Na minha vida adulta só por duas vezes me deparei como uma situação de grande incerteza e perigo geopolítico com implicações directas no continente europeu: o fim da Guerra Fria, com a implosão da União Soviética, e agora, com a rearrumação das grandes potências e a inflexão dos Estados Unidos que parecem ter finalmente percebido que nem a Rússia brinca nem a China anda a dormir. Por isso a política neomonroviana -- que mais do que "A América para os americanos", é a América para os norte-americanos. Claro que terão sempre a vizinhança próxima da Rússia no Árctico, com ou sem Gronelândia, que, já agora, não deverá tardar a ser anexada ou independentizada, queira ou não, de qualquer forma tutelada. Apesar de a Europa ter muito boa boca para os caprichos norte-americanos -- não batam só no Rangel; o Santos Silva fez muito pior ao embarcar(-nos) na estúpida farsa Guaidó (aí já não havia problema com a comunidade portuguesa) ou Luís Amado, com esse aborto chamado Kosovo, sem esquecer o recente Cravinho -- (apesar de a Europa ter muito boa boca,) não estou a ver como sobreviverá a Nato a um acto hostil do accionista maioritário sobre a pequena Dinamarca. Nada que preocupe Trump, que quer destruir a UE (esta, a continuar assim, alcança o desiderato sem precisar de ajuda), sem se importar muito que a Nato vá a seguir: basta-lhes umas testas de ponte para o continente, a começar pelos mais próximos: Islândia, Reino Unido (claro), Portugal (os Açores, mas não só).
Se até Trump ter mostrado, ainda antes da sua eleição, que a Nato era coisa de somenos e que alegadamente nem se importaria que a Rússia invadisse uns quantos países membros me pareceu então basófia, agora já não tenho certeza de nada.
Estamos, pois, numa situação internacional cada vez mais instável e imprevisível. Eu tenho várias razões para votar em Gouveia e Melo -- como teria também para votar em António Filipe ou mesmo em António José Seguro --, mas não quero arriscar, pela parte que me toca, e, francamente, só esta candidatura me parece vital no momento presente: Marques Mendes e Seguro demonstraram nos debates uma grande impreparação para lidar com uma eventual guerra em mais larga escala, espécie de marias-vão-com-as-outras. Com eles e Montenegro (como outrora com Costa) estaríamos envolvidos num ápice e sem darmos por isso numa guerra que nada tem que ver com os nossos interesses permanentes -- como aqui sempre tenho escrito -- e que é a posição do almirante. Nós somos um país Atlântico europeu -- não temos de nos envolver e muito menos combater nas margens do Mar Negro e morrer pelos interesses dos outros por causa da Ucrânia, que além de nem pertencer à Nato está na área de influência da Rússia, tal como a Venezuela está na área de influência dos Estados Unidos -- é assim a vida (e sempre foi assim, apesar de alguns professores de RI ou Direito Internacional terem acordado agora para a impotência da ONU ou para o fim (sic) de uma ordem internacional baseada em regras... Vão falar dessa ordem internacional à Sérvia, amputada pela força da sua província-berço, ao Iraque das armas de destruição maciça vislumbradas pelo Durão Barroso, ou à Palestina, desde sempre.
Isto não está para amadores, e espero não ter como presidente nenhum pacóvio que se deixe manobrar nos corredores de Bruxelas. O meu voto em Gouveia e Melo deve-se a essa esperança, que ele, mais do que qualquer outro, pode assegurar. O futuro o dirá.
.jpg)
































































2 comentários:
Boa noite. Eu não sei. Sinceramente, só vejo nulidades. Seguro então, enfim, não só nulidade como um indivíduo profundamente rasteirinho. Um gajo pelo qual sinto um profundo asco. Mendes, o yes man de Cavaco, é outro que tal. Ventura, enfim, ok, é o que é. O outro, como é que se chama, o bonitaço da camisa aberta, parece que já se divorciou da segunda volta. Então, sobra o Almirante. Bem, eu tenho memória e esse gajo disse, a páginas tantas, que devíamos estar preparados para ir morrer na terra dos zelerianos. Mudou de ideias? Hum. O comunista, enfim, coitado, vai ter o quê, 2 por cento? Mais uma vez, não sei. Ou vai vermelho ou vai belão, como aqueles que se fazia nos cadernos dos colegas no ciclo. A bem dizer, votar na província da Lusitânia pouco ou nada importa, tudo bons alunos de bruxelas.
Viva,
Fui ler o que ele disse então, excessivamente marcial, é verdade, decorre dos tratados: no caso de um país da Nato ser atacado, Portugal teria de ser fiel à aliança; coisa que continua a dizer. O que ele não disse é que deveríamos ir para a Ucrânia de moto proprio, uma vez que dela não faz parte, até porque os nossos interesses também não estão lá. Opõe-se, pois, a esse envio.
Uma das grandes vantagens do almirante, em face dos competidores directos é ele saber o que está em causa, coisa que os outros, Seguro, Mendes, Cotrim demonstraram ignorar. Mesmo sendo um tiro um bocado no escuro, eu prefiro o almirante.
Enviar um comentário