quarta-feira, novembro 18, 2009

figuras de estilo - Teolinda Gersão

A gente só tem uma vida e portanto só tem uma história. Quando se precisa de contá-la, é porque ela tem um erro, em qualquer parte.


«Uma orelha»,
Histórias de Ver e Andar

O Vale do Riff - Shirley Bassey, «Goldfinger»

terça-feira, novembro 17, 2009

O meu Estoril Film Festival '09 -- de A a T (2)

Autarcas - António Capucho tornou-o possível. Eterna gratidão. Mas não esqueço que o Centro de Congressos do Estoril foi obra de José Luís Judas. Sem este equipamento estaríamos confinados ao Casino, com demasiado néon para o meu gosto.

Beaux Gosses (Les), de Riad Sattouf, França, 2009 («Em competição»). Um filme divertidíssimo sobre os desvarios da adolescência. É mesmo assim: só pensamos naquilo, aos 14 anos... Surpreendente a fluência narrativa para uma primeira obra dum autor de BD. Ou, bem vistas as coisas, talvez não...




Binoche, Juliette - É uma estrela europeia com projecção planetária. O Festival homenageou-a, justamente. É uma grande actriz e uma mulher radiosa. A sua exposição, «Portraits In-Eyes», é interessantíssima. Trata-se de [auto-]retratos seus enquanto personagem, acompanhados cada um do realizador do filme respectivo, e dum texto que lhes é endereçado. A homenagem compreendia um ciclo. Vi dois filmes: «Rendez-vous»* e «Les Amants du Pont-Neuf»*.

O Vale do Riff - Sam & Dave, «Hold On! I'm A Comin'»

segunda-feira, novembro 16, 2009

caderninho

Uma floresta, uma catarata, um furacão são coisas grandes, formidáveis -- mas maior que tudo isso é uma alma. Bourbon e Meneses
Novos Solilóquios Espirituais

O Vale do Riff - Frank Zappa, «Hot Plate Heaven At The Green Hotel»

domingo, novembro 15, 2009

O meu Estoril Film Festival '09 -- de A a T (1)

Alumbramiento - curta-metragem de Victor Erice*, Espanha, 2002 («Cineastas raros»). O nascimento duma criança vem alterar a rotina dos trabalhos e dos dias no campo, nos idos de 1940. Um deslumbramento. Num texto de 1996, inserto no catálogo do EEF (p. 128), Erice fala-nos de «Cinema e Poesia», quando esta surge no grande ecrã, sem que a esperemos: «Nesses momentos de epifania, o cinema liberta-se do seu excesso de competências e servidões, escapa gloriosamente ao romance (à narração), ao teatro (à representação), ao jornalismo (à actualidade) para dar um passo mais além e retornar às origens do tempo. Ou o que é a mesma coisa: o olho que vê, vida que vive, revelação.» Vejam isto mesmo; está todo aqui:



Amants du Pont-Neuf (Les), de Leos Carax, França, 1991 («Homenagem Juliette Binoche»). Juliette Binoche*, luminosa, contracena com o fantástico Denis Lavant. Inesquecíveis as cenas iniciais da recolha dos clochards das ruas para o carro das autoridades sanitárias, como se fossem cães vadios. Um filme feérico no retratar da miséria mais extrema: a solidão da rua.


Audiard, Jacques -- veio encerrar o EEF com um filme de arromba, «Un Profhète»*. Um debate curioso com a assistência, perguntas formuladas principalmente por compatriotas seus, levou-o a reflectir em voz alta sobre a sua condição de cineasta e o papel da violência nos filmes que realizou.

acordes diurnos

acordes nocturnos

sábado, novembro 14, 2009

Sete presos sarauís

Não basta celebrar o derrube do Muro. Há que continuar a lutar contra a tirania e os poderes ilegítimos. Sobre os sete sarauís presos políticos em Marrocos, ler aqui.

sexta-feira, novembro 13, 2009

quinta-feira, novembro 12, 2009

O Vale do Riff - Mudhoney, «Sweet Young Thing» / «Chain That Door»

los odiantes se roen a sí mismos / y se mueren de metástasis de odios
Mario Benedetti

quarta-feira, novembro 11, 2009

O Vale do Riff - King Django, «Hey Bartender»

A mim o sol nascer todos os dias / punha-me o infinito na palma da mão.
João Camilo

segunda-feira, novembro 09, 2009

Recordando Manuel Joaquim de Sousa, a propósito dos 20 anos da queda do Muro de Berlim

Há vinte anos, a queda do Muro de Berlim -- o muro da vergonha, lembram-se? -- representou o fim do maior embuste do século XX: sociedades reprimidas e policiadas, em nome da liberdade e da justiça; imperialismo de rapina, em nome do internacionalismo e da amizade dos povos; belicismo, em nome da Paz (com maiúscula e tudo); castas privilegiadas (dum lado os apparatchiks; do outro, a generalidade da população), em nome da igualdade. Era assim que queriam combater o capitalismo.
Como dizia o velho anarquista Manuel Joaquim de Sousa, polemicando com Bento Gonçalves, o PCP queria substituir uma ditadura (o salazarismo nascente) por outra, ainda mais cruel e mais estúpida.

sábado, novembro 07, 2009

Antologia Improvável #408 - Bernardo de Passos (3)

A LAMA E O REI

Disse a lama do chão, que os vis esgotos somem,
para um rei que a pisava, esplendente de fama:
-- Quando te pisarei, um dia, feita homem?
Quando serei eu rei? Quando serás tu lama?


Refúgio / Obra Poética
(edição de Joaquim Magalhães)

quinta-feira, novembro 05, 2009

caracteres móveis - Octave Mirbeau

Esqueço como que por milagre todos os meus rancores, todos os meus ódios, toda as minhas revoltas, e só experimento para com as pessoas que me falam humanamente sentimentos de abnegação e amor, embora saiba, por experiência própria que só as pessoas infelizes colocam o sofrimentos dos humildes em pé de igualdade com o seu e que há sempre insolência e distância na bondade dos felizes...



Diário de uma Criada de Quarto
(tradução de Adelino dos Santos Rodrigues)
imagem daqui

O Vale do Riff - Redd Kross, «Lady In The Front Row»

quarta-feira, novembro 04, 2009

obrigado, pessoal :)

Em 2007, uns quantos rapazes e raparigas invadiram uma propriedade privada que produzia milho transgénico, destruindo simbolicamente uma pequena área de cultivo. De repente, a nossa letargia bovina, a nossa passividade de cobaias foi despertada por essa acção terrorista e perigosíssima. O Estado quer levá-los a julgamento. Eu acho que devemos agradecer-lhes.
Ler aqui; petição aqui.

caderninho

Aquele que é amigo, é-o em todo o tempo; torna-se um irmão no tempo da desgraça. Colecção Salomónica
«Provérbios», Bíblia Sagrada (Missionários Capuchinhos)

O Vale do Riff - Jimi Hendrix, «Hey Baby (New Rising Sun)»

porque sim

Jacqueline du Pré
(lembrei-me dela, a propósito dum post da Aust.)

terça-feira, novembro 03, 2009

Antologia Improvável #407 - Manuel António Pina

4 DE JULHO DE 1965

segundo fontes geralmente bem
os altos interesses nacionais
foi recebido carinhosamen-
pretende para fins matrimoniais

entre os países membros da otan
as suas provas de doutoramento
sua excelência o presidente da
a conferência do desarmamento

excelentíssimo senhor director
ardilosos amigos do alheio
nosso prezado colaborador
atrasos na entrega do correio

não perca esta excelente ocasião
da santa mare igreja faleceu
resposta em carta à administração
de casa de seus pais desapareceu


Ainda não É o Fim nem o Princípio Calma É Apenas um Pouco Tarde

O Vale do Riff - Herbie Hancock, «Cantaloupe Island»

O Vale do Riff - Jack Teagarden, «Lover»

segunda-feira, novembro 02, 2009

Figuras de estilo - Vergílio Ferreira

Escrevo fundamentalmente porque a escrita me realiza, como a outros uma ocupação, mas sobretudo porque a escrita me dá acesso ao mundo do encantamento, do milagre, da verdade mais perfeita da vida.


Conta-Corrente I

domingo, novembro 01, 2009

Il faut se taire

Vi ontem «Les Chansons d'Amour», de Christophe Honoré. O filme interessou-me pouco, ao contrário da banda sonora, de Alex Beaupin, justamente premiada com um César. Do caraças. Fica aqui uma das canções.

sábado, outubro 31, 2009

acordes nocturnos

Palavra de Aust.

Instigante, o Abencerragem? A Aust. toma-o como tal -- e eu quero fazer-lhe a vontade. Vou aprovetar para mencionar sete blogues que não estão activos, e por esta ou aquela razão me instigaram na bloga.

músicas grandes - Carlos Seixas, Sonata #3 para cravo


Mário Marques

acordes nocturnos

sexta-feira, outubro 30, 2009

caderninho

CELEBRIDADE - As celebridades: preocupar-se com o mais pequeno pormenor da sua vida particular, a fim de as poder denegrir. Gustave Flaubert
Dicionário das Ideias Feitas (tradução de João da Fonseca Amaral)

O Vale do Riff - Erroll Garner, «Misty»

quinta-feira, outubro 29, 2009

Antologia Improvável #406 - Agostinho Neto (2)

Lá no horizonte
o fogo
e as silhuetas escuras dos imbondeiros
de braços erguidos
No ar o cheiro verde das palmeiras queimadas

Poesia africana

Na estrada
a fila de carregadores bailundos
gemendo sob o peso da crueira
No quarto
a mulatinha dos olhos meigos
retocando o rosto com rouge e pó de arroz
A mulher debaixo dos panos fartos remexe as ancas
Na cama
o homem insone pensando
em comprar garfos e facas para comer à mesa

No céu o reflexo
do fogo
e as silhuetas dos negros batucando
de braços erguidos
No ar a melodia quente das marimbas

Poesia africana

E na estrada os carregadores
no quarto a mulatinha
na cama o homem insone

Os braseiros consumindo
consumindo
a terra quente dos horizontes em fogo.


Poemas / No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)

O Vale do Riff - Byron Stripling, «Tiger Rag»

quarta-feira, outubro 28, 2009

Figuras de estilo - Cyro dos Anjos

Bem agem aqueles que acorrentam os homens e lhes dão um duro trabalho. Deixem-no folgado, e teremos o anarquista, o poeta, o céptico e outros seres que perturbam a vida do rebanho.



O Amanuense Belmiro

O Vale do Riff - K2R Riddim, «Dub En Do Mineur»

terça-feira, outubro 27, 2009

caderninho

Na vida do homem, a duração é um instante; a substância, fluente; a sensação, embotada; o composto de todo o corpo, pronto a apodrecer; a alma, um turbilhão; o destino, um enigma; a fama, uma vaga opinião. Em resumo, tudo o que respeita ao corpo, um rio; e a alma, sonho e fumo; a vida, uma guerra, um exílio no estrangeiro; a fama póstuma, o esquecimento. Que pode então guiar-nos? Única e exclusivamente a filosofia. Marco Aurélio
Pensamentos para Mim Próprio (tradução de José Botelho)

O Vale do Riff - The Charlatans, «The Only One I Know»

vip, vip, hurrah!

"Your blog is just perfect to learn something everyday",
disseram a Ana Paula e o Carlos Santos.
Generosidade a deles, mas ainda bem que o gozo que isto me provoca não se esgota em mim.
Um forte abraço a ambos.
E agora dez dos muitos em que aprendo sempre, obviamente sem contar com o
Catharsis e O Valor das Ideias:

domingo, outubro 25, 2009

cartoon


William Hanna & Joseph Barbera, «Little Runaway» (1952)

toda a gente e ninguém

Acho imensa graça a Miguel Sousa Tavares quando ele diz que «ninguém sabe quem é» Gabriela Canavilhas, recém-nomeada ministra da Cultura. Também o Daniel Oliveira, esta noite n'O Eixo do Mal, produziu uma coisa parecida, que não retive. Eu sei quem ela é, há vários anos, e, lucky me, até tenho um disco seu ( e de Ana Ferraz, canções de Alfredo Keil). Mas se não soubesse, confessaria a ignorância própria, em vez de fazer figuras tristes resguardando-me com toda a gente e ninguém.

sexta-feira, outubro 23, 2009

O Pulido Valente às vezes é parvo

O Vasco Pulido Valente é o publicista que melhor escreve, entre nós. Lê-lo é um verdadeiro prazer, excepto quando ele deixa de se dar ao respeito.
No Público de hoje, atira-se ao Saramago: depois da inevitável alusão ao prec, chama-lhe praticamente analfabeto funcional por não ter a escolaridade obrigatória e, no fundo, ser um autodidacta -- alguém que está impedido de aceder às misteriosas alegorias bíblicas. Um argumento maravilhoso.
A mim, entristece-me que o Pulido Valente, de inegável talento e saber, faça estas figuras de parvo. E não é a primeira. Se a memória não me atraiçoa, quando os restos mortais do Aquilino foram trasladados para o Panteão, ele ter-se-á referido à mediocridade do Aquilino (como agora se refere à mediocridade do Saramago).
O Saramago, goste-se ou não, é dos poucos escritores vivos em Portugal com voz própria -- e será um dos três ou quatro do seu tempo que muito provavelmente entrará no cânone. O que talvez não suceda com o Pulido Valente -- que ainda há pouco fazia figura de corpo presente num vomitório denominado "Jornal Nacional" da tvi.

O Vale do Riff - Dean Martin & Frank Sinatra, «The One I Love (Belongs To Somebody Else»)

Antologia Improvável #405 - Fernando Assis Pacheco (4)

DEMBOS

MONÓLOGO E EXPLICAÇÃO

Mas não puxei atrás a culatra,
não limpei o óleo do cano,
dizem que a guerra mata: a minha
desfez-me logo à chegada.

Não houve pois cercos, balas
que demovessem este forçado.
Viram-no à mesa com grandes livros,
com grandes copos, com grandes mãos aterradas.

Viram-no mijar à noite nas tábuas
ou nas poucas ervas meio rapadas.
Olhar os morros, como se entendesse
o seu torpor de terra plácida.

Folheando uns papéis que sobraram
lembra-se agora de haver muito frio.
Dizem que a guerra passa: esta minha
passou-me para os ossos e não sai.


Catalabanza, Quilolo e Volta / A Musa Irregular
foto

quarta-feira, outubro 21, 2009

Fumegando, fumando / com o seu ar importante de homenzinho...
Alexandre O'Neill

O Vale do Riff - Bob Dylan, «Ballad Of Hollis Brown»

terça-feira, outubro 20, 2009

A Igreja tá chateada

Normalmente discordo do Saramago. Interessa-me tanto saber o que ele pensa da Bíblia, como da situação no Afeganistão ou as cantigas d'amigo. Alguma coisa.

Gosto do seu racionalismo milita nte. «Não ataco deus, porque nele não existe, mas sim as religiões» -- li ontem no jornal. É assim mesmo. Desde que o fundamentalismo islâmico lançou as garras de fora, temos vindo paulatinamente a assistir a um recrudescimento do sectarismo cristão.
Vi agora, no Telejornal, o estimável Pe. Carreira das Neves a perguntar-se: «mas porque é que o Saramago se pôs agora a chatear (sic) toda a gente?!!...» Ah ah ah! É preciso ter lata. A Igreja anda há séculos a chatear toda a gente. Às vezes até mandava as pessoas para a fogueira...

É evidente que as várias igrejas desempenham um papel social muito relevante, desde logo na assistência aos mais pobres. Mas não o fazem desinteressadamente; há sempre um desígnio missionário. E com a missionação e a conversão, lá vem o condicionamento, a lavagem ao cérebro, as restrições à liberdade individual. Tudo depende do poder que tenham e da correlação de forças.

Bora lá chatear a Igreja mais um bocado. Até porque deus não existe e, portanto, andam há séculos a arengar, a arengar e a chatear toda a gente...

O Vale do Riff - The Yardbirds, «Shape Of Things»

segunda-feira, outubro 19, 2009

figuras de estilo - Silva Pinto

Encontrámo-nos pela primeira vez no Curso Superior de Letras. Foi em 1873. Cesário Verde matriculara-se no Curso, em homenagem às Letras, como se as Letras lá estivessem -- no Curso.


Posfácio a O Livro de Cesário Verde

O Vale do Riff - Dire Straits, «Down To The Waterline»

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domingo, outubro 18, 2009

divaneios

GJ distingue-me com a sua amizade, atribui-me um selo e deixa-me a divanear.
Três situações de conflito que possam ter-me levado ao divã:
1- Quando descobri que não era imortal, mais cedo do que seria previsível;
2- Quando se me tornou evidente que o melhor que de mim sai se destina a perecer;
3- Quando, para minha surpresa, cheguei à conclusão que a vileza não era apanágio de seres particularmente assustadores ou repelentes, mas se manifesta em quem menos esperamos, com as suas boas maneiras, fatos de corte, discurso articulado, palmadas nas costas.
Agora passo a quem quiser pegar-lhe.

clip - Go Jimmy Go! - «Set Me Free»

sábado, outubro 17, 2009

caderninho

Tudo o que é belo é um ser perfeito que a si mesmo se ilumina. Novalis
Fragmentos São Sementes (tradução de João Barrento)

músicas grandes - Antonín Dvorák, Sinfonia #9, «Do Novo Mundo» -- Adagio - Allegro molto



Dublin Philharmonic / Derek Gleeson

sexta-feira, outubro 16, 2009

Antologia Improvável #404 - Oliveira e Silva

CERTEZA

Uma haverá. Basta uma só. Nem quero nada
Mais. Também não importa como e quando.
Uma jovem mulher apaixonada,
Ardente, sofredora, ou cheia de alegria,
Que, num instante de emoção suprema,
Toque, encontre sua alma perturbada
Num verso meu, se reconheça, trema,
Surprêsa, chore, sem querer, ou ria...

Maravilhoso, mágico momento!
Vale bem uma bênção comovida.
Deslumbrado por êsse pensamento,
Reconheço um destino em minha vida.

Uma Estrêla no Amanhecer

O Vale do Riff - Big Bill Broonzy, «Hey Hey (Baby)»

quinta-feira, outubro 15, 2009

Todos os homens que choraram, durante a infância, no regaço de uma avó, lembram-se dela nas situações de maior desespero.

«Porque é tão importante ver as estrelas»,
Fronteiras Perdidas

O Vale do Riff - Archie Shepp, «Things Ain't What They Used To Be»


quarta-feira, outubro 14, 2009

caderninho

É em nome do real que os medíocres pretendem abafar o ideal nas almas despertas. Ora o real nada mais é do que um ideal que se realizou. É assim que os realistas se elevam contra os idealistas sendo também idealistas, mas idealistas partidários de um ideal que já cumpriu a sua missão e está então esgotado e morto. José Marinho
presença, n.º 31-32, Coimbra, Março-Junho de 1931

O Vale do Riff - Dexy's Midnight Runners, «Let's Make This Precious»

terça-feira, outubro 13, 2009

uma nótula sobre forma & conteúdo

(depois de ler uma tese redigida com os pés)
Pior que um livro mal escrito é um livro bem escrito, sem nada para dizer.

O Vale do Riff - Cara Dillon, «Bold Jamie»

segunda-feira, outubro 12, 2009

Ah! fortuna cruel, ah! cruel fado! / Que, se de cruéis lobos me vigio, / Das aves de rapina sou roubado.
Frei Agostinho da Cruz

O Vale do Riff - Elvis Costello & Quarteto Brodsky, «Jacksons, Monk And Rowe»

Gostei

1. Da vitória de António Capucho em Cascais. Não tendo afinidades com o PSD, reconheço o excelente trabalho que ele fez na área da cultura nos últimos oito anos, em especial a recuperação de sítios e acervos importantíssimos que escapam à generalidade do eleitorado, que não dão votos; e, por outro lado, a audácia com que tem surpreendido neste domínio. Por isso, votei nele (e só nele), sem problemas. Para a Assembleia Municipal e para a Assembleia de Freguesia de Cascais, a história foi outra.
2. Da vitória retumbante de António Costa em Lisboa, e o melão do BE, que sectariamente se afastou de José Sá Fernandes, uma grande figura cívica, ficando (o BE) a ver os navios na barra do Tejo. Lindo.

domingo, outubro 11, 2009

oh!, os quadradinhos

Eu nunca achei muita piada ao Garfield. (Rui Miguel Saramago)

cartoon

Art Leonardi, «Pink Plasma» (1975)

Antologia Improvável #403 - Geraldo Bessa Victor

LAMENTO DA MARICOTA

-- «Bom dia, senhor José.
Como passou? passou bem?»

Mas o senhor José virou a cara,
rudemente, com desdém.
E a pobre Maricota, que passara
mesmo ao lado,
a Maricota ficou
a cismar, a dizer com ar banzado:

-- «Aiué, senhor José!
Para quê fazer assim? [»]


Cubata Abandonada / No Reino de Caliban II
(edição de Manuel Ferreira)

sábado, outubro 10, 2009

músicas grandes - Jean-Philippe Rameau, Concerto para cravo #3 - La la Pouplinière - Rondement



Béatrice Martin (cravo), Patrick Cohën-Akenine (violino), Nima Ben David (viola da gamba)

sexta-feira, outubro 09, 2009

sabedoria escandinava

Em duas palavras: sapientíssima decisão do Comité Nobel norueguês a de atribuir o Prémio a Barack Obama, não apenas pelo muito que fez em tão pouco tempo, como pelo muito que ainda poderá fazer por um mundo menos absurdo.
[Nota: (11/X): Obrigado a JRMarto, que me alertou para a destroca de academias e comités...]

O Vale do Riff - Deep Purple, «Black Knight»

quinta-feira, outubro 08, 2009

figuras de estilo - José Saramago

O cornaca respirou fundo e disse com a voz rouca de emoção, Se vossa senhoria mo permite, tive uma ideia, Se já a tiveste não precisas da minha permissão,


A Viagem do Elefante

O Vale do Riff - Dave Holland, «Mr. P. C.»

quarta-feira, outubro 07, 2009

JornaL

Na entrevista a Luís Ricardo Duarte, no JL de hoje, António Lobo Antunes diz algo que todos os verdadeiros escritores sabem: «Não podemos ser complacentes connosco enquanto fazedores de livros. Se não for para ser o melhor, não vale a pena escrever. Se não for para dizer coisas que nunca foram ditas, não vale a pena escrever.» E, mais à frente, outra verdade consabida: «Escrever é muito difícil. E custa muito. Põe-se tempo e saúde, mas ao cabo e ao resto são os livros que são importantes.»
É duro, mas verdadeiro; e só para alguns, muito poucos.