terça-feira, abril 26, 2011

quarta-feira, abril 20, 2011

da necessidade de lucidez

Um post da Ana Paula Sena Belo suscitou-me este alinhavo:
Tenho por adquirido que quanto mais instáveis são os tempos, mais necessário se torna fazer uso da razão. A Europa, na década fatídica 1929-1939, deixou-se toldar pela irracionalidade. Mas houve povos (e líderes políticos cheios de defeitos) que se mantiveram razoáveis e lúcidos: os povos do Norte da Europa. E líderes:  de Churchill -- o homem certo na hora certa -- ao rei Haakon VII, da Noruega (ocupada pelos alemães), que ostentava à lapela a estrela de David, solidário com os seus concidadãos judeus. É evidente que também houve líderes do outro lado detentores de grande frieza (Stálin) e frio e competente discernimento (Salazar). Mas para estes não havia cidadãos, mas uma massa que era necessário enquadrar e tutelar.

uma tag para os Jethro Tull

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uma tag para Chet Baker

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terça-feira, abril 19, 2011

O Vale do Riff - Procol Harum, «Whaling Stories»

Dumbo

cartaz original, 1941
Dumbo, de 1941, um filme que é um louvor à amizade e um dos mais conseguidos, de quantos foram produzidos por Disney. O experimentalismo de «Fantasia» continua, designadamente na sequência da embriaguez do elefantinho e do rato Timóteo; a cena dos corvos, cheia de swing, é outro momento alto. A banda sonora é, globalmente, esplêndida.
Lembro-me de tê-lo visto no velho Cinema São José, em Cascais (999 lugares...).
Uma curiosidade: produzido em plena II Guerra Mundial -- de que surgem uns ecos quando Dumbo faz de avião de caça metralhando as elefantas cruéis --, quando chega a hora do triunfo dos Aliados, publica-se uma revista  em que as personagens da casa agitam bandeiras dos países vencedores. Ao Dumbo coube a da União Soviética, pela qual Walt Disney nutria enorme entusiasmo, como se sabe... (Será coincidência, mas «Dumbo» foi um filme que não lhe mereceu grande simpatia).

um tag para Kate Bush

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uma tag para osGenesis

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uma tag para Gerry Rafferty

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uma tag para Satchmo

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segunda-feira, abril 18, 2011

capismo

capa de Carlos Carmo para Suykim -- Oiro Propício, de Marques Gastão
edição do Autor, Lisboa, 1961

uma tag para Buddy Guy & não só

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2 tags para Clapton & Knopfler

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uma tag para os Beatles

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A UE gostaria de nos ver pelas costas, mas para desgraça dos finlandeses e outros alemães, a Europa sem nós não existe. Por muitas malfeitorias que nos façam, vão ter que nos gramar e pagar jantaradas a Passos Coelho e ao Alberto João. Eles, coitados, que se fartam de bulir naqueles climas de merda, pensam que estes dotes de saber receber, servir à mesa em inguelês fluente e comer-lhes as mulheres caiu do céu. Não!, são gerações e gerações de malandrice, de mandriice, de manha. Como dizia o Unamuno, eles que trabalhem, que nós, ibéricos, temos mais com que nos ocupar.

sábado, abril 16, 2011

Antologia Improvável #469 - Eduardo Sterzi

OUTRO TIGRE

Tigre, diamante vertebrado,
nenhuma jaula poderá 
reter, inflexível, a fria
fúria do teu olhar.

Nosso inútil terror de humanos
extraírá, do mundo em que vives,
a força líquida (flutíssona) de
músculos invisíveis.

Tigre, metáfora do tempo,
demônio cego da distância:
que ser, ferido de beleza,
te admira em segurança?

Na Viragem do Século - poesia de Invenção no Brasil
(edição de Frederico Barbosa e Claudio Daniel)

sexta-feira, abril 15, 2011

outros tons- Waldemar Bastos, «Velha Chica»

uma tag para os Dr. Feelgood

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uma tag para Cannonball

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uma tag para Tatum

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Fantasia

cartaz original, 1940
Prossigo com as longas-metragens produzidas por Walt Disney. 
Com «Fantasia», os estúdios atingiram os píncaros da animação, provavelmente porque não se trata propriamente um filme para crianças, mas antes um produto com uma boa dose de vanguardismo técnico e conceptual.  Do fragmento inicial, «Tocata e fuga» de Bach, prestando-se à coloração das grandes massas sonoras trazidas por Stokowski, ao segmento final, representando a oposição entre as trevas e a luz, a «Noite no Monte Calvo», de Mussorgski, e o «Ave Maria», de Schubert. Pelo meio, algumas coisas a reter, desde logo a aprição do próprio Mickey no «Aprendiz de Feiticeiro», de Paul Dukas. Disney continuava a ousar. E, em Portugal, por ocasião da sua estreia, pouco depois, Roberto Nobre e Fernando Lopes-Graça assinavam uma maravilhada crítica conjunta nas páginas da Seara Nova...

terça-feira, abril 12, 2011

a "cidadania"

O que seria engraçado, se não fosse trágico, é que os ingénuos da cidadania que andaram a aclamar a pureza do candidato Nobre, na verdade serviram de idiotas úteis, quer à estratégia do ressentimento anti-Alegre, quer, objectivamente, à rápida reeleição de Cavaco. Depois dos delírios das presidenciais embasbacam-se agora com as últimas novidades. Se o PSD ganhar as eleições, prevejo comédia na Assembleia da República.

Pinóquio

cartaz original, 1940
um salto em frente na técnica de animação, relativamente a «Branca de Neve»
o filme é verdadeiramente assustador para as crianças (a minha filha teve medo)
«When You Wish Upon A Star», cantada pelo Grilo Falante, tornou-se um standard (eu tenho duas versões: uma pelo Louis Armstrong, a outra do Jimmy Scott)

domingo, abril 10, 2011

Branca de Neve e os Se7e Anões

Revisitação dos clássicos com a minha filha mais nova.
O cartaz é o original.

sábado, abril 09, 2011

Ferro Rodrigues

Com Ferro Rodrigues como cabeça de lista por Lisboa, o meu voto no PS está praticamente garantido. E ainda nem consegui ouvir o discurso do Manuel Alegre...

O Vale do Riff - Pink Floyd, «Jugband Blues»

sabichão

Ena pá, ganda discurso do Sócrates! Se não me ponho a pau, ainda voto nele outra vez...

sexta-feira, abril 08, 2011

quinta-feira, abril 07, 2011

O Vale do Riff - Small Faces, «My Way Of Giving»

Antologia Improvável #468 - Nuno Rocha Morais

Invadiu-me um sensação de calma,
de tristeza e de fim.
VIRGINIA WOOLF

Ao teu lado, mudo.
Suponho que pousei a mão
No teu ombro, não sei,
Ausentes ambos,
Tu do ombro, eu da mão.
Lá fora, não muito longe
Do vidro, a manhã passa
E é calma, tristeza, fim.

Últimos Poemas / Resumo - A Poesia em 2009
(escolha de José Tolentino Mendonça)
imagem daqui.

terça-feira, abril 05, 2011

sabe-se que isto não será sempre assim / felizmente que não será sempre assim / felizmente que isto não será sempre assim

Antero Abreu

O Vale do Riff - Nazareth, «Teenage Nervous Breakdown»

segunda-feira, abril 04, 2011

quem começa assim...

Relido Os Cus de Judas 28 anos depois (!) da primeira vez.  Esta, por exemplo: «A mulher dos amendoins, a que faltava o cotovelo esquerdo, montava a sua indústria de alcofas nos baixos da nossa varanda, e narrava à minha avó, em discursos verticais, de baixo para cima, as bebedeiras do marido, através de cuja violência explodiam capítulos de Máximo Gorki da Editorial Minerva.»* Quem se estreava a escrever desta maneira teria, forçosamente, de marcar a paisagem literária nas décadas seguintes.

António Lobo Antunes, Os Cus de Judas, 9.ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1993, p. 13.

sábado, abril 02, 2011

Antologia Improvável #467 - Fernão da Silveira

DO COUDEL MOOR A HUA MOÇA Q LHE PEDYO HUS ÇOCOS & Q FOSSE BOM PAR DE LAUOR.

     Por ferdes milhor seruida,
poys a perna tendes groffa,
mãdayme vos a medyda,
eu farey todo o que poffa.

     E logo começareys
a medyr polo artelho,
& defy polo joelho,
& na coxa acabareys.
E tambem quantee cõprida,
& o pee quanto ter poffa
me amoftres a medyda
da perna galante voffa.

in Cancioneiro Geral
(Garcia de Resende)

quinta-feira, março 31, 2011

Strindberg: E o povo, pá?

Strindberg, que era louco mas não era parvo, num livrinho explosivo, breviário dirigido aos deserdados*, explicava as estratégias de controlo da classe dirigente sobre o rebanho que lhe sustentava os ócios. Perguntava e respondia:
«Que meios usa a classe dirigente para manter a classe baixa subjugada?
Mentiras, dolos, superstições, exércitos permanentes e prisões.
Mas às mentiras chama-se-lhe "verdades indiscutíveis", aos dolos "para bem do povo", às superstições "a voz de Deus", aos exércitos permanentes "para defesa da pátria", às prisões "instituições para reinserção social".

Escrito há mais de um século, felizmente já nada disto é assim: os mercados estão regulados, só os banqueiros ladrões é que vão para a prisão; os cidadãos são eleitos e governam o seu país; a tropa, depois de ter defendido a pátria na guerra de áfrica, reconverteu-se; e as corporações concorrem para o bem nacional.

* Breve Catequese para a Classe Oprimida, tradução de Alexandre Pastor, Lisboa, Ulmeiro, 2003, p. 14-15.

au contraire

o miserável bakchich dos jornalistas portugueses a Lula e a Dilma. Ninguém ensina maneiras a estes macacos, se não sabem ter pudor?

quarta-feira, março 30, 2011

terça-feira, março 29, 2011

Ana Hatherly

5 poemas, aqui.

facebook

Para que conste, estou no Facebook. Não porque tivesse muita vontade, mas por razões de índole profissional. Não percebo nada daquilo, a bem dizer, senão que é um fórum de tagarelice. Mas há coisas giras: reencontros com familiares e amigos de outros tempos, ou insurgências no mundo árabe.  Enfim, sendo um blogger, faço daquilo uma extensão deste e doutros blogues que vou mantendo. E exercito-me na legendagem de algumas imagens ou músicas que aqui postei. Não me parece que dê para muito mais. Mas que sei eu?...

domingo, março 27, 2011

Noite é luto / De que Deus cobre o mundo / Com dó de nós...
Maurício Gomes

sexta-feira, março 25, 2011

Antologia Improvável #466 - Marcelino dos Santos

A TERRA TREME

IV

A terra toda tremendo
na primeira explosão

os homens
sentindo o mundo fechar-se

correndo
buscando o sol

e não encontrando senão
a Companhia

corvo enorme lançando sua sombra

cobrindo o sol com suas asas

na voz repetindo

Continuem
É necessário continuar
É necessário
regressar ao fundo da mina

Depois

Outra explosão

Os homens correndo
a terra tremendo

Os homens caindo
nas galerias a desmoronar-se
os corpos torcendo-se
nos gases e nas pedras de carvão

esperanças
de um mundo onde viver
perdidas na poeira da mina

Homens morrendo

Homens negros

No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)

quarta-feira, março 23, 2011

A crise política VI

1. A III República está moribunda.
2. O sistema tem de ser refundado, com nova Constituição e reformulação do sistema político.
3. A política profissional tem de ser extinta.
4. A chefia do estado tem de ser repensada, entre um sistema presidencialista, que não nos levaria longe, e a figura simbólica de um pr designado pelo parlamento ou um rei constitucional, também ratificado pelo parlamento (a questão do regime é-me indiferente, desde que liberal e democrático).

A crise política V

1. Os principais partidos, PS e PSD, são hoje um problema para o país, um sindicato alargado de políticos profissionais.
2. Os CDS é um grémio dos grandes interesses (submarinos, sobreiros, etc.).
3. O PCP é um partido de funcionários que sonha com um país funcionarizado.
4. O BE tem uma cúpula de comunistas totalitários, trotskistas, stalinistas & afins, pastoreando um eleitorado inocente.

A crise política IV

1. Para que serve Cavaco? Até agora, para afrontar o governo legítimo e lançar o país na crise.
2. Repito: Sócrates não é inocente.

A crise política III

1. Passos Coelho não teve músculo nem nervo para aguentar a voragem dos companheiros.
2. O PSD não hesitou em atirar-nos para os braços do FMI.
3. Portas baba-se com a miragem do poder.
4. PCP e BE podem limpar as mãos à parede.

A crise política II

1. Sócrates não é inocente.
2. Graças à oposição, e ao PSD em particular, ficaremos sem saber se o governo conseguiria impedir o recurso ao pedido de auxílio exterior.

A crise política I

1. A crise política transcende a nossa pequena circunstância.
2. Depois de Portugal, a Espanha.
3. Vamos fritar enquanto um dos grandes países da UE, na mira dos mercados, não leve a que se arrume a casa.

terça-feira, março 22, 2011

O Vale do Riff - Simon and Garfunkel, «America»

leitura exigente

«[...] Atravessavam a mãe-do-rio. / E ali era a barriga faminta da cobra, comedora de gente; ali onde findavam o fôlego e a força dos cavalos aflitos. Com um rabejo, a corrente entornou a si o pessoal vivo, enrolou-o em suas rôscas, afundou, afogou e levou. Ainda houve um tumulto de braços, avêssos, homens e cavalgaduras se debatendo. Alguém gritou. Outros gritaram. Lá, acolá, devia haver terríveis cabeças humanas apontando da água, como repolhos de um canteiro, como môscas grudadas no papel-de-cola. A estibordo de Sete-de-Ouros, foi o berro convulso, aspirado, de uma pessoa repelida à tona, ainda pela primeira vez. Mas isso foi bem a uns dez metros, e cada qual cuidava de si.»*
João Guimarães Rosa não é um autor fácil, menos ainda para o leitor português. A minha experiência com ele é Sagarana (1946), uma 7.ª edição maravilhosamente ilustrada por Poty. Eu diria que Rosa é, não um escritor para escritores, mas um escritor para leitores exigentes e persistentes A dificuldade inicial torna-se, progressivamente, em encantamento, e a compensação da leitura é única.

* João Guimarães Rosa, «O burrinho pedrês», Sagarana, 7.ª edição, Rio de Janeiro, livraria José olympio Editora, 1965, pp. 66-67.

sábado, março 19, 2011

a "agressão" ao povo líbio e o vómito

Só peca por tardia a acção da comunidade internacional contra o inenarrável Kadafi. Apesar de ser um tirano sanguinário, uma espécie de Nero da Tripolitânia que ameaça despudoradamente o povo, vejo a gente de sempre com a lengalenga do costume: «agressão» ao povo líbio, mais a pata que os pôs. 
Não têm vergonha nenhuma, estas luminárias. Para eles, umas "verdades duras como punhos" (para usar do neo-realismo militante que tanto apreciam): Revolta de Kronstadt, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, NKVD, Stálin, KGB, Berlim 1953Budapeste 1956, Muro de Berlim, Primavera de Praga, Gulag...  

 Primeiro, falem disto, deste sol que os alumiou durante décadas, e condenem.  Caso contrário, poupem-nos ao vómito do vosso cinismo.
a máscara exemplar de um tirano

quinta-feira, março 17, 2011

porque sim

Lisa Ekdhal

Itália, 150 anos de expressão política

Os 150 anos da Itália comemoram-se aqui. Do estado italiano (tenho algures uma foto junto a um monumento a Cavour, em Conegliano, aí ao lado...). Porque, a Itália não era só a "expressão geográfica" com que a tentava menosprezar Metternich; é uma expressão civilizacional secular, desde o Renascimento; ou milenar, desde Roma.  Meravilgiosa! Um abraço especial ao  Domenico!

quarta-feira, março 16, 2011

O Vale do Riff - Chick Corea, «Armando's Rhumba»

caderninho - eu gosto é do "maroto"

O Bourbon e Meneses, que, apesar do apelido aristocrático, era republicano e socialista, num livrinho de anexins que fez publicar*, saiu-se com esta:
« [...] Dum conhecido figurão apetece-me sentenciar: [...] -- É tão escrupuloso, tão escrupuloso, tão escrupuloso, que não pode deixar de ser um grande maroto.»
Lembra-me aquelas beatas, sempre com o padre nosso na boca e a cabeça a pecar. Ou os que não precisam de nascer duas vezes.

* Novos Solilóquios Espirituais, Lisboa, edição do Autor, 1928, p. 8.

boas maneiras

Eric Dolphy

domingo, março 13, 2011

pior que o meu estado de saúde / é a corrupção nas altas esferas
Fernando Assis Pacheco

Fernando Grade

5 poemas, aqui.

sábado, março 12, 2011

O Vale do Riff - Simple Minds, «Once Upon a time»

Geração à Rasca - o melhor está aqui

Aqueles que se vão manifestar hoje são os melhores da sua geração. Têm opiniões e não se resignam. Os que ficam em casa são de duas qualidades: uns, patetas e fúteis, nem têm noção do mundo por que passeiam a inanidade das suas existências; outros, os piores, são os espertalhões, os prudentes sem convicções, os arranjistas de toda a sorte, os sobreviventes, o barro de que se faz este lodo.

sexta-feira, março 11, 2011

genealogia (5)

há partículas do meu sangue vindas do outro lado do estreito de
                                                                                        [tariq
guerreiros de alfange à cinta tomaram muralhas
desbarataram o rei rodrigo
e guerrearam-se entre si

sangue quente em terra quente
useiro e vezeiro no trabalho violento do gado
manadas conduzidas por léguas e léguas além tejo oeste e volta
noites dormidas onde calhava
ao relento e ao luar
noites transfiguradas pela geometria fractal dos corpos celestes

este meu sangue da barbaria
alento de macho cobridor sem maldade ou pudor
de fácil turvação à vertigem de uns olhos rasgados em tez morena
sangue berbere espalhado sem ida nem volta pelas margens
                                                               [de aquém tejo

quarta-feira, março 09, 2011

boas maneiras


Creedence Clearwater Revival
foto: Basul Parik

terça-feira, março 08, 2011

Zé Colmeia

O Zé Colmeia é talvez a personagem mais antiga dos quadradinhos e da tv de que me recordo. Guardo ainda um livrinho, entretanto sem capa, duma colecção que trazia "desenhos animados" no canto superior direito. Hoje fui ver o filme em 3D com a minha filha mais nova. Adormeci nas duas partes, mas deu para ver que funciona para o público infantil. O meu Zé Colmeia, porém, será sempre o das curtas metragens da dupla Hanna-Barbera.


O Vale do Riff - Barney Kessel, «The Shadow Of Your Smile»

segunda-feira, março 07, 2011

Eu canto porque o instante existe
Cecília Meireles

sábado, março 05, 2011

caderninho - da calúnia

Escreve Emílio Costa*: «A quem nunca foi caluniado nem difamado, falta um elemento de muito valor para conhecer o mundo.»
Dizem que só se calunia e difama quem tem algum valor. Porque pode fazer sombra, porque a insegurança de quem calunia acusa a real ou suposta importância daquele que se torna alvo, etc., etc.
Eu, que sei já ter sido caluniado pelas costas, raramente peço explicações àqueles que não têm coragem de afirmar de caras o que insidiam às esconsas. Por algumas razões: em primeiro lugar porque não tenho grandes medos, nem de hipotéticos telhados de vidro -- lido bem com as minhas fraquezas. Não ter medo(s) é óptimo para ultrapassar as rasteirazinhas que nos vão fazendo. Depois, julgo ter um sentido crítico que relativiza o que não é importante e, principalmente, quem não é importante. Gasta-se boa parte do tempo a tropeçar em gente que não interessa, isto é: gente desinteressante. Por último, tenho cara de poucos amigos, quando quero. Há quem pense duas vezes antes de me aborrecer. Claro que preferiria que esse expediente estivesse ausente das relações humanas, menos por mim do que por aqueles que se degradam em praticá-lo.

* Filosofia Caseira, Lisboa, Seara nova, 1947, p. 157.

acordes nocturnos

sexta-feira, março 04, 2011

quinta-feira, março 03, 2011

quarta-feira, março 02, 2011

O Vale do Riff - King Crimson, «Elektrik»

Antologia Improvável #465 - Carlos Ávila

TÚMULO AO POETA DESCONHECIDO

uma brochura
que mal se sustenta de pé
na biblioteca pública
de uma cidadezinha qualquer

as páginas amareladas
de uma antologia
com trezentos e tantos
tantos tantos "poetas"

um título
perdido
(muito cedo, muito cedo)
nas prateleiras de um sebo

apenas um nome
(nowhere man)
na babilônica
lista telefônica

numa obscura
repartição pública
(beneficência da língua portuguesa)
sem cura

um bardo bêbado
no fundo do bar
olhando pro nada
e pensando que é o mar

no tumulto da vida -- o túmulo
requiescat in pace
& não volte jamais

Na Virada do Século - Posei de Invenção no Brasil
(Claudio Daniel e Federico Barbosa)