domingo, abril 19, 2020

sexta-feira, abril 17, 2020

criador & criatura

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Claude Auclair e Simon du Fleuve

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quarta-feira, abril 15, 2020

leitor de BD

Logo Jornal i

sobre Bruno Brazil -- Black Program
de Lauret-Frédéric Bollée e Philippe Aymond

terça-feira, abril 14, 2020

estampa CCCXCVI - Abel Salazar


No Cais (1930)

domingo, abril 12, 2020

sábado, abril 11, 2020

quinta-feira, abril 09, 2020

quarta-feira, abril 08, 2020

na estante definitiva

Leitores de Jorge Amado, há-os de três tipos: os que gostam do primeiro Jorge Amado, o autor militante comunista, o que influenciou a primeira geração dos neo-realistas e que caiu fundo em vários modernistas da presença -- quem a leu, sabe que é assim -- e que a partir do progressivo afastamento do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) se aburguesara, tornando-se, inclusivamente uma espécie de propagandista turístico de certas delícias tropicais; outros pelo contrário, acham que este era um panfletário e que o grande escritor é o segundo Jorge Amado. Ambos estão fundamentalmente errados, embora algumas das críticas e ditirambos possam fazer sentido de forma parcelar. A verdade é que no essencial se trata do mesmo Jorge Amado: sim, há uma epígrafe de Karl Marx em Seara Vermelha (1944) e sim, Dona Flor encorna o marido vivo com o marido morto, os três na mesma cama. Sim, O Mundo da Paz é uma intragável mistela propagandística do regime de Stalin e Navegação de Cabotagem  é o renegar da cegueira sem eliminar ou esconder dsse zelo funcionário.
O título charneira, o antes e o depois, dá-se com Gabriela, Cravo e Canela, o romance que se sucede, após quatro anos, a Os Subterrâneos da Liberdade (1954), um louvor ao PCdoB...
Que Gabriela, Cravo e Canela é um romance extraordinário, balzaquiano no melhor sentido da palavra, não há dúvida; resiste a todas as adaptações, por boas ou muito más que sejam. Resiste até a uma miserável capa deste minha edição portuguesa das Publicações Europa-América, quando esta editora a estreara em 1960 -- após a autorização a contragosto de Salazar, que quis ler o que estava em vias de autorizar… --, com uma bela cobertura de António Domingues, e um prefácio de Ferreira de Castro, que só não o escrevera a contragosto porque ditado pela amizade, já então de três décadas, entre ambos.

Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela [1958], 15.ª edição portuguesa, prefácio de Ferreira de Castro, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1978.
Colecção: «Obras de Jorge Amado» #7
Data de posse: Outubro de 1983

terça-feira, abril 07, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Berck e Goscinny, Strapontam e o Monstro de Loch Ness


«Aqualung»

sábado, abril 04, 2020

sexta-feira, abril 03, 2020

quinta-feira, abril 02, 2020

criador & criatura

Dick Browne e Hagar o Horrível

quarta-feira, abril 01, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Louisiana : La Couleur du Sang
de Léa Chretien e Gontran Toussaint

segunda-feira, março 30, 2020

«Feel So Different»

alguns elogios

Já pela segunda vez... Sobre aspectos técnicos não me pronuncio; a condução política de António Costa parece-me muito boa. Aliás, as lideranças políticas têm correspondido, e ninguém compreenderia o contrário.
Em relação ao ministro holandês, fez bem em não deixar passar e fê-lo nos termos apropriados, porventura pouco diplomáticos, mas os necessários. A melhor ainda foi a do então presidente grego, por altura do resgate, que perante estas condescendências  e considerações calvinistas veio lembrar que A Grécia era uma civilização ainda os holandeses andavam a abrigar-se em cavernas. Foi bonito de se ouvir.
Mas, até hoje, do que mais gostei em Costa, foi quando, na entrevista à tvi, a propósito do navio de cruzeiro aportado em Lisboa, ter lembrado haver não só alguns milhares de portugueses no estrangeiro com dificuldade para regressar, notando que nestes casos não é cada um por si e salve-se quem puder. 

sábado, março 28, 2020

estampa CCCXCIV - Abel Manta


Jogo de Damas (1927)

quinta-feira, março 26, 2020

terça-feira, março 24, 2020

«Leitor de BD»

O Regresso de Tomahawk Tom
de Vítor Péon

segunda-feira, março 23, 2020

«Desfado»

na estante definitiva

«As nuvens encheram o céu até que começou a cair uma chuva grossa. Nem uma nesga de azul. O vento sacudia as árvores e os homens seminus tremiam. Pingos de água rolavam das folhas e escorriam pelos homens. Sós os burros pareciam não sentir a chuva. Mastigavam o capim que crescia em frente ao armazém. Apesar do temporal os homens continuavam o trabalho. Colodino perguntou:»

A acção decorre provavelmente no tempo presente da narrativa, na Fazenda Fraternidade, município de Ilhéus, estado da Baía.

A insistência na palavra "homens", a dar substrato ao desejo, em dúvida manifestada pelo autor: «Será um romance proletário?» Já não heróis individuais e povo como motivo pitoresco, mas homens, neste caso trabalhadores da fazenda de cacau: Colodino, Antônio Barriguinha, Honório... mais à frente João Grilo. "Fraternidade" o irónico nome da fazenda, tal como o seringal em A Selva , de Ferreira de Castro -- que Jorge Amado lera --, tinha por crisma "Paraíso", como um dichote.

O antagonismo de classes é-nos dado pelas variações sobre o nome do patrão, Manoel Misael de Souza Telles, o "Mané Frajelo" (flagelo), "Mané Miserave Saqueia Tudo", "Merda Mexida Sem Tempero"; pelo confronto entre a casa opulenta do coronel, onde viviam mulher, filha e filho estudante no Rio, «elegante e estúpido», que destratava os trabalhadores; e as choças de barro cobertas de palha  -- «Deus também é pelos ricos...», observa um; e pela extorsão que Mané Frajelo exerce contra os homens que trabalham para si, com a cumplicidade do despenseiro João Vermelho. E depois as contas, três mil e quinhentos (réis?) por dia era a paga a cada um, retirada dos mil contos anuais que Frajelo ganhava com o trabalho destes homens.

E uma personagem sobre a qual cai um mistério, Honório, «Preto, forte, alto, brigão», que o patrão não despedia, apesar da grande dívida contraída no armazém.«Bebia cachaça pelo gargalo da garrafa e jamais foi visto embriagado. Mané Frajelo respeitava-o.»

Jorge Amado, Cacau (1933), ibidem, capítulo I, «Fazenda Fraternidade»,  pp. 19-23. 


sábado, março 21, 2020

estampa CCCXCIII - Anne Brouillard


O Paraíso dos Gatos (2005)

terça-feira, março 17, 2020

«Leitor de BD»

sobre Spirou, de Émile Bravo

sexta-feira, março 13, 2020

estampa CCCXCI - Georges Braque

Violinos e Clarinete numa Mesa (1912)

quinta-feira, março 12, 2020

o Covid 19 da desorientação política

Não se ataca o mal pela raiz por puro medo. A desorientação é total: em Coruche uma escola com um aluno infectado aguarda ordens para encerrar… Em Lisboa, dois navios de cruzeiro despejam centenas de turistas sem qualquer controlo. Mas temos de ouvir apelos à responsabilidade social assistir aos puxões se orelhas aos miúdos que, sem aulas, foram para a praia de Carcavelos num dia estival... É extraordinário 

em tempo: gostei do tom da comunicação ao país de António Costa, do sentido de comunidade que por ela perpassou.

criador & criaturas

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Derib e Buddy Longway & Chinook

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terça-feira, março 10, 2020

«Leitor de BD»

sobre Tarzan, de Hal Foster e Burne Hogarth


o que é que a Beira Baixa tem?

domingo, março 08, 2020

estampa CCCXC - Ofélia Marques


Auto-Retrato (1936)

quinta-feira, março 05, 2020

assim um grande elogio a Sócrates e aos autarcas do PCP

Um grande elogio a Sócrates, pois é do seu tempo a lei que dá aos municípios a faculdade legal de vetar asneiras decididas por outros que se estão nas tintas para as populações. Por outro lado, elogio aos autarcas do PCP, que não estão a traí-las. A sua obrigação, enfim. Até porque eu não acredito que o povo da margem sul do Tejo ficasse impávido, tal como não ficou o das aldeias do lítio.
Não faço ideia se Alcochete serve, logo se verá; se alguém me explicar por que razão Beja não, ficaria bastante agradecido.
A não ser que o PSD dê alguma cambalhota, o aeroborto do Montijo está morto, e o ministro devia demitir-se, depois das declarações intoleráveis que proferiu. Sem nenhuma paciência para estes tipos que acham que são donos do país: não são, e se se esquecerem disso devem ser democraticamente postos na ordem, o que sem maioria absoluta, graças a deus, não é difícil; mas com maioria também se faz, é uma questão de convicções e tomates.

quarta-feira, março 04, 2020

«Kick Out The Jams»

«Leitor de BD»




sobre Edibar, de Lucio Oliveira

segunda-feira, março 02, 2020

Polanski, grande Polanski

O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX.  Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do  escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.



quarta-feira, fevereiro 26, 2020

na estante definitiva

Não tem rosto de mulher, a guerra, proclama Svetlana Alexievich, e com verdade: haverá algo mais contranatura do que ter capacidade para gerar vida e em simultâneo tirá-la? No entanto, numa breve nota preambular, reproduzindo uma conversa com um historiador (pp. 11-12) não identificado -- Alexievich utiliza o método do inquérito antropológico e sociológico do informante, ocultando a identidade dos seus entrevistados --, somos esclarecidos que mulheres guerreiras houve-as desde a Antiguidade grega; e que na chamada Grande Guerra Patriótica um milhão de mulheres soviéticas integraram o Exército Vermelho, desempenhando todas as tarefas e missões que um conflito em larga escala implica; de tal modo que o léxico russo teve de adaptar-se à femininização de vocábulos até então exclusivamente masculinos.
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher, (1985 - 1ª edição na União Soviética)

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
sobre O Raio U, de Edgar Pierre Jacobs

terça-feira, fevereiro 25, 2020

segunda-feira, fevereiro 24, 2020

sábado, fevereiro 22, 2020

«St. Louis Blues»

VPV - a morte do cronista

O maior cronista português é o Eça de Queirós; nem estou a ver quem lhe possa chegar perto.  Cultura fortíssima, ideias, convicções, um estilo arrebatador, e o humor .Para mim, a crónica queirosiana não é menos importante que a obra romanesca; estou quase tentado a dizer, antes pelo contrário...
Vasco Pulido Valente, historiador e também polemista temível foi o maior cronista do seu tempo, em que se conjugavam uma base cultural vasta e sólida, uma forma literária de primeira grandeza e uma óbvia inteligência e perspicácia. A História, aliás, dava-lhe uma perspectiva sobre o presente que não assiste à maioria dos que escrevem.

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

decidir aerobortos em cima do joelho porque sim, e é comer e calar; ou não queriam mais nada; ou vivam a Moita e Montalegre!

Alguém que ponha na ordem estes deslumbrados, que não há paciência para arrogância, autossuficiência, desprezo pelos concidadãos, falta de cultura democrática. Eu costumava achar piada aos jovens turcos do PS, pareciam-me arejados, sem desgaste pelas manhas do poder (ingenuidade) nem tiques autoritários.
Recentemente, João Galamba, investido de poder e secretarialmentedeestado engravatado, a propósito das aldeias do lítio em Montalegre, aduziu dois argumentos supostamente de peso para avançar com o processo de prospecção: primeiro, o concurso fora lançado pelo governo anterior (PSD) e o governo actual teria de o cumprir sob pena de pagar(mos) pesadas indemnizações, etc. -- a cantiga do costume. O segundo argumento: não pode uma população, neste caso as das aldeias afectadas pela extracção do lítio, condicionar o resto do país, até por uma questão de solidariedade com o todo nacional, e mais violinos.
Argumento parecido quanto ao aeroborto do Montijo, lançado pelo governo do PSD, ou lá o que foi, e que -- diz agora o ministro Pedro Nuno Santos que a Moita (esquecendo-se dos outros, mas que fosse só a Moita...) não pode negar uma oportunidade que afecta o país.

Este episódio mostra bem que a coisa foi decidida em cima do joelho, tipo petit comité de estado-maior governamentalo-partidário. Só agora, depois desta conversa toda, se aperceberam que foram apanhados com as calças na mão. Para que servem os batalhões de assessores, juristas e outra macacaria? (Sobre isto haveria muito a dizer, mas não quero desviar-me.) Arrumando a questão legal: estamos todos fartos dos factos consumados e das pesadas heranças transmitidas de um governo para outro, das obrigações legais urdidas sempre pelos mesmos. Aqui, já não se fala em mudar a lei, curiosamente -- até porque, como disse um conhecido facilitador de negócios, a esta hora já os caterpilares deveriam estar a trabalhar no Montijo…

Mas isto são questões legais com contornos duvidosos, pouco claros, assuntos eventualmente de polícia e justiça, a gangrena de que se alimentam agremiações manhosas como o Chega e quejandos, pasto para invejosos e desiludidos da vida (a propósito: alguém foi julgado e condenado, alguém foi para a cadeia por causa do nascimento do Siresp? Já quase ninguém se lembra, não é? Provavelmente até já prescreveu a negociata enjorcada por um ministro de saída, e que o governo seguinte lá teve endossar sob pena de o Estado ter de pagar chorudas indemnizações, ou seja, corrupção e rapina -- ou seja, vileza.

Politicamente gravíssimo é o autoritarismo revelado pela dupla Galamba & Santos. Para o primeiro, as aldeias de Montalegre têm de amochar para benefício do país todo. Pois não têm; têm o dever de exigir um debate muito alargado no seu município, e só a eles caberá decidir se estão ou não de acordo com a abertura dessas minas à exploração, com contrapartidas muito bem definidas no caso de concordância, sendo o Governo o mediador entre população e empresa. Mas só e apenas nesse caso. Se não concordarem, que vão prospectar e abrir buracos para outro lado. O mesmo se passa com a Moita e os restantes municípios contrários ao aeroporto. Não querem, não há, ponto final. E escusa o ministro de vir fazer voz grossa e ameaçar com um rolo compressor legislativo para cilindrar as populações. (Aliás, estas têm tanta ou mais razão quando se vê agora que foi tudo decidido em cima do joelho.) Em democracia é o povo quem mais ordena; aqui sim, justifica-se um referendo, exclusivamente local e vinculativo se a participação for superior a metade do número de eleitores, após uma campanha com debate, esclarecimento, contrapartidas no papel. E só aí: tudo o resto é antidemocrático, anti-ético, e como tenho escrito, legitima toda a resistência não-violenta.
Aliás, se a decisão for para a frente, contra tudo e contra todos, a ocupação do terreno pelas populações não só está mais do que justificada, como é um imperativo ético, em nome do presente e das futuras gerações.


quarta-feira, fevereiro 19, 2020

JornaL

Aeroaborto. Ouvi na rádio: sem parecer vinculativo das autarquias envolvidas, aborta o aborto do Montijo -- pelo menos à face da Lei, que parece que é para respeitar, sob pena de processo, julgamento e cadeia. Como a as autarquias do PCP, Moita e Seixal, protegendo as suas populações, irão vetar aquela miséria, pensada para encher mais os bolsos para alguns (o 'Turismo', ai o 'Turismo'...), temos o aeroporto do Montijo abortado. Ou será que não?... Vamos lá a estar atentos às manigâncias, sim?... E o secretário-de-estado, a fazer de nós estúpidos e dos pássaros inteligentes. Vão ouvir a crónica do Bruno Nogueira de hoje na TSF.

Racismos. Dou parcialmente razão ao Pinto da Costa: aquela manifestação dos símios do Guimarães, mais do que uma manifestação de racismo é-o antes de estupidez. O plantel está cheio de negros, e uma das sua principais figuras, Neno, que creio também ser dirigente, antigo guarda-redes que passou também pelo Benfica, é negro. Atribuo o primarismo da manifestação, em primeiro lugar, a uma boçalidade que ainda não nos largou enquanto povo. É sabido como somos atrasados, impreparados, incultos e aldrabões -- embora com cada vez mais e maiores bolsas de "excelência". Quando eu era miúdo, na primária, cantava com os meus colegas: "Em Macau, o bom chinês limpa o cu ao português". O país ainda é muito isto; e o racismo larvar é mais animal que pérfido. Em tempo, e para o tempo: falo do caso Marega.

Vergonha. É algo que a Igreja Católica não tem, nem nunca teve. Aqueles nacos de homilias nas missinhas de Domingo, passados no Telejornal, são do melhor que tenho visto. Ai os padrecas, que me moem a paciência.

1820. É verdade: este ano comemora-se o Bicentenário da revolução de 1820, aquela que, entre outras coisas, arejou a sacristia que era este país.
O Deus verdadeiro. O Eric Clapton tocou ontem com o Roger Waters em Londres.

terça-feira, fevereiro 18, 2020

«Intruder»

«Leitor de BD»

sobre Promenade de la Mémoire, e mais

criadores & criatura



Malik, Terence e Archie Cash


sábado, fevereiro 15, 2020

na estante definitiva

«Bendito Aquele que tem o reino dos céus e da Terra, que comanda a imensidão do Espaço, que conhece o Tempo…» Alcorão, XLIII, 85 -- epígrafe de O Meu Coração É Árabe. Apesar de confundir-se, erradamente, árabe e muçulmano, não há dúvida que foi no mundo árabe que surgiu a religião de que Maomé se fez profeta. Enquanto leitor, neste caso, de uma antologia poética, direcciono o meu entendimento do Divino, aqui saudado através do livro sagrado do Islão para o Verbo -- o Verbo que abarca tudo; tempo e espaço, a matéria e o intangível. O verbo manejado pelo profeta, pelo poeta.
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.


sexta-feira, fevereiro 14, 2020

«Leitor de BD»

sobre Champignc -- Enigma,
de BéKa e David Etien

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

«Grand Hotel»

referendar a liberdade individual

Referendar direitos individuais é uma aberração. Por isso fui contra o referendo sobre a despenalização do aborto, independentemente da minha posição que era, e é, restritiva.
O que mais me horroriza é a falta de honestidade intelectual e a pulhice dos que pretendem impor a terceiros as suas convicções religiosas, para mim fantasmagorias sem sentido.
Entendo que, por razões éticas, embora questionáveis, alguém possa apresentar-se contra a despenalização da eutanásia. Entendo e respeito a posição do PCP, embora discorde dela, pondo-se do lado dos mais fracos, vítimas potenciais de um descarrilar do processo. Percebo perfeitamente, mas não aceito, que em nome de preocupações legítimas, que têm que ver com a qualidade das leis e o funcionamento do Estado, se possa restringir a liberdade individual de cada um poder dispor da sua vida, não como bem entende, ainda não chegámos aí, mas em situações de grande sofrimento.
Agora o que não suporto é que as religiões se atrevam a condicionar pessoas como eu. Respeitando a liberdade de cada um de praticar a sua fé, não admito que em nome de parvoíces com que pastoreiam o rebanho, me venham impor as crendices com que se entretêm. E, portanto, tem de dizer-se que um sector liderado pela Igreja Católica que se apresenta contra a despenalização da eutanásia mais não quer que impor, ilegitimamente e com desonestidade intelectual, as convicções religiosas que livremente professam, procurando restringir a liberdade dos outros, recorrendo a argumentos ad terrorem e a toda a sorte de jogo sujo em que são useiros e vezeiros.

«Parasitas»

Parasitas (2019), de Bomg Joon Ho

Entre a farsa e o abjecto, presente também nos locais menos óbvios, pormenores de realização que transformam a crueza dum antagonismo de classes num exercício  de onirismo alucinante.



quarta-feira, fevereiro 12, 2020

JornaL

Coronelismo. O governador do estado brasileiro da Rondônia proibiu nas escolas livros de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Mário de Andrade e outros. Chama-se a isto extrema-direita cavalar.

Eutanásia, assunto em que a Igreja detém a maior expertise, ou não registasse no seu cadastro uma prática recorrente, tantas foram as almas perdidas a agonizar nas fogueiras da Inquisição -- sem esquecer os nímios cuidados paliativos aplicados nos cárceres da santa instituição. Ando a ficar um bocado farto destes gajos.

Farto. Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils, numa entrevista ao JL de hoje expressa a convicção no poder da arte em influenciar e alertar para a necessidade de transformação social. Sempre foi essa a arte que mais me interessou, talvez por ser um tipo muito concreto, como certa vez disse pessoa amiga; sempre tive pouca paciência para os orgasmos solitários e menos ainda para o tricot. Ou seja: entre Cesário Verde e António Nobre, gostando de ambos, preferirei sempre o Cesário. 

terça-feira, fevereiro 11, 2020

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

na estante definitiva

Cacau, de Jorge Amado (1912-2001) não é certamente um dos melhores dos seus livros (para mim, Mar Morto, Gabriela, Cravo e Canela e Tenda dos Milagres, entre outros).
Por que o ponho então na minha estante definitiva? Porque, tratando-se da segunda narrativa do jovem autor (vinte e um anos), depois da surpresa inicial de O País do Carnaval (1931), que é outra coisa, o romancista viril de putas e vagabundos, como o próprio se caracterizava, está todo aqui em potência.
Claro que as chamadas putas e os alegados vagabundos são os descamisados, os outlaws, os negros, descendentes e ex-escravos, e o gosto indeclinável pela beleza feminina, coisas que incomodam os nefelibatas.
Em nota prévia, o alerta semelhante que já Ferreira de Castro (que ele lera) fizera em Emigrantes (1928) e Alves Redol faria em Gaibéus (1939): «Tentei contar neste livro, com um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia. / Será um romance proletário?»

da posse: Janeiro de 2003.



Jorge Amado, Cacau [1933], Lisboa, Planeta DeAgostini, s.d.
ilustrações: Santa Rosa


sábado, fevereiro 08, 2020

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

na estante definitiva

Há quem diga Jaime Cortesão (1884-1960) o maior historiador português do século XX, avaliação sempre difícil de fazer-se, o maior romancista, o maior pintor, o maior compositor... No caso de Cortesão, ele encontra-se sem dificuldade nos cinco dedos de uma mão.
Este livro documenta a curta passagem do historiador pelo seu país, na cadeia, entre dois exílios. É que também enquanto personagem, foi igualmente marcante no seu tempo.
Uma breve nota para dizer que Alberto Pedroso salvou estas cartas da venda a peso como lixo, tal o destino que teve a papelada da Seara Nova pertencente a Câmara Reys (1885-1961), de que foi fundador e director até morrer.
A epígrafe é um excerto extraordinário de uma carta dirigida a Raul Proença, também do Forte de Peniche, em 14 de Julho de 1940: «... Quero sem tardar, tranquilizá-lo sobre as minhas convicções políticas de hoje. Continuam a ser integralmente as mesmas, que estabeleceram entre nós uma tão estreita solidariedade moral e intelectual. Tranquilize-se. Cada vez sinto mais que em afirmar a minha fé antiga está o meu dever de homem e de escritor…»
Há homens que têm fibra; e há outros que não. E torna-se necessário dizer que esta  antiga foi Cortesão bebê-la ao ideário anarquista de Proudhon e outros, tal como sucedeu com Antero, Eça, Raul Brandão e Ferreira de Castro, para citar alguns.
Da posse: Janeiro de 1993. 



Jaime Cortesão, 13 Cartas do Cativeiro e do Exílio (1940), recolha, introdução e notas de Alberto Pedroso, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1987, 107 págs. Capa: José Maria Saldanha da Gama.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

a música em 1983:«African Children»

«Leitor de BD»

sobre Renda Barata e Outros Cartoons de Stuart Carvalhais n'A Batalha

terça-feira, fevereiro 04, 2020

a música em 1971: «Senhor Arcanjo»

só uma frase de George Steiner

Dos seus livros, apenas li o fulgurante No Castelo do Barba Azul, de 1971, e A Ideia de Europa (2004). Tiro do primeiro esta frase que utilizei como epígrafe num artigo de 2002, e que estou neste preciso momento a rever: «A imensa maioria das biografias humanas são uma transição baça entre o espasmo familiar e o esquecimento.»

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

estampa CCCLXXXIX - Claude Monet


Estrada para a Quinta de São Simeão


sábado, fevereiro 01, 2020

quarta-feira, janeiro 29, 2020

as caralhadas do Ventura

Quando este chico-esperto foi eleito, uma certa esquerda epidérmica começou logo a falar em "fascismo" e outras parvoíces, como qualquer jornalista analfabeto que mistura alhos com bugalhos. Não, este espertalhão de fascista não tem nada; mais próximo está o pnr, e mesmo assim. O bom povo não gosta de radicalismos, gosta de aparente senso comum. E como é do mais elementar bom senso as gentes quererem sentir segurança (mesmo que o sentimento de falta desta seja extrapolado pelas cloacas mediáticas), ou sentirem aversão por violadores ou pedófilos, como qualquer pessoa bem formada, toca de explorar o filão. Não é o único a fazê-lo, diga-se, mas o Ventura utiliza um linguajar de taberna que cala fundo em qualquer pobre diabo. Foi o caso do comentário a propósito de Joacine Katar Moreira e a proposta do Livre para a devolução de bens culturais às ex-colónias patentes em museus portugueses, que não li mas com cujo princípio geral concordo, devendo, contudo, cada caso ser ponderado e estudado, peça a peça.
Ao deputado Ventura só o grau zero da política e da civilidade, não se importando com a utilização soez de determinados conceitos. Dizer que uma pessoa, qualquer que seja deva ser 'devolvida' à terra onde nasceu, o que quer dizer 'deportada', é muitíssimo mais grave que um qualquer deputado, em nome da decência, da higiene pública, da desinfecção viral se levantar no hemiciclo e dirigir-se-lhe nestes termos: "Proponho a vossa excelência a ida para a cona da mãe de vossa excelência", que no fundo é o que os deputados farão se for votada a proposta de repúdio do Bloco de Esquerda, devendo deixar-se bem claro que em relação a este espertalhaço nem é a 'ideia' que veicula que está em causa, por absurda; é mesmo o oportunismo e a ausência de vergonha que manifesta, além, insisto, de uma questão de higiene pública.   

terça-feira, janeiro 28, 2020

segunda-feira, janeiro 27, 2020

sábado, janeiro 25, 2020

quinta-feira, janeiro 23, 2020

quarta-feira, janeiro 22, 2020

JornaL de a a z

Aviação climática. A APA encomenda estudo à ANA, dona da obra, sobre impacte do projectado aeroporto na avifauna e do risco para as aeronaves e a gente que irá dentro delas. Quando se trata de encher bolsos, é sempre tempo de avançar. E por falar nisso, agora é tempo de tribunais mas também de preparar a resistência cívica, que é o que se espera dum país que se pensa semicivilizado, porém sempre governado à sombra dos interesses.

Greta. És linda.

Isabel dos Santos. Gosto bastante, quanto à estética. Vem dos negócios e da finança, um mundo sórdido, como os dos tráficos vários, como se vê, de resto, pelos ratos que agora lhe viram as costas. Por mim ia tudo raso. Obviamente, uma guerra de poder. Mas, repito, gosto bastante. Em Angola, o meu clube é o MPLA, que está assim dividido, como o Sporting

Primo. Achei piada ver o primo de Sócrates a afastar a matilha.

Racismo. Se não é, parece, e do feio. Uma mulher é espancada dentro dum carro da polícia por causa da porcaria dum passe da filha de oito anos, que deve ter ficado muito bem, depois de ter assistido à cena. Arranhões? Em último caso há as algemas. Carga de porrada numa senhora é mesmo de chungaria. E, já agora, bilhetes de autocarro? Não devia a polícia andar a prender assaltantes, banqueiros?

Trump. Amigo do ambiente, e da aviação climática.

terça-feira, janeiro 21, 2020

50 discos: 35. REGATTA DE BLANC (1979) - #7 «On Any Other Day»



«Leitor de BD»

Frango com Ameixas, de Marjane Satrapi;
Krypto e Rui Moura;  Champignac, de BeKa e Etien


segunda-feira, janeiro 20, 2020

erotica


Rita Hayworth

sábado, janeiro 18, 2020

a música em 1968: «Suzanne»

JornaL, de a a z

Bernardino Soares. Casa nobre quinhentista, na Póvoa de Santa Iria, conhecida como Palácio Valflores, há muito em ruínas, está a ser recuperada por uma equipa de arqueólogos, arquitectos e engenheiros. Casa de recreio mandada construir em 1550 por Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres. Não vai ser um hotel, diz a Câmara de Loures, dona do imóvel.

Escumalha. Frederico Varandas, presidente do Sporting, chama escumalha à escumalha. Para sempre a minha consideração.

Joacine. A gritaria não lhe fica bem, por razão que tenha, e sei que tem alguma. Joacine vende, por isso a imprensa trata de alimentar uma telenovela com notícias enganosas. Uma moção assinada por cinco pessoas em dezanove moções, que considera essa possibilidade não significa que "Livre quer expulsar Joacine", como li e vi esta semana.

Rio vai em frente tens aqui a tua gente. Não era bem isto que queria dizer, mas serve.

Racismo. Lamento desapontar, mas onde vivo não há racismo. E onde vivo eu, perguntais? No Cobre, uma velha aldeia saloia a pouco mais dum quilómetro do centro de Cascais, que de aldeia só tem vestígios, engolida pela cidade que prefere ser vila. Vejo casais mistos; uma das pastelarias que frequento é propriedade de uma senhora negra, com os seus empregados branquíssimos da fonseca e mestiços também. Aliás poderia acrescentar que onde trabalho, na vila de Sintra, também não há racismo. Testemunho-o todos os dias no restaurante onde vou almoçar, com empregados de todas asa cores. Há outra coisa naquela linha: medo de gangues (com as questões sociais conexas que sabemos). Sempre tive a noção de que o nosso racismo é classista; o resto é fantasia e aggionamento parolo. Claro que só estou a referir-me aos africanos, não aos ciganos, história outra.

Vaticano. Olhar para o Vaticano é regressar aos tempos dos Bórgias. Notável. Apetece-me ser provocador e dizer algo do género: "quem não está com o papa Francisco é pedófilo!" Uma simpreza, mas quero lá saber...


orquestrais & concertantes: Brahms,CONCERTO para piano #1 (1858) - III. Rondó. Allegro non troppo / Fleisher, Foster

quinta-feira, janeiro 16, 2020

«Salvé Maravilha»

onde estão os estudos?

Pedro Nuno Santos diz que a localização do aeroporto em Beja não é viável, mesmo com tgv, e que isso está mais que estudado. Então ele que mostre os estudos, para não cair na suspeição de ser permeável ao lobby hoteleiro , cujo porta-voz, aliás, diz não haver tempo nem dinheiro para mais estudos. Em que ficamos?... Deve ser isto a política da (avi)ação climática do governo; mas está no ministério errado, que é o do ambiente e do lítio.

criadores & criatura



A.-P. Duchâteau, Christian Denayer e Alain Chevalier


quarta-feira, janeiro 15, 2020

terça-feira, janeiro 14, 2020

«Leitor de BD»

sobre Asterix -- A Filha de Vercingétorix,
de Jean-Ives Ferri e Didier Conrad

segunda-feira, janeiro 13, 2020