quarta-feira, julho 17, 2024

1 verso de José Agostinho Baptista

«depois do sol tu vinhas.»

Deste Lado Onde (1976)

terça-feira, julho 16, 2024

Takuo Yuasa, Collage über B-A-C-H: Toccata (Arvo Pärt)

o nada de Ventura replica o nada do Conselho de Estado: a Ucrânia prevalecerá, lará, lá lá?...

Parece que o tema da reunião do Conselho de Estado foi a discussão da situação da Ucrânia; parece também que muito aprofundada, segundo Ventura: «"Correu tudo bem. Acho que é importante notar que em temas essenciais temos um alargado consenso no sistema parlamentar português, como é este caso da guerra da Ucrânia", declarou o presidente do Chega»

É isto que se diz sobre a situação mais perigosa que o mundo vive desde a crise dos mísseis de Cuba, sem grande paleio porque as massas, os tais melhores dos melhores, segundo Marcelo, em tempos, estão mais interessadas na pré-época, pois então, Benfica-Celta de Vigo, etc. 

O que vale é que com a direcção política que o país tem (ver Viriato Soromenho Marques, serviço público em atraso, mas sempre a tempo), o que vale, o que vale é que para a UE, para a Nato, para o resto do mundo e também para alguns portugueses, reunir-se o Conselho de Estado ou a Academia do Bacalhau, vai dar no mesmo. Podem pois manter tudo secreto, que não há paciência para ler inanidades ou as angústias sobre a embrulhada em que se (e nos) meteram.

Ao mesmo tempo, o pária Orbán, bête-noire dos wokes, primeiro-ministro de um país de dez milhões de habitantes -- o mesmo que nós, mas sem um décimo da nossa potencial influência global, se tivéssemos estadistas e não bonecos que dizem querer derrotar a Rússia ou que a Ucrânia prevalecerá, lará, lá lá -- ao mesmo tempo Orbán diz isto, por muito que pese aos proxies de Bruxelas. 

2 versos de Camões

«Dai-me ua fúria grande e sonorosa, / E não de agreste avena ou frauta ruda»

Os Lusíadas, I-5 (1572)

segunda-feira, julho 15, 2024

a propósito de OS CANIBAIS, de Álvaro do Carvalhal

Releio Os Canibais, de Álvaro do Carvalhal (Padrela, Valpaços, 1844 - Coimbra, 1868). É um daqueles muitos cuja morte precoce, trazida pela doença, foi um desperdício -- Cesário Verde, António Nobre, José Duro; mas também Henrique Pousão e Amadeu de Sousa-Cardoso, na pintura; António Fragoso, extraordinário compositor. 

Os Canibais, que abre o volume póstumo de Contos (1868), embora seja apontada como obra-prima do gótico português, não creio que a sua sobrevivência se deva particularmente à definição como narrativa de terror, aliás bastante chocarreiro, antes aos atributos estilísticos do escritor, e um tipo de narrador intrometido, sentencioso, por vezes cheio de boa disposição, à maneira de Garrett ou sarcástico como Camilo, que certamente conhecia bem, culto e lidíssimo que era, como se comprova pelos apartes do referido narrador, por vezes com uma ironia de que não desdenhariam Machado de Assis e Eça de Queirós -- espírito crítico que transborda sem afectação ou aspereza inútil, porém frontal e assertivo, ou não estivera ele ao lado de Antero na Questão Coimbrã.  

2 versos de A. M. Pires Cabral

«Aceitará sem rancor o que o destino / quiser fazer dele.» 

Caderneta de Lembranças (2021) 

domingo, julho 14, 2024

quadrinhos


 

4 versos de Antero Abreu

«Porque o sentimento inventa / O vento / O sentimento / Mente.» 

Poesia Intermitente (1987)

serviço público

 Carlos Matos Gomes, «A Cimeira da Guerra e Duas Mulheres».

sábado, julho 13, 2024

ucraniana CCLVI - o humor involuntário da desinformação

Não obviamente as gaffes de Joe Biden, que o espectáculo informativo explora até à exaustão, mas na própria tragédia da guerra. E não estou a falar também do chamado "ataque ao hospital", um óbvio dano colateral de um alvo militar russo ou da antiaérea ucraniana -- cujo número de mortos oscilaram entre 140 e 2... Não. O que realmente me diverte mesmo é ouvir aos tontinhos que debitam o noticiário da guerra, como sucedeu ainda ontem, os "ataque a paragens de autocarro" (sic), com mísseis que custam milhões. Haverá mais nos próximos dias: "ataques" a escolas, centros comerciais, mercearias e jardins infantis...

Acham horrível, eu também. Por isso mesmo, não têm perdão os que forjaram esta guerra e nela insistem, até ao último ucraniano, como digo desde o dia um; por muito que o nosso Montenegro, em português talvez de Espinho, venha dizer que a Ucrânia prevalecerá... Está-se mesmo a ver.

Frank Sinatra, «You Go to My Head»

sexta-feira, julho 12, 2024

serviço público

Já tem quase uma semana, a crónica de Viriato Soromenho Marques, mas podia ter sido escrita há bocado -- "Um desejo colectivo de morte para o mundo".

2 versos de António Salvado

«Não há visível ou invisível... / É tudo um sonho para dizer.» 

Poesia de António Salvado (edição de Paulo Samuel, 2015)

quinta-feira, julho 11, 2024

ucraniana CCLV - ainda a "NATO"

Biden coloca a coleira a
Stoltenberg,
e leva-o a passear
Ouvir, ver, ler comentadores como Diana Soller e Isidro Morais Pereira e tantos outros, é particularmente penoso. Ao contrário de Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias,  Tiago André Lopes e alguns mais aqueles não explicam nem contextualizam, antes justificam. 
O mote é assestar baterias à China?; industrie-se os incréus e os néscios:  

"Já todos percebemos que a Rússia depende da China para manter a guerra. A China torna-se inimigo indireto do Ocidente", diz Soller; "A China tem servido de interposto para fornecer componentes de fabrico na Rússia" - e a prova disso foi o ataque ao hospital pediátrico em Kiev", sustenta Isidro. Não vi, nem ouvi, bastou-me ler as gordas. A questão não está em saber do grau de envolvimento da China; qualquer um com dois dedos de testa chega lá.  Estarem ali eles ou os pivôs da Praça da Alegria ou da Roda da Sorte, acaba por não fazer diferença.

Em tempo: visto e ouvido há pouco Agostinho Costa e circunstantes. Jesus.

4 versos de Carlos de Oliveira

«Emigração / Homens para o que vier. / Carne da selva, / carne de aluguer.»

Turismo (1942)

quarta-feira, julho 10, 2024

Thelonious Monk, «Sweet and Lovely»

pertencer à NATO, na condição de bonifrate

Portugal está na área de influência de uma potência imperial a que não se pode eximir dada a situação geográfica. A Geografia condiciona tudo, a começar pela História, e ambas representam noventa por cento ou mais da política externa de um país com as nossas características. Daí que, dê por onde der, as relações atlânticas, e em especial com os Estados Unidos, devam ser sempre uma prioridade da nossa política externa.

Estar na área de influência de uma superpotência significa que quase toda a acção exterior deva atender a esse factor, sob pena de a mesma potência nos vir dizer o que devemos e o que podemos fazer. É assim que as coisas funcionam, como deveria saber qualquer aluno de História, Geografia, Direito, Filosofia e Ciência Política, Relações Internacionais e por aí abaixo.

Mas, como tenho dito, na minha qualidade de simples observador, um país como Portugal -- com uma população igual à da Hungria, mas com uma capacidade potencial de influência global incomparavelmente maior, deveria saber tirar partido das suas enormes capacidades, em benefício da Humanidade comum, especialmente neste momento de guerra, por enquanto indirecta, entre os Estados Unidos e a Rússia.

Portugal na NATO. Desde a intervenção na Sérvia, no início do século, de que resultou uma desgraçada ficção política chamada Kosovo, que a Aliança Atlântica deixou de ser, de facto, uma aliança defensiva. Com a guerra na Ucrânia passou a aliança ofensiva, por interposto actor, o governo fantoche ucraniano, não menos fantoche que o bielorrusso. É da natureza das coisas. 

Os fantoches e as fantochadas não se ficam pelo troupe de Zelensky, do nosso lado. Bonifrates dos americanos foram despudoradamente Luís Amado e José Sócrates na questão do Kosovo; títeres foram Augusto Santos Silva e António Costa naquela farsa do Guaidò, na Venezuela -- aliás deixando a comunidade portuguesa à mercê dos humores pouco recomendáveis de um palhacito como Maduro --; robertos de feira caduca, o mesmo Costa e Gomes Cravinho; marionetas são Rangel e Nuno Melo sob a tutela de Montenegro, agora. Deles nada se pode esperar (ficaria agradavelmente surpreendido se fosse diferente) e, portanto, riscarem alguma coisa como seria esperar como governantes deste país, que apesar de não parecer, não é um país qualquer, é algo que não podemos esperar -- ou seja: estamos nas mãos dos outros, aguardando pacientemente as ordens que nos forem dadas.  

 

2 versos de Alberto de Lacerda

 «Os pés à vista de ti / inda mais se me toldavam;» 

77 Poemas (1955)

terça-feira, julho 09, 2024

quadrinhos

fonte

 

a Procuradora e o, à data, Primeiro

Ainda não vi a entrevista toda da PGR, Lucília Gago. Sem nenhuma ilusão sobre os desmandos de alguns elementos do Ministério Público -- a divulgação das escutas a Costa na véspera de poder ser escolhido para a presidência do Conselho Europeu é um exemplo flagrante da vigarice que por lá pára --, também tenho a convicção de que o mesmo Costa só se demitiu porque presidia a um governo que era um lugar mal frequentado, uma vergonha cheia de casos dúbios e menos dúbios que atingiam ministros, secretários-de-estado, altos dirigentes. E se eu não tenho razões para duvidar da honestidade de António Costa, já quanto à sabedoria política para além das mercearias, foi o que se viu, e o  ais que se verá na cozinha de Bruxelas.