sexta-feira, janeiro 21, 2022

quinta-feira, janeiro 20, 2022

versos do dia

 «A fala a nível do sertanejo engana: / as palavras dele vêm  como rebuçadas / (palavras confeito, pílula) na glace / de uma entonação lisa, de adocicada »

João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra (1966)

playlist: «Run Baby Run»

os debates: com todos - 2

 O Volt Portugal, partido federalista paneuropeu, o único ali que pode crescer. O MAS tem uma esplêndida cabeça de lista, com uma óptima postura. Rejubilei ouvindo-a falar como falou das manigâncias do lítio -- aliás, o povo de Trás-os-Montes e do Minho tem dado lições de civismo. Uma menção ainda para aquele simpático partido-tertúlia, o Nós, Cidadãos!

E foi isto.

quarta-feira, janeiro 19, 2022

playlist: «Nova Lisboa»

versos do dia

 [...] 

«Vi son genti fottenti e fottute / E di potte e di cazzi notomie / E ne' culi molt'anime perdute.» 

[...] 

Pietro Aretino, Sonetti Lussuriosi (1524)


[...] Gente há aqui que fode e que é fodida, / De conas e caralhos há caudal / E pelo cu muita alma já perdida.» [...]
 (versão de João Paulo Paes)

terça-feira, janeiro 18, 2022

os debates: com todos -1

Um resumo dos debates anteriores. boca a mais ou a menos. Uma estupidez, com tanto assunto por debater. aliás que o próprio moderador enunciou. União Europeia, não? CPLP, também não? Política de defesa, política cultural?... Uma ideia para o país? Indústria? Agricultura? Floresta? Demografia? Imigração?...

playlist: «Defying Sinergy»

segunda-feira, janeiro 17, 2022

«Forever Loving Jah»

versos do dia

 [...] 

«"--Que dás, Poesia / Castigos eternos?"» 

[...]» 

Pedro Homem de Melo, «Pântano», Eu Hei-de Voltar um Dia (1966)

"Leitor de BD"

 



Bouzard, Jolly Jumper Já não Responde

aqui

domingo, janeiro 16, 2022

playlist: «Aha»

os debates: Real-Rio

Inês Sousa Real - Rui Rio. Um do melhores debates, Inês Sousa Real muito bem e bem preparada. 

É possível que o PAN venha a ser decisivo, o que não será de todo mau: espera-se que os crimes ambientais do aeroporto em Alcochete ou no Montijo sejam travados e que se encare como deve ser a possibilidade de Beja, que já o tem. (Em linha de alta velocidade está a cinquenta minutos de Lisboa, algo que os senhores turistas podem perfeitamente suportar.) E ainda travar a história da mineração do lítio, decidido nas costas das populações.

Ucrânia, o despudor

 Não tenho tido tempo para falar da Ucrânia. Como disse antes, era só os democratas voltarem ao poder nos EUA que o complexo militar-industrial começava a carburar. 

Se alguém, que não seja muito estúpido, puder explicar qual o interesse da Rússia numa guerra na Ucrânia, avance.

Entretanto, o despudor dos americanos e dos fantoches sem vergonha na cara, como essa marioneta da Nato chamada Stoltenberg, balbucia e bolsa. No Báltico, não sei se aterrorizados pela traumática experiência soviética, de duas uma: ou têm tanto medo que promovem uma escalada bélica, ou estão também ao serviço da administração americana. 

Ouvi um "especialista" em assuntos internacionais, por acidente, pois acho que o tipo é uma fraude,  Uma das coisas que disse foi haver um padrão na actuação russa, e mencionou o caso da Geórgia invadida, quando se sabe que foi a Geórgia, cujo presidente de então trabalhava para os americanos, que invadiu a Ossétia do Norte, estando Putin a assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, e que de imediato regressou a Moscovo. Um dos muitos prostitutos que andam aí no comentário internacional. 

A história da Ucrânia é mais que sabida, assim como da Crimeia. Sabida por meia dúzia, claro. E por isso intoxica-se a opinião pública, fala-se de guerra, como se tal fosse possível. A não ser que os americanos e os seus agentes estejam a pensar que há europeus em número suficiente para morrer pelos interesses americanos. Não sei o que vale o novo chanceler alemão. Macron, muito a prazo e periclitante, topa-os bem. A Inglaterra está sempre pronta para o trabalho sujo dos americanos, ainda mais com este aldrabão inimputável que está no n,º 10. Por cá, sabendo-se que temos sempre de mostrar boa cara aos nossos vizinhos atlânticos, podíamos ser um pouco menos coninhas e subservientes, como temos sido. Ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva é confrangedor. 

O Cazaquistão é outra história semicontada, ou seja: o evidente descontentamento popular com o governo local foi muito bem aproveitado. Até fazia lembrar a Ucrânia.

Por falar em coninhas, lembro-me quando outro ministro foi obrigado, em nome do governo português, a reconhecer o Kosovo. Recentemente, a farsa de Guaidó na Venezuela, em que a existência de uma larga comunidade portuguesa exigiria a (pelo menos aparente) estrita neutralidade. Emfim, não há vergonha.

sábado, janeiro 15, 2022

playlist: «A Música (de boca em boca)»

os debates: Real-Ventura; Costa-Figueiredo; Martins-santos

 Ao fim deste tempo já só tenho paciência para debates ideológicos ou combates de boxe, com pipocas. Ontem não houve boxe, mas cada um a falar para o seu lado -- com duas senhoras seria difícil e indesejável. O único interessante foi aquele em que os oponentes eram mais próximos, PS-IL.

sexta-feira, janeiro 14, 2022

playlist: «When One Door Opens»

versos do dia

[...] 

«Onda sobre onda infinita como o mar / como o mar inquieto / num jeito / de nunca mais parar.» 

[...] 

Alexandre Dáskalos, Poesia (1961)

os debates: Costa - Rio

 António Costa - Rui Rio. António Costa bem ensaiado pela agência de comunicação, e com uma substância que Rio não teve (TAP). O resto foi pingue-pongue.

quinta-feira, janeiro 13, 2022

versos do dia

 [...] «Na sala há cinco meninas / E um botão de sardinheira / Feitas de fruta madura / Nos braços duma rameira» [...] 

José Afonso, «Avenida de Angola»

os debates: Santos-Ventura; Oliveira-Rio; Figueiredo-Tavares

 André Ventura - Francisco Rodrigues dos Santos. Já se estava à espera. Vários directos nos queixos do quarto pastorinho de Fátima. Não foi k.o., porque o pastorinho fala com Deus.

João Oliveira - Rui Rio. Estiveram ambos muito bem, num debate cordial em que o desacordo era igualmente esperado. Jerónimo foi bem substituído. 


Em tempo: só de manhã me apercebi que também houve debate IL-Livre. Os calendários que correm por aí estão errados.

João Cotrim de Figueiredo - Rui Tavares. Disseram-se coisas linda; com sorte, um deles poderá estar no próximo governo.

quarta-feira, janeiro 12, 2022

playlist: «Sway»

versos do dia

«De cem favoritos reais / noventa e seis foram guilhotinados.» 

[...] 

Carlos Saldanha, «Pesquisa utilitária», 26 Poetas Hoje (1976)

os debates: Costa - Martins

 António Costa - Catarina Martins. Não há grande pachorra.

terça-feira, janeiro 11, 2022

playlist: «Plástico»

versos do dia

 «Como se na boca da trompete / coloca-se a surdina sobre a vida / e a memória irrompe qual um vento» 

[...] 

Pedro Tamen, Memória Indiscritível (2000)


os debates: Martins-Real; Figueiredo-Rio, Santos-Tavares

Catarina Martins - Inês Sousa Real. Adormeci, mas ainda pude apreciar a resposta de Inês a Catarina, quando esta acusa o PAN de condescender com a direita; e foi bem respondido, embora o Bloco tenha responsabilidade partilhada com o resto da Geringonça.

João Cotrim de Figueiredo - Rui Rio. É verdade, a Iniciativa Liberal é incandescente no seu deslumbramento pelos Chicago Boys. Ainda se fôssemos a Dinamarca... Alguém que lhes explique por que razão a TAP é estratégica para o país, que não pode ser transformado em mercearia às mãos destes contabilistas e gestores.

Francisco Rodrigues dos Santos - Rui Tavares. O debate mais interessante, porque o mais ideológico e pela qualidade dos intervenientes. Tavares, já se sabia; Rodrigues dos Santos tem sido a melhor surpresa desta campanha. Não gostei de ver Tavares a ser habilidoso na questão da famigerada disciplina de Educação Cívica e daquela coisa para a Igualdade de Género, que se transformou num covil do lóbi lgbt; ao contrário, expçlicou muito bem, como já o fizera antes da justeza do alargamento de subsídio de desemprego, em certos casos.

segunda-feira, janeiro 10, 2022

versos do dia

«Sei que canto. / E a canção é tudo. » 

Cecília Meireles, «Motivo», Viagem / Antologia Poética (1963)

playlist: «Energy Alphas»

os debates: Costa-Santos; Figueiredo-Ventura; Real-Tavares

António Costa - Francisco Rodrigues dos Santos. Para o que interessa: a posíção moderadíssima do CDS de tornar opcional o embuste da chamada "Educação Cívica", que para além de ensinar os meninos a não comer de boca aberta, também quer endoutrinar que sexo e género são coisas diferentes e que a biologia não interessa para nada, entre outras coisas lindas, Costa, sempre cágado, vem falar de "liberdade" e de "convicções religiosas". Espertíssimo.

André Ventura - João Cotrim de Figueiredo. Um debate entre dois et's a tentarem entalar-se. Foi para pipocas. 

Inês Sousa Real - Rui Tavares. Eram esperados beijinhos. RT bem nas terapias alternativas e na abordagem ao problema da pecuária: não tentar resolver os problemas contra as pessoas. ISR, muito bem no ataques à selvajaria do transporte de animais vivos.

domingo, janeiro 09, 2022

versos do dia

[...] 

«O princípio / Foi uma mancha maravilhosa e branca / Adequada e plana / Sem mistérios nem respostas.»

[...]

Carlos Daniel, «O tempo», Os Meus Dias (2018)

playlist: «Don't Feel Quite Right»

sábado, janeiro 08, 2022

os debates: Costa-Real; Rio-Tavares

 António Costa - Inês Sousa Real. Não foi bem o chá e torradas que se antevia, embora sempre com agradável cordialidade. Inês SR tocou muitíssimo bem em dois pontos que são duas nódoas do governo de Costa: o aeroporto, falando, uma vez mais e claramente, na opção por Beja, exigindo que os estudos de impacto ambiental não sejam selectivos; e a história do lítio, os contratos assinados, a acção do governo e do estado contra as populações. Só por isso, já merecia o meu voto, embora previsivelmente não lho dê.

Rui Rio - Rui Tavares. Onde se mostra que a cordialidade e o respeito não são incompatíveis com o desacordo. Continuo a achar que Rio tem razão quanto ao salário mínimo; tavares explicou bem o modo como excepcionalmente o subsídio de desemprego pode ser atribuído a quem se despeça. 

portugueses


Maria de LOURDES Bettencourt de CASTRO



 

playlist: «A Map of Your Secret World»

os debates: Rio-Santos; Figueiredo-Real

 Francisco Rodrigues dos Santos - Rui Rio. Um Rio sempre desconcertante, lugar-comum, mas verdadeiro: "Se não votarem em mim, votem nele!» Esteve bem em não embarcar na história do cheque-ensino e mal na questão da TAP.

Inês Sousa Real - João Cotrim de Figueiredo. Debate cordato e interessante, falando para eleitorados diferentes, mas com pontes.

sexta-feira, janeiro 07, 2022

«Corazón de Neón»

versos do dia

[...]

 Nunca morrem as almas. 

Anna Akhmátova, Só o Sangue Cheira a Sangue

(versão: Nina Guerra e Filipe Guerra)

playlist: «The Traveler»

os debates: Costa-Ventura; Figueiredo-Martins

 André Ventura - António Costa. Debates em que entre o Ventura são para as pipocas, não servem para mais nada: ver quem o entala ou se deixa entalar.

Catarina Martins - João Cotrim de Figueiredo. O SNS -- Bloco bem, porque por apelativa que a IL tente vender a imagem de uma sociedade de livre iniciativa em que tudo ou quase se organiza por si, nunca é assim, e até poder vir a sê-lo precisa o país de massa crítica que ainda levará umas gerações a fortalecer. O subdesenvolvimento, de que começámos a sair com o 25 de Abril e a adesão à CEE, ainda se paga caro.

quinta-feira, janeiro 06, 2022

é isso mesmo

 São somente histórias. Há talento e trabalho, a ordem é arbitrária. O resto é charlatanice e indigência disfarçada. Um longo bocejo.

versos do dia

 «Lança o brilho da sua lâmina / ao manto plúmbeo do céu.» 

[...]

Manuel Matos Nunes, «Gadanheiro (1945), de Júlio Pomar», Cadernos do Verão (2021)

«The Slap»

os debates. Figueiredo-Santos; Martins-Rio; Tavares-Ventura

Francisco Rodrigues dos Santos - João Cotrim de Figueiredo: Um conservador e um liberal. Ficaram as diferenças expostas? Sim, em parte, o que é sempre interessante, embora muito daquilo seja mais retórica que outra coisa. Chicão, mais contundente, levou Cotrim várias vezes ao tapete; e para mim é refrescante ver um conservador que claramente se afirma como tal.

Catarina Martins-Rui Rio. Não há grandes aproximações. Ela é óptima nos debates, ele nem por isso. Ou melhor, não ostenta as habilidades dos demais. O que ganhou no nivelamento por baixo do salário médio perdeu a falar em novas pepepês para a saúde.

André Ventura-Rui Tavares. Nunca vira uma tão boa como o programa de nove páginas do Chega, noves fora, nada. Ao nível do programa para a reforma do estado de Portas, um dossier com letra em corpo 18. Ao programa de nove páginas com que aquela malta pretende governar o país -- imagino o esforço daquelas cabeças -- Ventura responde a Tavares com Sócrates e Salgado. Mas nessa altura a tasca já tinha mudado para a cm-tv.

quarta-feira, janeiro 05, 2022

«Leitor de BD»

André Diniz, A Revolta da Vacina
 

versos do dia

[...] 

«Fui pai de Tordesilhas e também / de Lucrécia paternal pirilampo.» 

[...]

Pedro Tamen, «Alexandre VI», Analogia e Dedos (2006) 

os debates: Martins-Tavares, Sousa-Costa, Real-Santos

 Catarina Martins - Rui Tavares. Muito cordial, com algumas rasteiras. O mais interessante até ao momento, em especial pelas questões europeias.

António Costa - Jerónimo de Sousa. Suspeitava que Costa não iria "perdoar". E não perdoou.

Francisco Rodrigues dos Santos - Inês Sousa Real. O CDS a cilindrar o PAN.

terça-feira, janeiro 04, 2022

playlist: «I Fix My Gaze»

versos do dia

«Forma-se a onda e depois outra e outra / E enquanto se desfazem outras vêm» 

[...]

Antero Abreu, «Onda Vai Onda Vem», Poesia Intermitente (1987)

debates: Rio - Ventura

 Devo dizer que adormeci a meio. A eloquência de Rio e o vendedor de banha da cobra. Rio parecia um principiante diante daquele picareta. Catarina Martins melhor ontem que Rio hoje. Aquela do disco riscado foi bem metida. Espero divertir-me a ver o Ventura com o Cotrim e o Chicão. Tavares, espero que aposte na ironia. Costa é um cágado. Real é uma senhora, embora não acredite que se deixe comer pelo caça-ciganos.

segunda-feira, janeiro 03, 2022

diário de leitura

«É o caso que o meu amigo António Fróis, antes de partir para Helsinki, onde foi pôr-se ao lado dos finlandeses (este não se nega a combater na Finlândia), e na previsão de qualquer desenlace desastroso, deixou nas minhas mãos um grande número dos seus poemas, confiando-me também o encargo de os publicar, se o considerasse oportuno.» 

Jaime Cortesão, carta a Luís da Câmara Reys, Biarritz, 6-III-1940 (13 Cartas do Cativeiro e do Exílio (1940), edição de Alberto Pedroso)

Este António Fróis, autor de Missa da Meia Noite (Lisboa, Seara Nova,1940), era o próprio Cortesão a fazer de Eça e Fradique. Fróis estava a combater os soviéticos na Finlândia, que levaram que contar dos finlandeses. Stálin já tinha purgado a tropa, receoso das altas patentes, sátrapa a olhar para a sombra. Alberto Pedroso informa que Câmara Reys não fazia ideia de que Fróis era um alter ego de Cortesão.


caso Sócrates

 Não vale a pena culpar os políticos por falta de meios, quando obviamente se quer apanhar alguém lançando mão de todos os expedientes, como de resto já se vira, e de forma tão canhestra.

Ao fim deste tempo todo, eu ainda não sei que asneiras fez Sócrates, para além das que toda a gente supostamente sabe, graças aos próprios e às belas escutas telefónicas que alguém da justiça pôs nos jornais, para que o homem fosse condenado pela opinião pública.

Sócrates deixou-se corromper? Provem-no e arranjem meios para tal; ou tenham tomates de vir para a rua (juízes, MP) e dizer ao poder político: A-CA-BOU. Ou dão os meios necessários para um ataque ao banditismo de colarinho branco, ou ficamos de braços cruzados até se decidirem. 

Agora, expedientezinhos de merda, como este e outros em que o caso foi fértil, para depois acabar tudo em anulação e indemnização, ao fim destes anos todos, é insuportável.

Portanto, e voltando ao princípio: paralisem filhos, paralisem; dêem um murro na mesa; levantem esses cus; tirem as alpacas das mangas e venham para a rua -- até para salvaguarda da vossa imagem. A justiça é um lamaçal, e não vale a pena culpar terceiros. 

Ou então, estão confortáveis.

playlist: «Don't Be Afraid»

versos do dia

[...]

«Estas palavras não são minhas / estas palavras são oferta da casa» 


José Pascoal, «Oferenda», Branza (2019)

DEBATES - Costa -Tavares e Martins - Ventura

António Costa - Rui Tavares. Não foi um debate, mas um comício para cada um em tom cordial, com tentativas de entalanço de parte a parte. Um empate.

Catarina Martins - André Ventura. Não há debate possível. Catarina Martins em geral bem em face do político de taberna: o disco riscado, os ofshores dos gajos que financiam o Chega. Em resumo, uma cena pindérica, para pipocas.

Jerónimo de Sousa recusa o debate com o Ventura. Menos um espectáculo deprimente e degradante, supondo-se a previsível falta de respeito do político que a tasca aprecia.

domingo, janeiro 02, 2022

playlist: «Corredor»

diário de leitura

 «De uma maneira geral, parece que nos encaminhamos para uma clarificação de propósitos, para um "descongestionamento" de processos, para uma arte mais simples e, quiçá, mais "popular", mais profundamente enraizada no humus humano, hoje, depois da trágica prova do mais espantoso conflito da história, fertilizado pela dor e pela semente das ideias generosas e certamente melhor preparado para desabrochar em florescências menos particularistas e de sentido mais universal.» 

Fernando Lopes-Graça, nota à 2.ª ed. de Introdução à Música Moderna, 1946 

A interessante evolução do modernista-presencista Lopes-Graça para uma visão da arte empenhada, neo-realista, em divergência dos antigos companheiros da revista coimbrã, que não era de todo um bloco monolítico -- nem de resto poderia ser, sob pena de contrariar o espírito livre da presença.

sábado, janeiro 01, 2022

playlist: «Black Dawn»

versos do dia

[...]

«Bonita vista / Pena que nunca a aviste» 

[...]

Francisco Alvim, «Muito Obrigado»

26 Poeta Hoje (Heloísa Buarque de Hollanda)

sexta-feira, dezembro 31, 2021

diário de leitura

«Da capital da Andaluzia os jardins maravilhosos, prenhes de perfumes intensos, de lagos adormecidos, de rosas, de gerânios e de cravos, desabrochando em orgias de cor, interessavam mais à minha alma do que o espectáculo bárbaro do homem a defrontar-se com o touro, naquela tarde quente, mórbida e sensual de Junho.» 

Ferreira de Castro, «A morte do touro» (A Batalha, 16-VI-1924), in Contra as Touradas, edição de Luís Garcia e Silva

Numa delegação de jornalistas portugueses a Sevilha, convenceram-no a assistir, para depois poder falar. Por aqui se vê com que vontade.


música para salvar a Terra: «Canção pra Amazônia»

música para salvar o ano - #6 -«The Lydiot» (Orquestra Jazz de Matosinhos)

quinta-feira, dezembro 30, 2021

diário de leitura

«Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei-de falar começo e digo:» 

Pero Vaz de Caminha, Carta a D. Manuel I (1500)

Uma absoluta clareza de expressão e lugar, cada macaco no seu galho, conforme faz saber ao rei. A mesma clareza, assertividade e economia que permitiu que este relatório de um obscuro escrivão se tornasse num dos maiores e mais importantes textos da história da cultura portuguesa, e que esteja ainda vivíssimo.

música para salvar o ano - #5. «Portas» (Marisa Monte)

música para salvar o ano - #4. «Passo Forte» (SAL)

quarta-feira, dezembro 29, 2021

a arte de começar

«Um dia, numa floresta, ao entardecer, quando por sobre as frondes ressoavam as buzinas dos porqueiros, e lentamente na copa alta dos carvalhos se calavam as gralhas, um lenhador, um servo, de surrão de estamenha, que rijamente trabalhara no souto desde o cantar da calhandra, prendeu a machada ao cinto de couro, e, com a sua égua carregada de lenha, recolheu pelos caminhos da aldeia, ao castelo do seu Senhor.» Eça de Queirós (1845-1900), S. Cristóvão (póstumo, 1912)

música para salvar o ano - #3 «Déjà Vu» (Miguel Ângelo)

terça-feira, dezembro 28, 2021

as vantagens de haver Putin na geopolítica global -- ou o que pode esperar a Ucrânia: análise e palpite

 Em primeiro lugar, a racionalidade: alguém que mede as consequências dos seus actos e percebe quem está do outro lado: um espertalhaço como Trump ou um caquético meio tonto como Biden, manobrado pelo (ou integrado no) complexo militar industrial dos Estados Unidos -- que crédito pode merecer alguém que alinhou na invasão do Iraque, embarcando com o simplório W. e com infame Cheney e restante quadrilha?

Depois, um efectivo poder militar que não hesita em usar quando sente a Rússia ameaçada. Ele foi claríssimo e incisivo quando exigiu a NATO ao largo das fronteiras -- a Ucrânia -- a partir de onde um míssil levará três minutos a chegar a Moscovo. Os americanos perceberam-no bem e já mudaram o discurso, acompanhados pela Alemanha do novo chanceler, Olaf Scholz. 

A Nato na Ucrânia é uma piada de mau gosto, em que alinham os europeus amestrados, sem grande dignidade. O sec-geral da Nato, o presidente do Parlamento Europeu, enfim...

Claro que a barragem de propaganda que nos é servida maciçamente, com a cumplicidade e/ou a ignorância bovina dos media, sugestiona os incautos; embora países como os estados bálticos ou a Polónia possam ter uma compreensível sensibilidade à flor da pele, é importante que não se deixem manobrar pelos freedom fighters da Casa Branca. 

Qualquer um que tenha um bocado de conhecimento das tensões leste-oeste da Guerra Fria quando se pronuncia o nome Finlândia sabe o que significa  o conceito de soberania limitada. É o que a Ucrânia deverá querer, para seu próprio bem. Não havendo bom senso -- e vamos acreditar que nenhuma III (e última) Guerra Mundial começará por causa da Ucrânia -- não havendo bom senso, será o fim do país, uma parte tomada pelos russos, a outra parte como república fantoche dos americanos.

"Leitor de BD"

«Leituras de 2021»

 

sábado, dezembro 25, 2021

sexta-feira, dezembro 24, 2021

Feliz Natal!

Marge

 

quarta-feira, dezembro 22, 2021

«Leitor de BD»



Tu És a Mulher da  Minha Vida, Ela a Mulher dos Meus Sonhos, de Pedro Brito e João Fazenda

 aqui

«Cradle Rock»

segunda-feira, dezembro 20, 2021

caracteres móveis

«Era a hora mais custosa de suportar, hora em que a tristeza do dia agonizante inundava de melancolia a própria alma das coisas em redor, quanto mais a sua alma enfraquecida pela longa reclusão.» Joaquim Paço d'Arcos, Ana Paula (1938).

«Lá fora fazia uma luz triste, coada através das nuvens pardacentas que alagavam o céu-» Manuel da Fonseca, Cerromaior (1942)

«Num espelho ao lado, havia uma fotografia obscena de qualquer estrela decaída.» José Régio, Jogo da Cabra Cega (1934)

quadrinhos


 

sábado, dezembro 18, 2021

Vamos então admitir que Navalny é um activista pelos direitos humanos na Rússia; e o que são Assange e Snowden? (ou um Parlamento Europeu sem dignidade)

 Talvez influenciados por esses extraordinários democratas e combatentes pela liberdade -- desde o tempo das Repúblicas das Bananas da América Central ao glorioso derrube de Saddam -- outro marco na história da democracia, dos direitos humanos e da decência, já gora -- o Parlamento Europeu juntou-se à ofensiva anti-russa levada a cabo pelos Estados Unidos, com os estados-marionetes atrelados.

Ninguém sabe o que é Navalny, só o próprio ou pouco mais. Por mim, suspeito que seja um agente da CIA; mas dou-lhe o benefício da dúvida. O problema aqui não é Navalny mas o Parlamento Europeu que se presta a a fazer uma figura miserável, com a agravante de ser tolerante com a perseguição desumana que estão a fazer a Assange -- alguém a quem objectivamente todos devemos muito. E não falo no fantástico Edward Snowden, que se refugiou num dos raros países em que podia estar a salvo de uma condenação pesadíssima. Falar em Snowden é tabu para estes tipos sem nenhuma dimensão política.

A vergonha. Sou europeísta, sempre fui, e não sou dos que, contestando determinadas orientações políticas, pretendem deitar fora o bebé com a água do banho. Portanto, o meu sentimento de ultraje é grande, não apenas pelo facto de a UE e o PE se comportarem como paus-mandados dos interesses americanos, mas também pela cumplicidade que têm demonstrado no caso Assange.

quinta-feira, dezembro 16, 2021

"A situação exige mais pergúntaaaaas!..."


«A Arte de Ser Português», por Alberto Pimenta
RTP, 1979 - realização de Jorge Listopad

quarta-feira, dezembro 15, 2021

terça-feira, dezembro 14, 2021

«Leitor de BD»

 



O Burlão nas Índias, por Ayroles e Guarnido 

aqui

portugueses


JOSÉ EDUARDO de Lima PINTO DA COSTA 

 

segunda-feira, dezembro 13, 2021

domingo, dezembro 12, 2021

na estante definitiva


Nas «Lendas de Santos» de Eça de Queirós (Últimas Páginas, 1912, edição póstuma organizada por Luís de Magalhães), biografias ficcionadas de santos. «São Cristóvão», aliás o único que o escritor concluiu, é um dos textos queirosianos que prefiro. Numa imprecisa Idade Média, aparentemente francesa, Cristóvão é um ser disforme (um gigante) e simples, cheio de amor para dar; amor forjado no conhecimento da incrível história do Menino-Deus, que por amor virá a morrer na cruz ("Cristóvão", o que tem Cristo em si...). De tal forma Cristóvão é possuído por esse amor ao semelhante, que nunca é abalado pelas inúmeras rasteiras e traições que lhe são infligidas pelos seus irmãos em humanidade; o mesmo amor e coração puro que, não suportando a miséria o leva a chefiar  jacqueries... Eça mantinha bem viva a leitura do seu Proudhon. Da narrativa desprende-se  um ambiente benfazejo e etéreo, no meio de guerra e de opressão do forte em relação ao fraco (a mesma atmosfera que se evola do magnífico «O Suave Milagre», trazendo-me à memória, por essa mesma atmosfera miraculosa do indizível «O Gigante Egoísta», do Oscar Wilde). 
Em Eça sempre adorei a sua paixão pela História e a forma simultaneamente séria e lúdica com que lhe pegava. «Santo Onofre» é um dos padres do deserto, indivíduos que fugiam do mundo para encontrar Deus através da oração e da renúncia, sujeitando-se a todas as solicitações do Demónio, que mais não eram do que alucinações provocadas pela carência física e psicológica de tudo... Talvez o menos conseguido.
«S. Frei Gil», cujo plano da obra chegou até nós, poderia ser uma das grandes narrativas queirosianas, provavelmente abandonada (e isto é um palpite; precisaria de verificar cronologias) pelo felizmente concluído A Cidade e as Serras. Várias vezes me veio à memória a dispersão e a inconsistência do Jacinto de A Cidade e as Serras, ou mesmo de Gonçalo Mendes Ramires. Em todo o caso, ficamos com pena do corte abrupto da narrativa quando o volúvel Gil a caminho de Paris, na companhia do escudeiro Pêro, para estudar Medicina, é desviado do intento por um misterioso cavaleiro...
O segundo bloco desta Últimas Páginas, consiste num conjunto de «Artigos Diversos», textos todos de primeira água, em que avulta o também incompleto «O "Francesismo"», um magnífico ensaio de irónica autobiografia cultural.
Eça é sempre Eça. Imortal. 



o sentido de humor do director da PJ

 Creio que foi sexta-feira ao almoço que vi no restaurante umas imagens do director da PJ, Luís Neves, a propósito do foragido Rendeiro. Segundo o que consegui então ler, dizia que o homem seria apanhado e que a PJ tinha tempo e paciência para levar a cabo a sua missão. Sábado acordei com a notícia da detenção do dito na África do Sul. Portanto, enquanto estava a proferir aquelas declarações, já tinha  o homem localizado e controlado pela polícia sul-africana. É de mestre. E revela também um bom e saudável sentido de humor.

sábado, dezembro 11, 2021

quinta-feira, dezembro 09, 2021

cimeira para a democracia

 Sorriso amargo e vergonha alheia.

«Leitor de BD»

 


Macho-Alfa, vol 1, de Filipe Duarte Pina e Osvaldo Medina

aqui

«Lucifer»

quarta-feira, dezembro 08, 2021

a cimeira Biden-Putin -- quem anda a fazer o Telejornal?

 Eu bem sei que isto da Ucrânia é a fingir. Ou melhor, é muito sério para os russos: para os americanos é business as usual. Não sei se o pivô do Telejornal tem noção do trabalho de merda que apresentou ontem. Talvez até tenha noção, e não queira saber; ou talvez não saiba mesmo. 

Não sei quem foi o responsável por aquela peça nada inocente. Vale a pena ir à box, seleccionar o Telejornal de ontem e, mais para o fim, ver com atenção. Trata-se da cimeira Biden-Putin, e a notícia reza mais ou menos assim: os Estados Unidos mostram-se preocupados etc,; ameaçam com sanções económicas fortes, etc,; Biden diz que etc. Imagens do Putin sentado como um nababo, e a cara do Biden no ecrã em frente, talvez para que não se veja o sorriso de gozo. Sobre o que o Putin disse, a posição da Rússia, nem se deram ao trabalho, tal é o descaramento. Para quê, para estes brutos mansos e amestrados?

Portanto, estar lá o Adelino Faria ou a minha cadela a apresentar o Telejornal, prefiro a minha cadela.  

 

segunda-feira, dezembro 06, 2021

domingo, dezembro 05, 2021

sábado, dezembro 04, 2021

portugueses


PEDRO GONÇALVES
(1970-2021)



 

fachos de esquerda

Parece que a palavra Natal é para desaparecer, sendo substituída por "festividades". E o que festejam as festividades? O Pai Natal? Também. E o nascimento de Cristo, igualmente, figura e acontecimento basilar da nossa civilização, sejamos crentes ou ateus. Aliás, a personagem histórica de Jesus Cristo foi sempre um ícone revolucionário para a esquerda, algo que estas caricaturas esquecem, se é que alguma vez pensaram nisso.

Mais valia que esta comissária maltesa, de cujo nome me esqueci, oriunda do Partido Trabalhista (que deve estar minado, como o PS daqui), e que parece não ter mais nada importante para fazer, se empenhasse em realçar outros aspectos culturais, inclusivamente festivos, de comunidades diversas presentes na Europa (isso sim, seria a verdadeira inclusão), em vez de procurar apagar, fazer desaparecer. Que estúpida, que estúpida.

O que esta bicharada não percebe é que a questão não está em suprimir ou apagar. Podiam aprender com os Estados Unidos, que com os seus muitos defeitos, é um exemplo para a relativização da questão religiosa, remetendo-a ao seu devido lugar, o da consciência individual. O Stálin também quis apagar a Igreja, transformando templo em garagens. Após setenta anos de comunismo totalitário, ela é hoje poderosíssima na Rússia.  Pensam estes pobres que mudando nomes fazem desaparecer a coisa.

Fachos de esquerda, feliz expressão que li não sei onde, a propósito de um assunto do mesmo género.  São os mesmos pidescos que querem reescrever os livros do Mark Twain e do Monteiro Lobato, que mandam retirar quadros dos museus porque exibem mulheres nuas, que queimam livros do Tintin Fachos de esquerda, que alimentam os fachos originais, mas mais perigosos, porque parecem ser dos nossos. Mas não são.

quinta-feira, dezembro 02, 2021

«Leitor de BD»

 

Will Eisner, Um Contrato com Deus (2)

caracteres móveis

«Vivo a minha vida como se o Mal tivesse triunfado.»

Alexandre Pinheiro Torres, «Aquele que nunca falará às aves» (1982) 

quarta-feira, dezembro 01, 2021