quarta-feira, maio 20, 2026

flotilha

Como a União Europeia, e os países que a compõem, não se dá ao respeito, os delinquentes que  governam Israel (e lhe estão a cavar a sepultura, a prazo) sentem-se livres, à vontade, à vontadinha, para as executar as tropelias a que assistimos.

É verdade que a Alemanha é um travão que se origina na má consciência dos descendentes dos nazis; mas os outros países é que não podem ser cúmplices de genocídio ajudando na expiação dos pecados do imperdoável Holocausto -- como imperdoável foi a perseguição que os judeus sofreram na Europa, ao longo da sua história --, ficando os palestinos a pagar as favas.

Não basta chamar o embaixador -- o que já é alguma coisa e não deve ser desvalorizada; é preciso ser mais assertivo e mais sonoro na execração daqueles patifes.

A presidente da república da Irlanda está orgulhoso da irmã; eu estou orgulhoso dos dois médicos portugueses, como já antes estivera da acção de Mariana Mortágua, parece que muito gozada pelos pobres de cristo do Chega e arredores.

4 versos de Camões

«Não se contenta a gente portuguesa, / Mas seguindo a vitória estrui e mata; / A povoação sem muro e sem defesa / Esbombardeia, acende e desbarata.» 

Os Lusíadas (1572) I-90

terça-feira, maio 19, 2026

o que está a acontecer

«Para ele, sim, é que os campos estavam mesmo a jeito: ali à mão, bastava prolongar o muro junto ao renque dos pinheiros, pois do lado de baixo o Caima constituía vedação natural. E o senhor Esteves, bem falado e com um presente de trutas, devia estar pelos ajustes, porque, feitas as contas, sempre era melhor ganhar dez duma só vez do que cinco em toda a vida.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)

«Que há[-de alguém] confessar que valha ou que sirva? O que nos sucedeu, ou sucedeu a toda a gente ou só a nós; num caso não é novidade, e no outro não é de compreender. Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre do sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância.» Fernando Pessoa, Livro do Desassossego por Bernardo Soares (póst., 1982)

«"O pai foi o inventor do bowling, é isso?", perguntou Mister DeLuxe. "O pai estava sempre bêbado e jogava bowling com as garrafas vazias", insistiu Austin, "Molero fixa-se nisto como no elo de uma cadeia, é o que ele diz."» Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)

4 versos de Rui Pires Cabral

«Chega ao fim do dia / a hora mais lenta, quando o céu / é vago e as luzes se acendem / no prédio da frente.» 

Oráculos de Cabeceira (2009) - «"I felt that it was all unreal."»

segunda-feira, maio 18, 2026

Alberta Hunter, Louis Armstrong, Sidney Bechet, «Nobody Knows How I Feel This Morning»


 

tentarei estar, outra vez


Ouvir Agostinho Costa de viva voz é ainda melhor do que ouvê-lo na televisão.

 

5 versos de João de Deus

«A pomba que abraça / No ar o seu par, / E a nuvem que passa, / Não tem essa graça / Que tu tens a andar!» 

Campo de Flores (1893) - «Amor»

domingo, maio 17, 2026

Volta a Portugal em escritores - Abrantes

 


António Botto
(António Tomás Botto, Concavada, Abrantes, 17-VIII-1897)







sábado, maio 16, 2026

o que está a acontecer

«Se vivesse ainda com os pais, não haveria na sua expectativa lugar para dúvidas: receberia, prenda única de aniversário, os afagos e as lamurientas falas da mãe, penitente do mal da pobreza: -- "Nem uma blusinha te posso dar, filha!"» Assis Esperança, Servidão (1946)

«Próximo da ponte de tábuas, um milhafre dá três voltas vagarosas ao rés da terra, imobiliza-se no espaço e baixa-se repentinamente, como tocado por um tiro. Daí a nada, levanta-se num esticão, e leva um pinto no bico. Por um momento, o voo da ave de rapina é um traço negro na paisagem morena da planície. E só o homem, pela janela, vê o assalto.» Antunes da Silva, Suão (1960)

«As virtudes civis e, sobretudo, o amor da pátria tinham nascido para os Godos logo que, assentando o seu domínio nas Espanhas, possuíram de pais a filhos o campo agricultado, o lar doméstico, o templo da oração e o cemitério do repouso e da saudade.» Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

«Space Captain» (Joe Cocker, Leon Russell...)


 

sexta-feira, maio 15, 2026

revista de imprensa

 «Mas como erguer-se o sonho duma literatura, se esse sonho é abafado nesse cárcere de sombras?»

Eduardo Frias, «80% de analfabetos!!»,

Renovação #1, 2-VII-1925

2 versos de Manuel Alegre

«Canto as armas e os homens / Porque a tribo me disse: tu guardarás o fogo.» 

O Canto e as Armas (1967) - «O Canto e as Armas»

quinta-feira, maio 14, 2026

revista de imprensa

«A lei económica de Gresham, -- de que a má moeda expulsa a boa moeda, tem a sua mais completa exemplificação no nosso campo mental.»

Correia da Costa, «Da vida social portuguesa - Boletim semanal»,

Revista Portuguesa #2, 17-III-1923

(ed. fac-similada apresentada por Cecília Barreira)


2 versos de Ana Hatherly

«Nada nos pode consolar / do excessivo peso do amor»  

Rilkeana (1999)

zonas de conforto

Maria Gabriela Llansol: «["] Sinto que o mistério de cobrir vária áreas se desfaz, e uma só das suas gotas se adensa ainda, uma contracção enérgica de doçura que pousou sobre a mesa. Um ramo de roseira aponta para mim, e Eckhart, Suso, Hildegarda, Marie d'Oignies, Marguerite d'Ypres sentam-se à minha volta, observando-me no meu seio despido pelo cansaço."» Sintra em Passo de Pensamento (póst., s.d.) § Machado de Assis: «Sentou-se ao cravo; reproduziu as notas e chegou ao ... / -- Lá, lá, lá... / Nada, não passava adiante. E contudo, ele sabia música como gente. / Lá, dó... lá, mi... lá, si, dó, ré... ré... ré... / Impossível! nenhuma inspiração. Não exigia uma peça profundamente original, mas enfim alguma cousa, que não fosse de outro e se ligasse ao pensamento começado.» Histórias sem Data (1884) - «Cantiga de esponsais» § Fialho de Almeida: «Que bela a alegria sob os castanheiros dum parque, no coração da vida rústica, pelo braço da franzina miss com quem aos vinte anos se sonha, alta, musical, com maravilhas patrícias de mãos.» O País das Uvas (1893) - «Pelos campos» § Millôr Fernandes: «Quando um técnico vai tratar com imbecis, deve levar um imbecil como técnico.» Pif-Paf (2004) - «Confúcio disse» - antologia por João Pereira Coutinho § Branquinho da Fonseca: «Foi no Inverno, em Novembro, e tinha chovido muito, o que dera aos montes o ar desolado e triste dessas ocasiões. As pedras lavadas e soltas pelos caminhos, as barreiras desmoronadas, algumas árvores com os ramos torcidos e secos.» O Barão (1942) § Adérito Sedas Nunes a Marcelo Caetano (1973) .../... «De todo o modo, e independentemente dos juízos que se formulam a respeito das posições que noutras circunstâncias têm sido assumidas pelo Prof. Francisco Moura, com cujas opiniões e atitudes eu mesmo não raras vezes me encontro em discordância, estou certo de que V. Ex.ª concordará com que se trata de uma pessoa merecedora do máximo respeito.» .../... Cartas Particulares a Marcello Caetano (1985) - ed. João Freire Antunes

quarta-feira, maio 13, 2026

Herbert von Karajan, «Xerazade» (Rimsky-Korsakov)


 

revista de imprensa

 «Mosteiro de Santa Maria da Victoria, 1920

Na Cova da Batalha ficou dita um dia para sempre a Vontade de Portugal.»

José de Almada Negreiros, «Histoire du Portugal par Coeur»,

Contemporânea #1, Maio 1922

3 versos de Manuel Alegre

«Em cada poema estou mas não sozinho / antes de mim a língua e os que primeiro / cantaram antes de mim» 

Praça da Canção (1965) - «Canção Primeira»

falei dos Stones, no outro dia, mas também podia referir-me a outros três


 

o que está a acontecer

«O apeadeiro desapareceu. Um padre pediu à CP que lhe desse as belas pedras de granito das paredes e do cais, levou-as para a vila e fez com elas uma casa para a terceira idade. O local foi arrasado, mas por desleixo ou esquecimento deixaram as placas que avisavam do perigo de atravessar desatento a linha.» J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003)

«Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume, e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude.» José Luís Peixoto, Nenhum Olhar (2000)

«["] Há passagens do relatório que esclarecem o problema, passagens aparentemente insignificantes, mas que talvez sejam efectivamente outra coisa, como o facto de o pai jogar bowling com garrafas, quando lá no bairro ainda ninguém sequer sabia o que era o bowling, isto depois de beber o conteúdo das garrafas, eram garrafas de vinho, cerveja, aguardente e o mais que viesse, ele ficava bêbado e depois jogava bowling e partia as garrafas com uma grande bola de prata de chocolates, e o rapaz ficou sempre com o som nos ouvidos, o som de garrafas partidas enchendo a noite, um perpétuo estilhaçar de nervos."» Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)