domingo, outubro 13, 2019

erotica


Björk, por Laura Levine

orquestrais & concertantes: Bartók, DOIS QUADROS PARA ORQUESTRA (1910): II. Dança de Aldeia / Kösler

os milagres da criação


Joker, de Todd Phillips (2019): uma obra 
que é de início um clássico. Inesquecível,
da música (Hildur Guonadóttir) à realização, 
e o Joaquin Phoenix




sábado, outubro 12, 2019

orquestrais & concertantes: Brahms, SINFONIA #4 (1884) - II. Andante moderato / Sado

estampa CCCLXXVII - Leon Bakst


Auto-Retrato 

parece que sabem assinar...

Fica aí ao lado a fotografia da Joacine Katar Moreira, até tomar posse na Assembleia da República. Quanto ao lúmpen que assina esta petição tonta e mal-intencionada -- 19 mil grunhos, ou seja, o equivalente em criaturas a duas ruas compridas de qualquer subúrbio de Lisboa, e não mais do que isso --,, ficamos a saber que pelo menos conseguem assinar o nome.

sexta-feira, outubro 11, 2019

estampa CCCLXXVI - Paul Klee


Rouxinóis Persas (1917)

quinta-feira, outubro 10, 2019

quarta-feira, outubro 09, 2019

vozes da biblioteca

«achei que aquele silva era um imbecil dos grandes e que me estava a empatar as energias com retóricas a chegar a um ponto em que a irritação me fazia agir contra a vontade de estar quieto.» Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)

«Não é bem a vida que faz falta -- só aquilo que a faz viver.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)

«No telhado antigo, com o pó dos tempos fixado em crostas esverdeadas que nenhuma chuva conseguia lavar, os pardais faziam o ninho na Primavera.» Ferreira de Castro, A Missão (1954)

estampa CCCLXXIV - Egon Schiele


A Irmã do Artista, Melanie (1908)

segunda-feira, outubro 07, 2019

«Leitor de BD»

sobre Duke -- Sou uma Sombra (Hermann & Yves H.)
e Aventuras e Desvnturas de Quim e Filipe (Hergé)

sexta-feira, outubro 04, 2019

voto em Joacine

Em primeiro lugar, porque voto no Livre, um partido à esquerda do PS que é europeísta sem ambiguidades.
Depois, porque espero que Joacine Katar Moreira, cujo percurso de vida é muito interessante, seja a voz dos que não têm voz, em especial a voz dos indocumentados e dos imigrantes, em face de um Estado burocratizado, insensível, kafkiano.
Também gosto que seja feminista e negra.
Quanto à questão que só interessa a meia dúzia, a dos Descobrimentos, notei com agrado nesta entrevista, que há um avanço em relação a um militantismo historiográfico absolutamente nocivo - que aliás nem merece a designação de 'historiografia' -- para que se perceba e explique ao comum que o século XV não é o século XIX, e que estudar (e, sim, até celebrar) as navegações dos portugueses não é nenhuma apologia do colonialismo, nem do imperialismo e muito menos do racismo. Um historiador é um historiador; esta condição não implica neutralidade (a História não é nenhuma ciência, ao contrário do que propalavam os neo-marxianos de antepenúltima geração) -- não implica neutralidade, porém exige algo muito mais importante: o rigor.
Mas derivo, e não seria por esta discordância, para mim fundamental, que deixaria de votar nela, mesmo se houvesse razão para tal, que não há, em face da entrevista que cito. A discordância está-me inerente -- a começar pela discordância em relação a mim próprio, várias vezes...
Em suma, quero ver Joacine na Assembleia da República e o meu voto está-lhe garantido.

«Glass House»

quinta-feira, outubro 03, 2019

Freitas

Nas presidenciais de 1985-86 a família dividia-se entre Zenha e Freitas. Claro que eu votei Zenha. Nunca votei Freitas. Li-lhe o D. Afonso Henriques (2000). Fez bem ter fundado o CDS, congregando parte da elite do Estado Novo marcelista. 

quarta-feira, outubro 02, 2019

estampa CCCLXXIII - Thomas Cooper Gotch


A Herdeira de Todas as Idades (1900)

os agentes de vigilância e de defesa do estado do politicamente correcto

Quem me conhece ou costuma passar por aqui sabe que sou profundamente anti-racista e anti-xenófobo, que prezo a dignidade individual como o bem maior que uma comunidade cidadãos deve garantir a todos e cada um dos seus membros; ou de como gosto de evocar uma bisavó brasileira mulata que não tive a sorte de conhecer, originária de Pernambuco, e certamente descendente de escravos africanos.


Em Inglaterra, pelo que sei, a sanha do politicamente correcto é exercida com acutilância e estupidez agravada. Lembro-me do episódio da remoção imbecil dum quadro pré-rafaelita, creio, das paredes dum museu; ou dum inacreditável episódio que me contou um aluno, em que a associação de estudantes da sua universidade  recomendou que no halloween ninguém se mascarasse de índio ou cowboy, porque tal teria um significado pejorativo de apropriação cultural... A última foi este episódio que envolve Bernardo Silva e o seu amigo e colega de equipa Benjamin Mendy, com a federação inglesa a fazer o papel de idiota de turno.


Há muito que a liberdade está condicionada pelos censores do politicamente correcto -- expressão que odeiam, pois desmascara-lhes a fachada pretensamente liberal (quando não libertária...), estraga-lhes o disfarce de alegada irreverência. Mas de liberais ou libertários não têm nada; não passam de moralistas, no pior sentido do termo.


Quem me conhece e costuma passar por aqui também sabe da minha impaciência para com a desonestidade, a preguiça intelectual e os comportamentos de manada. É um dos meus traços de carácter, além de um especial prazer em afirmar que o rei vai nu, quando tal se me afigura. Parece-me que a esquerda pensante, por cobardia, comodismo, incapacidade (o costume) deixou-se capturar pelos sacerdotes e sacerdotisas do politicamente correcto, com pulsões autoritárias, claro, e acolitados pelos idiotas úteis, como sempre.


A uma dessas sacerdotisas que se arrogou a faculdade de dizer quem era de esquerda ou não nas páginas de um jornal, deve dizer-se que ser de esquerda é defender a liberdade e a dignidade individuais, com tudo o que isso significa (para bom entendedor...); e que quem tem vocação para policiar os comportamentos alheios e formatar a maneira de pensar, não tem nada de esquerda, de liberal, nem democrata, mas antes vocação para agente de segurança.

E já agora, como me situo à esquerda, pese o meu conservadorismo (que também acarinho), convém dizer que um dos combates dos próximos anos será pela liberdade, simplesmente.

erotica


John Gutmann

terça-feira, outubro 01, 2019

segunda-feira, setembro 30, 2019

«Leitor de BD»

sobre Entre Cegos e Invisíveis (André Diniz) e
Classificados (Laerte)

domingo, setembro 29, 2019

«Canto do Amanhecer»

orquestrais & concertantes: Copland, AN OUTDOOR OVERTURE (1943) / Valero-Castells

vozes da biblioteca

«Aquele que na hora da ganância / Perdeu o apetite.» Sophia de Mello Breyner Andresen, «Salgueiro Maia», Musa (1994)

«Morre-me a boca por beijar a tua.»  Camilo Pessanha, «Soneto», in Eugénio de Andrade, Eros de Passagem - Poesia Erótica Contemporânea (1968)

«Nascer morrer só pelas folhas ser ficar / e ser sempre por dentro o que se for por fora» Ruy Belo, «Guide Bleu», Boca Bilingue (1966)

sexta-feira, setembro 27, 2019

na estante definitiva

Há tempos, a caminho do Museu do Aljube, deparo-me, à direita, com a Sé, aonde não vou há anos; e logo, voltado para o edifício medieval, vem-me à cabeça o formoso romance de Manuel Ribeiro, A Catedral (1920) -- sinal de que perdurou na minha memória e confirmação do agrado com que o li pela primeira vez. É um romance realista, e não inova do ponto de vista do estilo ou da estrutura. Também o Concerto para piano n.º 2, de Rachmaninov, não o faz. No que não vem mal ao mundo, pelo contrário.
E depois, há todo o interesse da figura pública de Manuel Ribeiro (1871-1941), alguém que vai mudando de campo político, sem nunca (se) trair. Ferroviário de profissão, é como anarco-sindicalista que intervém enquanto publicista; a ele se deve a tradução de A Conquista do Pão, de Kropótkin. Nas duas primeiras décadas do século XX é uma das grandes referências do ideário anarquista. Entusiasmado pela revolução bolchevique de 1917, na Rússia, abandonada a Confederação Geral do Trabalho (CGT), funda em 1919 e torna-se o principal dirigente da Federação Maximalista Portuguesa, precursora do PCP, partido de que é um dos fundadores, em 1921. Alguns anos passados, em data que não apurei, converte-se, defendendo a ideia de uma igreja social, mantendo as mesmas convicções humanistas.
Data de posse: Dezembro de 1992.

Manuel Ribeiro, A Catedral [1920], Lisboa, Guimarães & C.ª Editores [1935?], 280 págs.

quinta-feira, setembro 26, 2019

50 discos: 1. LOUIS ARMSTRONG PLAYS W. C. HANDY (1954) - #7 «Ole Miss»



vozes da biblioteca

«A luz parecia desprender-se, como um véu, da imensurável cavidade, deixando ainda vermelhar a telha francesa das casas abastadas, enquanto os negros telhados dos pobres se somavam já à escuridão que avançava.» Ferreira de Castro, A Lã e a Neve (1947)

«Mas não podendo o sempre durar sempre, como explicitamente nos tem ensinado a idade moderna, bastou que nestes dias, a centenas de quilómetros de Cerbère, em um lugar de Portugal de cujo nome nos lembraremos mais tarde, bastou que a mulher Joana Carda riscasse o chão com a vara de negrilho, para que todos os cães de além saíssem vociferantes, eles que, repete-se, nunca tinham ladrado.» José Saramago, A Jangada de Pedra (1986)

«Ser homem ou mulher é apenas a natureza; chamar-se João ou Manuela já é a natureza mais a vida inteira: é o problema.» José de Almada Negreiros, Nome de Guerra ([1925]1938)

quarta-feira, setembro 25, 2019


sobre Filhos do Rato (Luís Zhang & Fábio Veras)
e 60 Gags de Boule et Bill (Roba)


criador & criatura


Christian Godard e Martin Milan

domingo, setembro 22, 2019

estampa CCCLXXII - Mary Cassatt


Pequeno Almoço na Cama (1897)

sábado, setembro 21, 2019

livros que me apetecem

No Devagar Depressa dos Tempos, de Marcello Duarte Mathias (D. Quixote)
O que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs, de Mário de Carvalho (Porto Editora)
O Zen e a Arte da Escrita, de Ray Bradbury (Cavalo de Ferro)

no papo:
Caim, de José Saramago (Porto Editora)

orquestrais & concertantes: Beethoven, SINFONIA #4 (1806) - I. Adagio. Allegro vivace / Bernstein

sexta-feira, setembro 20, 2019

«Pantagruel's Nativity»

a decisão dum aeroporto no Montijo é própria duma república das bananas

Por tudo o que se tem dito, da satisfação dos interesses duma empresa estrangeira concessionária da Ana (herança de Passos Coelho) a todas as gravíssimas consequências que deste atropelo adviriam (aqui já não é herança de P.C., mas miopia e voluntarismo em excesso, para ser simpático, de Costa). Já estudaram Beja? Vão estudar.
(Ah, e é de ler a notícia sobre a cidadania informada e patriótica do comandante dos Bombeiros Voluntários de Samora Correia, Miguel Cardia, a quem tiro o meu chapéu.)

quinta-feira, setembro 19, 2019

50 discos: LIVE AT LEEDS (1970) - #7 «Happy Jack»



a culpa do padeiro na agonia da III República

Tenho tudo a favor de padeiros na política, padeiros e todas as profissões. Acho até que a corrupção generalizada do país tem muito que ver com os chamados profissionais da política, vindos das juventudes partidárias, cuja grande competência na vida é a de saberem arranjar-se, a si e aos amigos.
A administração ganharia muito em limitar drasticamente os quadros políticos que acompanham membros do governo nos gabinetes. «Sim, senhor ministro», apesar de caricatura, faz muito mais sentido do que esta feira indecorosa que minou a nossa democracia. É isto que cria os populismos, que enoja uns, lançando-os nos braços do demagogo mais habilidoso, e que espevita outros para a chicoespertice. 
É preciso um grande sentimento de impunidade para passar por aquelas cabecinhas deformadas pelos esquemas em que permanentemente vivem e congeminar consultas públicas para o fornecimento de kits  antifogo a empresas de bordados e de electrodomésticosValha-nos o Ministério Público, apesar de todas as asneiras, e, agora e sempre, a liberdade, nomeadamente a de imprensa. A verdade é que atingimos um patamar de degradação nos partidos de poder já sem remédio, a não ser com o fim da III República e a instauração de uma IVª. Uma autodissolução seria uma atitude sábia, aproveitando no dia seguinte a memória dos erros da véspera, para que nunca mais o Estado pudesse ser colonizado pelos grupos de pequenos e grandes interesses que capturaram os partidos. Mas obviamente que não vai acontecer assim; só com um susto valente. Mal comparando, é como o aeroporto dentro da cidade de Lisboa: enquanto não cair um avião em cima dos edifícios, é para expandir. Pois, o crescimento, o turismo -- mas isto já não é corrupção, mas outra coisa que para aqui não é chamada.


vozes da biblioteca

«A lua / tropeça nos juncos» Eugénio de Andrade, «In memoriam», Primeiros Poemas (1977)

«A morte é a verdade e a verdade é a morte.» «Quasi flos», Ruy Belo, O Problema da Habitação -- Alguns Aspectos (1962)

«Mas explicai-vos ou primeiro ouvi-me, / Que a um tempo assim braceando, assim gritando, / Assim chorando não nos entendemos.» Alberto de Oliveira, «Floresta convulsa», Poesia - 3.ª série (1913) / Evatisto Pontes dos Santos, Antologia Portuguesa e Brasileira (1974)

quarta-feira, setembro 18, 2019

criadores & criatura

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Greg, William Vance e Bruno Brazil
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terça-feira, setembro 17, 2019

erotica


Irella Konof

«Leitor de BD»

sobre Riad Sattouf e José Projecto e Jorge Magalhães


segunda-feira, setembro 16, 2019

50 discos: 4. LITTLE GIRL BLUE (1958) - #7 My Baby Just Cares For Me



eu cá, votava lá nela

Jo Swinson makes a speech

Jo Swinson ("Stop Brexit"), escocesa, líder dos Lib Dem


Corbyn a encanar a perna à rã, nem o pai morre nem a gente almoça, nem...


vozes da biblioteca

«Espiava por entre as árvores mirradas a ver se descobria palhotas, deitava uma mirada ao trilho onde assentava os pés.» Carlos Vale Ferraz, Nó Cego (1983)

«Lembrava-se vagamente de ter visto, pelo seu casamento, um rosto comprido de menino obstinado, onde brilhavam uns olhos escuros e zombeteiros e se desenhavam uns lábios talvez demasiado grossos, de expressão desdenhosa.» João Pedro de Andrade, A Hora Secreta (1942)

«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de Junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava.» Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires (póstumo, 1900)

sexta-feira, setembro 13, 2019

livros que me apetecem

Agnes Grey, de Anne Brontë (Relógio d'Água)
Criminal 1 - Cobarde, de Ed Brubaker e Sean Phillips (G. Floy Studio)
Junto à Pedra, de Fernando Guimarães (Afrontamento)
O Nu na Antiguidade Clássica, de Sophia de Melo Breyner Andresen (Assírio & Alvim)

quinta-feira, setembro 12, 2019

na estante definitiva

Um livro terrível e belo sobre a condição humana, em particular a feminina. Não é ficção, mas está escrito como se fosse, tal como sucede com Se isto É um Homem, do Primo Levi. A badana da capa dá-nos a forma, de modo justíssimo:
«Alexievich criou um novo género literário de não-ficção que é inteiramente seu. Escreve "romance de vozes". Desenvolveu este género livro após livro, apurando constantemente a estética da sua prosa documental, sempre escrita a partir de centenas de entrevistas. Com uma notável concisão artística, a sua perícia permite-lhe enlaçar as vozes originais dos testemunhos numa paisagem de almas.»
Por detrás da miséria e do sofrimento surge, em todo o seu esplendor, a beleza da fragilidade, da abnegação e do heroísmo humanos.
Não gostei da tradução, infelizmente, mas o alcance do livro ultrapassa esse senão.
Data de posse: Julho de 20017.
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher [1985], trad. Galina Mitrakhovich Amadora, Elsinore, 2016, 332 págs.

terça-feira, setembro 10, 2019

«Leitor de BD»




sobre Émile Bravo e Will Eisner

segunda-feira, setembro 09, 2019

criadores & criaturas

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Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, Valérian e Lauréline

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domingo, setembro 08, 2019

orquestrais & concertantes: Brahms, SINFONIA #3 (1883) .- IV. Allegro. Un poco sostenuto / Feddeck

silva

«As cidades perdiam os nomes / que o funcionário com um pássaro no ombro / ia guardando num livro de versos.» Carlos Drummond de Andrade, «Registro Civil», Brejo das Almas (1934)

«É terrível ter o destino / da onda morta na praia» Ruy Belo, «Para a dedicação de um homem», Aquele Grande Rio Eufrates (1961)

«Encostei meu ombro naquele céu curvo e terno» Francisco Alvim, «Hora», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1976)

sábado, setembro 07, 2019

olha, gostei de ouvir o André Silva,

em especial pela crítica final que faz ao Costa: barragens, que vão encher os bolsos à EDP e à Iberdrola, lixando os  rios selvagens; incentivo à extracção de minério (deve referir-se ao lítio, não sei se a outros). a agricultura intensiva (também foi boa aquela de ser a cap quem manda no ministério da Agricultura); e esqueceu-se (ou não teve tempo) de falar no projectado aeroporto e ampliação do Humberto Delgado. Dinheiro, crescimento económico, ou seja:  destruição, desertificação, hipoteca da qualidade de vida dos vindouros. Mas quem quer saber de quem andará por cá daqui a cinquenta anos?

«Coming In From The Cold»

sexta-feira, setembro 06, 2019

isto é que importa mesmo



A condenação a dez anos de cadeia de uma dirigente política da oposição turca, Canan Kaftancıoğlu , psiquiatra, feminista e obviamente laica.
É pena a política externa da UE estar desacreditada, com Ucrânias, Venezuelas, Kosovos e outros fretes aos americanos, de qualquer administração (então no 'caso Guaidó', o Santos silva até metia dó).

2 elogios a Cristas 2

Não sendo a minha praia política, registo a recusa da cooptação numa alegada geringonça de direita do espertalhão do Chaga ou do Besta, não sei bem; e também a recusa, ontem, no debate com Rio, a responder a uma pergunta cretina sobre género e casas de banho, ou lá o que era. Deveria a moderadora ter, em seguida, inquirido Rio sobre a posição do PSD a propósito das alterações ao código da estrada no que respeita à prioridade nas rotundas; ou a posição do PSD sobre a utilização de anabolizantes por crianços nos ginásios; ou a posição do PSD sobre a saída de Maria Cerqueira Gomes das manhãs da tvi; ou a posição do PSD sobre... Tenho a certeza de que se perguntasse ao Costa, ele respondia.
nota: soube da existência de Maria Cerqueira Gomes graças àqueles agregadores de notícias da net, em que metade delas não interessam a ninguém. Poderia dizer o mesmo acerca das que envolvem a pessoa em causa, mas não digo, apesar de só a conhecer de vista; estou até agradecido aos respigadores de futilidades (oh, sim, parece uma nota sexista; será? muito provavelmente. paciência, é prò lado que durmo melhor, e pesadamente. A seguir, hei-de escrever uma coisa mais séria. Está-me a apetecer, ambrósios, qualquer coisa sobre o Domingos Abrantes e o alegado museu do Salazar, com todo o respeito pelo primeiro, claro está.)

erotica


Jane Fonda, por Peter Basch

terça-feira, setembro 03, 2019

«Leitor de BD»








Sobre José Carlos Fernandes & Roberto Gomes e Alan Moore & Brian Bolland

estampa CCCLXX - Juan Gris


Guitarra numa Cadeira (1913)

domingo, setembro 01, 2019

na estante definitiva

Lê-lo, é deixar-se impregnar pela coragem de pensar -- "pensar contra si próprio" é o título de um capítulo --, tal como sucede, por exemplo, com Nietzsche; é não querer terminar e é perder a noção do tempo. É tentar, sem êxito, escrever qualquer coisa que se aproxime.

ficha:
E. M. Cioran, A Tentação de Existir, Lisboa, Relógio d'Água, s.d.
tradução: Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria.
ano da edição original: 1956.
185 págs.

orquestrais & concertantes: Beethoven, SINFONIA #3 (1804) - IV. Finale - Allegro molto / Bachmann

sexta-feira, agosto 30, 2019

JornaL

Boris Johnson. Chico-esperto. E, pelos vistos, a monarquia não serve para nada, Só não torço para que ela acabe porque assim deixaria de ver todos os dias a Kate Middelton, normalmente na secção das notícias estúpidas, como esta, de onde tirei a fotografia; mas tratando-se de uma mulher incrivelmente bela, quero lá saber. E antes uma foto dela do que deste PM que arrisca ser defenestrado.
Carlos Moedas. Parece que era o primeiro a levar a cacetada dos zombies da troika, no tempo de Passos Coelho. Não sei que papel teve no PSD quando este chumbou o PEC IV -- depois da comédia do leite achocolatado -- que nos entregou nos braços da dita troika; espero que não tenha esse cadastro. Amadureceu muito, e esteve bem durante a Geringonça, ao contrário de vários dos colegas de partido.
Chacais. Aqueles que já andam a enviar mensagens odientas aos pais da miudinha do medicamento de dois milhões.
Elisa Ferreira. Muito bem, claro.
Extinção. O Ministério Público pede a extinção do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas. Talvez fosse de pedir também a extinção do MP e fazer outro no seu lugar, com um Conselho Superior só constituído por trabalhadores. Gostava de lá ver, por exemplo, as peixeiras da lota de Cascais -- muito melhor figura.
Iberdrola. O Governo declarou de "imprescindível utilidade pública" a construção de duas barragens no Tâmega, a cargo da Iberdrola. A Quercus diz que um dos ecossistemas mais importantes do país vai ser abatido.  Depois do atentado em Alcochete, outro crime ambiental em perspectiva. Amazónia, não é?....
Partidos. É normal que gastem dinheiro em propaganda, comícios, espectáculos e até em brindes. Em agências de comunicação, enoja-me.
Polanski, grande Polanski. Terá sido um porco, mesmo bêbado e com uma mãe a pôr-lhe a filha adolescente a jeito. Nem há desculpa, nem é admissível uma perseguição eterna. Há quantas décadas isso foi? Não se retratou?; a vítima não lhe perdoou já?; o longo período em cativeiro na Suíça sem saber se seria extraditado para aquele país em que é perseguido por um juiz injusto, e certamente punheteiro, não foi já calvário suficiente? Não, claro que não, para estes inquisidores de meia-tigela. Mas ele aí está, e a fazer grande cinema. A propósito: a sua mulher e grande actriz é Emmanuelle Seigner. Seigner, mulher de Polanski há mais de trinta anos, declinou um convite para pertencer à academia de cinema de Hollywood, feito, aliás, depois de expulsar o marido. Onde estão os maus, os perversos?

terça-feira, agosto 27, 2019

«Leitor de BD»

Sobre Arlindo Fagundes e Hergé

segunda-feira, agosto 26, 2019

tira-se o chapéu a Macron (e a Putin)

por facilitar um diálogo de que ambos, Estados Unidos e Irão, precisam e querem. Que significado tem? Que o governo israelita e os falcões americanos estão em perda? Que o realismo venceu? É possível. O desencadear de uma guerra ali é perigosíssima, e uma das primeiras vítimas seria Israel, até porque não estou a ver muito bem (apesar da cumplicidade da Arábia Saudita com os americanos), como reagiriam a Turquia e, principalmente, a Rússia ao aniquilamento do Irão, com quem fazem fronteira.  

sábado, agosto 24, 2019

um elogio (e não é por causa do Salazar, embora também por isso o mereça) à Câmara de Santa Comba Dão

A pintura à esquerda integra um conjunto de seis grandes telas da autoria do enorme Columbano Bordalo Pinheiro, muitas vezes vislumbradas nos telejornais, pois está nos Passos Perdidos, na Assembleia da República, Da esquerda para a direita: Mouzinho da Silveira, Duque de Palmela, Duque de Saldanha e José da Silva Carvalho. Este, que também é natural de Santa Comba Dão, fundador do Sinédrio e um dos líderes políticos da Revolução de 1820, foi, em minha opinião, bastante mais importante para a História de Portugal do que Salazar. E a Câmara local está a celebrá-lo, culminando, no próximo ano com o bicentenário do vintismo, a mais transcendente revolução da nossa contemporaneidade, e de que o 25 de Abril representa uma espécie corolário. Um exemplo, pois, que deveria ser seguido -- o que talvez seja esperar demasiado dum país sem política cultural.

quinta-feira, agosto 22, 2019

que fazer com o Salazar? (com adenda)

O Salazar só me lembra coisas que detesto: primeiro, a manha da conservação do poder; depois: pobreza, pide, missas, bufos, censura, colonialismo e atraso, moral e mental, do povo, que ainda estamos a pagar. 
Museu sobre Salazar em Santa Comba Dão? Um museu tem critérios. Se eles se verificarem -- existem regulamentos para tal. Não faço ideia dos critérios da câmara do sítio, para além do centro interpretativo (palavras da moda, como curadoria e outras). Espero que haja massa crítica para que aquilo não seja um santuário, com venda de pagelas bentas do santinho, nem redunde na mostra do penico do Salazar numa caixa acrílica -- mas nunca se sabe.  Tem bom remédio, porém: vá à universidade, Coimbra, ali perto, ou outra, e se quer fazer coisa séria, convide-a para parceira no delinear de um projecto e coordenação, e com isso mata o assunto.
Goste-se ou não, o Salazar governou este país durante quarenta anos. Foi, portanto, um dos homens que mais o influenciou, em quase nove séculos, que é o tempo que já levamos disto. A sua terra lembrá-lo -- agora, ontem, daqui a vinte anos -- é uma inevitabilidade, e pode fazê-lo bem, criticamente, ou não. Mas nesse caso já não será um museu. O que sempre me irrita são os activistas do costume (ponho de lado os antigos presos políticos) disfarçados de historiadores e cientistas sociais (oh...) a descabelarem-se em abaixo-assinados no facebook, tudo tão pequeninamente miserável e reles...

Adenda: entretanto fiquei a saber - e já poderia sabê-lo se tivesse consultado o sítio da CM de Santa Comba Dão, que o projecto está a ser coordenado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da U. Coimbra, o que assegura toda a fiabilidade do projecto. Parabéns, pois, à CMSCD.

Adenda 2: esta conversa liga-se à "Questão dos Descobrimentos", em que mais uma vez se mostra  a farsa intelectual veiculada por ideólogos travestidos de historiadores e afins.

não sei se náusea ou vontade de rir

Porquê decretar serviços mínimos durante uma greve numa companhia aérea irlandesa de baixo custo, conhecida pelas maravilhosas condições que proporciona aos seus trabalhadores -- ou colaboradores, se quiserem em dialecto sonso-estúpido e analfabeto?
Não há outras companhias aéreas alternativas, a começar pela TAP?
Que precedentes são estes num governo que se diz de esquerda, não sei se náusea ou vontade de rir?
Quando a direita voltar ao poder, se calhar mais cedo do que se pensa, já tem o caminho aberto e à vontade para fazer o que lhe vai na alma, e nunca teve coragem para tal.

A esquerdice deve estar no comunicado, gastando tinta, tempo, espaço e a paciência dos outros quando se refere aos cidadãos e às cidadãs (arre, que miséria!) 
Ena pá, é tão de esquerda, cidadãos e cidadãs, avião e aviã, a cona da mãe e o cono do pai; agora pessoal a lutar para ter 22 dias úteis de férias e outras merdas sem interesse nenhum, isso é que não pode ser.

O que andaríamos a chamar agora ao Passos Coelho?

terça-feira, agosto 20, 2019

«Leitor de BD»

sobre Takashi Murakami e Hergé

domingo, agosto 18, 2019

vozes da biblioteca

«Para estar de acordo com o horário dos trens devíamos chegar às oito horas e alguns minutos à estação, e estou certo de que assim teria acontecido se não fosse o folgado e paciente atraso de duas horas e meia, que tivemos de aturar dentro dos compridos wagons de primeira classe, nada inferiores ao cárcere duro. Coelho Neto, A Capital Federal (1893)

«Para mim, João Jorge nasceu na noite em que o mataram, nas hortas a caminho da Vila Chã.» Bruno Vieira Amaral, Hoje Estarás Comigo no Paraíso (2017)

«Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.» Machado de Assis, Dom Casmurro (1900)

quinta-feira, agosto 15, 2019

a crise energética, como eu a leio

De férias e sem televisão, e só agora com net no domicílio estival, não tenho visto tudo sobre a greve; mas o que li nos jornais e ouvi na rádio possibilitam-me escrever o seguinte:

1. O que parece incontroverso: o descontentamento elevado dos motoristas de pesados, em especial os das matérias perigosas, daí a forte adesão a esta greve.

2. Ordenados mínimos para estes trabalhadores, com extras pagos por baixo da mesa, de acordo com as notícias; ou seja: em baixa médica ou reforma, o trabalhador vence pelo mínimo. Além disso, fuga aos impostos por parte dos patrões.

3. Ao anunciarem uma greve por tempo ilimitado,  os dois sindicatos estão a dar um passo maior que a perna. Obviamente que o estado não pode ficar de braços cruzados em questões estratégicas. Crítica ainda aos sindicatos, por darem pretexto ao governo por exercer a maior limitação alguma vez vista ao direito à greve.

O que me leva à questão política: o PSD tem razão quando denuncia a dramatização do governo; no entanto essa oportunidade foi concedida de mão beijada a António Costa pelos sindicatos grevistas, não só porque a greve é impopular (a maralha está sempre pronta a reclamar, mas, quando mexem com os seus interesses, endossa sempre a autoridade), como ainda não se apagou da memória a nódoa dos fogos de 2017, de que obviamente não foi o principal 'culpado', mas não se pode eximir à responsabilidade pela actuação da Protecção Civil.

A forma como se procurou matar a greve no ovo foi um golpe de génio, dirão alguns. Sim, temos um primeiro-ministro que é um habilidoso, um verdadeiro artista, como diria o outro; mas estas habilidades são dispensáveis e lesivas de uma vida democrática sã. Não é porém de agora, nem deste governo, mas não deixa de ser nauseante assistir ao cerceamento de um direito fundamental por parte do executivo da Geringonça. Não há-de a direita estar desorientada e em decomposição...

Verifico que é um sindicato da CGTP que esvazia a greve. E talvez com ganhos de causa, o que lhe dará alguma razão. Isso os especialistas dirão. Mas não deixa de ser curioso.

Finalmente, não tenho opinião formada sobre Pedro Pardal Henriques. Está na linha de fogo, inevitàvelmente. Se, como por aí se diz, vier a tornar-se candidato às legislativas por um partindúnculo qualquer, mostrará que não passa de um aventureiro e um espertalhão. No entanto, merece o benefício da dúvida, como qualquer pessoa. A circunstância de ser filho e irmão de motorista, também não é indiferente. Mas, centrar o problema neste indivíduo é querer fazer dos outros parvos, pois a questão essencial, com ou sem Pardal Henriques, está lá em cima, no ponto n.º 1.

P.S. (21-VIII): a candidatura confirma-se, por um partido sem credibilidade. São dois descréditos em um.

segunda-feira, agosto 12, 2019

«Leitor de BD»

Sobre André Oliveira e Joe Musial, no jornal i

terça-feira, agosto 06, 2019

criadores & criatura



Eddy Paape, Greg e Luc Orient


segunda-feira, agosto 05, 2019

«Sympathy For The Devil»

«Leitor de BD»


Sobre José Ruy, Daeninckx & Tardi, no i.

vozes da biblioteca

«Experimento um prazer em saborear este sol e este cheiro infantil, a carteira, o giz, o quadro.» Antoine de Saint-Exupéry, Piloto de Guerra (1942) (trad. Ruy Belo)

«Ora, se há coisas que as mulheres de sociedade desejam ver, e encontravam-se ali mulheres de sociedade, é o interior dessas mulheres cujas carruagens salpicam de lama as suas, diariamente, que têm, como elas e ao lado delas, um camarote na Ópera e nos Italianos, e que exibem, em Paris, a insolente opulência da sua beleza, das suas jóias e dos seus escândalos.» Alexandre Dumas, Filho, A Dama das Camélias (1848) (trad. Sampaio Marinho)

«Teriam ambos quarenta anos, mas as linhas angulosas das suas feições denotavam energia, mais acentuada ainda pela barba espessa e hirsuta.» Emilio Salgari, O Corsário Negro (1898) (trad. A. Duarte de Almeida)

sexta-feira, agosto 02, 2019

quinta-feira, agosto 01, 2019

erotica


Marisa Papen, por Laurent Masurel