segunda-feira, dezembro 07, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (9)
Kynodontas, de Yorgos Lanthimos, Grécia, 2009 («Em comprtição»). Venceu o Festival. Uma família, pais e três filhos adolescentes. Estes nunca saem de casa, não têm qualquer contacto com a realidade, por tal forma que esta é manipulada pelo pai, o que cria situações hilariantes. O filme ganha pelo absurdo e perde pelo caricatural. Não seria a minha escolha.Livros. Comprei dois, na banca da fnac. A saber: Notas sobre o Cinematógrafo, de Robert Bresson (Elementos Sudoeste); e As Lições do Cinema, de João Mário Grilo (Edições Colibri / FCSH da UNL).
Moon, de Duncan Jones, Reino Unido, 2009 («Em competição»). Um filme extraordinário, para mim, que nem sou grande apreciador de ficção científica, um dos melhores a concurso. O protagonista, o austronauta Sam Bell (grande desempenho de Sam Rockwell), é o único trabalhador duma estação lunar, tendo por companhia Gerty, um sagacíssimo robot para (quase) todo o serviço. Quando Sam sai em missão exterior,depara-se com um acidente na central extractiva do minério selenita de que a Terra necessita -- razão da sua presença aí. Estranho acidente: o astronauta avista nada mais nada menos do que o seu próprio cadáver. A saber: aquele que julgava ser o astronauta Sam Rockwell é, na verdade, um clone deste. O futuro é já aqui, quando todas as interrogações se levantam. Uma curiosidade: Duncan Jones é filho de David Bowie. domingo, dezembro 06, 2009
sábado, dezembro 05, 2009
ouvir um anjo
Michelle Bachelet, a extraordinária presidente do Chile nos funerais de Estado de Victor Jara -- o cantautor torturado e assassinado pelos esbirros do infame Pinochet, cinco dias depois do golpe de 11 de Setembro de 1973.
Yo no canto por cantar / ni por tener buena voz/ canto porque la guitarra / tiene sentido y razon
sexta-feira, dezembro 04, 2009
figuras de estilo - Oliveira Martins
quinta-feira, dezembro 03, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (8)
The Girlfriend Experience, de Steven Soderbergh, EUA, 2009 («Fora de competição»). Já vi melhor Soderbergh -- desde logo o inicial «Sexo, Mentiras e Vídeo». Outra vez a história batida da prostituta de luxo com uma relação estável, mas não imune às provações que a profissão acarreta à vida do casal. Filmado com mestria, com ritmo narrativo, música a ajudar. O grande interesse do filme estava todavia em Sasha Grey*.
Grey, Sasha -- «a rapariga mais badalhoca do mundo», segundo a Rolling Stone. Uma actriz porno da nova geração (tem 21 anos), que faz em «The Girlfriend Experience»* o papel angelical duma prostituta de luxo bem casadinha. Sem ser impressionante, desembrulhou-se convenientemente. Ela esteve no Centro de Congressos do Estoril, e impressionou-me o discurso bem articulado e as ideias assentes sobre o que quer para si. Nada que eu estivesse à espera que pudesse sair das bandas do Vale de São Fernando. Por alguma razão Soderbergh foi ter com ela.agradecia
Se me derem uma alternativa à decisão tomada por Obama de enviar mais tropas para o Afeganistão, para tentar sair de lá o mais rápido possível, agradeço.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
caderninho
Quão insignificante e limitado é o intelecto humano normal, e quão pouca lucidez existe na consciência humana, é algo que pode ser avaliado pelo facto de, apesar da brevidade efémera da vida humana, da incerteza da nossa existência e dos inúmeros enigmas que nos pressionam por todos os lados, nem toda a gente se dedica contínua e incessantemente a filosofar, coisa que apenas as mais raras excepções fazem. Os restantes vivem a sua vida neste sonho, de uma forma não muito diferente da dos animais, dos quais, no final, apenas se distinguem pela sua capacidade de viver alguns anos mais. Se alguma vez chegaram a sentir alguma necessidade metafísica, as diversas religiões ocupam-se dela, de cima e antecipadamente.; e estas, sejam elas quais forem, bastam-lhes. Arthur Schopenhauer«Aforismos», de Parerga e Paralipomena (tradução de Alexandra Tavares)
terça-feira, dezembro 01, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (7)
Fast Company, de David Cronenberg, Canadá, 1979 («David Cronenberg Retrospectiva»). Se eu não soubesse, e me dissessem que o filme era do Cronenberg, eu iria ali e já voltaria... O mundo louco e perigoso das corridas de dragsters, uns carros insanos que eu tinha na minha colecção da Matchbox + miúdas boazudas, estão a ver? Mas fascínio pelas máquinas e pelo insólito d(n)elas, está lá.
Flickan, de Fredrik Edfeldt, Suécia, 2009 («Em competição»). Uma rapariga (flickan) de dez anos é deixada nas mãos de uma tia tonta e irresponsável porque os paizinhos vão ajudar em África, na cooperação. A tonta da tia pisga-se com um namorado e a miúda fica entregue a si própria, uma casa vazia no campo, mas vizinhança não hostil. É um filme melancólico, de grande intensidade poética. A pequena actriz é luminosa, duma beleza de retábulo flamengo. A música e a fotografia são esplêndidas. Por mim, era um dos que podia ter ganho a competição; obteve uma menção especial do júri.
Felicia Inaiante de Toate, de Melissa De Raaf e Razvan Radulescu, Roménia, Bélgica, França, Croácia, 2009 («Em competição»). «Felícia, antes de tudo». Antes de mais, uma actriz fantástica: Ozana Oancea no papel da filha solícita e responsável, a viver na Holanda, no período de férias anuais de visita à família, que cria dependência dela -- mais emocional que material -- sufocando-a com as suas exigências. Insuperável está a mãe, autêntico pain-in-the-ass, interpretada brilhantemente por Ileana Cernat. Recebeu o «Prémio Cineuropa».domingo, novembro 29, 2009
Antologia Improvável #410 - Antero Abreu
UMA CANÇÃO DA PRIMAVERA
Nesta flor sem fruto que aspiramos
Eu vejo coisas que ninguém descobre:
Descubro o grão, o caule, os ramos,
E até o sulfato de cobre.
E ainda vejo o que ninguém mais vê:
Vejo a flor a desenhar-se em fruto.
E quer ela o dê, quer não dê,
É esse o fim por que luto.
Coimbra, 24.XI.949
No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)
Nesta flor sem fruto que aspiramos
Eu vejo coisas que ninguém descobre:
Descubro o grão, o caule, os ramos,
E até o sulfato de cobre.
E ainda vejo o que ninguém mais vê:
Vejo a flor a desenhar-se em fruto.
E quer ela o dê, quer não dê,
É esse o fim por que luto.
Coimbra, 24.XI.949
No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)
sexta-feira, novembro 27, 2009
O meu Estoril Film Festival -- de A a T (6)
Estoril - Sucede que é a minha terra. Só não nasci lá, porque no meu tempo as mães já pariam nas maternidades. É o meu Estoril e já é outro. Sou agarrado ao tempo. Vivi dos melhores e dos piores anos da minha vida por baixo dumas telhas que espreitam a fotografia. E a vista ainda era melhor: baía de Cascais e casario do Monte Estoril. Privilégios.
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