela Ucrânia.     

caderninho

 Pela escrita levamos /A vida que temos

Liberto Cruz, Livro de Registos / Última Colheita (2022)

(o grande) Edward Snowden, 40 anos -- no exílio desde 2013



 

terça-feira, junho 20, 2023

quadrinhos


 

totalitarismo católico

 Poderia facilmente ironizar com estes adoradores de absurdos, coisa a que, de resto, estão habituados, desde que há pouco mais de duzentos anos foram proibidos de esturricar a carne dos "hereges", dos "infiéis" e dos ateus.

Poderia, mas não o faço, pois acho de tal modo indigno, a propósito da lei da eutanásia, quererem obrigar ao sofrimento todos quantos não são apanhados pela estúpidas religiões, que não tenho espaço para graçolas.

Imagino a revolta e o asco de quantos sofrem de doenças irreversíveis, arrastando-se com dores, sem autonomia nem a dignidade que sempre se exigiram, impedidos de terminar com a sua vida, porque uns alucinados acreditam que a vida é um dom de "Deus", absurdo em que uma minoria utilitária, sem filosofia nem metafísica, se refugia por não querer encarar a morte (o nada) de frente, enquadrando uma massa primitiva de penitentes, supersticiosos, exaltados ou meramente acomodatícios. Porque para além da manada, há a beatice dos papa-hóstias & associados. Muitos deles, estou certo, aldrabões, que se for preciso vão lá fora tratar do assunto, como antes as mui católicas mulheres que, por todas as razões, queriam abortar, iam ao estrangeiro fazê-lo, se para isso tivessem posses. (As pobres, já se sabe...) Tudo isto é nojento. Merecem o mínimo de respeito estes fariseus e estes fanáticos? Não merecem nenhum.

segunda-feira, junho 19, 2023

Miles Davis, «Jeru»

Francisco de Holanda

Auto-Retrato
Pintor do outro mundo, além de humanista, arquitecto e escritor, Francisco de Holanda morreu em Lisboa no dia 19 de Junho de 1585.

quadrinhos

fonte

 

domingo, junho 18, 2023

150 portugueses: #10. Sancho II, o Capelo (Coimbra, 1209 - Toledo, 1248)

Para um futuro blogue. Primeiro monarca a ser deposto, é uma figura interessantíssima pelo percurso politicamente trágico. Filho de Afonso II e Urraca de Castela. é ainda menor quando ocorre a morte do pai. Sobe ao trono aos catorze anos, herdando o conflito com as tias, depois resolvido em favor destas. O confronto  passará a dar-se com os ricos-homens e com os poderes eclesiásticos, os bispos do Porto, Braga e Lisboa. O aliciamento do irmão mais novo, Afonso, conde de Bolonha, com o apoio da Igreja e boa parte da nobreza, impele este à conquista do trono. Morrerá no exílio, após a retirada do seu maior apoiante, o rei de Castela e, tal como seu pai, também excomungado. O casamento com Mécia Lopez de Haro, viúva de um nobre galego e de uma princesa bastarda, Urraca Afonso, filha de Afonso IX de Leão e da Galiza, serviu às intrigas palacianas. O reino continuou a expansão para sul, Alentejo e Algarve, com a conquista de várias cidades, entre as quais Beja.

António Feliciano de Castilho

Último poeta da primeira geração romântica, alvo de Antero de Quental e outros na "Questão Coimbrã", enquanto bonzo de poetastros, António Feliciano de Castilho morre em Lisboa, aos 75 anos (1875).

«Concerto Fantástico» (Albéniz) - Manuel Galduf, E. Pérez de Gúsman,