terça-feira, junho 04, 2024

caracteres móveis VI - O BARÃO DE LAVOS

I «Naquela noite de Março, desabrida e húmida, uma grande animação fervilhava alacremente ao fundo da rua do Salitre. Era em 1867. Frente a frente, as Variedades e o Circo Price alinhavam os seus bicos de gás festeiros, a que as vergastadas do noroeste impunham um tremelilhar inquieto.» Abel Botelho, O Barão de Lavos (1891) 

«Tinham dado onze horas no "cuco" da sala de jantar. Jorge fechou o volume de Luiz Figuier que estivera folheando devagar, estirado na velha voltaire de marroquim escuro, espreguiçou-se, bocejou e disse: / - Tu não te vais vestir, Luísa? / - Logo.» Eça de Queirós, O Primo Basílio (1878) 

I «Em 1815, um dos mais abastados mercadores de panos da Rua das Flores, na cidade do Porto, era o Sr. António José da Silva.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«Pode concluir-se, portanto, com segurança, não ser ponto de fé que, para poder exibir uma boa cultura, tivesse Luís de Camões de frequentar a Universidade de Coimbra, no geral seminário de nobres e pupilos dos jesuítas, onde só não eram raros os filhos dos burgueses e ricos-homens das Beiras e filhos de moços da Casa Real que se destinassem à vida eclesiástica. Os morgados, ciosos da sua ignorância, e os plebeus, inibidos por sua própria condição, é que não iam para lá. A cultura começou ao desabrochar, contra a índole, por não ser democrática.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões-Fabuloso*Verdadeiro. "Introdução". Ensaio (1950)