sexta-feira, novembro 18, 2022

quarta-feira, novembro 16, 2022

quadrinhos


 

José Saramago, centenário

 É um dos grandes, o Nobel fica-lhe muito bem, como ficaria a vários outros antes dele, portugueses e brasileiros.

Além de ser dos grandes é único: só Saramago é Saramago; há que escreva à Saramago, como houve quem escrevesse à Eça, por exemplo; mas o que distingue um verdadeiro escritor é o seu estilo único e reconhecível.

As minhas preferências vão para em especial para Levantado do Chão (1980), Memorial do Convento (1982) e O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984). E ainda, mas menos, Ensaio sobre a Cegueira (1994) e A Viagem do Elefante (2008).

Curiosidades: Manual de Pintura e Caligrafia (1977), quando Saramago era igual a tanto outros, um suficiente + (não sou professor); Terra do Pecado (1947), juvenília promissora.

Romances falhados: A Jangada de Pedra (1986) e Ensaio sobre a Lucidez (2004), duas boas ideias, mas uma vai perdendo força e a segunda estampa-se por completo a meio da narrativa.

 Do pouco que li dos Cadernos de Lanzarote (1994-1998), salvam-se umas pepitas: muito distantes, porém, dos magníficos diários do Régio e do Torga; abaixo, inclusive, dos do Vergílio Ferreira, que não logra o nível dos primeiros. 

Do teatro, li há décadas A Noite. Guardo uma sensação agradável, mas nada de marcante; ao contrário de As Pequenas Memórias, muito conseguidas. A propósito: um dia, se tiver tempo, paciência e disponibilidade, farei o inventário dos vários paralelismos dos percursos de Ferreira de Castro e José Saramago, do nascimento à morte, há vários, e curiosos). Por falar em biografia: 

Não tenho nenhum livro de poesia dele. Recordo-me muito bem da «Fala do Velho do Restelo ao Astronauta», dos bancos da escola...

O Conto da Ilha Desconhecida (1997) não me ficou.

Saramago foi, ainda, um excelente blogger, embora não fosse ele a postar. Tenho de comprar o livro onde isso está reunido, O Caderno (2009).

Sentimentos de culpa: não ter lido ainda a História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), Todos os Nomes (1997), As Intermitências da Morte (2005) e Caim (2009). Curiosidade pelos restantes, em especial Clarabóia (2011, póstumo), também do ainda jovem José Saramago, que nasceu na aldeia da Azinhaga do Ribatejo -- que conheci bem na infância -- faz hoje 100 anos.

Não recomendo a biografia de Joaquim Vieira, que se perde no gossip, em histórias de saias que não interessam a ninguém. Mas eu quero lá saber se o Saramago era femeeiro?  A vida pessoal é o que menos interessa num escritor, por muito relevante e movimentada que tenha sido, o que acontece com poucos (alguém já pensou na chatice de vida que teve, por exemplo, o Vergílio Ferreira?) Numa biografia, nada deve ser escamoteado (salvo por razões atendíveis), mas o que importa mesmo é o que o biografado fez e deixou. É por isso grande a expectativa com que vou agarrar a de Filomena Oliveira e Miguel Real.


digamos que o Zelensky se comporta como um patife (ucranianas CXXXIX)

 Ninguém se atreve a dizer o que se passou na Polónia, se destroços de antiaérea, se um incidente. Pelo contrário, água na fervura, a começar pelos polacos e a acabar nos americanos -- excepção para os estados bálticos, tal é o pavor. E Zelensky, que não perde uma oportunidade para nos arrastar a todos, sabendo-se que chefia um estado que se presta ao papel de concessionário e procurador dos Estados Unidos nas questões russas. Insuportável.

terça-feira, novembro 15, 2022

JornaL

1. Bomba em Istambul. Do PKK? Tenho quase a certeza que não. O PKK é uma força política, não um bando de jihadistas infectos. Que eu saiba os seus alvos não são civis, mas sim elementos do estado turco, que ocupa uma boa parte do Curdistão, que só nos interessa quando o daesh nos assusta. Atenção às movimentações de exército turco, nos próximos dias. 

2. "Reconquista" de Kherson. Vai assim e entre aspas, por ser a aldrabice mais criativa desde a chamada "batalha de Kiev". A vigarice palerma generalizada. Fica para uma próxima. 

3. Putin ausente de G20 é sinal de pouco à-vontade, mas ele tem obviamente mais com que se preocupar. À tagarelice do Sunak (com bastante melhor aspecto do que o boi e alface que o antecederam), Putin envia uma ameixas mais, talvez para responder aos media imbecis que andam a vender que a cimeira vai condenar a Rússia. Está-se mesmo a ver.

4. Estou cansado de ouvir idiotas e vígaros, da meia-tigela noticiosa à cúpula política. 


segunda-feira, novembro 14, 2022

a arte de começar

«1.º AMIGO (bebendo conhaque e soda, debaixo de árvores, num terraço, à beira-d'água) Eça de Queirós, O Mandarim (1880)

 «Disse a crítica pela boca de Boileau: / Rien n'est beau que le vraie, / e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente de tempos heróicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas-letras.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (1866)

« Já não posso com estes tipos.» Raul Brandão, O Pobre de Pedir (póstumo, 1931)

«Moonlight»

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domingo, novembro 13, 2022

Raimundo, quase música para os meus ouvidos

Não sendo disciplinado e aparelhista, detestando a hierarquia e a autoridade, que não a dada pelo exemplo e pela vida, avesso a catecismos, direi que os fragmentos ouvidos do discurso de Paulo Raimundo, novo secretário-geral do PCP, foi quase música para os meus ouvidos: a caracterização da hiena capitalista, essa que se ri enquanto despedaça carcaças, o desmascarar da politicalha manobrista, do PS ao CDS (não ponho a lepra do Chega no mesmo saco, já a História ensina esse erro fatal), a denúncia do belicismo norte-americano, com a domesticação da UE (também aqui divirjo do PCP, e dou por mais do que justificada -- e até necessária -- a acção da Rússia na Ucrânia, campo de tiro do Pentágono). 

Mas o que me agarrou logo, mal comecei a ouvi-lo -- suponho que pouco passava do início do discurso --, foi a afirmação de que os comunistas lutam por uma sociedade em que as crianças tenham, entre outros, o direito a brincar. Alguém imagina esta pureza vinda do Costa, do Montenegro ou dessa caricatura do liberalismo que dá pelo nome de Cotrim? 

Em tempo: ouvi-o no Telejornal; gostei bastante. Julgo perceber a escolha de Jerónimo

«Loves Missing»

sábado, novembro 12, 2022

sexta-feira, novembro 11, 2022

o acordo russo-americano (ucranianas CXXXVIII)

 Parece que a guerra entre a Rússia e os Estados Unidos está com novos desenvolvimentos: de acordo com o major-general Agostinho Costa, que ouvi ontem na RTP3, os russos deixaram de atacar centrais elétricas e outras estruturas vitais, em contrapartida os ucranianos facilitam a retirada para a margem esquerda do Dniepre, sem fustigações de artilharia na travessia do rio, em balsas, o que provocaria uma hecatombe russa.

Muito me ri ontem a imaginar as cambalhotas do comentariado incapaz ou esportulado pelos americanos, pelo contorcionismo a que assistirei nos próximos dias; os analfabetos dos jornalistas e pivôs (com honrosas excepções), esses ainda não devem ter percebido.

Eu cá estarei, espero, no fim dos combates (ou no início das negociações), para ver onde falhei e acertei. Nem me darei ao trabalho de apontar o dedo aos incompetentes das RI e aos generais-Nato, que andam a vender banha-da-cobra desde Fevereiro..

Pelo que parece, correndo o risco de ser prematuro, os americanos preparam-se para tirar o tapete aos ucranianos, coisa que fazem com grande à-vontade, como é do seu cadastro. E como se trata duma guerra entre a Rússia e a América, com ucranianos e europeus usados para interesses que não são os seus, com o colaboracionismo, e até traição, da cúpula política dirigente -- sacrificando os interesses próprios aos do Pentágono e ao complexo militar-industrial de que a benemérita organização é braço institucional --, as superpotências militares tratam entre si: o conselheiro de defesa americano foi a Kiev dizer ao Zelensky para pôr-se fino; Putin mandou os militares realizar um fake, quase tão mau como uma série portuguesa.

É e será assim?: muito provavelmente sim. Cá estaremos.

quinta-feira, novembro 10, 2022

«Labirinto ou não Foi Nada»

caracteres móveis

«Agora, quero morrer tranqüilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro.» Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)

«Empoados como no tempo galante dos Luíses, pusemos pé na plataforma da estação, claramente alumiada pelas grandes lâmpadas foscas que dão ao sítio uma luz de luar, pálida e triste.» Coelho Neto, A Capital Federal (1893)

«Se não tinha amigos na redondeza, não tinha inimigos, e a única desafeição que merecera fora a do doutor Segadas, um clínico afamado no lugar, que não podia admitir que Quaresma tivesse livros: "Se não era formado, para quê? Pedantismo!"» Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)

quarta-feira, novembro 09, 2022

terça-feira, novembro 08, 2022

qualquer tipo decente deveria boicotar o mundial do Qatar

Como nem sou muito de futebóis, o sacrifício não é grande. A participação de qualquer selecção nacional, após os milhares de mortos  de imigrantes que trabalharam na construção de estádios e infraestruturas, é aviltante. Espero bem que as autoridades nos poupem às romarias a Belém e S. Bento.

«Hollywood Ending»

segunda-feira, novembro 07, 2022

caracteres móveis

 «A vizinhança já lhe conhecia os hábitos e tanto que, na casa do Capitão Cláudio, onde era costume jantar-se aí pelas quatro e meia, logo que o viam passar, a dona gritava à criada: "Alice, olha que são horas; o major Quaresma já passou."» Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)

«E eu, a ouvir-lhe as suaves palavras, via as árvores passarem vertiginosamente, como se os campos e os montes assustados fugissem diante do comboio rápido.» Coelho Neto, A Capital Federal (1893)

«E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as dúvidas nem as ânsias do moço príncipe, mas pausado e trôpego, como quem se retira tarde do espetáculo.» Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)


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