domingo, janeiro 14, 2007
Correspondências #75 - Carlos Drummond de Andrade a Sérgio Telles
sábado, janeiro 13, 2007
Uma leitura da «presença» #9
sexta-feira, janeiro 12, 2007
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Antologia Improvável #193 - Isabel de Sá (2)
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Uma leitura da «presença» #8
Sobre a incomunicação
terça-feira, janeiro 09, 2007
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Antologia Improvável #192 - António Carlos Cortez
que o poema salva quem o lê abandonado
quando se pressente a voz enlouquecida
de alguém que nos olhou e descobriu
é quando a noite rouba a luz do dia
para construir suas altas fragas de silêncio
e um galope de lábios na sua verdura
nos invade ou nos recolhe em suas crinas
é quando a linha de sombra é o azul da chama
ainda antes de ser contra a pureza nua
o edifício das palavras com dois gumes
é quando sabemos que nos encontramos
num café numa esquina que então escutamos
a pedra angular da nossa vida o poema escrito
A Sombra no Limite
domingo, janeiro 07, 2007
Uma leitura da «presença» #7
sábado, janeiro 06, 2007
Correspondências #74 - Ferreira de Castro a Horácio Bento de Gouveia
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Uma leitura da «presença» #6
quinta-feira, janeiro 04, 2007
talvez
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Uma leitura da «presença» #5

Na «beleza emotiva» (19) procurada pelos poetas da presença não havia também lugar para o formalismo, para a habilidade dos vates de academia, para o tecnicismo, espartilho de muito razoável poeta que dele não logrou libertar-se. E se para Gaspar Simões -- o mais assertivo dos teóricos presencistas, cujas tiradas terão contribuído o seu quê para dar da revista a imagem duma certa irredutibilidade («a história da arte é a história da luta dos artistas com a realidade exterior» (20)), não se seguia -- pelo menos para os restantes co-directores -- que o artista se devesse encasular, umbilicalizar, torredemarfinizar. A poesia-pura, na acepção de Casais, rejeitando a submissão à forma e às escolas, não se afastava dos grandes problemas do homem -- fazia-o, porém, apenas «como expressão directa do seu debate interior.» (21)
terça-feira, janeiro 02, 2007
Antologia Improvável #191 - António Ramos Rosa (2)
que me corrói.
Amo cada vez mais doído.
A boca fechada sobre as ervas
há tanto tempo.
Os braços a descansar
no pântano do ventre.
A saudade enxuga-me o fogo
longe do mundo.
A saudade torna-me verde.
Tenho no rosto
aquela parte negra do branco.
A vida toda encostada à lembrança
com a comoção das origens
a soluçar-me
instante a instante
na garganta.
Os ossos
neste Inverno da vida
com a noite da saudade por cima.
Brilha nessa escuridão o passado.
Cresce no frio um caule de luz.
Dissolvo pouco a pouco
a sede baça da morte.
Transfiguro-me perplexo.
A saudade seca-me a tristeza.
Cede-me ao céu
e aos raios da sua alegria.
Enxuga-me a mágoa.
Cresce-me no meio do corpo uma flor.
É uma flor matinal
de anil
rebentando por entre as vértebras.
Brilham-me no ser
os braços irradiantes de uma estrela.
A saudade coa-me no sangue um astro.
O meu corpo
é a raiz sombria de um outro sol.
O Poeta na Rua
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Uma leitura da «presença» #4
«Nunca será inútil repetir que o que mais interessa numa obra de Arte... é a própria obra de Arte.» (12) Era o primado da arte que Régio defendia nesta sentença; ou como claramente, por outras e mais contundentes palavras, advertiria Casais Monteiro, a propósito da presença: «aqui não se servem causas: faz-se e trata-se de literatura e de arte.» (13) Por demais óbvias que estas posições pareçam, deve, no entanto, dizer-se que eram formuladas num contexto de hegemonia (de poder efectivo ou de influência na acção) de sectores não complacentes com a ideia de a expresão artística dever estar isenta de qualquer subordinação. Afirmações de independência que remetiam o autor presencista para as margens da oficialização cultural do Estado Novo, com uma política nacionalista e de tentativa de domesticação dos intelectuais, afastando-o também do neo-realismo oficial, emergente em meados da década de trinta. Seria, contudo, demasiado simplista e pouco rigoroso inferir que a publicação rejeitasse qualquer manifestação artística de tendência, quer «ascendente» ou «emancipadora» (para empregar termos de Plekhanov, posteriormente vulgarizados pela teorização neo-realista (15)) quer o seu oposto, alinhadamente reaccionária:(12) José RÉGIO, «Uma peça de Pirandello (sei personaggi in cerca de auctore)», presença, n.º 7, Coimbra, 8 de Novembro de 1927, p. 7.
(13) Adolfo Casais MONTEIRO, «Nós, os porta-vozes de uma estética subjectiva até à desumanização...» [s. d.], O que Foi e o que Não Foi o Movimento da Presença, p. 31.
(14) Ver Jorge Ramos do Ó, «Salazarismo e cultura», in Joel SERRÃO e A. H. de Oliveira MARQUES, Nova História de Portugal, vol. XII, Fernando ROSAS (coord.), Portugal e o Estado Novo (1930-1960), Lisboa, Editorial Presença, 1992, p. 409.
(15) «[...] o talento de qualquer verdadeiro artista é grandemente reforçado se for penetrado pelas grandes ideias emancipadoras do nosso tempo.» PLEKHANOV, A Arte e a Vida Social, trad. de Ana Maria Rabaça, Lisboa, Moraes Editoes, 1977, p. 72.
(16) José RÉGIO, carta a Roberto Nobre, Portalegre, Junho de 1936, Boletim, n.º 4-5, Vila do Conde, Câmara Municipal / Centro de Estudos Regianos, 1999, pp. 31-32.
(17) A propósito de A Revolução de Maio, de António lopes Ribeiro, o director da revista escreveu: «A propaganda e a arte podem não ser inimigas. Basta que profundamente se conjuguem na obra realizada a crença numa doutrina e a emoção artística.» José RÉGIO, «Cinema português», presença, n.º 50, Coimbra, Dezembro de 1937, p. 12.
(18) José RÉGIO, «Literatura livresca e literatura viva», presença, n. 9, Coimbra, 9 de Fevereiro de 1928, p. 1.
(continua)
domingo, dezembro 31, 2006
Correspondências #73 - Leite de Vasconcelos a António Tomás Pires
sábado, dezembro 30, 2006
Uma leitura da «presença» #3

Este ano, um bom ano que nos livrou de alguns indesejáveis, foi incrivelmente mau para a justiça que se lhes devera ter feito. Milosevic morto a meio do processo em Haia, sem que o defunto Tudjman fosse, postumamente embora, responsabilizado pela barbárie balcânica. Houve também o Pinochet, essa fresca enguia. Quanto ao Saddam, compreende-se que os americanos, entre outros..., não estivessem muito interessados em revolver o passado comum.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Antologia Improvável #190 - Eugénio de Castro (2)
Je suis cellui ao coeur vestu de noir.
Ch. d'Orléans
Na viuvez da alameda
Andam bailes de folhas secas...
Paisagem vaga como o avesso duma seda...
O crepúsculo põe veludo nas charnecas...
Como Princesas desfloradas,
Numa floresta, p'los ladrões,
As altas árvores magoadas,
Que o vento abraça aos repelões,
Choram num coro de aflições,
Hirtas, medrosas, despenteadas...
Tudo cinzento, tudo cinzento...
As fontes chamam umas pelas outras...
Como lanças hostis, ao vento,
Tremem as canas do canavial...
E as fontes chamam umas pelas outras,
Como cegas perdidas num pinhal...
Como esbeltas Imperatrizes
Barbaramente destronadas,
As grandes árvores magoadas
Choram hirtas, despenteadas...
Estalam no chão suas raízes,
Cortam-lhe a alma sete espadas...
-- Pobres Rainhas que o vento humilha.
Rainhas de golpeado peito,
De qual de vós há-de ser feito
O berço estreito da minha filha?
Ergue-se a Lua de cabelos brancos...
Ao luar, as montanhas são grisalhas...
Ao luar, os mortos põem a secar suas mortalhas...
E a Lua penteia seus cabelos brancos...
Pelas desertas avenidas,
Longas, tristíssimas, profundas,
As altas árvores doridas
São como santas moribundas...
-- Árvores negras, cuja voz
Me enche de espinhos o coração,
De qual de vós, de qual de vós
Há-de ser feito o meu caixão?
Calou-se o vento... Um céu de ouros macios...
Como uma doce, afável enfermeira,
A Lua põe-se à cabeceira
Das águas doentes nos pauis sombrios...
Morto, cansado dos seus giros,
O vendaval foi-se deitar,
E os arvoredos, ao luar,
Não choram já, só dão suspiros...
-- Ó sequiosas da manhã,
Ó sequiosas de luz nova,
Onde estará a vossa irmã
Que há-de dar sombra à minha cova?
Silva / Eugénio de Castro -- Poeta do Amor e da Beleza
(edição de Ana Maria Costa)
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Uma leitura da «presença» #2

Porque razão continuamos a folhear a presença com um interesse e um deleite que não esmorece, passadas oito décadas sobre a publicação do primeiro número? A resposta reside naturalmente nos traços distintivos que a caracterizaram -- inovação e rebeldia, espírito crítico e acção doutrinária --, na qualidade de muitos dos colaboradores e, acima de tudo, dos quatro directores, que souberam interpretar o seu momento histórico -- e ser modernos. Como escreveria o maior deles, sobre outro assunto: a presença continha em si «a parte do futuro que já exist[ia] no presente.» (2)
terça-feira, dezembro 26, 2006
Uma leitura da «presença» #1

O recente centenário do nascimento de Lopes-Graça fez-me ir à gaveta retirar um estudo com meia dúzia de anos destinado a uma colectânea de correspondência com os «presencistas», grupo a que, por direito próprio, o autor de Música e Músicos Modernos pertence. Ele aqui fica, em primeira mão.
Antologia Improvável #189 - Daniel Maia-Pinto Rodrigues (2)
olha que foi mesmo engraçado
quando tu naquela festa de arromba
de rompante me mostras a pomba.
Malva 62
segunda-feira, dezembro 25, 2006
sábado, dezembro 23, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Iabadabadu!!!

As imagens mais antigas que tenho dos desenhos animados da tv, então a preto e branco, estão aqui: não bem o Tom & Jerry da MGM, que esses via-os apenas no cinema, nas matinés infantis do Casino Estoril; nem os Schtroumpfs, BD do belga Peyo que negociou com aqueles dois que estão sentados à frente, a adaptação ao cinema de animação.
As minhas imagens remontam a umas tardes de sábado, com os Flintstones, eu sentado no chão da sala e encostado às pernas do meu Pai, há quase 40 anos, numa casa a dois passos de onde agora moro; e ficaram-me os nomes e as dobragens brasileiras: do Zé Colmeia e Catatau ao Pepe Legal e Babalu, do Bibo Pai e Bobi Filho ao Olho Vivo e Faro Fino, do Dom Pixote (Huckleberry Hound) ao Plic, Ploc e Chuvisco, mai-la 'Squadrilha Abutre do Dick (Dastardly) Vigarista e seu cão Pilantra (Mutley), e por aí fora...
Estas lembranças devo a Joseph Barbera, que morreu anteontem, e ao seu colega também já desaparecido William Hanna. Com Tom & Jerry estiveram entre os melhores; com os Flintstones & C.ª, entre os mais criativos.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
terça-feira, dezembro 19, 2006
Caracteres móveis - Augusto de Castro
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Antologia Improvável #188 - Ana Luísa Amaral
Duas horas e meia da manhã:
o trabalho que espera sossegado,
o cansaço do fogo na lareira,
a caneta riscando e o cantar do galo
estremunhado
Deve pensar que são seis horas, este galo,
e o meu trabalho em sono, o fogo que me fala,
uma unha roída,
um cigarro fumado,
o café a fazer e o poema desfeito
em só cadência
Que tema é este sério a esta hora
breve da manhã, com o trabalho à espera
e o fascínio do fogo?
Deve pensar que possui tema, este poema
que não me evita e me namora ousadamente
a desoras na aldeia
O fogo estala e outro galo canta
e o meu trabalho enjoa sossegado
No romance parado do meu poema e eu,
o café já saiu, começou a chover
Escorrem gotas macias no telhado,
o fogo morre, o trabalho desperta
abrindo um olho lento
e o meu namorado parvo e tonto
carregado de imagens (e de outras coisas leve)
sai furtivo a desoras
Só deixou por roer
a unha do polegar
da minha mão direita
Minha Senhora de Quê / Poesia Reunida
domingo, dezembro 17, 2006
Com Lopes-Graça, à beira do fim
Quando há pouco mais de duas décadas me cruzei pela primeira vez com Fernando Lopes-Graça, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, num comício de apoio à candidatura de Salgado Zenha à Presidência da República, estava longe de imaginar que viríamos a ter um breve, mas intenso, relacionamento, poucos meses antes da sua morte.sábado, dezembro 16, 2006
Correspondências #72 - Camilo Castelo Branco a Tomás Ribeiro
Figuras de estilo - Fernando Grade
sexta-feira, dezembro 15, 2006
quinta-feira, dezembro 14, 2006
«Tão próximo do Natal»
Antologia Improvável #187 - Jaime Rocha
Uma ilha ao longe marca o terreno para o corpo
da morta, uma ilha em ruínas, ladeada por
rochedos acastanhados pelo tempo, escondida
entre altos ciprestes. De noite, uma pequena barca
surge da água trazendo duas mulheres esguias
iluminadas pela lua. Os remos transformam as
silhuetas em animais mágicos, vestidos de cor verde.
A mulher vem deitada num lençol e das falésias
ouve-se um cântico como se ali habitassem os seres
mais antigos do mundo. A ilha vive fora do horizonte,
desfeita pela chuva. Quando a barca fica presa a uns
ganchos, os ciprestes viram-se para dentro mostrando
diversos degraus de pedra. Alguém aguarda o momento
em que o homem se atira para as frestas e contempla o
corpo dela a ser levado pelo vento.
Lacrimatória
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Doenças
Foi bem feito
terça-feira, dezembro 12, 2006
Caracteres móveis - Victor Hugo
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Antologia Improvável #186 - Teresa Guedes
É impossível pintar
a canção do vento
ou o choro das árvores
quando são abatidas.
É possível, diz o meu lápis
habituado a tantas vidas.
Real...mente
Na morte de Pinochet, um Mobutu sul-americano
tava sitiado em La Moneda perguntava com ansiedade pelo estado do seu general durante a insurreição que corria: «Coitado do Pinochet», lamentava Allende...domingo, dezembro 10, 2006
Correspondências #71 - Luís Cardim a Roberto Nobre
sábado, dezembro 09, 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Antologia Improvável #185 - Luís Brito Pedroso
Pelas ruas curvilíneas
sentes que pertences a algo
Tudo será montanha ou colina,
guitarra portuguesa
e sardinha a assar, processos de vida
A dado momento estalam os dedos
a vida e a percepção
De certo modo sentes que pertences -- a algo
O chão de pedra -- percebes?
Há sol e sombra, touros
Transístores ao longe sintonizados na distância
Guitarras ao alcance das mãos, fadistas
Vinhos e casas
Processos de vida, coisas mais que antigas
Palavras e gestos.
Rio mar sal abismos promontórios
muito longe naus encalhando
Ondas areias sal.
E o crepúsculo visita-nos a cidade
entornando o seu canto pelos cantos das casas
Indumentárias negras enfim
Guitarras vinho e gritos.
Rixas becos e linchamentos
Linchamentos emocionais
Nada a questionar
sejam cigarros ou canecos ou apenas inchaços
Pátios barulhentos na época do calor
O chão de pedra derrete e quase que fala
Derrete tudo quanto é carne nas colinas
Na encosta do castelo
estoiros de motorizada falésia abaixo
Braços no ar vento na cara cara na rocha
Guitarras quebrando cabeças
e a indumentária negra
manchada de sangue ou vinho
(não se percebe)
Poema Seis
A Rainha
Esta Helen Mirren é magnífica. Já a admirara quando da outra Isabel, a Tudor (muito bem servida por esplêndidas actrizes ao longo da história do Cinema), que há pouco tempo passou na RTP. Mas fazer a Windsor deve puxar muito pelo canastro de dentro... E que bem que ela se sai. Aliás, Helen Mirren salva o filme de Frears da banalidade quase televisiva. E se Mirren se desempenhou superiormente, com ela ganhou também a imagem (detestável conceito...) da própria Isabel II, que surge como a única personagem com grandeza, acolitada por um ou outro servidor fiel, no meio da comoção geral que foi a morte trágica da princesa Diana.


































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