«Só depois de dobadas várias décadas sobre o dia em que Zarco se apossara da terra ignorada, é que o Atlântico se tornara, para os lusos, ser feminino -- Atlântida legendária e de novo virgem, que eles iam deflorando pouco a pouco, sob o impulso da ambição e da glória.» Ferreira de Castro, Eternidade (1933)
«Enquanto o adorável, desejado infante penou no desterro de Viena, o barrigudo senhor corria, sacudido na sua sege amarela, do botequim do Zé Maria em Belém à botica do Plácido nos Algibebes, a gemer de saudades do anjinho, a tramar o regresso do anjinho.» Eça de Queirós, A Cidade e as Serras (póst., 1901)
«Do plano desviado donde as observo, nenhuma rivalidade lhes perturba os modos brandos e sabe-me bem que assim seja. Agora, uma menina de cabelos escuros brinca sozinha, correndo descalça pela orla da espuma. Às vezes dobra-se, enterra as mãos na areia molhada, espera que a onda venha tocar-lhe os pés.» Isabel Rio Novo, A Febre das Almas Sensíveis (2018)
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«Por sua vez os documentos, desencantados por Faria e Sousa e Juromenha no palhagal das chancelarias, dão-nos Camões ora como escudeiro, ora como cavaleiro fidalgo. Que distinção há e qual o timbre?
Escudeiro ocupava na craveira por que se regulava o provimento dos cargos oficiais, tanto civis como militares, o penúltimo dos escalões. Dali para baixo, só o homem honrado, que não tinha outro préstimo que não fosse dar o corpo ao manifesto, assim como o soldado raso, esse o mais descido da hierarquia. Segundo parece, escalonavam-se tais dignidades por esta ordem: fidalgo da Casa de El-rei; moço fidalgo; moços da Câmara; do número e do serviço; escudeiro-fidalgo; homem honrado e soldado raso.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)
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