segunda-feira, junho 22, 2026

o que está a acontecer

«É uma bonita menina, para quem gosta dum rosto oval, olhos azuis, leite e rosas na face, lábios acerejados e pequenos, dentes como pérolas, olhar alegre e penetrante. Conversa com o papagaio, e o metal da sua voz tem aquele timbre sonoro e puro que nos faz jurar na beleza de quem fala, sem lhe vermos as feições.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854) 

«Uma longa paz com as outras nações tinha convertido a antiga energia dos Godos em alimento das dissensões intestinas, e a guerra civil, gastando essa energia, havia posto em lugar dela o hábito das traições covardes, das vinganças mesquinhas, dos enredos infames e das abjecções ambiciosas.» Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

«Também são chegados os outros companheiros: o sino dá o último rebate. Partimos. / Numa regata  de vapores, o nosso barco não ganhava decerto o prémio. E se, no andar do progresso, se chegarem a instituir alguns ístmicos ou olímpicos para este género de carreiras -- e se para elas houver algum Píndaro ansioso de correr, em estrofes e antístrofes, atrás do vencedor que vai coroar de seus hinos imortais --, não cabe nem um triste minguado epodo a este cansado corredor de Vila Nova. »  Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«Nestes dois Colégios, que ficaram a fazer de estabelecimentos de acesso às Faculdades propriamente ditas, digamos, onde se ministrava o ensino secundário, estudava-se a gramática, o grego, o hebraico e o latim. Segundo Teófilo, o aprendizado do grego e do latim tinha sido levado tão longe que se serviam de tais línguas. Os alunos não só falavam entre si nas sabatinas e nos refeitórios como nas teatradas e recreios. Dessa facúndia derivou o calão escolar: 'ver-te grego, isto para mim é grego', demonstrativo do gosto com que aprendiam as línguas que os aedos modulavam ao som de suas cítaras a celebrar Vénus, e em que os tribunos do povo proferiam suas invocações de guerra aos deuses imortais, protectores do Império. Já não era daquela opinião o marquês de Valença, nos 'Apontamentos para a educação de um menino nobre':Terrível cousa é o estudo da língua latina, se não se pode aprender sem golpes, ensinando-se as vulgares sem castigo, sem o qual aprendem quase todos a debuxar, dançar, esgrimir e montar a cavalo, fazendo gosto de se aplicar a estes exercícios.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)