quinta-feira, março 31, 2022

playlist: «Nothing Touches Me»

da falta de interesse (ucranianas LVII)

Como é possível sentir uma migalha de interesse ou paciência por porcariazinhas quando se desenrola uma guerra à porta entre os Estados Unidos e a Rússia, cujo desfecho ainda ninguém sabe qual é?

Eu bem sei que a maralha já começou a fartar-se, já tem a sua dosezinha de emoção piedosa em excesso, já anda a precisar de novas emoções fortes, que o estalo do outro gajo ao não sei quantos apenas deu para desopilar em riso alarve. 

Futebóis? Eu nem sequer quis ver o jogo com a Macedónia, o que teria feito com gosto noutras circunstâncias, mesmo já nem podendo ouvir ou ver pela frente Fernando Santos mais a Nossa Senhora...

E estas merdices à volta do governo e de Costa na Europa?; e o medrar do Santos Silva?... Mas há paciência para isto?

Como não sou um Herculano, não posso ir para Vale de Lobos; mas francamente só me apetece música e leitura, e seguir a progressão da guerra, esperando que os patifes dos americanos não levem a melhor. 

Felizmente, a Rússia tem armas nucleares, senão, quantos iraques não seriam, com esta canalha, mais cães e papagaios...

ucranianas

sobre a guerra, os que oiço ou leio com atenção (ucranianas LVI)

 Susceptível de actualização ou correcção, os comentadores que vale a pena ouvir -- mesmo alguns mais alinhados com a Nato, ou mais anti-russos -- porque informados -- e inteligentemente prudentes:

militares: Agostinho Costa, Arnaut Moreira, Carlos Branco, Mendes Dias, Raul Cunha.

académicos: Filipe Vasconcelos Romão, Miguel Monjardino, Sónia Sénica.

jornalistas: Ana de Freitas (pivô incomparável da SIC); José Manuel Rosendo (RTP).

ucranianas


quarta-feira, março 30, 2022

playlist: «Icarus II»

"a sombra do Z", ou Zorglub satisfeito, o Zorro, nem por isso e em defesa do Ziraldo (ucranianas LVI)

Das inúmeras parvoíces do momento a propósito da guerra entre a Rússia e os Estados Unidos na Ucrânia, a última curiosidade é a proibição do Z. Embora pareça que a letra é uma mera identificação dos veículos de um dos vários exércitos que a Rússia tem no seu território continental, é inegável que a pobre letra acabou por ganhar uma conotação de nacionalismo agressivo, sempre indesejável -- como dizia com razão o velhaco do Mitterand, "o nacionalismo é a guerra"; e ainda ontem, o investido Santos Silva usou a palavra "medra" para se lhe referir, ao ver os aliados do Chega na questão ucraniana com máscaras de nacionalismo com catarro. 

Eu, que sou um homem dos quadradinhos, tive de resignar-me ao triunfo de Zorglub, lamentar o Zorro. Mas, e se cancelam o grande Ziraldo (Alves Pinto)?





terça-feira, março 29, 2022

"Leitor de BD"


Hermann & Yves H., Duke -- Pistoleiro É o que Serás

 

playlist: «Courting the Widow»

quadrinhos



 

segunda-feira, março 28, 2022

playlist: «Ad Astra»

os cartoonistas percebem melhor (ucranianas LV)

1. Nesta altura do campeonato, até os distraídos já perceberam a guerra entre os Estados Unidos e a Rússia. Claro que nem todos. Este fim-de-semana, uma jornalista do "internacional", Márcia Rodrigues (RTP), perguntava a um pacífico comentador como explicava ele a "capitulação" do exército da Rússia -- "capitulação", o que somos obrigados a ouvir; na sic, um Henrique Burnay (creio que é este o nome) dizia que a Ucrânia fizera uma "opção pelas democracias" e que os russos não gostaram. Assim, com esta candidez. Já o sempre atento Bernardo Pires de Lima, na Antena 1, depois de muito instado a responder se não havia aqui também uma luta em torno dos recursos, como o gás natural, lá teve de dizer: "Mas sempre houve!" Ah... Afinal, a muito custo, pese embora os militares, em geral, que têm demonstrado e problematizado o conflito num grau de complexidade que não se compadece com "análises" saloias à Milhazes, lá vão lentamente admitindo que o choque que aqui se dá é entre dois imperialismos, um na defensiva (a Rússia) outro ao ataque (os Estados Unidos). É muito complicado, não é?, tudo ao contrário do que parece: a Rússia ataca, e está na defensiva... Esoterismos... Por isso tem sido tão fácil enganar as pessoas.

2. o cartoon de Thais Linhares (daqui)


 

quadrinhos



 

domingo, março 27, 2022

sexta-feira, março 25, 2022

playlist: «Nilamayé»

quem está a ganhar e a perder nesta guerra entre a Rússia e os Estados Unidos (ucranianas LIV)

1. A ganhar

a) Ao fim de um mês de guerra, e alguns anos de preparação para ela, os Estados Unidos ganham em toda a linha. Enfraquecem a Rússia e reforçam o poderio económico e militar. Preparam-se para fornecer gás à Europa, e em especial rebentam com o famoso Nord Stream 2, como era seu objectivo. A NATO ganha um propósito estratégico, que havia terminado com a Guerra Fria, um maná para a indústria armamentista, não apenas americana. Se a Rússia colapsar, a sua vitória será total, podendo, a seguir, ir tratar da vida aos chineses. 

b) Ganha uma identidade nacional a Ucrânia, ao alto preço que elas comportam. A identidade nacional portuguesa foi adquirida através da guerra, do antagonismo com o leonês, o castelhano, o "espanhol" (não há espanhóis); quando veio o francês, ela era já velha de séculos.

c) Reforça-se uma coesão, que será sempre precária, a da União Europeia, por maus motivos.

d) A Turquia, em toda a linha: diplomática e estratègicamente, de mãos livres no Curdistão, em relação aos quais, curdos, sírios, etc., não houve carinhas com as cores da pátria pintadas e lágrima fácil.

2. A perder

a) A Ucrânia, em parte dizimada, vamos ver até onde quando; o povo ucraniano, sacrificado pela geopolítica e por lideranças abaixo de cão.

b) A Rússia, não tanto para já com as célebres sanções, como pelo triunfo esmagador da propaganda anti-russa que veio a ser delineada desde que perceberam que o Putin não era o boneco que os Estados Unidos gostariam que fosse; mas também pelo evidente retrocesso (esperemos que transitório) da liberdade na Rússia, algo que os russos só conheceram, ainda que imperfeitamente, com o mesmo negregado Putin. Liberdade e prosperidade geral como nunca acontecera até então. No entanto, a não ser que haja um colapso ou um golpe de estado, a Rússia terá sempre uma semi-vitória: a neutralização da Ucrânia como base para os americanos. Outra possibilidade ainda, desde o início, é a partilha da Ucrânia. Já faltou mais. Basta não haver um debâcle russa. Por outro lado, o recuo da liberdade e o reforço do poder do líder, se não for invertido no pós-crise (e normalmente não o é), será uma derrota para a sociedade civil russa, que é o que mais interessa, e não tanto a reactivação do Mcdonald's. (Em tempo: o reforço da Nato, uma óbvia derrota, se não foi antecipado.)

c) Os países fronteiriços: muito nervosos os estados bálticos e a Polónia, compreensivelmente, embora desnorteados, tal como Zelensky a pretenderem arrastar o mundo para uma guerra (se alguém acha que a guerra ficará pela Europa, é um optimista doente).

d) Nós todos, cidadãos europeus e não só, manipulados como bonecos e intoxicados por propaganda insidiosa.

ucranianas

quinta-feira, março 24, 2022

playlist: «Innocent Travels»

quadrinhos



 

há 48 anos que ouço o Sérgio Godinho

 Fui vê-lo e ouvi-lo outra vez, e está esplêndido aos 76 anos (e meio) rodeado de músicos fresquíssimos, idem para os convidados. Apetece dizer que está cada vez melhor. Emocionei-me.