sexta-feira, novembro 20, 2015
quinta-feira, novembro 19, 2015
o menino bonito das sacristias
«No ambiente requintado dos salões lisboetas, a sua linha fidalga recortou-se com mais firmeza e a sua esbelta figura adquiriu novo aprumo, como haste que se expande aos raios dum sol mais quente. A natural afabilidade sem inflexões afectadas, certa distinção de raça timbrando as maneiras graves, a linha sempre correcta e o porte sempre gentil, conquistaram-lhe as simpatias mundanas e obtiveram-lhe êxito completo. Tornou-se o menino bonito das sacristias.»
Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
quarta-feira, novembro 18, 2015
o meu LEFFest (18)
A partir do clássico de Octave Mirbeau -- relato impressivo da vida burguesa entre o II Império e a III República franceses --, a cuja adaptação Léa Seidoux empresta grande momentos, muito bem acompanhado pelo resto do elenco.
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Léa Seydoux
terça-feira, novembro 17, 2015
o meu LEFFest (17)
Um filme (que põe) bem disposto, sobre um tipo que, no fundo, era um gauche na vida, como o Carlos (sujeito poético) Drummond de Andrade.
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Federico Veiroj
segunda-feira, novembro 16, 2015
o meu LEFFest (16)
The Chidhood Of A Leader, de Brady Corbet (Reuino Unido, Hungria e França, 2015 -- «Em competição»).
A sequência é enganadora. Nem a mãe é aquele monstro de cruz na testa, nem a criança é o anjo que parece. Não percebi a tese do filme. se era mostrar que certos meios familiares propiciam o surgimento de criaturas hitlerescas, então não convence.
o meu LEFFest (15)
Nostalghia, de Andrei Tarkovsky (Itália e Rússia, 1983 -- «Soirées Tarkovsky»)
Tarkovsky era um poeta das imagens, tal como o pai, Arseni -- convocado espectralmente para este filme -- fora um poeta das palavras. E é esse lado etéreo e indizível, esse sfumato renascentista que nos fica, passados todos estes anos sobre a realização de Nostalgia. E a máscara de donna do Renascimento de Domiziana Giordano.
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domingo, novembro 15, 2015
sábado, novembro 14, 2015
o meu LEFFest (13)
Room, de Lenny Abrahamson (Irlanda e Canadá, 2015 -- «Em competição»)
Em condições normais, nunca iria ao cinema ver um filme que nos fala de uma jovem mulher sequestrada, que entretanto foi mãe durante o cativeiro; e muito menos depois de ver o trailer. É demasiado pesado. Mas a verdade é que Abrahamson pega no tema com a contenção necessária, sem cair na tentação de explorar os nossos terrores mais angustiantes. Excelente filme, com óptimos papéis.
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Já não tenho palavras
Mais de 140 mortos em Paris nesta altura da madrugada, e a única coisa que tenho a dizer é: caça aos fascistas religiosos! E a única que tenho a aspirar: que não se lhes faça a vontade, cometendo actos de violência para com muçulmanos inocentes, vítimas também eles.
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quinta-feira, novembro 12, 2015
o meu LEFFest (12)
Jogo de Damas, de Patrícia Sequeira (Portugal, 2015 -- «Promessas»).
Cinco amigas reunem-se após o velório da sexta, que até aí compusera o grupo, coeso nas suas vivências presentes e passadas. A referência a Os Amigos de Alex é inescapável. A partir de um bom texto de Filipa Leal, desenvolvido com brilho pelas cinco actrizes, todas muito bem, em especial Rita Blanco, cuja máscara, no pouco que acompanho do trabalho dos actores portugueses, é a que mais me impressiona na actualidade.
Cinco amigas reunem-se após o velório da sexta, que até aí compusera o grupo, coeso nas suas vivências presentes e passadas. A referência a Os Amigos de Alex é inescapável. A partir de um bom texto de Filipa Leal, desenvolvido com brilho pelas cinco actrizes, todas muito bem, em especial Rita Blanco, cuja máscara, no pouco que acompanho do trabalho dos actores portugueses, é a que mais me impressiona na actualidade.
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o meu LEFFest (11)
Journey To The Shore, de Kiyoshi Kurosawa (Japão e França, 2015 -- «Em competição».
Quando, numa tarde, Mizuki, no meio dos afazeres domésticos, olha numa certa direcção da sua sala e vê o marido, este havia morrido no mar havia três anos. Informa a sinopse que há uma tradição japonesa, designada por mitoru, que consiste em zelar e velar pelos moribundos até ao seu passamento. Neste caso, o mitoru não pudera ser cumprido, e o aparecimento desse fantasma vem colmatar a falta que a cultura exige. Trata-se de um filme denso e delicado, muito japonês; e, com isso, senti-me demasiado ocidental para poder aderir como ele certamente mereceria.
Quando, numa tarde, Mizuki, no meio dos afazeres domésticos, olha numa certa direcção da sua sala e vê o marido, este havia morrido no mar havia três anos. Informa a sinopse que há uma tradição japonesa, designada por mitoru, que consiste em zelar e velar pelos moribundos até ao seu passamento. Neste caso, o mitoru não pudera ser cumprido, e o aparecimento desse fantasma vem colmatar a falta que a cultura exige. Trata-se de um filme denso e delicado, muito japonês; e, com isso, senti-me demasiado ocidental para poder aderir como ele certamente mereceria.
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quarta-feira, novembro 11, 2015
o meu LEFFest (10)
Prince Avalanche, de David Gordon Green (EUA, 2013 -- «Retropsectiva - David Gordon Green).
Um excelente e divertido exercício sobre a frustração.
o meu LEFFest (9)
Te Prometo Anarquía de Júlio Hernández Cordón (México, 2015 -- «Em competição»)
Oscila entre o excelente (tudo o que tem que ver com a tribo dos skaters, grandes imagens de cidade) e o banal e cansativo, mesmo num filme que gira em torno de um relacionamento gay, pormenor que está omisso no programa oficial, gostaria de saber porquê.
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terça-feira, novembro 10, 2015
arruaceiros, trauliteiros e (já se sabia) trapaceiros
Tenho andado pelo festival de cinema, por isso com pouco tempo para assistir à defenestração política daqueles que até agora governaram contra os portugueses.
Estão possessos, vê-se-lhes nas caras e nos esgares.
Ontem à noite, ainda assisti ao fim do "Prós e Contras", com o conhecido líder parlamentar do CDS (Nuno Magalhães) e um indivíduo alçapremado a vice-presidente do PSD (Miguel Morgado) que se julgava a discutir política com os alunos no pátio da escola.
Por sua vez, o líder parlamentar do PSD (Luís Montenegro) afirmava e repetia a sua repugnância (sic) por António Costa ter decidido usar da palavra hoje e não ontem.
"Repugnância", note-se o palavreado destes indígenas.
Hoje, o também conhecido líder do CDS (Paulo Portas, para quem não saiba), repetia o estribilho que ensaiara com os seus lugares-tenentes (em matéria de palavras-de-ordem e agit-prop não ficam a dever nada a ninguém), que se traduz mais ou menos nisto: "se o PS estiver aflito, não nos venham depois pedir ajuda"...
Alguém que da nova maioria parlamentar diga à criatura: "Ninguém quer a tua ajuda, pá! É tóxica. Queremos, no mínimo, ver-te pelas costas, e que uma fronda lá do teu partido te despeje borda fora, tal como fez hoje a maioria dos representantes do povo português."
PS: com excepção de Costa e Portas, nunca escrevera o nome das outras criaturas em mais de dez anos de blogue. Estive para não o fazer, de novo, para não poluir; mas o espectáculo politicamente indecoroso que têm dado justifica dar o nome aos bois.
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o meu LEFFest (8)
Loves Her Gun, de Geoff Marslett (EUA, 2015).
O trauma de um assalto persegue a protagonista, de Nova Iorque a Austin, Texas -- em cuja cena cultural o realizador parece ter destaque, pelo que leio do programa (a propósito: quem escreveu a sinopse, deve tê.lo feito de ouvido).
Um filme de baixo orçamento como por cá dificilmente se lograria.
O trauma de um assalto persegue a protagonista, de Nova Iorque a Austin, Texas -- em cuja cena cultural o realizador parece ter destaque, pelo que leio do programa (a propósito: quem escreveu a sinopse, deve tê.lo feito de ouvido).
Um filme de baixo orçamento como por cá dificilmente se lograria.
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Geoff Marslett
o meu LEFFest (7)
Alguns bons momentos não redimem este filme dessa mastigação que, de há décadas, algum cinema português nos sujeita. Ou isto ou o kitsch. Ou então o meio termo, que quer ser sério e comercial ao mesmo tempo.
De vez em quando aparecem coisas boas, mas não é o caso.
De vez em quando aparecem coisas boas, mas não é o caso.
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João salaviza
segunda-feira, novembro 09, 2015
o meu LEFFest (6)
Song One / A Canção de uma Vida, de Kate Barker-Froyland (EUA, 2014 -- «Antestreia»).
Um filme cheio de grande música, porque é a música é nos salva a vida, em vários sentidos.
Um filme cheio de grande música, porque é a música é nos salva a vida, em vários sentidos.
domingo, novembro 08, 2015
o meu LEFFest (5)
A adolescência é fodida, parece que faz parte. O filme é talvez um pouco desequilibrado, porque no dédalo das recordações, uma se sobrepõe enormemente às outras; mas a forma dilaceradamente sensível como Desplechin no-la dá é admirável. O mesmo se passa com os actores: o consagrado Mathieu Amalric e os novos Quentin Dolmaire e, sobretudo, a perturbante Lou Roy-Lecollinet
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o meu LEFFest (4)
Something Wild / Selvagem e Perigosa, de Jonathan Demme (EUA, 2006 -- «Retrospectiva -- Jonathan Demme»).
Um misto de road movie e comédia de enganos, com um q.b. de tensão. Ah, e excelentos planos de Nova Iorque, com as fantasmáticas Torres Gémeas -- sabemo-lo agora. Em relação a Melanie Griffith (que, com a banda-sonora, é o que mais interessa no filme), sempre tive, em relação a ela, sentimentos mistos.
Um misto de road movie e comédia de enganos, com um q.b. de tensão. Ah, e excelentos planos de Nova Iorque, com as fantasmáticas Torres Gémeas -- sabemo-lo agora. Em relação a Melanie Griffith (que, com a banda-sonora, é o que mais interessa no filme), sempre tive, em relação a ela, sentimentos mistos.
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o meu LEFFest (3)
Tricheurs / Os Batoteiros, de Barbet Schroeder (França, Alemanha e Portugal, 1984 -- «Retrospectiva -- Barbet Schroeder)
Um filme de 1984 que parece ter sido rodado em 1974. No entanto, com algum interesse (compulsão do jogo e decorrências); filmado em grande parte no Funchal. E que interessante era a Bule Ogier nesse então.
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o meu LEFFest (2)
7 Chinese Brothers, de Bob Byington (Estados Unidos, 2015 -- «Em competição»)
Quando fizerem uma adaptação do Recruta Zero ao cinema, com actores de carne e osso, proponho este Jason Schwartzman, esplêndida encarnação do looser total.
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sábado, novembro 07, 2015
o meu LEFFest (1)
Mia Madre, de Nanni Moretti (Itália e França, 2015 -- «Fora de competição - Filme de abertura»)
Como pode a vida prosseguir quando a nossa mãe está a morrer? O filme vai ganhando corpo, densidade e chega ao fim connosco rendidos. E que actores, que actores, que actores.
Como pode a vida prosseguir quando a nossa mãe está a morrer? O filme vai ganhando corpo, densidade e chega ao fim connosco rendidos. E que actores, que actores, que actores.
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quinta-feira, novembro 05, 2015
-- Caiu-me a Alma ao meio da rua, / E não a posso ir apanhar!
Mário de Sá-Carneiro
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Mário de Sá-Carneiro
quarta-feira, novembro 04, 2015
terça-feira, novembro 03, 2015
a criar sustância
«-- Senhora D. Josefina, o seu filho Aparício escolher este lugar para a sua pousada. Quando ele aparece por aqui, acoita-se neste cocuruto de serra e ninguém, nem de longe, cai pensar que Aparício Vieira descansa nestas quatro paredes, criando sustância para as lutas contra o Governo. Deus me livre de que alguém pudesse saber isso. Gosto de Aparício e sei que ele não faz mais do que tem que fazer um sertanejo de vergonha na cara. O Governo é que é tirano.»
José Lins do Rego, Cangaceiros (1953)
José Lins do Rego, Cangaceiros (1953)
segunda-feira, novembro 02, 2015
da necessidade de um Governo PS-PCP-BE
O PSD e o CDS podem utilizar-se dos sofismas que entendam, podem continuar a tentar enganar as pessoas com balelas analfabetas para amedrontar, métodos em que são useiros e vezeiros. Mas não podem fazer nada quanto à realidade, traduzida na implacável objectividade dos números: a maioria -- claríssima -- dos portugueses quis vê-los pelas costas.
A situação do país é a que é, pouco famosa; a situação internacional, UE incluída, é um pavor. Por isso, um Governo resultante de um acordo entre os três partidos da esquerda, se o que pretende é não apenas varrer a direita do poder, mas reparar os estragos que essa mesma direita causou ao país, governando contra os portugueses, e recuperar alguma credibilidade internacional -- não, não é a vergonhosa postura acocorada diante dos mercados e da Europa, mas um Governo que se dê ao respeito --, um Governo assim terá, não apenas de estar fortalecido com um programa que tenha por base o acordo que será assinado, como ter o cabedal suficiente para fazer face à artilharia da direita, que, como se está a ver, não hesitará em fazer o que for preciso para regressar ao poder.
Claro que ela só terá força política se lha derem, de bandeja como muitos esperam, a começar pelos idiotas úteis no PS. Parece-me, pois, que será fundamental formar um Governo em que os três partidos estejam comprometidos com a própria governação.
A situação do país é a que é, pouco famosa; a situação internacional, UE incluída, é um pavor. Por isso, um Governo resultante de um acordo entre os três partidos da esquerda, se o que pretende é não apenas varrer a direita do poder, mas reparar os estragos que essa mesma direita causou ao país, governando contra os portugueses, e recuperar alguma credibilidade internacional -- não, não é a vergonhosa postura acocorada diante dos mercados e da Europa, mas um Governo que se dê ao respeito --, um Governo assim terá, não apenas de estar fortalecido com um programa que tenha por base o acordo que será assinado, como ter o cabedal suficiente para fazer face à artilharia da direita, que, como se está a ver, não hesitará em fazer o que for preciso para regressar ao poder.
Claro que ela só terá força política se lha derem, de bandeja como muitos esperam, a começar pelos idiotas úteis no PS. Parece-me, pois, que será fundamental formar um Governo em que os três partidos estejam comprometidos com a própria governação.
domingo, novembro 01, 2015
c'os diabos!
Um filmaço de Scott Cooper, que põe em equação as teias em que se enredam modos de vida de marginalidades, bebidos no berço, fidelidades de clã, sentimentos identitários, política criminal e crime na política e, acima de tudo, o raio duma complexidade que é inerente ao bicho-homem. Johnny Depp, outro dos meus actores preferidos, é a perfeita encarnação desse claro-escuro que nos assola.
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sábado, outubro 31, 2015
sexta-feira, outubro 30, 2015
a possibilidade de viver
Há uns bons anos, em resposta a um comentário que a Maria Noronha (quando voltará ela a blogar?) fez a este excerto de Stig Dagerman: «Sem fé, ouso pensar a vida como uma errância absurda a caminho da morte, certa. Não me coube em herança um qualquer deus, nem ponto fixo sobre a terra de onde algum pudesse ver-me. Tão pouco me legaram o disfarçado furor do céptico, a astúcia do racionalista ou a ardente candura do ateu. Não ouso por isso acusar os que só acreditam naquilo que duvido, nem os que fazem o culto da própria dúvida, como se não estivesse, também esta, rodeada de trevas. Seria eu, também, o acusado, pois de uma coisa estou certo: o ser humano tem uma necessidade de consolo impossível de satisfazer.»
escrevi a minha via pessoal para tentar iludir o absurdo da existência, via que continuo a trilhar, tentando iludir-me
«É o nada que nos espera que torna a vida absurda. O Vergílio Ferreira diz num dos seus diários qualquer coisa como isto: uma hora de eternidade é igual a mil anos de eternidade; isto é: uma hora de nada é igual a mil anos de nada. Há para mim algo que pode dar um sentido à vida, e tal é a minha descendência, a única coisa perene que me vai sobreviver, pois não sou Miguel Ângelo, Beethoven, Camões ou sequer Napoleão. E mesmo esses... Por isso, também ouço muitas vezes o «Blackbird» & outras músicas; tornam a vida possível de ser vivida.»
*«Blackbird», música de Paul McCartney, nos Beatles.
*«Blackbird», música de Paul McCartney, nos Beatles.
quinta-feira, outubro 29, 2015
conversa de notário da União Nacional
«A manha do "Manholas"... Programa para mais três décadas. Com Vila Velha agradecida por ter sido salva das bombas. Aliadas? Alemãs? O notário Teófilo de Oliveira considerava, a posteriori, tal eventualidade como "bombas antiportuguesas». Para facilitar.»
Álvaro Guerra, Café Central (1984)
Raif Badawi
Honra ao Parlamento Europeu, que acaba de atribuir o Prémio Sakharov ao blogger saudita Raif Badawi, condenado a prisão e chicotadas públicas por liberdade de expressão.
Vergonha, não apenas ao regime atrasado e vil da Arábia Saudita, sem lugar no concerto das nações civilizadas, como às potências que enchem o bandulho com os petrodólares.
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quarta-feira, outubro 28, 2015
escozinhar com molho de Camões
«Em certo 10 de Junho quando todos os jornais molemente escozinhavam com molho de Camões e as entidades oficiais transportavam ramos tristes para o Largo das Duas Igrejas, Antero Chumbo teve um dos seus rasgos: atirou algumas sem-cerimónias ao épico.»
Tomás Ribeiro Colaço, A Calçada da Glória (1947)
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terça-feira, outubro 27, 2015
segunda-feira, outubro 26, 2015
se eu tivesse de escolher só uma música
Amour, imagination, rêve -- Air. O acrónimo sintetiza o cerne deste duo de Versalhes, composto por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel -- tão cosmopolita e simultaneamente tão francês. Um portento de melodia, um certo romantismo com uma boa carga de ironia. Deste 10 000 Hz Legend (2001), extraio isso mesmo que acabei de dizer com «Wonder Milky Bitch».
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domingo, outubro 25, 2015
vinha das choças
«Vinha das choças um mugir manso de gado, um mugir quente e terno, junto ao bafo de fezes e de pastos apodrecidos.»
Romeu Correia, Calamento (1947)
sábado, outubro 24, 2015
um xarope
Tinha a expectativa de ver uma comédia inofensiva e enxuta com o meu actor preferido, Robert De Niro, e Anne Hathaway (que nome...) como bónus. A primeira parte ainda assim foi; depois, o filme resvala para uma lamechice inane, do género sic-Mulher servida nas salas-de-espera dos consultórios. Só não foi tempo & dinheiro perdidos porque DeNiro transforma em aceitável qualquer porcaria em que entre.
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sexta-feira, outubro 23, 2015
Seria surpreendente se Cavaco surpreendesse.
Não é de admirar que quem torpedeou um governo nas vésperas da adesão à então CEE ameaçasse, em fim de mandato presidencial fazer o mesmo ao país, em nome da pequenez política que o caracteriza.
Há dez anos eu, pobre ingénuo -- sem que pusesse sequer hipótese de nele votar -- acreditava que dez anos como primeiro-ministro e outros dez de travessia do deserto lhe tivesse dado estofo de estadista. Foi sol de pouca dura, como se sabe. Portugal está há poucas semanas de ver-se livre dele; veremos em que estado deixará o país.
(nota: escusado será dizer que este post não tem que ver com a decisão formalmente inatacável de ter indigitado Passos Coelho para formar governo, mas com os avisos à navegação que entendeu fazer. Esperemos que, então sim, não tenhamos de recorrer às fórmulas patéticas da Traulitânia: golpe de estado, usurpação, e outros mimos.)
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quinta-feira, outubro 22, 2015
terça-feira, outubro 20, 2015
Dez livros que não poderiam nunca faltar na minha lista dos melhores romances escritos em língua portuguesa
Via Ler-te, descobri esta lista, e participei na inquirição sobre Os Melhores Romances Escritos em língua Portuguesa., como de costume sem ler as regras até ao fim... Por isso, a minha ordenação foi cronológica e não por ordem de preferência, como é pedido (acho que nem conseguiria fazê-lo). Também me impus não escolher mais do que um título do mesmo autor nem mencionar escritores vivos. Finalmente, prefiro chamar a esta minha lista «Dez livros que não poderiam nunca faltar na minha lista dos melhores romances escritos em língua portuguesa», uma vez que ninguém poderá jamais determinar quais são os melhores romances (ou sinfonias, ou telas, ou o que seja). em Arte não há melhor: há bom e mau; obra conseguida ou falhada. O resto são opiniões.
E então ela aí vai:
1. Os Maias (1888), de Eça de Queirós
2. Andam Faunos pelos Bosques (1926), de Aquilino Ribeiro
3. A Selva (1930), de Ferreira de Castro
4. Mau Tempo no Canal (1944), de Vitorino Nemésio
5. Servidão (1946), de Assis Esperança
6. Gabriela, Cravo e Canela (1958), de Jorge Amado
7. Barranco de Cegos (1961), de Alves Redol
8. O Signo da Ira (1961), de Orlando da Costa
9. Sinais de Fogo (1979), de Jorge de Sena
10. Para Sempre (1983), de Vergílio Ferreira
É claro que das Viagens na Minha Terra (1846)m de Almeida Garrett, até a as Primeiras Coisas (2014), de Bruno Vieira Amaral, muitos poderiam figurar nesta lista -- só que não poderiam ser dez.
Agora, caros amigos, toca a participar (têm até ao fim do ano, não se atrasem).
domingo, outubro 18, 2015
santa de verdade
«Veio com a esposa, tia Santa, santa de verdade, pobre mártir daquele homem estúpido.»
Jorge Amado, Cacau (1933)
sábado, outubro 17, 2015
previsível e açucarado,
mas com grandes actores -- um prazer sempre de ver desempenhos desta qualidade. Um filme que escorrega muito bem.
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sexta-feira, outubro 16, 2015
Se tivesse de escolher só uma música
Este Beck-Ola, do Jeff Beck Group é todo bom; poderia escolher qualquer uma das sete faixas que o compõe. Lançado em 1969, está num dos períodos mais ricos do rock, cheio de experimentalismo e fusão, hard rock, prog rock, jazz rock, blues rock, psicadelismo e por aí fora. Acabo por escolher esta sensacional cover de Elvis Presley, trabalhada e potenciada coma criatividade que o melhor rock não dispensa e a víscera que deve ser-lhe apanágio. Os músicos, viscerais, portanto: Jeff Beck, guitarra; Rod Stewart, voz; Nicky Hopkins, piano; Ron Wood, baixo; e Tony Newman, bateria.
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quinta-feira, outubro 15, 2015
encharcado de tisanas
«Afinal eu não tinha culpa. Tão linda, branca e forte, com as mãos de longos dedos bons para beijos, os olhos grande e azuis... De Adrião Teixeira, um velhote calvo, amarelo, reumático, encharcado de tisanas. Outra injustiça da sorte. Para que servia homem tão combalido, a perna trôpega, cifras e combinações de xadrez na cabeça? Eu, sim, estava a calhar para marido dela, que sou desempenado, gozo saúde e arranho literatura.»
Graciliano Ramos, Caetés (1933)
quarta-feira, outubro 14, 2015
se o governo de Angola não se dá ao respeito, não merece ser respeitado
Outra coisa são os direitos humanos! Aí não há países nem ingerências nem sensibilidades nem cerimónias. Por isso, quando um governo de qualquer país atenta contra a dignidade do ser humano, impedidndo-o de se manifestar e encarcerando-o, tem de estar sob forte pressão condenatória da comunidade internacional.
Assim, enquanto o governo e a justiça angolanas não se comportarem civilizadamente neste caso dos jovens detidos, entre os quais está o grevista da fome Luaty Beirão (estou-me nas tintas para a nacionalidade dele, dupla ou tripla), a denúncia do caso e execração da atitude do governo de Angola -- que tem de acabar rapidamente com esta farsa -- é um dever de todos os que têm a Liberdade de consciência e de expressão como valor absoluto e sagrado.
E já agora, com Luaty Beirão, quero lembrar outros presos políticos: o palestiniano Marwan Barghouti, o curdo Abdullah Öcalan, o chinês Liu XiaoBo, o australiano Julian Assange e o norte-americano Edward Snowden.
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simplismos, simplórios e o que está em causa
A generalidade dos blogues alinhados com o governo cessante oscila entre a tentativa de manipulação, normalmente canhestra, e a desqualificação de António Costa, isto para não falar numa simplicitas que encara o processo eleitoral como uma espécie de jogo de futebol, em que quem tem mais golos (votos) ganha a partida (eleições). E que, nalguns casos, acreditam (ou argumentam) que Passos tem direito (direito, imagine-se) a governar, porque "venceu as eleições".
Começando já por aqui: a coligação PàF teve mais votos, mas não ganhou as eleições. Perdeu-as, inapelàvelmente. Poderão considerar-se vencedores se formarem governo e lograrem aprová-lo na fonte da soberania que é a Assembleia da República. Aí sim, podem cantar vitória, mesmo que tenham de governar com um programa em boa parte imposto pelo PS.
Mas os representantes eleitos do povo são, na sua maioria, contra a política do actual governo. Logo, democraticamente, os deputados da nação, podem, legitimamente (eu diria: quase obrigatoriamente) reprovar o programa de um executivo do PSD e do CDS -- se estes, contra as conveniências dos mercados etc. & tal, insisitirem em levar a sua avante, sabendo de antemão que são minoritários no hemiciclo.
No nosso sistema, no que respeita à formação do governo, as legitimidades política e constitucional estão no parlamento e só no parlamento. Não há esperteza saloia como a tradição, nem infantilismos como "prémios" para o vencedor.. Há a vontade política maioritária dos portugueses, expressa pelos seus representantes, e é só.
Por outro lado -- pondo de parte os argumentos patetas e patéticos que pretendem desclassificar Costa e o agitar do papão anti-PC --, será (ou seria) natural haver dúvida ou receio sobre a consistência de um eventual governo à esquerda. Porém, não só António Costa nem muitos dirigente do PS são meninos de coro para se deixarem manobrar pelos partidos à sua esquerda, como um acordo de futuro governo terá de ser assinado e divulgado, com as tais linhas vermelhas, sob pena de ao PS não restar alternativa senão viabilizar um governo à direita, e, então sim, justificadamente.
Confio porém que isso não irá acontecer. Depois da catástrofe política e social dos últimos quatro anos, o trauma é tal, que correr com eles se tornou um desígnio essencial. Ou já ninguém se lembra da venda do país e da subserviência do governo cessante, a triste figura que, na UE, fizeram representantes de um estado com um lastro de quase novecentos anos?
E além disso -- o mais importante para um futuro governo que regenere o país: esse país que vota à Esquerda não perdoaria uma traição. Ao PS, e, muito principalmente, ao PCP e ao Bloco.
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terça-feira, outubro 13, 2015
o lixo da Direita
A possibilidade que se desenha de constituição de um governo à Esquerda, veio destapar a cloaca salazarota onde têm estado escondidas as pulsões saudosas do 24 de Abril de boa parte da Direita portuguesa -- que alguém já classificou, e bem, como a Direita mais estúpida da Europa (Passos é líder que se apresente?...; Portas não é uma espécie de apresentador dos programas televisivos das tardes de Domingo?... Que miséria, que miséria.).
A verdade é que boa parte da Direita, que aceitou o 25 de Abril com reserva mental, baba-se de ódio, resseca-se de ressaibo, refocila e desespera. Vejo-os, ouço-os e leio-os. Não consigo ignorá-los, nem com um lenço no nariz. Bem sei que há sempre os estimáveis e os repugnantes, à Direita e à Esquerda. Mas do que se trata agora é do espectáculo confrangedor da impotência, da raiva, do alapar-se ao Poder.
Perderam, a maioria dos eleitores quer vê-los pelas costas. Pouca sorte, pouca sorte. O Telmo Correia, que até é uma pessoa cordata (vivò Benfica!), descabelava-se ontem no frente-a-frente com o João Soares, por sinal, bem divertido com o desbragamento do oponente.
O terrorismo a que estamos a assistir, por parte dos vendidos do costume que têm acesso ao espaço público e de boa parte de jornalistas que são o atraso de vida que se sabe, avivou-me a memória.
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três longos dias
«De resto, tudo chegava tarde a Vila Velha. As notícias, também. Desde o momento em que Gavrilo Prinzip desfechou a pistola nos peitos nobres do herdeiro do Império Austro-Húngaro e da duquesa Sofia até que o Dr. Teófilo de Oliveira desdobrasse, com idêntico dramatismo, a gazeta chegada da capital, à mesa do Café República, decorreram três longos dias durante os quais os mortos se contaram apenas nas fileiras dos nacionalistas sérvios.»
Álvaro Guerra, Café República (1984)
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segunda-feira, outubro 12, 2015
negro e perverso
O último Woody Allen é uma incursão pelas partes mais recônditas da mente humana; e embora haja gente para tudo, o desenvolvimento da personagem nas motivações que o levam a cometer um crime, parece-me rebuscado. Mas é um bom filme. Irónico, logo a começar pelo título; perversamente divertido, pelo modo como a música sublinha os momentos que deveriam ser de maior tensão.
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domingo, outubro 11, 2015
ainda bem que o Sousa Pinto se demitiu
Vi-o no programa do Ricardo Araújo Pereira; um pavão insuportável, toleirão, auto-suficiente, com um humor capaz de fazer rir uma hiena. O indivíduo, de resto, foi o primeiro a torpedear a estratégia do PS para as presidenciais, com um ataque (estúpido?, propositado?) a Sampaio da Nóvoa. Respira-se melhor, agora.
sábado, outubro 10, 2015
Se tivesse de escolher só uma música
Álbum atípico de Louis Armstrong, já então uma pop star mundial, mas nem por isso menos grande tudo.
Acabo por escolher este tune dos anos 40, popularizado por Fats Domino.
O canto de Armstrong é sublime, em todos os aspectos, simultaneamente doce e divertido. O arranjo do coro é excepcional , tal como o entrosamento com os sopros.
Em Hello, Dolly! (1964)
Em Hello, Dolly! (1964)
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quinta-feira, outubro 08, 2015
turvação
«Tareja deixou então tombar o xaile que lhe cobria os alvos ombros e demorou algum tempo a resguardá-los de novo e isto com tanta graça que os olhos de Afonso se turvaram.»
Augusto Abelaira, O Bosque Harmonioso (1982)
quarta-feira, outubro 07, 2015
Espero não estar a lançar foguetes demasiado cedo
nem a contar com o ovo no rabo da galinha por parte do BE, mas parece-me que há uma genuína vontade de entendimento na esquerda parlamentar maioritária. As declarações dos dois líderes à saída da sede do PCP indiciam-mo. Nem o país perceberia que não se fizessem todos os esforços nesse sentido. A aspiração da rua fez-se ouvir durante a campanha.
Por outro lado, António Costa, agora já sem a plastificação artificiosa da campanha eleitoral é o secretário-geral certo no momento certo. A delegação à Soeiro Pereira Gomes foi de grande agudeza política: Carlos César, presidente do PS; Pedro Nuno Santos, elemento da ala esquerda do partido e um dos mais acerbos críticos da troika; finalmente, Mário Centeno, o coordenador do programa económico apresentado antes das eleições, que, por sinal, tomava notas com afã.
Há razões para ter alguma esperança.
Em tempo: vi depois, numa outra estação, também Ana Catarina Mendes, um dos melhores quadros políticos do PS, que nas eleições de domingo encabeçou a lista vencedora por Setúbal.
Em tempo: vi depois, numa outra estação, também Ana Catarina Mendes, um dos melhores quadros políticos do PS, que nas eleições de domingo encabeçou a lista vencedora por Setúbal.
Já estamos a falar melhor
Acabo de ouvir Jerónimo de Sousa, após reunião com António Costa. Será desta?
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O que será para o PCP a "ruptura com a política de direita"?
Se for a recuperação da iniciativa na defesa do estado social, da dignidade do trabalho, do fim da selvajaria nos ataques ao sector público, de reparar os estragos provocados pela governação catastrófica do PSD e do CDS, então eu estou com o PCP.
Se for outra a agenda, como a exigência da saída da Zona Euro, ou da NATO, pode o PCP esperar sentado -- até porque o PS não é propriamente "Os Verdes".
Veremos, então, mais uma vez o que é verdadeiramente importante para o PCP (e quem diz PCP, dirá também BE), e se, por sectarismo e instinto de conservação, os portugueses estão condenados a ser governados pelas forças minoritárias da direita, ou se podem esperar que a maioria no seu parlamento os represente.
(Nota: em teoria, não vejo problema -- pelo contrário -- na posição do PCP em estudar a possibilidade da saída do Euro, uma vez que ela pode-nos sempre ser imposta. Aliás, não tenho dúvidas de que o cenário foi ponderado e não deixou de estar em cima da mesa, como possibilidade.)
(Nota 2: sobre a posição que o PS deverá ter, para mim como, digamos, "não antipatizante", concordo com o que está escrito em http://maquinaespeculativa.blogspot.pt/2015/10/e-agora-esquerda.html).
(Nota 2: sobre a posição que o PS deverá ter, para mim como, digamos, "não antipatizante", concordo com o que está escrito em http://maquinaespeculativa.blogspot.pt/2015/10/e-agora-esquerda.html).
segunda-feira, outubro 05, 2015
devaneios: um governo patriótico e de (centro-) esquerda
Costa fez um bom discurso de derrota. Não sei para que vai servir, atendendo aos ziguezagues desta campanha, mas seria bom que servisse para alguma coisa. Aspirar a uma união da esquerda é um devaneio, até porque o PCP já demonstrou que não está nada interessado em sair da fortaleza; por sua vez, o Bloco cresceu à custa do PS e não chega para fazer maioria com ele; e o Livre, para meu desapontamento, foi um nado-morto político, não por inépcia própria mas pela lógica trituradora do voto útil e, por outro lado, pela magnífica campanha de Catarina Martins.
Perplexidade: a vitória folgada da PàF mostra como parte dos eleitores estão desejosos de ouvir mentirolas e deixarem-se atemorizar. Conhecendo os portugueses, não é de espantar;
Surpresa interessante: a eleição de um deputado do PAN. A ver se ali há alguma consistência ecológica e afim ou se se trata de mais um molho de tontinhos a desaparecer em próximas eleições.
E por falar em tontinhos e parentela, as alegrias da noite, que também as houve: a votação quase inexistente dos racistas e xenófobos, a irrelevância dos agires e dos pêdêerres, uns e outros amostras do populismo mais grosseiro. E a alegria maior: a perda de 700 mil votos pelo PSD e CDS, e com eles a da maioria absoluta. Mesmo assim, temo pela autofagia idiota do PS e que se deixe endrominar por Passos Coelho, essa raposa.
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sexta-feira, outubro 02, 2015
quinta-feira, outubro 01, 2015
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