Fica-se com a ideia de que o governo gostaria de recrear um Paris em Lisboa, ou Milão, Tirana, Bruxelas, Barcelona... Nada disso foi Lisboa, graças à civilidade dos manifestantes acossados por um governo arruaceiro.
Estou à espera (não fui procurar) que um constitucionalista credível me diga se o decreto governamental de 1974 é compatível com a Constituição de 1976.
Aos manifestantes (a alguns) só tenho um reparo a fazer: não se picha o património, ó companheiros! Pendurar um cartaz numa escultura é uma coisa (até divertida), grafitá-las com palavras de ordem, ou outras, não.
Nem uma montra partida, um quiosque incendiado, nada. Exemplares, os manifestantes em Lisboa e no Porto, Um orgulho para os concidadãos. Perder a razão é facílimo. Nada me angustiou tanto como ter visto um modesto quiosque a arder, creio que em Bruxelas. O ganha-pão de um trabalhador e da sua família. Nestes casos, nenhuma bastonada se perde.
Aqui, a cidadania esteve com os manifestantes; a prepotência, com o Estado.

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