segunda-feira, julho 27, 2020

delinquente, celerado e assassino -- o racismo é só mais um pormenor

Ainda não é desta que altero a minha percepção sobre a existência de um problema de racismo na sociedade, que não localizado. Por um motivo fútil -- uma discussão por causa de um cão -- um energúmeno octogenário baleou um cidadão negro, o actor Bruno Candé Marques, 39 anos, pai de três filhos menores.

Quem é esta criatura?  Que é um assassino, está fora de dúvida, pois abateu um homem com vários tiros à queima-roupa;
É também, muito provavelmente, um delinquente: a arma do crime não só era ilegal, como pertencia a um armeiro de uma força policial, dada como roubada. Portanto: notórias ligações ao mundo do crime.
Em terceiro lugar, será um dos milhares que vieram com os miolos rebentados da Guerra Colonial, um dos que, provavelmente se fartou de "matar pretos", conforme se vangloriou.

O quadro descrito revela uma criatura atípica: um criminoso que ontem lançou a última dejecção na sua infeliz passagem por este mundo. Irá apodrecer na cadeia, e justamente.

O que representa então este velho assassino? O lúmpen social, que se manifesta através dos baixos instintos e ressentimentos. Tipifica a sociedade portuguesa? Creio que não, espero que não, acredito que não -- ou este país ainda é pior do que pensava. Pelo contrário: as imagens que vi publicadas no sítio do Jornal de Notícias, mostrar o criminoso manietado pela população, gente de várias cores.


Chateia-me por isso que pessoas como Joacine Katar Moreira (em quem votei para deputada e de cujo voto ainda não me arrependi, pese o episódio com o Livre, do qual não foi a única responsável) ou o activista Mamadou Ba, cujo abaixo-assinado de solidariedade subscrevi e voltaria a subscrever, quando ameaçado por energúmenos do pnr, chateia-me que sejam tão lestos neste agitar de espantalhos, bem identificados e caracterizados; até porque não quero entrar por caminhos em que poderia chegar à conclusão que estes e outros procurem notoriedade fácil, e as vantagens que daí advêm, através de uma militância que, necessária, deve ser também criteriosa.

Por outro lado: ainda estou à espera de ver até quando a retórica xenófoba espertalhona estará para durar, sob a passividade do poder judicial. 

um parágrafo de Coelho Neto

«E não é só o homem que dorme no leito antigo, largo e raso, de colunas torcidas, com flores e folhagens clássicas, forrado de alvos lençóis, que trescalam como moutas de ervas de cheiro ou na palha seca e crepitante, entre os milhos, com o cão aos pés e os grilos cantando perto; é o gado forte e é a ovelha mansa, é a ave meiga, é a mesma árvore, é a mesma água, é a mesma estrela, é o mesmo luar porque, se a água murmura e se as folhas sussurram, bem se pode dizer que são vozes do sonho das coisas. Velam apenas o caboré piando no tronco ou cruzando os ermos e as feras bravas que descem para velar, ou a farandulagem que assalta galinheiros ou outros sítios de maior recato e perigo.»

A Capital Federal (1893)

sábado, julho 25, 2020

um parágrafo de Eça de Queirós

«Deu outro puxão às calças, e foi colocar, com prudência, a chapeleira de papelão ao lado dum saco de tapete. Artur olhava-lhe o dorso crasso, curvado sobre a bagagem, as nádegas de obeso sobre que estalava uma calça cor de avelã; e pensava, com desconsolação, que era aquela criatura que tinha dinheiro, que ia para Lisboa, -- o Joãozinho Mendes, de Ovar, a quem chamavam em Coimbra, o Chouriço, e incapaz de compreender um livro, ou mesmo um dito!...»
A Capital! (c. 1875; póstumo, 1925)

sexta-feira, julho 24, 2020

quinta-feira, julho 23, 2020

a Amália está cá sempre

100 anos de Amália Rodrigues, diva absoluta do fado português ...

Admirável, única, quanto mais o tempo passa mais ela se agiganta.
Como todos os grandes, sofreu a baixeza dos pequenos; não vale a pena levantar o lixo.
Não sei se lhes perdoou, mas tinha magnificência para tal.
Sobre o tanto ou tão pouco que eu pudesse escrever sobre ela, tudo seria irrelevante.
Autoconsolação: creio que foi depois de ler o esplêndido adeusamália, de Manuel da Silva Ramos,
que me ocorreu isto, que já li também no último JL:
Amália só cantava assim porque tinha nela a Beira Baixa
e a Beira Baixa, musicalmente, é um mundo à parte.

quarta-feira, julho 22, 2020

um parágrafo de Tomás Ribeiro Colaço

«Dias sem conta, Antero releu gulosamente as próprias palavras que, assim compostas noutro jornal, com outro tipo, assumiam novo sabor. Andava ufano. Aquilo estava bem! Ter a coragem de chamar aos Lusíadas com tão firme poder de síntese anacrónica o cartaz luminoso das Descobertas; escrever com tão valente garotice que Luís de Camões previu muito, sabia ver e prever, tinha o olho da previdência; definir com tamanha arte de crítica sintética, o poema épico, concurso hípico das Musas; conceder, com tão bizarra ironia: -- eu admiro ainda assim um Luís de Camões; cuidou muito bem do seu reclame; era um Luís de oiro, do oiro das Descobertas, oiro sem liga, como uma perna nua..." -- Caramba! Aquilo sim que era novo. Era coisa que vinha de algures denunciando Alguém. Antero Chumbo tinha uma obra, em marcha.»
A Calçada da Glória (1947)

criadores & criatura

fonte

Turk, DeGroot e Léonard

foten

terça-feira, julho 21, 2020

«Leitor de BD»

Max, Manifestamente Anormal

quarta-feira, julho 15, 2020

«The State I Am In»

«Leitor de BD»


Logo Jornal i
Luís Avelar e Pedro Massano, A Lei do Trabuco e do Punhal

terça-feira, julho 14, 2020

domingo, julho 12, 2020

estampa CDII - Carlos Bonvalot


O Mestre (1914)

sexta-feira, julho 10, 2020

quinta-feira, julho 09, 2020

o caso Rita Rato, desconfianças e bocas da reacção

Chamam-me a atenção para o bruaá no Facebook sobre a nomeação de Rita Rato para directora do Museu do Aljube. Não me apetece nada andar ao tiro ao comunista, quando há anos que apanhamos com a tralha neoliberal e assistimos aos fascistas de ocasião (ou seja, aqueles que se prestam a tudo o que o lumpen cívico quiser), bolsarem para o meio da rua.

Depois do "museu das descobertas" -- não há descobertas mas, em bom português, Descobrimentos, e com maiúscula e que devem ser celebrados criticamente, apesar dos analfabetos da margem esquerda --, depois do propalado museu que, com a cagunfa do costume, já deve estar, com a viola no saco e metido na gaveta --; depois da gritaria com o Museu Salazar ou Centro Interpretativo, projecto liderado por historiadores à prova de bala, que deu brado porque a História é um pormenor para uma determinada concepção política do mundo, incluindo os que se dizem historiadores; agora, o Museu do Aljube.

Independentemente do benefício da dúvida que darei à senhora quanto à sua honestidade intelectual -- parece que não sabia bem o que fosse o gulag, etc. -- e esperando, igualmente que, quanto à Resistência ao Salazar, não se fique pelos camaradas e o frete, noblesse oblige, à tralha republicana (e à gente boa também, Seareiros à cabeça), não se esqueça da Resistência dos anarquistas (é verdade, vai hoje na RTP2 um documentário sobre o Emídio Santana…), dos católicos progressistas e até dos monárquicos.
Considero o PCP, dos grandes e médios partidos, o único consistente e politicamente sério; o resto, do Bloco ao CDS, é a pastelaria do costume. Mas a seriedade do PCP no que respeita à História, dispenso-a eu bem. Tenho exemplos para a troca, caso seja preciso, todos nacionais.
Desejo a Rita Rato o maior sucesso. É claro que não precisa de ser historiadora para dirigir o Museu (e ser militante do PCP não é cadastro, antes pelo contrário), precisa tão-só de ser interessada, que qualidades tem-nas, certamente, deixar o cartão do Partido à porta e perceber que há mais mundos, citando o grande José Régio, também ele oposicionista e resistente, aliás duma coragem moral e cívica assinaláveis.
Mas é preciso estar atento, para evitar não só a tentativa de apropriações -- sem deixar de reconhecer o papel do PCP nessa mesma Resistência -- e manipulações da História. Espero, por isso, que Rita Rato desminta todas as desconfianças e cale as bocas da reacção. Porque não me apetece nada dar razão aos observatórios & outros lavatórios.


50 discos: 13. YES (1969) #7 - «Sweetness»



quarta-feira, julho 08, 2020

criador & criatura


Cosey e Jonathan


segunda-feira, julho 06, 2020

sábado, julho 04, 2020

quarta-feira, julho 01, 2020

«Leitor de BD»

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Peyo e Will, Kim Kebranoz e os Táxis Vermelhos

terça-feira, junho 30, 2020

«Leitaria Garrett»

com inquéritos toscos, também eu me descubro, afinal, racista...

Imagine-se!, eu que acho imensa piada à mulatice da minha bisavó Ida, de Pernambuco, chego à conclusão que com inquéritos deste jaez, também posso descobrir-me, afinal, "racista"...

Já expressei aqui várias vezes a minha percepção sobre a existência de racismo em Portugal, a última das quais a propósito de vandalismo. O racismo biológico, o único que poder ser caracterizado como tal, é quanto a mim residual e rupestre. Outra coisa é o "racismo" que sofre quem é pobre e vive num gueto. É classista e defensivo, por razões tão óbvias que me dispenso de pormenorizar. Há, é verdade, e empiricamente me parece com dimensão superior, fenómenos de xenofobia de que são alvo caboverdianos, ucranianos, brasileiros de todas as cores. Também aqui as razões são óbvias, não é preciso sociologia de meia-tigela para o perceber. 

Pois bem, um inquérito europeu e um "estudo" anunciam que 62% dos portugueses manifestaram alguma forma de racismo. Diz o Expresso que apenas 59% dos 1055 inquiridos discordaram da existência de grupos étnicos mais inteligentes do que outros. talvez ficasse melhor escrever que ainda há 41% de portugueses que acreditam em superioridade e inferioridade "rácica"; se rigoroso, o inquérito, 41%, é ainda uma porção significativa de criaturas sem saneamento básico interno.

Mas um inquérito que se sustenta numa pergunta sobre se há "culturas mais civilizadas do que outras" deixa-me as maiores dúvidas, pois seria de espantar que a maioria dos indígenas a percebesse.

A cultura, da técnica agrícola à religiosidade, é sempre uma resposta ao entorno; a civilização é o complexificar adquirido, constante e renovado dessa resposta.

O nivelamento ou o destaque de umas sobre outras é mera ideologia. E poderá ser tema para outras postagens, assim tenha tempo e me apeteça. Mas para deixar aqui vincada a minha recém-adquirida qualidade de "racista", sempre direi que uma comunidade que partilha os valores de liberdade, autoquestionamento, inclusão plena e que tolera o dissenso será sempre civilizacionalmente superior à que não o faz, e isto tanto é válido para a 5.ª Avenida como na maloca mais recôndita da Amazónia. É a minha resposta, também ela ideológica, é claro.

orquestrais & concertantes: Berlioz, SINFONIA FANTÁSTICA (1830) / Chung

quinta-feira, junho 25, 2020

caracteres móveis

«A uma extremidade da plataforma, um rapaz magro, de olhos grandes e melancólicos, a face toda branca da frialdade fina de Outubro, com uma das mãos metida no bolso dum velho paletot cor de pinhão, a outra vergando contra o chão uma bengalinha envernizada, examinava o céu de manhã chovera; mas a tarde ia caindo clara, e pura; nas alturas laivos rosados estendiam-se como pinceladas de carmim muito diluído em água e, longe, sobre o mar, para além duma linha escura de pinheirais, por trás de grossas nuvens tocadas ao centro de tons de sanguínea e orladas de ouro vivo, subiam quatro fortes raios de sol, divergentes e decorativos -- que o rapaz magro, comparava às flechas ricamente dispostas num troféu luminoso.» Eça de Queirós, A Capital! (c. 1878, póst., 1925)


«Ele falava lentamente, tristemente, como se falasse de mortos muitos queridos.» Ferreira de Castro, A Boca da Esfinge (1924)




«O andar, cuja morosidade provinha de infidelidades ao pedicuro, convertia-o ele numa altiva pachorra ao singrar entre mesas a caminho do seu cenáculo, como lanchão bojudo coleando no porto em demanda do cais.» Tomás Ribeiro Colaço, A Calçada da Glória (1947)

quarta-feira, junho 24, 2020

«leitor de BD»

Assemblaia das Mulhres
Aristófanes e Zé Nuno Fraga)

«Thick as a Brick»

terça-feira, junho 23, 2020

e você, também vem a público manifestar o seu desgosto?

Até domingo o nome de Pedro Lima não me dizia nada. Vi fotografias, continua sem me dizer o que quer que seja. É possível que o tenha vislumbrado em algum filme, ou numa das normalmente horríveis séries portuguesas, que tento sempre ver e acabo quase sempre por desistir.* Ainda mais estranho por ter ficado a saber que filhos dele e meus anda(ra)m no mesmo colégio e, pelo menos, se conhecem. Obviamente lamentando a tragédia pessoal, dele e de todas as pessoas que cometem o mesmo acto ou que morrem pelas inúmeras razões por que se morre, esta necrofagia mediática é bem um sinal de como o espaço público está cada vez mais nauseabundo. 


* sobre as séries portuguesas, direi mais qualquer coisa. mas, se puderem, não percam «Terra Nova», que passa creio que hoje na RTP1, e que apesar de ter o título duma telenovela da sic ou da tvi, é do melhor  que tenho visto feito por cá.



sábado, junho 20, 2020

sexta-feira, junho 19, 2020

«Leitor de BD»

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Dick Tracy, de Chester Gould

quarta-feira, junho 17, 2020

segunda-feira, junho 15, 2020

estampa CDI - John Atkinson Grimshaw


Um Caminho Iluminado pela Lua com Dois Amantes Próximos dum Portão (1877)

Racismo

Padre António Vieira,
por Candido Portinari
Exceptuando o caso dos ciganos (e que excepção...) e os seis nazis que andam para aí a passear a sua  miséria mental e que serão sempre anulados quando o Estado o quiser fazer, não há em Portugal racismo relativamente a outras etnias. Isto pode estragar a conversa a muita gente que quer ganhar notoriedade à custa de uma clivagem artificial, mas essa é a realidade de quem não se deixa embalar por exaltações adolescentes. O chamado racismo estrutural, expressão arranjada para cobrir o logro intelectual, é económico e classista. Tem que ver com a pobreza e não com a cor da pele. Claro que tudo isto tem muito que se lhe diga, mas nem sou a pessoa indicada nem este é o lugar para.
Já agora, a posição do PCP é lapidar: "Sobre a vandalização do monumento ao Padre António Vieira". O resto é folclore, e do péssimo.

sexta-feira, junho 12, 2020

uma largada de analfabetos nas praças da cidade


Estátua do Padre António Vieira, vandalizada por analfabortos: "Descoloniza", picharam...
certamente o braço armado do mesmo bando de idiotas que se opôs à palavra Descobrimentos. para um museu dos tios.
Oh, as "redes sociais" e a sua estofa de bovinos...
imagem daqui

quarta-feira, junho 10, 2020

«Leitor de BD»

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Umbra #1

terça-feira, junho 09, 2020

criadores & criatura


Muñoz, Sampayo e Alack Sinner



domingo, junho 07, 2020

JornaL

António Costa Silva. Parece ter muita uva. Trabalhou um mês sem que  ninguém soubesse, pelo menos cá fora. Por que raio?...

Chega. Polítiquice de taberna, futebóis e bardatelevisão. Uma sondagem dá-lhe 4%. Afinal, bom povo português...

EDP. Mexia e Manso Neto vão passar a trabalhar em casa. É o chamado distanciamento social. Mais que isto, só na prisão.

George Floyd. Morrer assassinado sem se saber imortal.

Machado de Assis. Tradução na Penguin das Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) esgotou em um dia nos Estados Unidos, ou o que tem valor nunca perde validade.

O pirilau de Salazar. Parece que afinal não caiu da cadeira, mas na banheira; mas sempre no forte de Santo António, no Estoril.

Prostituição. Actividade louvável a quem a ela se entrega por opção, muito útil em várias situações. Estou a pensar em quanto vale mais ser puta que, por exemplo, corrector na Bolsa ou escriba em agência de comunicação. Legalização para ontem e já!

Touradas. Um espectáculo soberbo, o motivo é fútil. Confine-se. Mas antes, a caça e a pesca desportiva. Tiros só em batidas às pragas.

Violência. Por vezes não há mesmo alternativa, quando do outro lado só se percebe a linguagem da força. E quando a força da lei está adormecida, há que despertá-la.


terça-feira, junho 02, 2020

«Leitor de BD»

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Morris, La Mine d'Or de Dick Digger



segunda-feira, junho 01, 2020

quinta-feira, maio 28, 2020

na estante definitiva

Na correspondência que trocavam, Ferreira de Castro, escrevendo a Jorge Amado após receber  Mar Morto (1936), disse-lhe ser este romance um poema em prosa, no que eu não poderia estar mais de acordo, até pelo sentido épico de que se reveste a luta do homem contra os elementos -- uma épica colectiva, como teria forçosamente de ser. 
«Agora eu quero contar as história da beira do cais da Bahia.», escreve o narrador, como um autor popular vendendo nos mercados a sua literatura de cordel. Sem arrebiques acacianos, o escritor dessacraliza-se: «Vinde ouvir a história de Guma e de Lívia, que é a história do amor no mar. E se ela não vos parecer bela a culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouvistes da boca de um homem da terra, e dificilmente um homem da terra entende o coração rude dos marinheiros.»
A grande literatura proletária e romântica, de que o autor, aos 24 anos e recém-licenciado no Direito que nunca praticou, se fez veículo.
Uma nota para a capa muito interessante desta minha edição, da autoria de José Ruy, a figuração de Janaína (ou Iemanjá), deusa marítima que colhe o seu tributo...

Jorge Amado, Mar Morto [1936], 4.ª ed. portuguesa, Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d. 
data de posse:Junho de 1984

quarta-feira, maio 27, 2020

«Minstrel in the Gallery»

«Leitor de BD»

sobre Duke -- A Última Vez que Rezei,
por Hermann e Yves H.


segunda-feira, maio 25, 2020

estampa CD - Amadeu de Sousa-Cardoso


Composição com Violino (1916)

sábado, maio 23, 2020

«Vacuum Boots»

criador & criatura


René Petillon e Jack Palmer


terça-feira, maio 19, 2020

«Leitor de BD»

sobre O Covil de Wolf Barker,
de Floyd Gottefredson



na estante definitiva

Este livro de José Freire Antunes (1954-2015) ocupa a minha estante permanente de historiografia. À data da leitura, constituiu-se como exemplo evidente de como se podia escrever história contemporânea com o rigor possível, sem o distanciamento temporal julgado necessário para abordar o que foi.
Historiografia de curtíssima duração (cinco anos), com um aparato crítico igual ao que vemos em estudos relativos a épocas recuadas, desmentindo a piada de já não me lembro quem, para o qual a História ia só até ao século XV; tudo que depois ocorreu era já do domínio do jornalismo…
Parte do projecto de investigação desenvolvido pelo autor nos Estados Unidos, «The Americans and Portugal: 1941-1976», beneficiando da recente abertura de alguns arquivos.
No limiar do capítulo I, «Política externa: um novo globalismo», temos um subcapítulo sem título, dedicado ao percurso político de Richard Nixon (1913-1994), da mercearia paterna em Yorba Linda, no condado de Orange, Califórnia até à Casa Branca, aos cinquenta e cinco anos. A presidência como obsessão, muito bem esgalhado, em menos de três páginas: «Ao longo de uma trajectória intermitente de sucessos e de ocasos, perseguira obsessivamente o supremo poder da Casa Branca: e faria desse poder o terminal trágico da sua carreira pública.»
Também muito bem escolhida foi a epígrafe de Henry Kissinger -- «esse homem fatal», como diria Eça de Pinheiro Chagas --, com muito que se lhe diga sobre as alegadas "responsabilidades" das nações, algo que, de acordo com o secretário-de-estado os Estados unidos só haviam descoberto com a II Guerra Mundial, e diz esta verdade, que o era para as velhas elites do poder, quer do Estado Novo quer da República e da Monarquia: «Hoje em dia, o país mais pobre da Europa Ocidental -- Portugal -- tem os mais pesados compromissos fora da Europa porque a imagem histórica de si mesmo está ligada às suas possessões ultramarinas.»

José Freire Antunes, Os Americanos e Portugal -- vol. I -- Os Anos de Richard Nixon (1969-1974), Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1986.


sábado, maio 16, 2020

terça-feira, maio 12, 2020

«Living in the Past»


sobre Le Tueur - Raisons d'État, t. I,
de Matz & Jacamon e
Les Oiseaux ne se Retournent Pas, de Nadia Nakhlé

estampa CCCXCIX - Alberto Sousa


Estação de Caminhos-de-Ferro Sul e Sueste, 1910

sábado, maio 09, 2020

criadores & criatura

fonte

fonte

Antonio Hernández Palacios, Jean-Pierre Gourmelen e MacCoy


fonte

sexta-feira, maio 08, 2020

quinta-feira, maio 07, 2020

"Triste de quem tenta ser alguém na vida atirando os homens uns contra os outros"

Quaresma, grande Quaresma, craque da bola e não só, puxaste bem as orelhas a esse piolho, tratado pelos demais como um insecto, o que só o engrandece.


Se a criatura falou mesmo em confinamento de uma etnia, sim isso configura crime. Ora, o parlamento não é lugar para criminosos; espero, portanto que haja uma queixa em conformidade, a Assembleia da República lhe retire a imunidade.
Aliás, este advogar de medidas racistas é contra a Constituição; portanto, a confirmar-se, há que prover o saneamento básico ao sistema político, fazendo-se a descarga do esgoto.

em tempo: a magnífica declaração de Quaresma completa aqui.



quarta-feira, maio 06, 2020

terça-feira, maio 05, 2020

«Leitor de BD»

sobre, Lou Velvet em Época Morte e (À Suivre)
de José Calos Fernandes


«I Wanna Be Adored»

«Cockroach King»

domingo, maio 03, 2020

sexta-feira, maio 01, 2020

quarta-feira, abril 29, 2020

«No Lullaby»

«Leitor de BD»

sobre Colt & Pepper, de
Darko Macan & Igor Kordej


jornal i

sexta-feira, abril 24, 2020

na estante definitiva

Gabriela, Cravo e Canela é um romance de costumes e uma crónica de amor -- o amor entre uma retirante e um imigrante sírio estabelecido na cidade de Ilhéus -- o amor de Nacib a Gabriela. E não se estranhe que aqui tanto se fale de amor, porque não há tema literário mais elevado do que o amor…
Aliás, é assim que o narrador inicia o proémio: «Essa história de amor -- […]», como que desintoxicando-se dos três volumes de Os Subterrâneos da Liberdade
A introdução do narrador define o tempo e o espaço -- Ilhéus, 1925 --, trazendo ao proscénio um acontecimento de disrupção (palavra horrível…), o assassínio a tiro, em flagrante delito de adultério, do dentista Osmundo Pimentel e Sinhàzinha Guedes Mendonça pelo marido desta, o fazendeiro encornado Jesuíno Guedes Mendonça.
Escândalo público comentado na capital do cacau por algumas figuras gradas a que somos apresentados:João Fulgêncio, dono da papelaria Modelo, «centro da vida intelectual» da cidade; o político Mundinho Falcão; o advogado e publicista Ezequiel Prado, homem de verbo fácil; e, obviamente, Nacib, dono de um restaurante, a braços com a saída da cozinheira.

«Assim era em Ilhéus, naqueles idos de 1925, quando floresciam as roças nas terras adubadas com cadáveres e sangue e multiplicavam-se as fortunas, quando o progresso se estabelecia e transformava a fisionomia da cidade.»




quarta-feira, abril 22, 2020

50 discos. 20. SELLING ENGLAND BY THE POUND (1973) - #7 «The Cinema Show»



o 25 de Abril, os beatos e os saloios

No meio deste desassossego coronário, tenho assistido, entre o incrédulo e o divertido, à pseudoquerela a propósito das comemorações do 25 de Abril. Só dei por ela, aliás, quando João Almeida do CDS, com ar de catequista, se insurgiu contra a cerimónia depois de, segundo ele, terem proibido a Páscoa. É extraordinário e dispensa outros comentários. Uns dias depois passei pela Rádio Renascença, e senti um tom raivoso contra estas comemorações e eventuais acções previstas para o 1.º de Maio. Percebi, então, que aquela tirada do deputado centrista não fora um acto isolado -- e imagino o lixo que não deve andar por essas "redes sociais". A Igreja fatiga-me.
Cansam-me também os saloios que, a despropósito, falam da necessidade de inovar, recriar o cerimonial & outras maravilhas. Como detesto inovações, lavro desde já o meu protesto. Mas sugiro aos presentes no Parlamento, no próximo sábado, criatividade nestas máscaras de pano que aí vêm. As minhas serão garridas e pouco sanatoriais. Estou até a pensar encomendar uma com pequenos Mickeys...


Há sempre razão para comemorar, nem que seja a civilidade, nem que seja a desexistência da pide -- embora não faltem potenciais agentes e bufos --, nem que seja o fim da opressão colonial que há séculos infligíamos a outros povos, mal e porcamente;  nem que seja em memória do que foi e do que poderia ter sido; mas dificilmente poderia ter sido outra coisa senão isto.
E, mais que tudo, celebrar a liberdade de poder escrever tudo isto em nome próprio, sem receio que os bufos me vão denunciar ou que a pide me vá buscar a casa a meio da noite. 

estampa CCCXCVIII - Franz von Stuck


Estrelas Cadentes. Franz e Mary Stuck (1912)

terça-feira, abril 21, 2020

«Leitor de BD»

sobre Edgar Vasques, Paulo J. Mendes e Jeff Lemire