sexta-feira, junho 12, 2026

o que está a acontecer

«o ruído das batidas na porta vinha macio, aconchegava-se despojado de sentido, o floco de paina insinuava-se entre as curvas sinuosas da orelha onde por instantes adormecia; e o ruído se repetindo, sempre macio e manso, não me perturbava a doce embriaguez, nem a minha sonolência, nem o disperso e esparso torvelinho sem acolhimento;» Raduan Nassar, Lavoura Arcaica (1975)

«"Hum", fez Mister DeLuxe. "Há muito mais", disse Austin, "havia um amigo da família que tinha o Rato Mickey tatuado no peito e que pedia ao rapaz para bater com força na tatuagem, bate com força, com mais força, agora uma esquerda, agora uma direita, mete um crochet, mete um uppercut".»  Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)

«Mas no fim do século sétimo eram já bem raros aqueles em quem as tradições da cultura romana não haviam subjugado os instintos generosos da barbaria germânica e a quem o cristianismo fazia ainda escutar o seu verbo íntimo, esquecido no meio do luxo profano do clero e da pompa insensata do culto exterior.» Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«Storck, com o tácito acordo de Carolina Michaëlis, expunge as Obras Camonianas desta 'Elegia de Sexta-Feira de Endoenças'. Coligida no Cancioneiro de Luís Franco, não traz nome de autor. Há a considerar ainda que o dignitário eclesiástico inominado, a quem a poesia foi consagrada, de sorte é Fr. Bento Camões se se tiver em vista que, podendo 'a posteriori' ser-lhe endereçada a primeira estrofe: 'A ti, senhor, a quem as sacras musas', não convêm outras da invocação como: 'divino almo pastor', 'Délio dourado'... 'almo Timbreu'..., etc., etc.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)