O homem do DL, no Tintim no Congo.
terça-feira, maio 22, 2007
segunda-feira, maio 21, 2007
Antologia Improvável #227 - Campos de Figueiredo
AUTOCRÍTICA
Senhor! nunca me vi nem conheci
Dentro do negro abismo onde se esconde
O meu segredo humano, nem sei onde
Começa e acaba o que provém de ti!
Sei que errei o caminho e me perdi!
Agora, embora chame e grite e sonde,
No meu longo deserto, só responde
Ao longe, a voz do mar que nunca vi.
Em vão chamo por mim, em vão procuro
A luz que me pertence e que cintila
No fundo inquieto deste abismo escuro;
-- Fio de água sumido nas areias, --
Vejo estátuas dramáticas de argila
Com dedadas fatais de mãos alheias!
Poemas de Sempre / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
Senhor! nunca me vi nem conheci
Dentro do negro abismo onde se esconde
O meu segredo humano, nem sei onde
Começa e acaba o que provém de ti!
Sei que errei o caminho e me perdi!
Agora, embora chame e grite e sonde,
No meu longo deserto, só responde
Ao longe, a voz do mar que nunca vi.
Em vão chamo por mim, em vão procuro
A luz que me pertence e que cintila
No fundo inquieto deste abismo escuro;
-- Fio de água sumido nas areias, --
Vejo estátuas dramáticas de argila
Com dedadas fatais de mãos alheias!
Poemas de Sempre / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
domingo, maio 20, 2007
Caracteres móveis - Émile Zola
Espantado, Pedro examinava aquele horroroso rosto, o que cinquenta anos de trabalho e de miséria, de injustiça social haviam feito de um homem. Acabara por distinguir a cabeça branca, gasta, deprimida, deformada. Toda a derrocada do trabalho sem esperança sobre uma face humana. A barba inculta, ensilvando-lhe as feições, o ar de um cavalo velho que já se não tosquia, com as maxilas de través, depois de terem caído os dentes. Olhos vítreos, um nariz que quase tapava a boca. E principalmente aquele aspecto de animal arqueado pelas fadigas do ofício, escangalhado, abatido, bom unicamente para a matança.

Paris
(tradução de Pandemónio)
sábado, maio 19, 2007
Antologia Improvável #226 - Moreira das Neves
SÓ TU
Nas noites longas, em que a lua passa
No céu, como uma Ofélia opalescente,
Enchendo a terra de fulgor e graça
E arrebatando a alma a toda a gente;
Nessas noites de luz dorida e baça,
Noites de placidez e mágoa algente,
Uma rede de sonhos me embaraça
E eu tenho que sonhar, forçosamente.
Eu tenho que sonhar!... Mas em que sonho?
-- No teu aspecto angélico e risonho,
No teu pranto e tua voz, ó minha Mãe!
Só a tua boca, em sonhos, me sorri.
É em ti que eu sonho... E, não sonhando em ti,
Também não sonho em nunca mais ninguém!

Sonho Azul / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
Nas noites longas, em que a lua passa
No céu, como uma Ofélia opalescente,
Enchendo a terra de fulgor e graça
E arrebatando a alma a toda a gente;
Nessas noites de luz dorida e baça,
Noites de placidez e mágoa algente,
Uma rede de sonhos me embaraça
E eu tenho que sonhar, forçosamente.
Eu tenho que sonhar!... Mas em que sonho?
-- No teu aspecto angélico e risonho,
No teu pranto e tua voz, ó minha Mãe!
Só a tua boca, em sonhos, me sorri.
É em ti que eu sonho... E, não sonhando em ti,
Também não sonho em nunca mais ninguém!

Sonho Azul / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
sexta-feira, maio 18, 2007
quinta-feira, maio 17, 2007
Terapwho
Cheguei ao concerto com três músicas de atraso.
Quase a morrer com uma quebra de tensão, enfio-me pelo parque de estacionamento abaixo, sem me lembrar que tinha a bagageira posta em cima do tejadilho. À beira da síncope, tenho de tirar o carro em marcha-atrás num percurso «em caracol»... Valeram-me os guardas brasileiros do parque, excelentes praças.
«Who Are You?», era o que estavam a tocar. Espanto-me com a voz ainda potente do Roger Daltrey. O Pete Townshend, velho e bom, óptimo. Saltos pequeninos, e só ao princípio, mas aquele braço direito continua a rodar como há quarenta anos (vai na quinta década de Who...), e como ele toca bem! Clássicos da banda, um medley do último álbum, que não sei porque razão ainda o não comprei. Comovi-me quando chegou «The Kids Are Allright». O Zack Starkey, filho do Ringo, foi uma boa revelação à bateria. Muito público de quarentas, algum de vintes e sessentas, abundância de trintas e cinquentas.
Quando acabou, eu já me sentia melhor.
O Pete Townshend não partiu nenhuma guitarra.

5 décadas de Pete Townshend
quarta-feira, maio 16, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
Antologia Improvável #225 - Artur do Cruzeiro Seixas (2)
Há torpedos?
Há torpedos.
E há feras enjauladas.
E há o meu dia-a-dia
-- de que não vos falo --
e há fetos
e fetos
e a perna que se ergue e dança até despedaçar a luz
e desfolhar os lagos pétala a pétala
para descobrir que a morte é virgem.
E sobre estas visões
pressentem-se amigos como moedas falsas
líquidos que se infiltram nos poros da falésia
e que oferecem esta matéria fundida
onde ahbito.
Nesse tempo vestia-me eu de mapas
porque os países distantes valorizavam as minhas formas
e seguia pelas estradas
como uma corça ferida.
O poder das coisas intocáveis
nada sabe do que é tão natural quanto metafísico
como A VIDA.

Obra Poética III
foto: Agulha
Há torpedos.
E há feras enjauladas.
E há o meu dia-a-dia
-- de que não vos falo --
e há fetos
e fetos
e a perna que se ergue e dança até despedaçar a luz
e desfolhar os lagos pétala a pétala
para descobrir que a morte é virgem.
E sobre estas visões
pressentem-se amigos como moedas falsas
líquidos que se infiltram nos poros da falésia
e que oferecem esta matéria fundida
onde ahbito.
Nesse tempo vestia-me eu de mapas
porque os países distantes valorizavam as minhas formas
e seguia pelas estradas
como uma corça ferida.
O poder das coisas intocáveis
nada sabe do que é tão natural quanto metafísico
como A VIDA.
África 65

Obra Poética III
foto: Agulha
segunda-feira, maio 14, 2007
Caracteres móveis - Ramón del Valle-Inclán
Era verdade que eu fora o seu mestre em tudo. Aquela rapariga casada com um velho tinha a cândida inépcia das virgens. Há tálamos frios como sepulcros e maridos que dormem como estátuas jacentes de granito. Pobre Concha! Sobre os seus lábios perfumados pelas orações, os meus lábios foram os primeiros a cantar o triunfo do amor e a sua gloriosa exaltação: verso a verso, todo o rosário de sonetos de Pietro Aretino.
Sonata de Outono
(tradução de Rafael Gomes Filipe)
domingo, maio 13, 2007
Música para ar condicionado e mamas
Desagrada-me a apropriação da música pelas empresas de publicidade. Aborrece-me que a memória me imponha inevitavelmente um aparelho de ar condicionado sempre que oiço as primeiras notas da Primavera de Vivaldi, sem que o padre vermelho tenha disso a mínima culpa. O mesmo se passa com um número interminável de outros compositores; mas, ainda assim, estalo os dedos... e adiante.
Agora o que não tolero é um certo tipo de pastiche, a produção de fancaria que toma conta de uma qualquer composição e a macula. Li algures um protesto veemente do afável Pat Metheny, insurgindo-se contra uma colagem abusiva que um espertalhão chamado Kenny G. fez, com um registo de Louis Armstrong, já não recordo qual. Qualquer coisa como se o Marco Paulo ou a Ágata se pussem a cantar por cima dos Verdes Anos...
Há associações espúrias. A menor delas não foi com certeza o do maravilhoso Bolero ao lixo de um indivíduo denomimado John Derek e a sua grotesca Bo. Esta excrescência lepidolática acabou, contra todas as nossas forças, por enodoar a música em nós -- já que a obra de Maurice Ravel basta-se em si, saindo indemne desta e doutras malfeitorias. Mas nós, contemporâneos desse flato abaixo de hollywood, mesmo que nunca o tenhamos visto -- como sucede comigo, que nem sei o título da coisa, mas era um rapaz novo e provavelmente impressionável pelas mamas postiças de Bo --, mesmo que nunca o tenhamos visionado, foi tal o bru-á-á em torno daquilo, que eu e outros da minha geração estamos condenados à companhia da nódoa até à morte. É como uma fuga radioactiva, que está lá, a envenenar, até ao fim.
sábado, maio 12, 2007
Antologia Improvável #224 - Sérgio Godinho
CANTIGA DO FOGO E DA GUERRA
Há um fogo enorme no jardim da guerra
E os homens semeiam fagulhas na terra
Os homens passeiam co'os pés no carvão
que os deuses acendem luzindo um tição
Pra apagar o fogo vêm embaixadores
trazendo no peito água e extintores
Extinguem as vidas dos que caiem na rede
e dão água aos mortos que já não têm sede
Ao circo da guerra chegam piromagos
abrem grande a boca quando são bem pagos
Soltam labaredas pela boca cariada
fogo que não arde nem queima nem nada
Senhores importantes fazem piqueniques
churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria dos sangues fanados
e enxugam os beiços na pele dos queimados
É guerra de trapos, do pulmão que cessa
do óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
e o fogo penetra, vai direito ao centro

In José Mário Branco, Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades
Há um fogo enorme no jardim da guerra
E os homens semeiam fagulhas na terra
Os homens passeiam co'os pés no carvão
que os deuses acendem luzindo um tição
Pra apagar o fogo vêm embaixadores
trazendo no peito água e extintores
Extinguem as vidas dos que caiem na rede
e dão água aos mortos que já não têm sede
Ao circo da guerra chegam piromagos
abrem grande a boca quando são bem pagos
Soltam labaredas pela boca cariada
fogo que não arde nem queima nem nada
Senhores importantes fazem piqueniques
churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria dos sangues fanados
e enxugam os beiços na pele dos queimados
É guerra de trapos, do pulmão que cessa
do óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
e o fogo penetra, vai direito ao centro

In José Mário Branco, Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades
sexta-feira, maio 11, 2007
Caracteres móveis - Graham Greene
Ela disse a si própria, mesmo naquela altura: não sou eu. As outras pessoas é que são assassinadas. Eu não. A vontade de viver que não a deixara acreditar que aquilo podia ser o fim de tudo, para ela, para o eu que amava e apreciava as coisas, confortou-a mesmo quando a almofada estava já sobre a sua boca, não deixando que ela chegasse a perceber o horror completo enquanto se debatia sob as mãos dele, fortes, macias e pegajosas do açúcar em pó.

Assassino a Soldo
(tradução de Fátima St. Aubyn)
quinta-feira, maio 10, 2007
Um Casablanca negro
até porque O Bom Alemão é uma daquelas obras que são clássicas logo que se estreiam
Roseta
Helena Roseta não foi uma grande presidente da Câmara de Cascais. Os que lhe sucederam revelaram-se, porém, muito piores, catastroficamente piores. Lembro-me de vê-la a andar de bicicleta na Marginal e a pedalar pela Avenida Valbom acima, o que era interessante e mesmo inusitado num presidente de câmara daquela época. Se vivesse em Lisboa, era capaz de votar nela.
quarta-feira, maio 09, 2007
terça-feira, maio 08, 2007
Antologia Improvável #223 - Carlos Nejar (4)
SEM ESTRELA
A morte ia comigo e eu, com ela.
E vi o seu ridículo vestido,
o andar desajeitado e sem sentido,
o rosto com penteado de donzela,
sendo tão velha, velha, no ruído
de suas meias e sapatos de heras.
Então não resisti e me ri dela,
caçoava de seus gestos confundidos.
E desta sisudez que nada espera,
mas sabe que na vida um só gemido
pode fazê-la emudecer. Insisto
em rir de sua passagem sem estrela,
sem grandeza nenhuma. E se resisto,
é porque está em mim quem vai vencê-la.

Sonetos do Paiol ao Sul da Aurora / Antologia Poética
(edição de António Osório)
A morte ia comigo e eu, com ela.
E vi o seu ridículo vestido,
o andar desajeitado e sem sentido,
o rosto com penteado de donzela,
sendo tão velha, velha, no ruído
de suas meias e sapatos de heras.
Então não resisti e me ri dela,
caçoava de seus gestos confundidos.
E desta sisudez que nada espera,
mas sabe que na vida um só gemido
pode fazê-la emudecer. Insisto
em rir de sua passagem sem estrela,
sem grandeza nenhuma. E se resisto,
é porque está em mim quem vai vencê-la.

Sonetos do Paiol ao Sul da Aurora / Antologia Poética
(edição de António Osório)
segunda-feira, maio 07, 2007
domingo, maio 06, 2007
Figuras de estilo - Carlos Malheiro Dias
Já em Lisboa, o descaroável Pina Manique decretara leis contra o jacobino impudor dos trajos consulares e do império, que tinha chegado misteriosamente de Paris com a frescura de uma flor colhida de véspera. Se Madame de Saint-Hubérty aparecia uma noite na Ópera com a túnica suspensa dos botões cor de rosa dos seios e as pernas nuas como a palma da sua linda mão, na semana seguinte uma mocetona da rua dos Remolares vinha passear no Rossio, dentro da sege ou cadeirinha, com os redondos peitos aquecendo ao sol, e daí a um mês, em cada solar do Minho, uma sécia devota e puríssima fazia descer três dedos ao decote do vestido. Era a moda.

Paixão de Maria do Céu
sábado, maio 05, 2007
Não há maior glória para um poeta que ver os versos adoptados e apropriados pela comunidade a que pertence(u), nela se inscrevendo e com ela se fundindo para a posteridade. Mesmo se a utilização que deles se faça resulte nalguma trivialidade, mesmo resvalando para o lugar-comum, como tantas vezes sucede. Os legados camoniano e pessoano são disso o melhor exemplo.
O mesmo se dirá dos fragmentos poéticos aplicados a propósito de tudo e de nada, do jardim à beira-mar plantado de Tomás Ribeiro ao batem leve, levemente de Augusto Gil, do sei que não vou por aí! de José Régio ao Portugal, meu remorso de todos nós, de Alexandre O'Neill.
Falo desta transmissão oral, de pais para filhos, de professor a aluno. Se considerarmos o nosso moderno cancioneiro urbano, então a poesia ganha uma difusão enorme. Basta lembrarmos Povo que Lavas no Rio, de Pedro Homem de Melo, cantado por Amália Rodrigues, Pedra Filosofal, de António Gedeão, musicado por Manuel Freire, Queixa das Almas Jovens Censuradas, de Natália Correia, tão superiormente divulgado por José Mário Branco.
Por muito irritante que possa ser o abuso elocutório decorrente desta "vulgarização", é-o menos que a afectação pindérica com que diariamente tropeço na imprensa. Não irei tão longe como Pedro Homem de Melo, e do justificado gáudio autoral com que assistia à (sua) poesia subindo até ao povo; por mim, muito prosaicamente, acho já excelente esse pó de oiro que cai, vindo não se sabe donde, por cima do quotidiano compromisso de viver.
sexta-feira, maio 04, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
Antologia Improvável #222 - Mário Dionísio
CASA DESERTA
Ah nada pior que a casa deserta,
sozinha, sozinha.
O fogão apagado e tudo sem interesse.
O mundo lá longe, para lá da floresta.
E o vento soprando
e a chuva caindo
e a casa deserta...
Ah nada pior que estes dias e dias,
de cachimbo aceso, com as mãos inertes,
com todas as estradas inteiramente barradas,
ouvindo a floresta.
Com tudo lá longe, na casa deserta,
ouvindo eternamente o vento soprando
e a chuva caindo, na noite, caindo...
Há uma cancela de madeira que ginga nos gonzos.
E um velho cão de guarda que ladra sem motivo.
Parece que é gente que vem a entrar.
E é só o vento soprando, soprando,
e a chuva caindo...
Mudaram muita vez as folhas da floresta.
E os olhos do homem são olhos de doido.
Fogão apagado, aceso o cachimbo, o mundo lá longe.
Ah nada pior que a casa deserta,
cheia dum sonho imenso que ficou na cabeça.
A casa deserta na noite deserta.
E o vento soprando
e a chuva caindo
e a casa deserta...

Poemas
Ah nada pior que a casa deserta,
sozinha, sozinha.
O fogão apagado e tudo sem interesse.
O mundo lá longe, para lá da floresta.
E o vento soprando
e a chuva caindo
e a casa deserta...
Ah nada pior que estes dias e dias,
de cachimbo aceso, com as mãos inertes,
com todas as estradas inteiramente barradas,
ouvindo a floresta.
Com tudo lá longe, na casa deserta,
ouvindo eternamente o vento soprando
e a chuva caindo, na noite, caindo...
Há uma cancela de madeira que ginga nos gonzos.
E um velho cão de guarda que ladra sem motivo.
Parece que é gente que vem a entrar.
E é só o vento soprando, soprando,
e a chuva caindo...
Mudaram muita vez as folhas da floresta.
E os olhos do homem são olhos de doido.
Fogão apagado, aceso o cachimbo, o mundo lá longe.
Ah nada pior que a casa deserta,
cheia dum sonho imenso que ficou na cabeça.
A casa deserta na noite deserta.
E o vento soprando
e a chuva caindo
e a casa deserta...

Poemas
quarta-feira, maio 02, 2007
Caracteres móveis - Hipócrates
terça-feira, maio 01, 2007
Camarim
Só te reconheces ao espelho quando te olhas nos olhos. Encaras então a fraude em que te tornaste. Gostas de agradar. É para isso que tens opiniões. Não porque se ajustem ao que pensas, mas para subires no conceito deste e daquele. És agora tudo o que outrora repudiaste. A descrição que de ti fazem não te assenta como uma luva. Estás perigosamente postiço, por carência, por preguiça, por perversidade. Por isso não é bom o que o reflexo te devolve. Sabe-lo. Podes estar ressentido com a existência que te coube, mas não és estúpido. Olhas-te nos olhos do espelho. É lá que a verdade está. A que os outros não vêem. A que já te fugiu.
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