terça-feira, agosto 18, 2020

um ser à parte - «Eurico o Presbítero» (5)

Continuar: «Muitas vezes, pela tarde, quando o sol, transpondo a baía de Carteia, descia afogueado para a banda de Melária, doirando com os últimos esplendores os cimos da montanha piramidal do Calpe, via-se ao longo da praia vestido com a flutuante estringe o presbítero Eurico, encaminhando-se para os alcantis aprumados à beira-mar.»

Eurico, recolhido para o mundo e aberto para Deus, entregava-se à composição poética em Seu louvor, ao entardecer, ficando até altas hora nas falésias sobre a baía de Carteia, aproveitando -- como Herculano explica no corpo do texto -- a sanção de Santo Isidoro de Sevilha durante o IV Concílio de Toledo (633): «Nenhum de vós ouse reprovar os hinos compostos em louvor de Deus.» O estro de Eurico varre a Hispânia cristã. Preterido no seu amor por Hermengarda pelo pai desta, ao consagrar-se a Deus e a todos acolhendo e consolando como presbítero, servo ou nobre, rico ou pobre, a sua condição poética fê-lo entender a natureza do cristianismo, radicada no amor: «[…] Eurico percebera claramente que o Cristianismo se resume em uma palavra -- fraternidade. Sabia que o Evangelho é um protesto, ditado por Deus para os séculos, contra as vãs distinções que a força e o orgulho radicaram neste mundo de lodo, de opressão e de sangue; sabia que a única nobreza é a dos corações e dos entendimentos que procuram erguer-se para as alturas do céu, mas que essa superioridade real é exteriormente humilde e singela.»
Surge aqui o Herculano, liberal adversário da tradição no que esta tinha de manutenção ilegítima de privilégios, a começar pelos da própria Igreja, estendendo-se à restante sociedade. (Aliás o escritor recusou ser nobilitado pelo rei, seu antigo pupilo, ao contrário do que sucederia com Garrett, Castilho e mais tarde Camilo, que andou na pedincha.) Com o amor de Deus, veio «o amor da pátria [...] despedaçada pelos bandos civis» e a descrença nas elites. A ténue esperança nas qualidades do povo ainda parcialmente não corrompido não afasta a visão horrenda da «pátria cadáver», que verte para o seu canto.

Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844), cap. III: «O poeta» pp. 12-20. 

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Lapière e Dany, Un Homme qui Passe

segunda-feira, agosto 17, 2020

o indivíduo na História - «Eurico o Presbítero» (4)

Cap. II, «O Presbítero». Continuar: «No recôncavo da baía que se encurva ao oeste do Calpe, Carteia, a filha dos Fenícios, mira ao longe as correntes rápidas do estreito que divide a Europa da África.»

1. Apresentação do protagonista e da sua história, até à condição de presbítero de Carteia -- antigo povoado fenício na baía de Gibraltar. Os amores contrariados com Hermengarda, por Favila, duque da Cantábria, seu pai e também do grande Pelágio, o primeiro rei das Astúrias, entre 718 e 737 -- uma vez que Eurico pertencia à nobreza baixa --, deixam-no prostrado. «O orgulhoso Favila não consentira que o menos nobre gardingo pusesse tão alto a mira dos seus desejos.» Esta recusa, a que se junta a percepção de uma resignada aceitação por parte da amada leva a um estado depressivo, melancólico e de renúncia. Eurico toma ordens e torna-se sacerdote da pequena povoação.

2. Romantismo. O gardingo é caracterizado como um emotivo a quem «a melancolia […] devorava», e por isso detentor de uma personalidade diferente dos demais: «Eurico era uma destas almas ricas de sublime poesia a que o mundo deu o nome de imaginações desregradas, porque não é para o mundo entendê-las.» E na renúncia ao mundo transfere-se o entusiasmo guerreiro, o estro e o amor por Hermengarda numa outra devoção: «[...] o entusiasmo [pela mulher, entenda-se] em entusiasmo pela virtude; o amor em amor dos homens.» A epígrafe, retirada da Vida de Eulógio, de Álvaro de Córdova (c.800-861): «Sublimado ao grau de presbítero… quanta brandura, qual caridade fosse a sua o amor de todos lho demonstrava.» 

3. O narrador é-o no tempo presente (1844) -- «O presbitério, situado no meio da povoação, era um edifício humilde, como todos os que ainda subsistem alevantados pelos Godos sobre o solo da Espanha.» --; aspecto relevante para ficarmos cientes de que os juízos de valor que traz ao papel se aplicam também (sobretudo?) à circunstância do agora.

Ou seja: a História exposta e também a sua (dele, Herculano) individualidade: o poeta, o homem de acção, fé e convicções.

(Cap. II, «O presbítero», : 6-11)

domingo, agosto 16, 2020

«Os visigodos» - «Eurico o Presbítero» (3)

Cap. I: «Os visigodos». Começar: «A raça dos visigodos, conquistadora das Espanhas, subjugara toda a Península havia mais de um século.» 
Capítulo inicial, trata-se de um esquisso de enquadramento histórico (político e mental) da Ibéria, às vésperas da invasão muçulmano, tendo como epígrafe um passagem da Crónica do Monge de Silos, escrita no século XII: «A um tempo toda a raça goda, soltas as rédeas do governo, começou a inclinar o ânimo para a lascívia e soberba.». Pano de fundo sobre o qual se desenrolará a acção romanesca, o seu mais curto parágrafo exibe o tom:
«Debalde muitos homens de génio revestidos da autoridade suprema tentaram evitar a ruína que viam no futuro: debalde o clero espanhol, incomparavelmente o mais alumiado da Europa naquelas  eras tenebrosas e cuja influência nos negócios públicos era maior que a de todas as outras classes juntas, procurou nas severas leis dos concílios, que eram ao mesmo tempo verdadeiros parlamentos políticos, reter a nação que se despenhava. A podridão tinha chegado ao âmago da árvore, e ela devia secar. O próprio clero se corrompeu por fim. O vício e a degeneração corriam soltamente, rota a última barreira.»
Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero [1844] : 6-11

história e ficção, mentira e verdade - «Eurico o Presbítero» (2)

Alexandre Herculano procurou nos romances históricos uma abordagem às mentalidades de época que não lhe dava uma heurística que relutava extravasar o dado documental. Debalde procurou suporte que lhe permitisse suprir essa lacuna na sua fundamental História de Portugal (1846-1853); e mesmo para as obras de ficção, a procura de vozes do passado que lhe transmitissem a dolorosa pena do celibato, cuja desumanidade desde a juventude o perturbava, resultou infrutífera, como assinala no prefácio do Eurico:
          «Essa crónica de amarguras procurei-a já pelos mosteiros, quando eles desabavam no meio das nossas transformações políticas. Era um buscar insensato. Nem nos códices iluminados da Idade Média, nem nos pálidos pergaminhos dos arquivos monásticos estava ela. Debaixo das lájeas que cobriam os sepulcros claustrais havia, por certo, muitos que a sabiam; mas as sepulturas dos monges acheia-as vazias.»  Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero [1844], (ed. cit,, p.VI).

Fez, assim, apelo à idiossincrasia poética e ao escopo artístico, ciente de que o ficcionista de recursos tem a intuição que faltará ao historiador. A esta, junte-se a ideia supletiva do romancista como alguém que mede a temperatura do tempo, e por isso mais fidedigna a ficção do que obras contemporâneas, propositadamente concebidas para deixar um testemunho à posteridade. Podemos lê-lo num artigo da Panorama, cujo excerto magnífico foi transcrito por Vitorino Nemésio, na apresentação da edição crítica (1944 -- o mesmo ano em que o açoriano publica o talvez melhor romance português de sempre, Mau Tempo no Canal):

«Novela ou História, qual destas duas cousas é a mais verdadeira? Nenhuma, se o afirmarmos absolutamente de qualquer delas. Quando o carácter dos indivíduos ou das nações é suficientemente conhecido, quando os monumentos, as tradições e as crónicas desenharam esse carácter com pincel firme, o noveleiro pode ser mais verídico do que o historiador; porque está mais habituado a recompor o coração do que é morto pelo coração do que vive, o génio do povo que passou pelo do povo que passa. [...] Porque [os historiadores] recolhem e apuram monumentos que foram levantados ou exarados com o intuito de mentir à posteridade, enquanto a história da alma do homem deduzida lògicamente das suas acções incontestáveis não pode falhar, salvo se a natureza pudesse mentir e contradizer-se, como mentem e se contradizem os monumentos.» 

Este historiar da alma -- porventura a mais significante das historiografias -- remete-me para a maravilhosa Svetlana Alexievich, que assim mesmo se definiu: «historiadora da alma», aqui já não se socorrendo (exclusivamente) da intuição, mas também do testemunho vívido e vivido.

da solidão no meio dos anjos - «Eurico o Presbítero» (1)

Início da apresentação do romance: «Para as almas, não sei se diga demasiadamente positivas, se demasiadamente grosseiras, o celibato do sacerdócio não passa de uma condição, de uma fórmula social aplicada a certa classe de indivíduos cuja existência ela modifica vantajosamente por um lado e desfavoràvelmentepor outro.»

A questão do celibato dos padres interessa o Herculano (1810-1877) romancista, pelo drama que a Igreja, especialmente com o Concílio de Trento (1545-1563), impôs aos seus ministros: o sacrifício «da irremediável solidão da alma» -- assim o escreve na apresentação de Eurico, o Presbítero (1844).
No prefácio, o escritor deplora a misoginia subjacente àquele interdito, vendo a mulher como ideal salvífico e angelical de amor e bondade. A passagem seguinte dá bem a medida dessa idealidade  romântica, em contraste com uma sordidez máscula que macula muito de "nós" (é seu o recurso à englobante primeira pessoa do plural):

«Dai às paixões todo o ardor que puderdes, aos prazeres mil vezes mais intensidade, aos sentidos a máxima energia e convertei o mundo em paraíso, mas tirai dele a mulher, e o mundo será um ermo melancólico, os deleites serão apenas o prelúdio do tédio. Muitas vezes, na verdade, ela desce, arrastada por nós, ao charco imundo da extrema depravação moral; muitíssimas mais, porém, nos salva de nós mesmos e, pelo afecto e entusiasmo, nos impele a quanto há bom e generoso. Quem, ao menos uma vez, não creu na existência dos anjos revelados nos profundos vestígios dessa existência impressos num coração de mulher? E porque não seria ela na escala da criação um anel da cadeia dos entes, presa, de um lado, à humanidade pela fraqueza e pela morte e, do outro, aos espíritos puros pelo amor e pelo mistério? Porque não seria a mulher o intermédio entre o céu e a terra?»

Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero [1844], 40.ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, s.d., pp. III-VII.

sábado, agosto 15, 2020

leituras amenas

Para mim, por muito que a poesia e o verdadeiro ensaio me transportem, o romance (e também a novela) continua a ser a arte literária por excelência. Um grande romance tem sempre poesia (em prosa e/ou em verso) e tem sempre ensaio. Se o não tiver, não é um grande romance; e, com isto, tem ainda de ter um equilíbrio e uma solidez conceptual e uma estrutura impecáveis. Quantos romances prometedores não se perderam porque o autor se despistou, se estendeu ou apressou, comprometendo o todo? 
Por muito que digam, e há quem o afirme, páginas de génio não chegam para o sancionar, santa paciência! Por exemplo: Alexandra Alpha, do Cardoso Pires, tem talvez as mais extraordinárias linhas que já se escreveram sobre o 25 de Abril, mas é um medíocre romance. Ou a novela A Confissão de Lúcio, do Sá-Carneiro, não obstante o ineditismo pioneiro da fragmentação da personalidade na prosa de ficção, justamente o que falha é a prosa, tão cheia de arrebiques, que não se pode com ela. Pois já li algures tratar-se de "uma obra-prima", pelo amor de nosso senhor. E não há idolatrias nem cumplicidades coevas que por aí passam por crítica ou ensaio que o salvem. Felizmente há o tempo. Azar. Mas anda aí muita gente a ser enganada por incompetentes e carreiristas sem vergonha fazendo passar por bom o que é indubitavelmente frouxo e ligeiro. 
Também não serei eu que o farei; falta-me competência, paciência e obrigação. Além disso, sou um mero leitor que julga ter algum apuro crítico. Mas tomei uma decisão: vou passar a escrevinhar aqui, com mais frequência, as minhas amenas leituras de romance e novela portugueses, às postas, como convém a um blogue. E aqui, blog vizinho, uma espécie de armazém, passarei a juntar os textos completos, espero que coerentes.
Boas leituras para mim.

sexta-feira, agosto 14, 2020

a arte de começar - Ruben A. (1920-1975)

«Sempre que do portão se avizinhava mero turista ou descobridor de mistérios e o sino ficava longo tempo a retinir pela ribeira, ouviam-se pesados bate-lajedos de caseiro em movimento.»

A Torre da Barbela (1964)

quinta-feira, agosto 13, 2020

"tolerância zero"

As ameaças do Movimento da Cruz Branca de Avis nas Cuecas Brancas de São Nun'Álvares, grupelho constituído por 3 pentelhos 3 (ou talvez 4), aproveitando a maré mediática dum racismo em grande parte imaginário, constituem um crime de ameaça e coacção (efeito nulo, pois estas criaturas não sºao nada nem ninguém). No entanto, e apesar de Agosto, espera-se que até final da semana estejam engavetados ou sob termo. O Rui Pinto pode ajudar as Autoridades, se estas não quiserem ou tiverem de lidar com políticos tergiversos.
Razão tem o Presidente da República, Marcelo: "tolerância zero" para com esta criminalidade encapuçada; e também a de lidar com inteligência para evitar climas emocionais, em que vários apostam visibilidade e relevância.

quarta-feira, agosto 12, 2020

a arte de começar - Tomaz de Figueiredo (1902-1970)

«Acima do portão, na verga quase vestida pela hereira que já amortalhara a pedra heráldica, a valer de baetão que a amantasse nos lutos, ainda lá se lia uma data, 1654, avivada pelo caseiro, por mimo, no tempo da poda, a riscos de caco.»

A Toca do Lobo (1947)

«Leitor de BD»

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L'Instant d'Après, de Zidrou e Maltaite

terça-feira, agosto 11, 2020

JornaL

Waldemar Bastos (1954-2020). O primeiro LP, Estamos Juntos (1983), é um dos discos da minha vida; de "Marimbondo" à «Velha Chica», cantado com Martinho da Vila. Uma coisa assombrosa.

Hidrogénio verde. Bom, se é verde, então tá bem -- mesmo quando propalado pelo ministro da aviação climática, o que me faz ficar de pé atrás, não o ministro, especificamente, mas o governo no seu todo. Veja-se o aeroaborto do Montijo ou a razia projectada para as "aldeias do lítio" em Montalegre, custe o que custar, contra as populações se for caso disso e só não contra a lei, porque muda-se a lei quando for preciso. O hidrogénio verde, portanto. As opiniões dividem-se; não tenho opinião nem posso ter, por ignorante. Apenas sei que a ir para a frente -- e se for mesmo a tal oportunidade, que vá! --, haverá sempre rapina, aldrabice, corrupção. Ou não? 

segunda-feira, agosto 10, 2020

a arte de começar - Ferreira de Castro (1898-1974)

«Preta e branca, preta e branca, o preto mui luzidio e muito níveo o branco, a pega, de cauda trémula, inquieta, saracoteava entre carumas e urgueiras, esconde aqui, surge ali, e por fim erguia voo até à copa alta do pinheiro, levando no bico ramo seco ou graveto.»

Emigrantes (1928)

a arte de começar - Manuel Ribeiro (1878-1941)

«Era a hora de Matinas. A sineta do claustro tangia, a convocar os capitulares para o coro, quando Luciano passou da sua alcova à biblioteca, entreabrindo uma pequena porta e afastando uma massa rígida dum brocado que descia do lambrequim em pregas hirtas, adornado de eucarísticos lavores de seda e oiro. Em seguida, acercando-se duma janela cujas portadas tinham ficado despreocupadamente abertas, descerrou, num gesto largo, as vidraças de par em par, e aspirou com delícia a onda do ar fresco, que inundou a casa, impregnado dos vapores que do jardim, em baixo, se evolavam.»

A Catedral (1920)

domingo, agosto 09, 2020

a arte de começar - Camilo Castelo Branco (1825-1890)

«Em 1815, um dos mais abastados mercadores de panos da Rua das Flores, na cidade do Porto, era o Sr. António José da Silva. E, a 23 de Agosto do mesmo ano, o negociante da Rua das Flores que mais suava e bufava aflito com a calma era o mesmo Sr. António José da Silva. O Sr. António, como os seus caixeiros o chamavam, tinha razão para suar. As bochechas balofas e trémulas, dilatadas pelo calor do Estio, ressumavam-lhe um suco oleoso, que descia em regos pelos três rofegos da barba e vinha aderir à camisa às duas grandes esponjas, que formavam os seios cabeludos do nosso amigo atribulado.»

A Filha do Arcediago (1854)

sábado, agosto 08, 2020

a arte de começar - Almeida Garrett (1799-1854)

«Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo -- entende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse ao menos ia até o quintal.»

Viagens na Minha Terra (1846)

sexta-feira, agosto 07, 2020

«Leitor de BD»

Mathieu Bonhomme, O Homem que Matou Lucky Luke


quarta-feira, agosto 05, 2020

a arte de começar - Alexandre Herculano (1810-1877)

«A raça dos Visigodos, conquistadora das Espanhas, subjugara toda a Península havia mais de um século. Nenhuma das tribos germânicas que, dividindo entre si as províncias do império dos césares, tinham tentado vestir sua bárbara nudez com os trajos despedaçados, mas esplêndidos, da civilização romana soubera como os Godos ajuntar esses fragmentos de púrpura e ouro, para se compor a exemplo de povo civilizado. Leovigildo expulsara da Espanha quase que os derradeiros soldados dos imperadores gregos, reprimira a audácia dos Francos, que em suas correrias assolavam as províncias visigóticas de além dos Pirenéus, acabara com a espécie de monarquia que os Suevos tinham constituído na Galécia e expirara em Toletum, depois de ter estabelecido leis políticas e civis e a paz e ordem públicas nos seus vastos domínios, que se estendiam de mar a mar, e, ainda, transpondo as montanhas da Vascónia, abrangiam grande porção da antiga Gália Narbonense.»

Eurico o Presbítero (1844)

segunda-feira, agosto 03, 2020

a arte de começar: Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)

«Cumpridos dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi, morto para a vida e para os sonhos; nada podendo já esperar e coisa alguma desejando -- eu venho fazer enfim a minha confissão: isto é, demonstrar a minha inocência.»

A Confissão de Lúcio (1914)

domingo, agosto 02, 2020

livros que me apetecem

A Propósito de Nada,  de Woody Allen (Edições 70)
Kaputt, de Curzio Malaparte (Cavalo de Ferro)
Livro de Vozes e Sombras, de João de Melo (Leya)
O Caso Mental Português, Fernando Pessoa (Assirio & Alvim)
O Sexo da Musica, Étienne Liebig (Temas e Debates)

já cá cantam:

A Relíquia, de Eça de Queirós (Livros do Brasil) -- na edição da Lello
Eternidade, de Ferreira de Castro (Cavalo de Ferro) -- também na edição da Guimarães
Na Patagónia, de Bruce Chatwin (Quetzal)
O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós (Livros do Brasil)
Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira (Livros do Brasil) -- na edição da Sá da Costa 

um parágrafo de Eça de Queirós

«Desde o berço, onde a avó espalhava funcho e âmbar para afugentar a "sorte ruim", Jacinto medrou com a segurança, a rijeza, a seiva de um pinheiro das dunas.»

A Cidade e as Serras (póstumo, 1901)

sábado, agosto 01, 2020

sexta-feira, julho 31, 2020

um parágrafo de Augusto Abelaira

«Sem querer, tinha os olhos postos no palácio. Um país onde isto não existe. Sim, sem Santa Maria Novella, sem Masaccio, sem sol. "Um país onde eu desejaria ter nascido, ter sido jovem. Um país onde também não teria sido ninguém, mas apenas porque não sou ninguém."»

A Cidade das Flores (1959)

quinta-feira, julho 30, 2020

«Leitor de BD»

O Reizinho,
 de Otto Soglow


um parágrafo de Aquilino Ribeiro

«Um homem atravessou por ali, e não foi pequeno o seu pasmo. A água, uma avemaria puríssima, descia dos serros por muitos regatinhos, brancos, inocentes e tagarelas, que nem se largassem à compita a ver qual deles era o primeiro a chegar ao vale. O solo era negro e dava mostras de fecundo a julgar pelo mato que crescia balofo, alto e tão denso que lhe era difícil romper e a cada passo lhe saltava dos pés um laparoto gordalhudo. Como andava à caça e muito ajoujado dos apetrechos de monteiro, tinha sede, uma sede ardente a que não era estranha a estafa de Rubiães até ali e o lombo de vinha-de-alhos, gostosinho mas sobre o sal, do seu almoço. E, avidamente, debruçou-se no primeiro lugar a jeito a beber da linfa que o Pe. Carvalho classifica da mais delgada e fria do mundo. Depois, regalado, puxou do lenço, grande como o guião do Santíssimo, e esponjou-se do suor. Relanceando olhos enlevados à roda, deu conta da balsa, que as águas, ao confluir, ali faziam, e surpreendeu, fulgurando suas escamas lantejoiladas, duas boas trutas palmeiras. Libélulas cruzavam-se por cima numa contradança versicolor, mas ele não prestou atenção a tais bugiarias da natureza. Filho de camponeses, porém, foi reparando na pujança que mostrava a erva do prado, embora se metessem de gorra a comer do húmus farto a margaça, a leituga, a beldroega, a azeda, mais sôfregas do que vacas com fome.»

A Casa Grande de Romarigães (1957)

quarta-feira, julho 29, 2020

"as melhores práticas do mercado"

Assim, de repente, ocorre-me: vigarice, tráfico, extorsão, infidelidade, ladroagem, abuso de confiança, rapina, falsidade, um longo etc. …

(Isto para dizer que me falta o cu para conversa fiada à business school, e que é uma pena que não estejamos num prec ainda mais hard que em 1975, para pôr esta malta dos fundos de investimento, das sociedades offshore, estes ceos infernais em campos de reeducação, na apanha da azeitona e do girassol, a aprenderem com os nepaleses como se faz.)

50 discos: 1. LOUIS ARMSTRONG PLAYS W. C. HANDY (1954) #8 - «Ole Miss»



segunda-feira, julho 27, 2020

delinquente, celerado e assassino -- o racismo é só mais um pormenor

Ainda não é desta que altero a minha percepção sobre a existência de um problema de racismo na sociedade, que não localizado. Por um motivo fútil -- uma discussão por causa de um cão -- um energúmeno octogenário baleou um cidadão negro, o actor Bruno Candé Marques, 39 anos, pai de três filhos menores.

Quem é esta criatura?  Que é um assassino, está fora de dúvida, pois abateu um homem com vários tiros à queima-roupa;
É também, muito provavelmente, um delinquente: a arma do crime não só era ilegal, como pertencia a um armeiro de uma força policial, dada como roubada. Portanto: notórias ligações ao mundo do crime.
Em terceiro lugar, será um dos milhares que vieram com os miolos rebentados da Guerra Colonial, um dos que, provavelmente se fartou de "matar pretos", conforme se vangloriou.

O quadro descrito revela uma criatura atípica: um criminoso que ontem lançou a última dejecção na sua infeliz passagem por este mundo. Irá apodrecer na cadeia, e justamente.

O que representa então este velho assassino? O lúmpen social, que se manifesta através dos baixos instintos e ressentimentos. Tipifica a sociedade portuguesa? Creio que não, espero que não, acredito que não -- ou este país ainda é pior do que pensava. Pelo contrário: as imagens que vi publicadas no sítio do Jornal de Notícias, mostrar o criminoso manietado pela população, gente de várias cores.


Chateia-me por isso que pessoas como Joacine Katar Moreira (em quem votei para deputada e de cujo voto ainda não me arrependi, pese o episódio com o Livre, do qual não foi a única responsável) ou o activista Mamadou Ba, cujo abaixo-assinado de solidariedade subscrevi e voltaria a subscrever, quando ameaçado por energúmenos do pnr, chateia-me que sejam tão lestos neste agitar de espantalhos, bem identificados e caracterizados; até porque não quero entrar por caminhos em que poderia chegar à conclusão que estes e outros procurem notoriedade fácil, e as vantagens que daí advêm, através de uma militância que, necessária, deve ser também criteriosa.

Por outro lado: ainda estou à espera de ver até quando a retórica xenófoba espertalhona estará para durar, sob a passividade do poder judicial. 

um parágrafo de Coelho Neto

«E não é só o homem que dorme no leito antigo, largo e raso, de colunas torcidas, com flores e folhagens clássicas, forrado de alvos lençóis, que trescalam como moutas de ervas de cheiro ou na palha seca e crepitante, entre os milhos, com o cão aos pés e os grilos cantando perto; é o gado forte e é a ovelha mansa, é a ave meiga, é a mesma árvore, é a mesma água, é a mesma estrela, é o mesmo luar porque, se a água murmura e se as folhas sussurram, bem se pode dizer que são vozes do sonho das coisas. Velam apenas o caboré piando no tronco ou cruzando os ermos e as feras bravas que descem para velar, ou a farandulagem que assalta galinheiros ou outros sítios de maior recato e perigo.»

A Capital Federal (1893)

sábado, julho 25, 2020

um parágrafo de Eça de Queirós

«Deu outro puxão às calças, e foi colocar, com prudência, a chapeleira de papelão ao lado dum saco de tapete. Artur olhava-lhe o dorso crasso, curvado sobre a bagagem, as nádegas de obeso sobre que estalava uma calça cor de avelã; e pensava, com desconsolação, que era aquela criatura que tinha dinheiro, que ia para Lisboa, -- o Joãozinho Mendes, de Ovar, a quem chamavam em Coimbra, o Chouriço, e incapaz de compreender um livro, ou mesmo um dito!...»
A Capital! (c. 1875; póstumo, 1925)

sexta-feira, julho 24, 2020

quinta-feira, julho 23, 2020

a Amália está cá sempre

100 anos de Amália Rodrigues, diva absoluta do fado português ...

Admirável, única, quanto mais o tempo passa mais ela se agiganta.
Como todos os grandes, sofreu a baixeza dos pequenos; não vale a pena levantar o lixo.
Não sei se lhes perdoou, mas tinha magnificência para tal.
Sobre o tanto ou tão pouco que eu pudesse escrever sobre ela, tudo seria irrelevante.
Autoconsolação: creio que foi depois de ler o esplêndido adeusamália, de Manuel da Silva Ramos,
que me ocorreu isto, que já li também no último JL:
Amália só cantava assim porque tinha nela a Beira Baixa
e a Beira Baixa, musicalmente, é um mundo à parte.

quarta-feira, julho 22, 2020

um parágrafo de Tomás Ribeiro Colaço

«Dias sem conta, Antero releu gulosamente as próprias palavras que, assim compostas noutro jornal, com outro tipo, assumiam novo sabor. Andava ufano. Aquilo estava bem! Ter a coragem de chamar aos Lusíadas com tão firme poder de síntese anacrónica o cartaz luminoso das Descobertas; escrever com tão valente garotice que Luís de Camões previu muito, sabia ver e prever, tinha o olho da previdência; definir com tamanha arte de crítica sintética, o poema épico, concurso hípico das Musas; conceder, com tão bizarra ironia: -- eu admiro ainda assim um Luís de Camões; cuidou muito bem do seu reclame; era um Luís de oiro, do oiro das Descobertas, oiro sem liga, como uma perna nua..." -- Caramba! Aquilo sim que era novo. Era coisa que vinha de algures denunciando Alguém. Antero Chumbo tinha uma obra, em marcha.»
A Calçada da Glória (1947)

criadores & criatura

fonte

Turk, DeGroot e Léonard

foten

terça-feira, julho 21, 2020

«Leitor de BD»

Max, Manifestamente Anormal

quarta-feira, julho 15, 2020

«The State I Am In»

«Leitor de BD»


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Luís Avelar e Pedro Massano, A Lei do Trabuco e do Punhal

terça-feira, julho 14, 2020

domingo, julho 12, 2020

estampa CDII - Carlos Bonvalot


O Mestre (1914)

sexta-feira, julho 10, 2020

quinta-feira, julho 09, 2020

o caso Rita Rato, desconfianças e bocas da reacção

Chamam-me a atenção para o bruaá no Facebook sobre a nomeação de Rita Rato para directora do Museu do Aljube. Não me apetece nada andar ao tiro ao comunista, quando há anos que apanhamos com a tralha neoliberal e assistimos aos fascistas de ocasião (ou seja, aqueles que se prestam a tudo o que o lumpen cívico quiser), bolsarem para o meio da rua.

Depois do "museu das descobertas" -- não há descobertas mas, em bom português, Descobrimentos, e com maiúscula e que devem ser celebrados criticamente, apesar dos analfabetos da margem esquerda --, depois do propalado museu que, com a cagunfa do costume, já deve estar, com a viola no saco e metido na gaveta --; depois da gritaria com o Museu Salazar ou Centro Interpretativo, projecto liderado por historiadores à prova de bala, que deu brado porque a História é um pormenor para uma determinada concepção política do mundo, incluindo os que se dizem historiadores; agora, o Museu do Aljube.

Independentemente do benefício da dúvida que darei à senhora quanto à sua honestidade intelectual -- parece que não sabia bem o que fosse o gulag, etc. -- e esperando, igualmente que, quanto à Resistência ao Salazar, não se fique pelos camaradas e o frete, noblesse oblige, à tralha republicana (e à gente boa também, Seareiros à cabeça), não se esqueça da Resistência dos anarquistas (é verdade, vai hoje na RTP2 um documentário sobre o Emídio Santana…), dos católicos progressistas e até dos monárquicos.
Considero o PCP, dos grandes e médios partidos, o único consistente e politicamente sério; o resto, do Bloco ao CDS, é a pastelaria do costume. Mas a seriedade do PCP no que respeita à História, dispenso-a eu bem. Tenho exemplos para a troca, caso seja preciso, todos nacionais.
Desejo a Rita Rato o maior sucesso. É claro que não precisa de ser historiadora para dirigir o Museu (e ser militante do PCP não é cadastro, antes pelo contrário), precisa tão-só de ser interessada, que qualidades tem-nas, certamente, deixar o cartão do Partido à porta e perceber que há mais mundos, citando o grande José Régio, também ele oposicionista e resistente, aliás duma coragem moral e cívica assinaláveis.
Mas é preciso estar atento, para evitar não só a tentativa de apropriações -- sem deixar de reconhecer o papel do PCP nessa mesma Resistência -- e manipulações da História. Espero, por isso, que Rita Rato desminta todas as desconfianças e cale as bocas da reacção. Porque não me apetece nada dar razão aos observatórios & outros lavatórios.


50 discos: 13. YES (1969) #7 - «Sweetness»



quarta-feira, julho 08, 2020

criador & criatura


Cosey e Jonathan


segunda-feira, julho 06, 2020

sábado, julho 04, 2020

quarta-feira, julho 01, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Peyo e Will, Kim Kebranoz e os Táxis Vermelhos

terça-feira, junho 30, 2020

«Leitaria Garrett»

com inquéritos toscos, também eu me descubro, afinal, racista...

Imagine-se!, eu que acho imensa piada à mulatice da minha bisavó Ida, de Pernambuco, chego à conclusão que com inquéritos deste jaez, também posso descobrir-me, afinal, "racista"...

Já expressei aqui várias vezes a minha percepção sobre a existência de racismo em Portugal, a última das quais a propósito de vandalismo. O racismo biológico, o único que poder ser caracterizado como tal, é quanto a mim residual e rupestre. Outra coisa é o "racismo" que sofre quem é pobre e vive num gueto. É classista e defensivo, por razões tão óbvias que me dispenso de pormenorizar. Há, é verdade, e empiricamente me parece com dimensão superior, fenómenos de xenofobia de que são alvo caboverdianos, ucranianos, brasileiros de todas as cores. Também aqui as razões são óbvias, não é preciso sociologia de meia-tigela para o perceber. 

Pois bem, um inquérito europeu e um "estudo" anunciam que 62% dos portugueses manifestaram alguma forma de racismo. Diz o Expresso que apenas 59% dos 1055 inquiridos discordaram da existência de grupos étnicos mais inteligentes do que outros. talvez ficasse melhor escrever que ainda há 41% de portugueses que acreditam em superioridade e inferioridade "rácica"; se rigoroso, o inquérito, 41%, é ainda uma porção significativa de criaturas sem saneamento básico interno.

Mas um inquérito que se sustenta numa pergunta sobre se há "culturas mais civilizadas do que outras" deixa-me as maiores dúvidas, pois seria de espantar que a maioria dos indígenas a percebesse.

A cultura, da técnica agrícola à religiosidade, é sempre uma resposta ao entorno; a civilização é o complexificar adquirido, constante e renovado dessa resposta.

O nivelamento ou o destaque de umas sobre outras é mera ideologia. E poderá ser tema para outras postagens, assim tenha tempo e me apeteça. Mas para deixar aqui vincada a minha recém-adquirida qualidade de "racista", sempre direi que uma comunidade que partilha os valores de liberdade, autoquestionamento, inclusão plena e que tolera o dissenso será sempre civilizacionalmente superior à que não o faz, e isto tanto é válido para a 5.ª Avenida como na maloca mais recôndita da Amazónia. É a minha resposta, também ela ideológica, é claro.

orquestrais & concertantes: Berlioz, SINFONIA FANTÁSTICA (1830) / Chung

quinta-feira, junho 25, 2020

caracteres móveis

«A uma extremidade da plataforma, um rapaz magro, de olhos grandes e melancólicos, a face toda branca da frialdade fina de Outubro, com uma das mãos metida no bolso dum velho paletot cor de pinhão, a outra vergando contra o chão uma bengalinha envernizada, examinava o céu de manhã chovera; mas a tarde ia caindo clara, e pura; nas alturas laivos rosados estendiam-se como pinceladas de carmim muito diluído em água e, longe, sobre o mar, para além duma linha escura de pinheirais, por trás de grossas nuvens tocadas ao centro de tons de sanguínea e orladas de ouro vivo, subiam quatro fortes raios de sol, divergentes e decorativos -- que o rapaz magro, comparava às flechas ricamente dispostas num troféu luminoso.» Eça de Queirós, A Capital! (c. 1878, póst., 1925)


«Ele falava lentamente, tristemente, como se falasse de mortos muitos queridos.» Ferreira de Castro, A Boca da Esfinge (1924)




«O andar, cuja morosidade provinha de infidelidades ao pedicuro, convertia-o ele numa altiva pachorra ao singrar entre mesas a caminho do seu cenáculo, como lanchão bojudo coleando no porto em demanda do cais.» Tomás Ribeiro Colaço, A Calçada da Glória (1947)

quarta-feira, junho 24, 2020

«leitor de BD»

Assemblaia das Mulhres
Aristófanes e Zé Nuno Fraga)

«Thick as a Brick»

terça-feira, junho 23, 2020

e você, também vem a público manifestar o seu desgosto?

Até domingo o nome de Pedro Lima não me dizia nada. Vi fotografias, continua sem me dizer o que quer que seja. É possível que o tenha vislumbrado em algum filme, ou numa das normalmente horríveis séries portuguesas, que tento sempre ver e acabo quase sempre por desistir.* Ainda mais estranho por ter ficado a saber que filhos dele e meus anda(ra)m no mesmo colégio e, pelo menos, se conhecem. Obviamente lamentando a tragédia pessoal, dele e de todas as pessoas que cometem o mesmo acto ou que morrem pelas inúmeras razões por que se morre, esta necrofagia mediática é bem um sinal de como o espaço público está cada vez mais nauseabundo. 


* sobre as séries portuguesas, direi mais qualquer coisa. mas, se puderem, não percam «Terra Nova», que passa creio que hoje na RTP1, e que apesar de ter o título duma telenovela da sic ou da tvi, é do melhor  que tenho visto feito por cá.



sábado, junho 20, 2020

sexta-feira, junho 19, 2020

«Leitor de BD»

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Dick Tracy, de Chester Gould

quarta-feira, junho 17, 2020

segunda-feira, junho 15, 2020

estampa CDI - John Atkinson Grimshaw


Um Caminho Iluminado pela Lua com Dois Amantes Próximos dum Portão (1877)

Racismo

Padre António Vieira,
por Candido Portinari
Exceptuando o caso dos ciganos (e que excepção...) e os seis nazis que andam para aí a passear a sua  miséria mental e que serão sempre anulados quando o Estado o quiser fazer, não há em Portugal racismo relativamente a outras etnias. Isto pode estragar a conversa a muita gente que quer ganhar notoriedade à custa de uma clivagem artificial, mas essa é a realidade de quem não se deixa embalar por exaltações adolescentes. O chamado racismo estrutural, expressão arranjada para cobrir o logro intelectual, é económico e classista. Tem que ver com a pobreza e não com a cor da pele. Claro que tudo isto tem muito que se lhe diga, mas nem sou a pessoa indicada nem este é o lugar para.
Já agora, a posição do PCP é lapidar: "Sobre a vandalização do monumento ao Padre António Vieira". O resto é folclore, e do péssimo.

sexta-feira, junho 12, 2020

uma largada de analfabetos nas praças da cidade


Estátua do Padre António Vieira, vandalizada por analfabortos: "Descoloniza", picharam...
certamente o braço armado do mesmo bando de idiotas que se opôs à palavra Descobrimentos. para um museu dos tios.
Oh, as "redes sociais" e a sua estofa de bovinos...
imagem daqui

quarta-feira, junho 10, 2020

«Leitor de BD»

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Umbra #1

terça-feira, junho 09, 2020

criadores & criatura


Muñoz, Sampayo e Alack Sinner



domingo, junho 07, 2020

JornaL

António Costa Silva. Parece ter muita uva. Trabalhou um mês sem que  ninguém soubesse, pelo menos cá fora. Por que raio?...

Chega. Polítiquice de taberna, futebóis e bardatelevisão. Uma sondagem dá-lhe 4%. Afinal, bom povo português...

EDP. Mexia e Manso Neto vão passar a trabalhar em casa. É o chamado distanciamento social. Mais que isto, só na prisão.

George Floyd. Morrer assassinado sem se saber imortal.

Machado de Assis. Tradução na Penguin das Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) esgotou em um dia nos Estados Unidos, ou o que tem valor nunca perde validade.

O pirilau de Salazar. Parece que afinal não caiu da cadeira, mas na banheira; mas sempre no forte de Santo António, no Estoril.

Prostituição. Actividade louvável a quem a ela se entrega por opção, muito útil em várias situações. Estou a pensar em quanto vale mais ser puta que, por exemplo, corrector na Bolsa ou escriba em agência de comunicação. Legalização para ontem e já!

Touradas. Um espectáculo soberbo, o motivo é fútil. Confine-se. Mas antes, a caça e a pesca desportiva. Tiros só em batidas às pragas.

Violência. Por vezes não há mesmo alternativa, quando do outro lado só se percebe a linguagem da força. E quando a força da lei está adormecida, há que despertá-la.


terça-feira, junho 02, 2020

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Morris, La Mine d'Or de Dick Digger



segunda-feira, junho 01, 2020