domingo, novembro 21, 2021
quinta-feira, novembro 18, 2021
quarta-feira, novembro 17, 2021
terça-feira, novembro 16, 2021
domingo, novembro 14, 2021
sexta-feira, novembro 12, 2021
quarta-feira, novembro 10, 2021
quinta-feira, novembro 04, 2021
terça-feira, novembro 02, 2021
cenários eleitorais
1. PS ganha com maioria absoluta, deslocação de votos à esquerda, e também ao centro, por eleitores desgostosos desta balbúrdia indecorosa de PSD e CDS. Assunto arrumado.
2. PS ganha com maioria relativa.
2.1.Nova geringonça mais PAN;
2.2. Governo de bloco central, se Rio estiver à frente do partido.
3. Partidos à esquerda perdem maioria absoluta. Rio faz a sua geringonça
3.1. À açoriana
3.2. Recorrendo ao PAN (veremos o resultado deste).
Se Rangel ganhar o PSD (para mim, duvidoso, felizmente) a situação torna-se mais complicada, se a esquerda e PAN não tiveram maioria. Bloco central impossível com Costa e Rangel, crio.
domingo, outubro 31, 2021
"Havia um sabor no ar."
«Os seus olhos fugiram imediatamente do diabo que se escondia ali, sob as saias, redondo que nem uma abóbora; mas logo se enredaram no sorriso que a mulher luzia -- um sorriso branco e húmido. Havia um sabor no ar.»
Ferreira de Castro, A Missão (1954)
sexta-feira, outubro 29, 2021
quarta-feira, outubro 27, 2021
tempo de berbicacho
1. Bem dito, no geral, a crónica de Pedro Tadeu, no Diário de Notícias, sobre "Quem matou a geringonça?", embora lá falte o cálculo eleitoral que também está por detrás do chumbo do Orçamento do Estado, ou a excessiva contemporização do PCP e do BE para com a contemporização excessiva do PS para alguma legislação do famigerado governo de Passos Coelho, num momento em que o governo já tinha caído nas boas graças da UE, com Mário Centeno a presidir ao Eurogrupo, afastadas pois todas as suspeitas de radicalismo esquerdista à frente dos destinos de Portugal. A situação actual é, pois, de responsabilidade tripartida.
2. Ainda no Diário de Notícias, uma cacetada valente de Ribeiro e Castro no pantomineiro Paulo Portas, cujos comentários televisivos nunca vi, nunca gostei nem tornarei a ver.
3. O inefável Rangel. É uma aversão antiga, desde que se revelou um demagogo barato. Criatura cheia de si, deve julgar-se um predestinado e impressiona os pacóvios. Uma das últimas dele: o contravapor que tentou fazer junto da Comissão Europeia no início do primeiro governo de Costa, pensando nos pontos políticos que iria granjear o seu partido, isto é, ele próprio, o seu desígnio último. A noite do dia em relação ao verdadeiro patriotismo demonstrado por Carlos Moedas, então comissário. Se a criatura se tornar líder do PSD terei de pensar seriamente em quem irei votar, provavelmente em Costa.
terça-feira, outubro 26, 2021
segunda-feira, outubro 25, 2021
domingo, outubro 24, 2021
sábado, outubro 23, 2021
sexta-feira, outubro 22, 2021
Governo aprova a muito custo as propostas democratas-cristãs do PCP; patrões batem com a porta
amanhã, no Barreiro
quinta-feira, outubro 21, 2021
nau perdida
«Na noite seguinte, segunda-feira [23 de Março de 1500], ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!»
Pero Vaz de Caminha, "Carta" a D. Manuel I (1500)
terça-feira, outubro 19, 2021
na estante definitiva
A carta de Pero Vaz de Caminha (1450-1500) é na verdade um relatório, um relato sobre o que viu e ouviu na nova terra que era já conhecida pelos portugueses antes de Pedro Álvares Cabral. Atestam-no o Tratado de Tordesilhas (1494) e a circunstância de o principal navegador desta frota ser Bartolomeu Dias, que sete anos dobrara o Cabo. A derrota para oeste serviu para oficializar a posse daquela terra que viria a chamar-se Brasil.
Há dois milagres no que respeita ao documento: um, foi o de ter chegado até nós, não ter ido ao fundo num naufrágio ou perder-se sabe-se lá onde, até ser (re)descoberto no século XVIII, no meio de papelada, sendo impresso apenas em 1817, pelo padre Manuel Aires de Casal.
O segundo milagre é o próprio Pero Vaz, a forma como escreve, reportagem pura, obedecendo à "regra dos 5 w's": what-who-when-where-how (why, se quisermos um sexteto). Fá-lo com a objectividade de um homem a terminar o século XV, talvez porque fora mestre da balança Casa da Moeda do Porto, com funções de escrivão e tesoureiro, o que exigiria qualidades de exposição prática. Talvez por isso, os editores do livro que tenho na mão, Maria Paula Caetano e Neves Águas, tenham escolhido para epígrafe da sua introdução um fragmento do Diário de Miguel Torga: «Diante da carta de Pero Vaz de Caminha até me vieram as lágrimas aos olhos.»
portugueses
Ora então quem foi o maior português do século XX? Não foi, certamente, o Salazar. Não foi Gago Coutinho, extraordinária figura de inteligência e acção ou Jaime Cortesão, outra. Foi o homem que o Estado hoje homenageou, depois de lhe arruinar a vida -- o amoralismo de Salazar não se detinha diante de ninguém -- e depois ocultá-lo para que se esquecessem. Foi preciso que um historiador expatriado no Canadá, Rui Afonso, trouxesse luz sobre um homem que foi sacrificado por ser bom e digno, salvando centenas ou milhares de vidas (pouco importa para o caso a exactidão do números), para que o país o conhecesse. Salvar vidas, destruindo a sua própria, chama-se a isto heroísmo.
segunda-feira, outubro 18, 2021
domingo, outubro 17, 2021
sexta-feira, outubro 15, 2021
quinta-feira, outubro 14, 2021
quarta-feira, outubro 13, 2021
terça-feira, outubro 12, 2021
segunda-feira, outubro 11, 2021
domingo, outubro 10, 2021
sábado, outubro 09, 2021
sexta-feira, outubro 08, 2021
Prémios Nobel
O Nobel da Paz para dois jornalistas. Quando são verdadeiros jornalistas -- penso ser o caso -- e não agentes estrangeiros ou activistas disfarçados de jornalistas, é excelente. A liberdade de imprensa é o patamar mínimo, básico de uma sociedade civilizada. É claro que a partir daí ou se sobe ou se desce.
De qualquer modo, fico sempre com o pé atrás quando indirectamente se põe no mesmo saco Putin e Duterte. No entanto, os jornalistas e o jornalismo -- os verdadeiros, e não algum putedo que para aí anda -- sempre em primeiro lugar, em face de qualquer poder.
Hei-de ler o Nobel da Literatura, Abdulrazak Gurnah, mesmo se na notícia de ontem me chegasse ao ouvido a expressão "estudos pós-coloniais" com todo o cortejo de parvoíces associadas. Mas o homem é da Tanzânia, de certeza que não lhe falta legitimidade para expender.
quinta-feira, outubro 07, 2021
quarta-feira, outubro 06, 2021
terça-feira, outubro 05, 2021
domingo, outubro 03, 2021
o sedutor Camões
Do bucolismo enleado na contemplação dos campos, verdes como os olhos da amada do sujeito poético, que é Camões, ele-próprio, em Verdes são os campos, ao atrevimento insinuante com que responde ao mote de Francisca de Aragão. Camões foi um dos muitos poetas que se encantou por esta algarvia, que fundaria a casa de Ficalho, título outorgado por Felipe II. «Aquella voluntad q(ue) se á rendido, / al puro respla(n)dor d'aq(ue)llos ojos, / por quie(n) todo lo al po(n)go en oluido. (o castelhano como língua culta da corte)», poetou D. Manuel de Portugal, comendador de Vimioso, que Camões considerava seu par. Composição galante, muito ao gosto dos equívocos subentendidos e jogos de palavras que povoam o Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende.
Ao mote que lhe enviou D. Francisca, “Mas porém a que cuidados?”, responde Camões com uma redondilha cuja estrofe última é deliciosamente insinuante: «Ter nuns olhos tão fermosos / os sentidos enlevados, / bem sei que em baixos estados / são cuidados perigosos; / Mas porém, ah! que cuidados!» Seguida de uma carta, em que escreve, galanteador (e com que sinceridade?):
Senhora
Deixei-me enterrar no esquecimento de v. m., crendo me seria assi mais seguro: mas agora que é servida de me tornar a ressuscitar, por mostrar seus poderes, lembro-lhe que üa vida trabalhosa é menos de agradecer que üa morte descansada. Mas se esta vida, que agora de novo me dá, for para ma tornar a tomar, servindo-se dela, não me fica mais que desejar, que poder acertar com este moto de v. m., ao qual dei três entendimentos, segundo as palavras dele puderam sofrer: se forem bons, é o moto de v. m.; se maus, são as glosas minhas
sábado, outubro 02, 2021
sexta-feira, outubro 01, 2021
terça-feira, setembro 28, 2021
segunda-feira, setembro 27, 2021
domingo, setembro 26, 2021
o meu voto, para registo
sábado, setembro 25, 2021
sexta-feira, setembro 24, 2021
quinta-feira, setembro 23, 2021
18 palavras para Camões
Amor. Campo. Cegueira. Génio. Guerra. Épica. Espada. Escola. Inveja. Manuscrito. Mar. Miséria. Mulheres. Portugal. Redondilha. Rufia. Soneto. Tença.
quarta-feira, setembro 22, 2021
terça-feira, setembro 21, 2021
tempos interessantes
Eu sei que os Estados Unidos foram necessários à nossa segurança colectiva, nomeadamente para travar o expansionismo soviético. E ainda bem, pois é sempre preferível o capitalismo, por mais selvagem. O americano, em particular, é brutal e predatório; há, porém e felizmente, em parte da sociedade civil americana, um dinamismo e com massa crítica, capaz de fazer frente aos poderes fáctícos, o maior poder.
O sovietismo também brutal, que se apoderou do estado, policial, totalitário e desavergonhado, desapareceu há muito, e hoje é a Rússia a ameaçada pela rapinagem americana, a que se opõem como querem e podem, desde logo pela manutenção de Putin no poder. Não sendo russo, quero que Putin fique por lá até 2036 -- e talvez se fosse russo o quisera na mesma. Nunca me cansarei de dizer que, até agora, nunca os russos foram tão livres e tão prósperos. E com Putin temos a certeza de que estes patifes não fazem farinha. A mais do que legítima recuperação da Crimeia, foi apenas uma demonstração aos bullies (um atavismo inglês que os americanos tornaram tara hereditária) que o respeitinho é muito bonito. (O aviso ao navio de guerra inglês armado em saliente a aproximar-se das águas territoriais russas na costa da Crimeia -- "Pela vossa saúde, invertam a rota..." -- foi hilariante.
E por falar em patifarias dos nossos queridos aliados americanos, elas têm sido incontáveis. Depois de deixarem todos os aliados de calças nas mãos no Afeganistão, para vergonha destes -- pelo menos os que a têm, como a ministra holandesa que se demitiu --, foi agora a partida pregada à França, com a anulação do contrato de aquisição de submarinos pela Austrália.
(Eu até acho bem, em teoria, um pacto militar daquela natureza; as potências nunca podem andar à solta, mesmo uma hipercivilizada como a China -- lembremos o Tibete, cuja ocupação tem sempre por cá quem a justifique (a melhor que ouvi, foi a de o Tibete ser um país libertado do seu regime feudal pelo exército popular da China -- nunca se chega longe demais no cinismo ou na estupidez e na desonestidade intelectual);
se o problema do governo de Macron estivesse no domínio dos princípios, a França estaria caladinha, que é a isso a que os vassalos se obrigam; mas o desplante foi o desvio de milhares de milhões de euros que os americanos induziram os australianos a fazer, em benefício próprio, claro está, fazendo a França estrebuchar com sonoridade. O espectáculo está em cena, e até agora tenho-me rido.
Ah, o Biden, ia-me esquecendo: pode estar a ser muito bom na política interna, eventualmente. Na política externa, um desastre bastante pior que Trump, como era expectável, mantendo tudo quanto este fez de mau. A hostilização idiota do Irão, que entretanto passou-se para os radicais nas últimas eleições, com a ajuda dos amigos americanos; a manutenção de barreiras na fronteira com o México. parece que estão a deportar muita gente. Enfim, tempos interessantes, como diria o outro.
segunda-feira, setembro 20, 2021
portugueses
domingo, setembro 19, 2021
sexta-feira, setembro 17, 2021
quinta-feira, setembro 16, 2021
liberdade de imprensa
Sem uma imprensa livre, não há uma sociedade liberal e democrática. É verdade que democracia e liberdade são aferidas por muitas outras variáveis: literacia e autonomia dos cidadãos em face do Estado e dos poderes fácticos de todos os lóbis, corporações, religiões, tudo quanto condicione ou subalternize os indivíduos e os cidadãos. Mas a base de tudo está numa imprensa livre.
Numa lista dos Repórteres se Fronteiras sobre a liberdade de imprensa no mundo, contendo 180 países, em que a liberdade mais livre se situa na Noruega e a mais oprimida na Eritreia, Portugal está em nono lugar, atrás da Nova Zelândia e à frente da Suíça. Quanto aos restantes países lusófonos, Cabo Verde surge em 27.º, atrás de Chipre e à frente da Lituânia. Seguem-se Timor-Leste, 71.º, entre a Grécia e as Maldivas; Guiné-Bissau (95.º), entre a Mauritânia e o Equador; Angola (103.º) no meio do Quénia e do Montenegro; Moçambique (108.º), depois do Líbano e antes duma Guiné. Finalmente, o Brasil, em 111.º, precedendo a Bulgária (país da UE...) e atrás da Bolívia. São Tomé e Príncipe não aparece. É uma lista estranha, apesar de tudo, mas está aqui.
quarta-feira, setembro 15, 2021
emporcalhamento
Concordo com o Presidente Marcelo quando diz que não devemos dar grande trela aos animais que foram coagir Ferro Rodrigues quando almoçava com a mulher. É possível que espectáculos destes sejam o pão-nosso-de-cada-dia na cmtv ou nas outras que as copiam. Mas eu nunca vira nada assim: tontinhos, feios, porcos, maus, com linguagem rufia ("estás marcado...", "este restaurante está marcado...") a arrotar insultos a alguém que, ainda por cima, preside ao Parlamento -- ou seja, à assembleia dos representantes do Povo --, pilar de um sistema que, por muitos defeitos que tenha -- e tem tantos --, não se arranjou outro melhor, até agora, que o substitua? Que querem estes idiotas? Haviam de estar no tempo do Salazar, ou em sistema soviético que nem piavam.
E este emporcalhamento aconteceu porquê? Por causa das vacinas? Do maluquinho que é juiz e está prestes a ir borda fora, por indecente e má figura, e as porcarias que ele foi buscar ao Processo Casa Pia? Não sabe este idiota que a propósito do escândalo da pedofilia uma certa direita montou uma conspiração para decapitar a liderança mais à esquerda do PS, no que foi amplamente bem sucedida, aliás com a colaboração activa do Expresso, então dirigido por outro cretino encartado?
A evolução permitiu a estes toscos passar de ratos em ditadura a carneiros em democracia. Eu também prefiro assim, se bem que a ditadura tivesse a grande ventura de os ratos se verem com menos frequência, era mais higiénico. Assim, ao ar livre e de cabeça descoberta, o ambiente fica pestilento, como é próprio dos ratos.
terça-feira, setembro 14, 2021
segunda-feira, setembro 13, 2021
sexta-feira, setembro 10, 2021
portugueses
quarta-feira, setembro 08, 2021
terça-feira, setembro 07, 2021
domingo, setembro 05, 2021
sexta-feira, setembro 03, 2021
quarta-feira, setembro 01, 2021
caracteres móveis
«Exaltada, invocou Feliciana o testemunho dos pastores e a fé nas Santas Escrituras; e azeda, puxando a cachopa pelo braço, de chanquinha chocalheira pelo sobrado fora, despediu.»*
«Nas fiadas da biblioteca, que ocupava inteiramente uma parede lateral, enfileiravam-se séculos de história da arte, e, em centenas de volumes e milhares de fólios, desfilava a arquitectura religiosa de todas as eras, as ruínas mortas, os templos gastos, as catedrais decrépitas, tudo comentado, inventariado e fixado nos couchés setinosos e nos encorpados velinos caros.»**
«O lume do cigarro chegava já aos lábios de Manuel da Bouça e ele continuava a contemplar as margens do rio, onde se expunham os campos cobiçados e onde a sua casa fumegava, indolentemente, na quietação da tarde.»***
*Aquilino Ribeiro, Andam Faunos pelos Bosques (1926)
**Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
***Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)
segunda-feira, agosto 30, 2021
domingo, agosto 29, 2021
sábado, agosto 28, 2021
quinta-feira, agosto 26, 2021
Afeganistão: os aliados de calças na mão e sem tempo para pensar -- ou a não-discriminação selectiva
O que se assiste no Afeganistão é inominável. Não que houvesse grande ilusões, quanto ao desfecho, mas à forma como os Estados Unidos deixaram os seus aliados, para não falar com os afegãos, com as calças na mão. As declarações do G7 são patéticas, ridículas e só demonstram medo e impotência. É bem feito para estes mesmos aliados que, como diz Putin, muitas vezes com razão, se comportam menos como aliados e mais como vassalos, a começar por Portugal (veja-se como fomos obrigados a reconhecer a "independência" -- piada amarga -- do Kosovo).
Vamos tentar resgatar cento e poucas pessoas, a cinco dias do prazo que os talibãs deram aos Estados Unidos e aliados. (Se não estamos no domínio do improviso, do remendo, do desenrasca, de que tanto gostamos, o que vem a a ser isto?).
Fez-me confusão saber que no caso português estão contempladas as mulheres dos colaboradores dos portugueses, mas apenas uma; quando houver mais -- porque no islão, um homem pode ter mais de uma mulher -- alguma terá de ficar para trás. E como será? Tira-se à sorte? E os filhos de cada uma? Então não é este governo tão defensor de direitos básicos e essenciais de não discriminação? E anuncia que se desemerdem os afegão que trabalharam para nós que têm o azar de ter uma família composta por mais de uma mulher? Como é?, a não descriminação é só para os que têm os nossos padrões?
domingo, agosto 22, 2021
A. J. Saraiva (4), «De Alfonso X, o Sábio a D. Dinis»
«De Alfonso X, o Sábio, a D. Dinis», o capítulo inicial, pp. 15-22 ocupa 6,5% do total. O primeiro subcapítulo versa sobre "Os cancioneiros e a lírica jogralesca" (16-22). A poesia trovadoresca, uma adaptação em boa parte do lirismo provençal casado com o cancioneiro primitivo galaico-português, de que resultaram as célebres "cantigas" (de amigo, de amor, de escárnio e de mal-dizer), realçando os três níveis, consoante a densidade: do ambiente rural ao cortês, passando pelo doméstico; ou da "tradição oral" ingénua e campesina à "invenção literária" propriamente dita, à "dialéctica dos sentimentos" em meio palaciano.
Os autores referidos: Afonso X o Sábio, D. Dinis, Airas Nunes de Santiago. Os títulos: Cantigas de Santa Maria, Cancioneiro da Ajuda. Conexões: Dante, Petrarca, Bernardim Ribeiro (Menina e Moça).
"A épica jogralesca" (16-23). Trata das façanhas de Afonso Henriques, gesta vertida para prosa na 3.ª Crónica Breve de Santa Cruz de Coimbra e a Crónica General de Espanha de 1344, cujo original, perdido, foi escrito em português: «O ciclo épico em torno de Afonso Henriques apresenta-nos um herói bravio e instintivo, verdadeira encarnação da nobreza guerreira do século XII, em luta com os Leoneses, o clero e com os Árabes.»
Conexões: Cantar de Mío Cid e Lendas e Narrativas (Alexandre Herculano).
"O romance de cavalaria" (23-25). As traduções do Ciclo da Bretanha, Demanda do Santo Graal, O Livro de José de Arimateia, (séc. XIII) ou a História de Barlão e Josafate, baseado na vida de Buda, cuja tradução portuguesa se fez em Alcobaça, abrem caminho para um romance como o Amadis de Gaula, cujo original em português se perdeu, cuja autoria foi atribuída por Zurara ao trovador Vasco de Lobeira [entretanto, a atribuição já passou para um outro, chamado João Pires de Lobeira].
Conexões: Cervantes, Dom Quixote.
sexta-feira, agosto 20, 2021
terça-feira, agosto 17, 2021
um passeio com A. J. Saraiva (3)
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| Afonso VI de Leão |
Citação: «[...] como o mostra a lamentação citada de Afonso VI, quando se formou o reino de Portugal já o Noroeste da Península constituía um espaço linguístico, o domínio do galego-português como língua materna.»
segunda-feira, agosto 16, 2021
domingo, agosto 15, 2021
um passeio com A. J. Saraiva (2)
A propósito do título, este pequeno livro de 172 páginas vem substitui um outro da célebre «Colecção Saber», da Europa-América (muito suportada para os títulos estrangeiros na célebre «Que sais-je?», da PUF), a breve História da Literatura Portuguesa, que gostaria de ter à mão para ver as balizas. Iniciação é um título que dá liberdade ao autor, permitindo-lhe um grau maior de liberdade e subjectividade que o substantivo História denega. Mantenho, no entanto, que é sempre arriscadíssimo entrar pelo nosso tempo adentro, sem fugir às antipatias, ajustes de contas, sem falhar. Por isso, se o autor tivesse parado ao fim de dois terços do XIII e último capítulo, sustendo-se por pelos autores a que se refere nascidos em torno de 1900, Ferreira de Castro, Vitorino Nemésio, José Rodrigues Miguéis e José Régio -- os quatro maiores da sua geração no romance (Castro), poesia (Nemésio), conto e novela (Miguéis) e ensaio (Régio) --, a obra estaria "imaculada".* A alteração realizada (que diz o autor não ser meramente uma mudança de título) o que se compreende, atendendo à evolução do seu pensamento) permite, pois, a liberdade de dizer que numa súmula da literatura portuguesa, o iniciado deverá "forçosamente" ler os autores referidos, mesmo salvaguardando, como o faz para o século XX o mais extenso dos capítulos, que é impossível referir todos os autores de valor. Mas há sempre uma escolha, e neste particular, é curioso ver que foi eliminado. Destas ausências, haverá umas que percebo e outras que não. E há ainda as que me divertem, concordando ou não.
* Nemésio, não sendo o maior romancista da sua geração, é autor do melhor romance da literatura portuguesa já lido por mim, e não sou o único a ter esta opinião, e era um ensaísta genial. Régio, não sendo o maior poeta da sua geração, é grande em todas as áreas em que trabalhou.
sábado, agosto 14, 2021
Um passeio com A. J. Saraiva (1)
Como se não tivera nada mais para fazer, fui interpelado por este resumo brilhante, que vai até aos "novíssimos" seus contemporâneos. Estava tentado a dizer que ele se espalha no século XX, em que deveria ter ficado pelo Ferreira de Castro, o José Régio, etc. Mas não. Ele não se espalha efectivamente -- a não ser no neo-realismo, de que foi uma das cabeças de cartaz; mas ele faz uma escolha, e assume-a, mesmo ressalvando o que de bom fica de fora.
É um livrinho esplêndido, e vou passar o resto das férias a passear com ele por aqui, a fazer aquelas continhas de que gosto.
sexta-feira, agosto 13, 2021
Saigão, 1975
Foi o que me veio à cabeça, perante a debandada de Cabul.
Quem deve estar apreensiva é a China, que tem fronteira a oeste com o país dos talibãs. Estes vão ser racionais e moderados pelo Paquistão, uma vez que os chineses não vão tolerar o mínimo de desestabilização na província de maiorias islâmica. E é possível que depois de três impérios terem de fugir desde o século XIX, o britânico, o soviético e o americano, a China já pensasse trinta vezes em cada uma das possibilidades que se lhe podem oferecer.
quinta-feira, agosto 12, 2021
terça-feira, agosto 10, 2021
o populismo não pensa
Uma jovem estudante de artes francesa escreveu uma frase na base do Padrão dos Descobrimentos que, não estando totalmente errada -- “Blindly sailing for monney, humanity is drowning in a scarllet sea” --, está muito longe da realidade. Os Descobrimentos foram muito mais do que pilhagem e barbárie.
Obviamente que isto não é matéria para amadores, mas para historiadores, e sérios. Porque os há vigaristas ou ideologicamente cegos. A jovem, coitada, é jovem, não tem culpa de ser ignorante, tem toda a desculpa ao contrário daqueles que se põem em biquinhos de pés.
O episódio deveria ser ignorado, é uma manifestação da ligeireza e idiotice das "redes sociais", mas é impossível neste tempo de trincheiras -- um tempo que acho especialmente interessante para chamar nomes aos bois -- olhar com o distanciamento que a seriedade impõe.
O populismo e a vigarice à esquerda incomodam-me, pois ainda vou considerando a esquerda o meu campo, apesar de estar difícil. Por isso exulto ao ler uma entrevista de um homem que é um artista e não historiador, Rodrigo Francisco, ir para além da banalidade, do lugar-comum, da banalidade, no que respeita à forma como aborda a Guerra Colonial, o fenómeno dos retornados ou os militares que fizeram a guerra -- uma guerra criminosa, note-se, sob qualquer ponto de vista.
domingo, agosto 08, 2021
caracteres móveis
«É um amálgama de realidade e pesadelo, trapos de nuvens e palácios desmedidos.»*
«Mas Henrique de Souselas -- que era este o nome do cavaleiro -- fora educado e passara da infância à plena juventude, em Lisboa, levantando-se por avançada manhã, frequentando o teatro, o Grémio, as câmaras, parolando no Chiado ou no Rossio, e indo alguns dias do ano a Sintra, ou a qualquer praia de banhos, desenfadar-se da monotonia da capital.»**
«Mas Luísa, a Luisinha, saiu muito boa dona de casa: tinha cuidados muito simpáticos nos seus arranjos; era asseada, alegre como um passarinho, como um passarinho amiga do ninho e das carícias do macho: e aquele serzinho louro e meigo, veio dar à sua casa um encanto sério.»***
*Raul Brandão, A Farsa (1903)
** Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)
*** Eça de Queirós, O Primo Basílio (1878)
quinta-feira, agosto 05, 2021
quarta-feira, agosto 04, 2021
caracteres móveis
«Aqui está um campino fumando gravemente o seu cigarro de papel que me vai emprestar lume.» *
«Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia a que o mundo deu o nome de imaginações desregradas, porque não é para o mundo entendê-las.» **
«Há momentos em que um escritor público se vê forçado a corar.» ***
* Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)
** Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)
*** Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854)
















































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