«Moram na viela íngreme e cascosa, que revê humidade em pleno Verão, velhas a quem só restam palavras, presas, alimentadas, encarniçadas, como um doido sobre uma coroa de lata que lhes enche o mundo todo.» Raul Brandão, Húmus (1917)
«Juvenal Gonçalves já o surpreendera, assim, de outras vezes. Mas nunca, como agora, o emocionara tanto, fazendo-o reviver a sensação que deviam ter fruído, outrora, os descobridores, ao ver surgir o arquipélago. Até então, o Atlântico ainda era para os portugueses um elemento masculino, fero e enigmático.» Ferreira de Castro, Eternidade (1933)
«Essa imagem não se ajustava à impressão que eu sentia. Quase no fim da Avenida, tinham os pardais ficado há muito para trás e ainda eu perseguia a ideia rebelde. "Absurda mania", disse comigo, fincando a bengala no passeio. E com imensa surpresa vi-me em frente da casa dos Albalongas.» Francisco Costa, A Garça e a Serpente (1944)
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«Não vale a pena percorrer, tacteando elo a elo, a cadeia de Ariadna de semelhante processo. Tanto é possível que nas veias de Luís de Camões, segundo as leis de Mendel, circulasse o sangue suevo de Leovigildo como o de um seu oposto no pólo social, neto dos que ele chamava «sórdidos galegos». A coberto dos arminhos, como por baixo dos lençóis, deram-se inextrincáveis misturadas. Mas, ainda à tona do armorial, sucedia que no mesmo tronco florescesse um grande e um mísero, um rico e um pobre, naturalmente avilanando-se os da segunda série, embora conservassem o nome soberbo.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)
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