terça-feira, outubro 13, 2026

o que está a acontecer

«Sem saber porquê, achou aquelas pedras, com que mãos escravas haviam calçado a rua, de uma beleza comovente. E achou belos também os telhados negros e os sinos das igrejas que começaram a tocar chamando a cidade religiosa para a bênção.» Jorge Amado, Terras do Sem Fim (1943)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«O que se nos afigura arbitrário de todo é que se tome para alicerce da vida de Camões, como todas as vidas, cadeia lógica de actos irreflectidos, discricionários, ilógicos, um solo tão inconsistente. Decerto que o homem e o nosso processo civilizador têm no espírito de imitação o seu artífice principal. Sabemos também que o "Secretário dos Amantes" pode servir como forma de expressão ao amor mais real. Ensina-no-la Stendhal no "Le Rouge et le Noir", quando Juliano se serve do mesmo epistolário para seduzir a filha do Sr. de La Mole.
No entanto, debaixo do ponto de vista informativo, a atitude aconselhável nestes casos é a da reserva. Debaixo do aspecto literário, o difícil em verso, consoante o conceito de escola, não é a invenção, mas a rima, o ritmo, a cadência, e isso de intraduzível, de imponderável, de divino, que desce da fronte dos poetas, como a pomba do Espírito Santo, e se chama estro. Por isso mesmo, os livros de bons versos são intraduzíveis, e quando algum poeta traduz outro pode dizer-se que faz coisa sua, ou muito aproximadamente sua.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)