segunda-feira, setembro 16, 2019

eu cá, votava lá nela

Jo Swinson makes a speech

Jo Swinson ("Stop Brexit"), escocesa, líder dos Lib Dem


Corbyn a encanar a perna à rã, nem o pai morre nem a gente almoça, nem...


vozes da biblioteca

«Espiava por entre as árvores mirradas a ver se descobria palhotas, deitava uma mirada ao trilho onde assentava os pés.» Carlos Vale Ferraz, Nó Cego (1983)

«Lembrava-se vagamente de ter visto, pelo seu casamento, um rosto comprido de menino obstinado, onde brilhavam uns olhos escuros e zombeteiros e se desenhavam uns lábios talvez demasiado grossos, de expressão desdenhosa.» João Pedro de Andrade, A Hora Secreta (1942)

«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de Junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava.» Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires (póstumo, 1900)

sexta-feira, setembro 13, 2019

livros que me apetecem

Agnes Grey, de Anne Brontë (Relógio d'Água)
Criminal 1 - Cobarde, de Ed Brubaker e Sean Phillips (G. Floy Studio)
Junto à Pedra, de Fernando Guimarães (Afrontamento)
O Nu na Antiguidade Clássica, de Sophia de Melo Breyner Andresen (Assírio & Alvim)

quinta-feira, setembro 12, 2019

na estante definitiva

Um livro terrível e belo sobre a condição humana, em particular a feminina. Não é ficção, mas está escrito como se fosse, tal como sucede com Se isto É um Homem, do Primo Levi. A badana da capa dá-nos a forma, de modo justíssimo:
«Alexievich criou um novo género literário de não-ficção que é inteiramente seu. Escreve "romance de vozes". Desenvolveu este género livro após livro, apurando constantemente a estética da sua prosa documental, sempre escrita a partir de centenas de entrevistas. Com uma notável concisão artística, a sua perícia permite-lhe enlaçar as vozes originais dos testemunhos numa paisagem de almas.»
Por detrás da miséria e do sofrimento surge, em todo o seu esplendor, a beleza da fragilidade, da abnegação e do heroísmo humanos.
Não gostei da tradução, infelizmente, mas o alcance do livro ultrapassa esse senão.
Data de posse: Julho de 20017.
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher [1985], trad. Galina Mitrakhovich Amadora, Elsinore, 2016, 332 págs.

terça-feira, setembro 10, 2019

«Leitor de BD»




sobre Émile Bravo e Will Eisner

segunda-feira, setembro 09, 2019

criadores & criaturas

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Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, Valérian e Lauréline

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domingo, setembro 08, 2019

orquestrais & concertantes: Brahms, SINFONIA #3 (1883) .- IV. Allegro. Un poco sostenuto / Feddeck

silva

«As cidades perdiam os nomes / que o funcionário com um pássaro no ombro / ia guardando num livro de versos.» Carlos Drummond de Andrade, «Registro Civil», Brejo das Almas (1934)

«É terrível ter o destino / da onda morta na praia» Ruy Belo, «Para a dedicação de um homem», Aquele Grande Rio Eufrates (1961)

«Encostei meu ombro naquele céu curvo e terno» Francisco Alvim, «Hora», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1976)

sábado, setembro 07, 2019

olha, gostei de ouvir o André Silva,

em especial pela crítica final que faz ao Costa: barragens, que vão encher os bolsos à EDP e à Iberdrola, lixando os  rios selvagens; incentivo à extracção de minério (deve referir-se ao lítio, não sei se a outros). a agricultura intensiva (também foi boa aquela de ser a cap quem manda no ministério da Agricultura); e esqueceu-se (ou não teve tempo) de falar no projectado aeroporto e ampliação do Humberto Delgado. Dinheiro, crescimento económico, ou seja:  destruição, desertificação, hipoteca da qualidade de vida dos vindouros. Mas quem quer saber de quem andará por cá daqui a cinquenta anos?

«Coming In From The Cold»

sexta-feira, setembro 06, 2019

isto é que importa mesmo



A condenação a dez anos de cadeia de uma dirigente política da oposição turca, Canan Kaftancıoğlu , psiquiatra, feminista e obviamente laica.
É pena a política externa da UE estar desacreditada, com Ucrânias, Venezuelas, Kosovos e outros fretes aos americanos, de qualquer administração (então no 'caso Guaidó', o Santos silva até metia dó).

2 elogios a Cristas 2

Não sendo a minha praia política, registo a recusa da cooptação numa alegada geringonça de direita do espertalhão do Chaga ou do Besta, não sei bem; e também a recusa, ontem, no debate com Rio, a responder a uma pergunta cretina sobre género e casas de banho, ou lá o que era. Deveria a moderadora ter, em seguida, inquirido Rio sobre a posição do PSD a propósito das alterações ao código da estrada no que respeita à prioridade nas rotundas; ou a posição do PSD sobre a utilização de anabolizantes por crianços nos ginásios; ou a posição do PSD sobre a saída de Maria Cerqueira Gomes das manhãs da tvi; ou a posição do PSD sobre... Tenho a certeza de que se perguntasse ao Costa, ele respondia.
nota: soube da existência de Maria Cerqueira Gomes graças àqueles agregadores de notícias da net, em que metade delas não interessam a ninguém. Poderia dizer o mesmo acerca das que envolvem a pessoa em causa, mas não digo, apesar de só a conhecer de vista; estou até agradecido aos respigadores de futilidades (oh, sim, parece uma nota sexista; será? muito provavelmente. paciência, é prò lado que durmo melhor, e pesadamente. A seguir, hei-de escrever uma coisa mais séria. Está-me a apetecer, ambrósios, qualquer coisa sobre o Domingos Abrantes e o alegado museu do Salazar, com todo o respeito pelo primeiro, claro está.)

erotica


Jane Fonda, por Peter Basch

terça-feira, setembro 03, 2019

«Leitor de BD»








Sobre José Carlos Fernandes & Roberto Gomes e Alan Moore & Brian Bolland

estampa CCCLXX - Juan Gris


Guitarra numa Cadeira (1913)

domingo, setembro 01, 2019

na estante definitiva

Lê-lo, é deixar-se impregnar pela coragem de pensar -- "pensar contra si próprio" é o título de um capítulo --, tal como sucede, por exemplo, com Nietzsche; é não querer terminar e é perder a noção do tempo. É tentar, sem êxito, escrever qualquer coisa que se aproxime.

ficha:
E. M. Cioran, A Tentação de Existir, Lisboa, Relógio d'Água, s.d.
tradução: Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria.
ano da edição original: 1956.
185 págs.

orquestrais & concertantes: Beethoven, SINFONIA #3 (1804) - IV. Finale - Allegro molto / Bachmann

sexta-feira, agosto 30, 2019

JornaL

Boris Johnson. Chico-esperto. E, pelos vistos, a monarquia não serve para nada, Só não torço para que ela acabe porque assim deixaria de ver todos os dias a Kate Middelton, normalmente na secção das notícias estúpidas, como esta, de onde tirei a fotografia; mas tratando-se de uma mulher incrivelmente bela, quero lá saber. E antes uma foto dela do que deste PM que arrisca ser defenestrado.
Carlos Moedas. Parece que era o primeiro a levar a cacetada dos zombies da troika, no tempo de Passos Coelho. Não sei que papel teve no PSD quando este chumbou o PEC IV -- depois da comédia do leite achocolatado -- que nos entregou nos braços da dita troika; espero que não tenha esse cadastro. Amadureceu muito, e esteve bem durante a Geringonça, ao contrário de vários dos colegas de partido.
Chacais. Aqueles que já andam a enviar mensagens odientas aos pais da miudinha do medicamento de dois milhões.
Elisa Ferreira. Muito bem, claro.
Extinção. O Ministério Público pede a extinção do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas. Talvez fosse de pedir também a extinção do MP e fazer outro no seu lugar, com um Conselho Superior só constituído por trabalhadores. Gostava de lá ver, por exemplo, as peixeiras da lota de Cascais -- muito melhor figura.
Iberdrola. O Governo declarou de "imprescindível utilidade pública" a construção de duas barragens no Tâmega, a cargo da Iberdrola. A Quercus diz que um dos ecossistemas mais importantes do país vai ser abatido.  Depois do atentado em Alcochete, outro crime ambiental em perspectiva. Amazónia, não é?....
Partidos. É normal que gastem dinheiro em propaganda, comícios, espectáculos e até em brindes. Em agências de comunicação, enoja-me.
Polanski, grande Polanski. Terá sido um porco, mesmo bêbado e com uma mãe a pôr-lhe a filha adolescente a jeito. Nem há desculpa, nem é admissível uma perseguição eterna. Há quantas décadas isso foi? Não se retratou?; a vítima não lhe perdoou já?; o longo período em cativeiro na Suíça sem saber se seria extraditado para aquele país em que é perseguido por um juiz injusto, e certamente punheteiro, não foi já calvário suficiente? Não, claro que não, para estes inquisidores de meia-tigela. Mas ele aí está, e a fazer grande cinema. A propósito: a sua mulher e grande actriz é Emmanuelle Seigner. Seigner, mulher de Polanski há mais de trinta anos, declinou um convite para pertencer à academia de cinema de Hollywood, feito, aliás, depois de expulsar o marido. Onde estão os maus, os perversos?

terça-feira, agosto 27, 2019

«Leitor de BD»

Sobre Arlindo Fagundes e Hergé

segunda-feira, agosto 26, 2019

tira-se o chapéu a Macron (e a Putin)

por facilitar um diálogo de que ambos, Estados Unidos e Irão, precisam e querem. Que significado tem? Que o governo israelita e os falcões americanos estão em perda? Que o realismo venceu? É possível. O desencadear de uma guerra ali é perigosíssima, e uma das primeiras vítimas seria Israel, até porque não estou a ver muito bem (apesar da cumplicidade da Arábia Saudita com os americanos), como reagiriam a Turquia e, principalmente, a Rússia ao aniquilamento do Irão, com quem fazem fronteira.  

sábado, agosto 24, 2019

um elogio (e não é por causa do Salazar, embora também por isso o mereça) à Câmara de Santa Comba Dão

A pintura à esquerda integra um conjunto de seis grandes telas da autoria do enorme Columbano Bordalo Pinheiro, muitas vezes vislumbradas nos telejornais, pois está nos Passos Perdidos, na Assembleia da República, Da esquerda para a direita: Mouzinho da Silveira, Duque de Palmela, Duque de Saldanha e José da Silva Carvalho. Este, que também é natural de Santa Comba Dão, fundador do Sinédrio e um dos líderes políticos da Revolução de 1820, foi, em minha opinião, bastante mais importante para a História de Portugal do que Salazar. E a Câmara local está a celebrá-lo, culminando, no próximo ano com o bicentenário do vintismo, a mais transcendente revolução da nossa contemporaneidade, e de que o 25 de Abril representa uma espécie corolário. Um exemplo, pois, que deveria ser seguido -- o que talvez seja esperar demasiado dum país sem política cultural.

quinta-feira, agosto 22, 2019

que fazer com o Salazar? (com adenda)

O Salazar só me lembra coisas que detesto: primeiro, a manha da conservação do poder; depois: pobreza, pide, missas, bufos, censura, colonialismo e atraso, moral e mental, do povo, que ainda estamos a pagar. 
Museu sobre Salazar em Santa Comba Dão? Um museu tem critérios. Se eles se verificarem -- existem regulamentos para tal. Não faço ideia dos critérios da câmara do sítio, para além do centro interpretativo (palavras da moda, como curadoria e outras). Espero que haja massa crítica para que aquilo não seja um santuário, com venda de pagelas bentas do santinho, nem redunde na mostra do penico do Salazar numa caixa acrílica -- mas nunca se sabe.  Tem bom remédio, porém: vá à universidade, Coimbra, ali perto, ou outra, e se quer fazer coisa séria, convide-a para parceira no delinear de um projecto e coordenação, e com isso mata o assunto.
Goste-se ou não, o Salazar governou este país durante quarenta anos. Foi, portanto, um dos homens que mais o influenciou, em quase nove séculos, que é o tempo que já levamos disto. A sua terra lembrá-lo -- agora, ontem, daqui a vinte anos -- é uma inevitabilidade, e pode fazê-lo bem, criticamente, ou não. Mas nesse caso já não será um museu. O que sempre me irrita são os activistas do costume (ponho de lado os antigos presos políticos) disfarçados de historiadores e cientistas sociais (oh...) a descabelarem-se em abaixo-assinados no facebook, tudo tão pequeninamente miserável e reles...

Adenda: entretanto fiquei a saber - e já poderia sabê-lo se tivesse consultado o sítio da CM de Santa Comba Dão, que o projecto está a ser coordenado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da U. Coimbra, o que assegura toda a fiabilidade do projecto. Parabéns, pois, à CMSCD.

Adenda 2: esta conversa liga-se à "Questão dos Descobrimentos", em que mais uma vez se mostra  a farsa intelectual veiculada por ideólogos travestidos de historiadores e afins.

não sei se náusea ou vontade de rir

Porquê decretar serviços mínimos durante uma greve numa companhia aérea irlandesa de baixo custo, conhecida pelas maravilhosas condições que proporciona aos seus trabalhadores -- ou colaboradores, se quiserem em dialecto sonso-estúpido e analfabeto?
Não há outras companhias aéreas alternativas, a começar pela TAP?
Que precedentes são estes num governo que se diz de esquerda, não sei se náusea ou vontade de rir?
Quando a direita voltar ao poder, se calhar mais cedo do que se pensa, já tem o caminho aberto e à vontade para fazer o que lhe vai na alma, e nunca teve coragem para tal.

A esquerdice deve estar no comunicado, gastando tinta, tempo, espaço e a paciência dos outros quando se refere aos cidadãos e às cidadãs (arre, que miséria!) 
Ena pá, é tão de esquerda, cidadãos e cidadãs, avião e aviã, a cona da mãe e o cono do pai; agora pessoal a lutar para ter 22 dias úteis de férias e outras merdas sem interesse nenhum, isso é que não pode ser.

O que andaríamos a chamar agora ao Passos Coelho?

terça-feira, agosto 20, 2019

«Leitor de BD»

sobre Takashi Murakami e Hergé

domingo, agosto 18, 2019

vozes da biblioteca

«Para estar de acordo com o horário dos trens devíamos chegar às oito horas e alguns minutos à estação, e estou certo de que assim teria acontecido se não fosse o folgado e paciente atraso de duas horas e meia, que tivemos de aturar dentro dos compridos wagons de primeira classe, nada inferiores ao cárcere duro. Coelho Neto, A Capital Federal (1893)

«Para mim, João Jorge nasceu na noite em que o mataram, nas hortas a caminho da Vila Chã.» Bruno Vieira Amaral, Hoje Estarás Comigo no Paraíso (2017)

«Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.» Machado de Assis, Dom Casmurro (1900)

quinta-feira, agosto 15, 2019

a crise energética, como eu a leio

De férias e sem televisão, e só agora com net no domicílio estival, não tenho visto tudo sobre a greve; mas o que li nos jornais e ouvi na rádio possibilitam-me escrever o seguinte:

1. O que parece incontroverso: o descontentamento elevado dos motoristas de pesados, em especial os das matérias perigosas, daí a forte adesão a esta greve.

2. Ordenados mínimos para estes trabalhadores, com extras pagos por baixo da mesa, de acordo com as notícias; ou seja: em baixa médica ou reforma, o trabalhador vence pelo mínimo. Além disso, fuga aos impostos por parte dos patrões.

3. Ao anunciarem uma greve por tempo ilimitado,  os dois sindicatos estão a dar um passo maior que a perna. Obviamente que o estado não pode ficar de braços cruzados em questões estratégicas. Crítica ainda aos sindicatos, por darem pretexto ao governo por exercer a maior limitação alguma vez vista ao direito à greve.

O que me leva à questão política: o PSD tem razão quando denuncia a dramatização do governo; no entanto essa oportunidade foi concedida de mão beijada a António Costa pelos sindicatos grevistas, não só porque a greve é impopular (a maralha está sempre pronta a reclamar, mas, quando mexem com os seus interesses, endossa sempre a autoridade), como ainda não se apagou da memória a nódoa dos fogos de 2017, de que obviamente não foi o principal 'culpado', mas não se pode eximir à responsabilidade pela actuação da Protecção Civil.

A forma como se procurou matar a greve no ovo foi um golpe de génio, dirão alguns. Sim, temos um primeiro-ministro que é um habilidoso, um verdadeiro artista, como diria o outro; mas estas habilidades são dispensáveis e lesivas de uma vida democrática sã. Não é porém de agora, nem deste governo, mas não deixa de ser nauseante assistir ao cerceamento de um direito fundamental por parte do executivo da Geringonça. Não há-de a direita estar desorientada e em decomposição...

Verifico que é um sindicato da CGTP que esvazia a greve. E talvez com ganhos de causa, o que lhe dará alguma razão. Isso os especialistas dirão. Mas não deixa de ser curioso.

Finalmente, não tenho opinião formada sobre Pedro Pardal Henriques. Está na linha de fogo, inevitàvelmente. Se, como por aí se diz, vier a tornar-se candidato às legislativas por um partindúnculo qualquer, mostrará que não passa de um aventureiro e um espertalhão. No entanto, merece o benefício da dúvida, como qualquer pessoa. A circunstância de ser filho e irmão de motorista, também não é indiferente. Mas, centrar o problema neste indivíduo é querer fazer dos outros parvos, pois a questão essencial, com ou sem Pardal Henriques, está lá em cima, no ponto n.º 1.

P.S. (21-VIII): a candidatura confirma-se, por um partido sem credibilidade. São dois descréditos em um.

segunda-feira, agosto 12, 2019

«Leitor de BD»

Sobre André Oliveira e Joe Musial, no jornal i

terça-feira, agosto 06, 2019

criadores & criatura



Eddy Paape, Greg e Luc Orient


segunda-feira, agosto 05, 2019

«Sympathy For The Devil»

«Leitor de BD»


Sobre José Ruy, Daeninckx & Tardi, no i.

vozes da biblioteca

«Experimento um prazer em saborear este sol e este cheiro infantil, a carteira, o giz, o quadro.» Antoine de Saint-Exupéry, Piloto de Guerra (1942) (trad. Ruy Belo)

«Ora, se há coisas que as mulheres de sociedade desejam ver, e encontravam-se ali mulheres de sociedade, é o interior dessas mulheres cujas carruagens salpicam de lama as suas, diariamente, que têm, como elas e ao lado delas, um camarote na Ópera e nos Italianos, e que exibem, em Paris, a insolente opulência da sua beleza, das suas jóias e dos seus escândalos.» Alexandre Dumas, Filho, A Dama das Camélias (1848) (trad. Sampaio Marinho)

«Teriam ambos quarenta anos, mas as linhas angulosas das suas feições denotavam energia, mais acentuada ainda pela barba espessa e hirsuta.» Emilio Salgari, O Corsário Negro (1898) (trad. A. Duarte de Almeida)

sexta-feira, agosto 02, 2019

quinta-feira, agosto 01, 2019

erotica


Marisa Papen, por Laurent Masurel

quarta-feira, julho 31, 2019

estampa CCCLXIX - Italo Ferro


Aeropintura

os estúpidos no meio de nós

O secretário de estado da Protecção Civil, José Artur Neves, de quem até anteontem nunca ouvira falar, está no epicentro de dois casos polémicos, mas que, aparentemente, nada têm que ver um com o outro. O primeiro, o das célebres golas que eram inflamáveis mas que afinal já deixaram de o ser, contratadas com uma empresa que nem é de vão de escada mas de tenda de campismo, tem todo o aspecto da negociata manhosa dos chicos-espertos oriundos das jotas e que paulatinamente vão tomando conta do país, com toda a sua inépcia, todo o seu arrivismo, toda a falta de vergonha -- os tais vilões de que falei aqui, usando o Estado como se fosse coisa sua.
O outro caso parece bem diferente: o filho do secretário de estado é engenheiro civil e detém uma quota, creio que de 15%, numa empresa de construção. Esta, em concursos públicos, vê adjudicada empreitadas na Universidade do Porto e no Hospital de Vila Franca de Xira. De acordo com a lei, parece que há aqui uma irregularidade, ou mesmo um crime...
Ou seja: se eu for accionista de uma editora de livros escolares e tiver o azar de uma cunhada, casada com um dos meus sete irmãos, ser subsecretária de estado da pesca artesanal ou do bem-estar animal, já estou inibido -- eu e os meus sócios --, à face da lei, de ter qualquer tipo de contacto e de contrato com o Ministério da Educação. Num país pequeno, em que somos todos mais ou menos primos e cunhados uns dos outros,  esta disposição legal idiota já deve ter sido quebrada em todos os ministérios de todos os governos.
Trata-se, aliás, uma lei que pede ela própria para ser infringida. Não por especial perversidade do legislador, mas porque este não pôde deixar de ser um mentecapto. No Direito, aliás, assiste-se a uma concentração notável de mentes brilhantes, mas também de cavalgaduras. Já tropecei em algumas: do jurista que faz regulamentos insanos, a cabecinha cheia de trampa, ao causídico que pariu uma longa alegação, repetindo três vezes os mesmos argumentos, não sei se para que o meretíssimo percebesse ou o próprio ficar ciente do que escrevinhara.
Já agora, acho muito bem todas as associações de transparência, quero até uma em cada freguesia; mas não podem limitar-se a ser uma espécie de pan do sector: não basta invocar a lei; devem também ser pedagógicos e dizer que esta é uma lei estúpida, feita por estúpidos e incumprível. Mude-se portanto a lei, já que não podemos mudar os estúpidos, pois eles estão no meio de nós, e convencem-se de que têm coisas a dizer.


terça-feira, julho 30, 2019

«Moritat»

onde páram os vilões?

É fartar vilanagem! O poder atrai sempre os parasitas expeditos para as negociatas de ocasião. É da natureza humana, em relação à qual não tenho grandes ilusões; e para os combater há os mecanismos de controlo do estado democrático (quantas vezes sem meios) e a imprensa para noticiar e denunciar -- felizmente. Mas os vilões não se encontram apenas na infraestrutura dos faz-tudos da política, sempre à espreita da oportunidade; gostemos ou não, a vilania termina na elite dirigente que, mesmo com as mãos limpas num primeiro olhar, fecham os olhos e assobiam para o lado, para não verem as cenas indecorosas, para não inalarem o mau cheiro que vem do esgoto do arrivismo, não se coibindo porém de colher os frutos fertilizados pelo estrume.


segunda-feira, julho 29, 2019

Pinharanda Gomes (1939-2019)

Um dos mais impressionantes, fecundos e modestos intelectuais que tive a honra de conhecer. Referia/se a si próprio, se calhava, como 'o Pinharanda', e apresentava-se como funcionário de uma casa de máquinas agrícolas.

«Leitor de BD»

A partir de hoje, às segundas, no jornal i, e depois aqui.

sábado, julho 27, 2019

vozes da biblioteca

«Ai os turcos, uns porcos, tanto comiam batata crua, como comiam carne de gazela, uma carne preta que eu não sei o que era aquilo, mas remelgavam os olhos quando vissem a gente comendo carne de porco!» Olga Gonçalves, A Floresta em Bremerhaven (1975)

«Ainda os membros dispersos do cadáver de Domingos Leite Pereira apodreciam nos postes, quando saiu uma procissão de triunfo a desempestar especialmente as Ruas dos Torneiros e da Fancaria.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

«O leitor provavelmente há-de ter jornadeado alguma vez; sabe portanto que o grato e quase voluptuoso alvoroço, com que se concebe e planiza qualquer projecto de viagem, assim como a suave recordação que dela guardamos depois, são coisas de incomparavelmente maiores delícias, do que as impressões experimentadas no próprio momento de nos vermos errantes em plena estrada ou pernoitando nas estalagens, e mormente nas clássicas estalagens das nossas províncias.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)

orquestrais & concertantes: Bartók: O MANDARIM MIRACULOSO ([1918-24] 1926 / Uzcategui

na estante definitiva


Da posse: Outubro de 1990. Apesar do título esquipático, é um livro muito bem esgalhado e arrumado: como escreve o autor no prefácio, trata-se de uma «história da arte, e portanto já menos uma história das obras de arte, e ainda muito menos a crónica delas.» Deu-me imenso jeito quando preparava as 100 Cartas a Ferreira de Castro (1.ª ed., 1992), e que cito na bibliografia. Profusamente ilustrado com reproduções a preto e branco, uma importância acrescida nesse tempo em que ainda não navegávamos na net; e apesar da modéstia das reproduções era um gosto folhear e confrontar as obras no seu tempo histórico. Foi aqui que pela primeira vez vi A Cega Sanha do Povo, de Roberto Nobre, publicado n'O Diabo, em 1935; e talvez também o Café, do Portinari, do mesmo ano, com toda a repercussão que teve na Exposição do Mundo Português (1940), em especial junto dos jovens pintores e dos doutrinário do neo-realismo. Na capa, um ícone neo-realista, O Almoço do Trolha, do Pomar, de 1946.

ficha:
Fernando Alvarenga, Afluentes Teórico-Estéticos do Neo-Realismo Visual Português, Porto, Edições Afrontamento, 1989. 209 págs.

quinta-feira, julho 25, 2019

criadores & criatura



Francis, Maurice Tillieux e Marc Lebut



terça-feira, julho 23, 2019

segunda-feira, julho 22, 2019

vozes da biblioteca

«de Lisboa e das cortes estrangeiras / não saberei dizer-te cousa alguma, / que o tempo todo gasto em ler Virgílio / no meu pobre, mas certo domicílio.» Correia Garção, «Epístola a Olino», Obras Poéticas (póst. 1778) / M. Rodrigues Lapa, Poetas do Século XVIII

«Fugir!... Deixar / essa tristeza de ser nau -- e não vogar, / Essa agonia de ser livre -- e de estar preso!...» João de Barros, Oração à Pátria (1917)

«Os botes tinham sido descidos de navios esguios, / as suas velas como lenços de cabeça de mulher, / mas imensos e brancos, / desenhados a cruzes» Ana Luísa Amaral, «O sonho», Escuro (2014) 

sexta-feira, julho 19, 2019

quarta-feira, julho 17, 2019

na estante defintiva

da posse: Uma capa austera, quase pobre, mas com fundo suave, que me cativou logo. A data da compra: «Natal 87», creio que foi na velha Livraria do Parque, no Estoril.  A Assírio & Alvim entrada já no período de ouro de Manuel Hermínio Monteiro.
É um dos livros da minha vida? Sem dúvida. Da poesia autóctone em língua árabe, creio que então só conhecia o Poema de Alcabideche, do Ibn Mucana, que aqui também surge em nova versão; e foi como se entrasse num pátio andaluz, para utilizar imagem a preceito.
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987, 190 págs.

terça-feira, julho 16, 2019

vozes da biblioteca

«A fúria do cão enchia-o de um atrevimento nervoso, como se Margarida estivesse em perigo ou o quisesse experimentar criando-lhe um inimigo inferior.» Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal (1944)

«Depois os ossos ficam limpos, tanto lhes faz, de chuva lavados, de sol cozidos, e se era pequeno o bicho nem a tal chega porque vieram os vermes e os insectos coveiros e enterraram-no.» José Saramago, Levantado do Chão (1980)

«Era uma paixão, uma paixão da alma, a mocidade na velhice, essa ânsia impotente dum coração que quer romper os tecidos atrofiados de cinquenta e cinco anos para dar quatro pulos em pleno ar.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Arcediago (1854)

estampa CCCLXVIII - Federico Beltrán Masses


A Noite de Eva (1929)

segunda-feira, julho 15, 2019

lista para a estante definitiva (1-6)

(no seguimento deste post)

1. A Catedral, de Manuel Ribeiro (1920) - Literatura portuguesa. Romance.
2. A Guerra Não Tem Nome de Mulher, de Svetlana Alexievich (1985) - História da II Guerra Mundial.  História do Século XX. Historiografia.
3. A Tentação de Existir, de E. M. Cioran (1956) - Ensaio. Filosofia. Fragmentos.
4. Afluentes Teórico-Estéticos do Neo-Realismo Visual Português, de Fernando Alvarenga (1989) - História da arte. História de Portugal. História do Século XX.  
5. O Meu Coração É Árabe, de Adalberto Alves (1987). Poesia. Poesia do Al-Andaluz. História de Portugal.
6. Os Charutos do Faraó, de Hergé (1934/1955). Quadradinhos. BD franco-belga.
[acho que vou fazer um blogue só para isto, com comentários a cada livro]

sexta-feira, julho 12, 2019

vozes da biblioteca

«a recta, a espiral, e o nada / que só à filigrana se consente, / são todo o meu orgulho, e no final / ter desenhado esse lugar exacto / onde em segredo posso ser humano.» António Franco Alexandre, Aracne (2004)

«Vão, sem destino, errando ao sabor da corrente.» João de Barros, Algas (1900)

«você me diz psiu, violência / no jeito de piscar as pálpebras» Ademir Assunção, Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil (ed.. Claudio Daniel e Frederico Barbosa, 2002)

quarta-feira, julho 10, 2019

pelo direito de Bonifácio a ser simplória

Fui ler. O artigo de Maria de Fátima Bonifácio não passa dum arrazoado de generalizações da vox populi, de que a senhora irremediavelmente é porta-voz, sem um mínimo de problematização e muito menos sofisticação. Parte de generalizações e lugares-comuns sobre ciganos e africanos para deles extrair uma representação geral que é indigna de qualquer intelectual, condição a que Bonifácio  renunciou para juntar-se aos venturas e outros espertalhões de feira.
Mas nem pensar admitir que o Estado, através do ministério público ou do governo, se atreva a proceder contra a senhora, que se autodesqualificou com aquele texto, duma indigência que só encontra paralelo nas chamadas 'redes sociais' ou nas caixas de comentários dos jornais, era o que faltava. A estupidez institucional é muito pior e mais danosa do que a nesciedade individual.  Bonifácio é uma cidadã que goza do direito à opinião e de liberdade de expressão, pelo que qualquer tentativa de criminalização não pode ser admitida e deve ser contestada com a mesma veemência com que se tem de combater o racismo e a xenofobia -- e, já agora, as organizações criminais que passam por entidades políticas e concorrem alegremente a eleições.  Causas como o combate ao racismo, à xenofobia e a outras exclusões dispensam bem os polícias da linguagem e os agentes fardados do controlo do pensamento. Ideias básicas ou parvas combatem-se com argumentos; no caso de desonestidade intelectual, há sempre recurso à ironia queirosiana. Costuma ser mortal.

terça-feira, julho 09, 2019

erotica


Hoang Viet Nguyen

vozes da biblioteca

«Depois o silêncio, a mudez concentrada da noite, a nuvem negra coalhada sobre as ruínas da vila toda lavada em lágrimas.» Raul Brandão, A Farsa (1903)

«Eu, que nunca fui poeta, não consigo ignorar o encanto docemente melancólico do crepúsculo, quando a noite desce devagar.» Isabel Rio Novo, A Febre das Almas Sensíveis (2018)

«Sentei-me, contra o muro, a uma das mesas do mais vulgar mármore rosa, e mandei vir não sei quê que me não apetecia tomar.» José Régio, Jogo da Cabra Cega (1934) 

domingo, julho 07, 2019

orquestrais & concertantes: Copland, RODEO (1943) V. Hoe-Down / Roth

vozes da biblioteca

«A velha casa na colina usava o telhado inclinado com beiral como quem usa um chapéu de aba descaída enterrado até às orelhas.» Arundhati Roy, O Deus das Pequenas Coisas (1997) (trad. Teresa Casal)

«Apesar de estar a tocar a segunda chamada, continuavam todos ali, em cachos, para respirarem o cheiro a molhado, a verde dos álamos, a relvas regadas, que refrescava os rostos suados, misturando-se com hálitos de terra e de crostas cujas gretas se fechavam ao fim de longa seca.» Alejo Carpentier, A Perseguição (1956) (trad. Margarida Santiago)

«Chamava-se Faunia Farley e, fossem quais fossem os sofrimentos que suportava, escondia-os atrás de um daqueles inexpressivos rostos ossudos que não escondem nada e denunciam uma imensa solidão.» Philip Roth, A Mancha Humana (2000) (trad. Fernanda Pinto Rodrigues)

João Gilberto (1931-2019), «O Barquinho»

sexta-feira, julho 05, 2019

estampa CCCLXVII - Edgar Degas


Depois do Banho (c. 1883)

vozes da biblioteca

«o vento / leva-lhe a quase / saia / e vê-se a jóia / surpresa lapidada» Frederico Barbosa, «Paulistana de Verão», Cantar de Amor Entre os Escombros (2002)

«Pior, pior de tudo foi ter sido / par de Camões que continua vivo / só pele e canto ossificado em espanto» António Barahona, Rizoma (1983)

«Vitorioso o rei regressa à frente dos exércitos / e há fome e peste nas aldeias arrasadas.» Manuel Alegre, Praça da Canção (1965)

quarta-feira, julho 03, 2019

criador & criatura

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François Craenhals e Cavaleiro Ardent

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quinta-feira, junho 27, 2019

quarta-feira, junho 26, 2019

em bicos de pés

O tipo que passa por alguém e se cruzou com o Kissinger no check in, e vem dizer para a bloga ou para os jornais. «Certa vez, em viagem com Kissinger (...)»; ou quando alguma figura morre, um fartar de intimidades, que provavelmente nunca existiram mas que podem alardear-se à vontade sem haver grandes riscos de desmentidos ou rectificações; ou o indivíduo de antes dos voos charter para os destinos paradisíacos,  que nunca passara de Badajoz mas se referia à passeata como uma ida ao estrangeiro.
Risível, mas verdadeiro, até com gente não desprovida de valor, como o Torga, para quem, no Diário, quase não há confrade que lhe mereça duas linhas, a não ser se for defunto e ícone (trocou duas cartas com o Fernando Pessoa, que o detestou) ou ícone e estrangeiro: quando fala dos seus encontros com a Yourcenar ou o Borges -- que até aí lhe desconheciam a existência, não fora o protocolo de estado querer mostrar que também tínhamos.
Enfim, lembrei-me disto ao passar por um caramelo bem embrulhado. 

50 discos: 31. FURA FURA (1979) - #7 «Achégate a Mim Maruxa (Cantar Galego)»



terça-feira, junho 25, 2019

autobibliografia

Os livros, portanto. Nada mos substitui, troco quase tudo pela sua companhia. Não de todos os que possuo, é claro. Ter muitos livros é prático e aconchegante, mas o meu desígnio de despojamento seria munir-me apenas de algumas centenas -- uma boa estante -- e neles mergulhar uma e outra vez, nunca descurando, porém, novas leituras, sempre na expectativa de ir forçando a estante ideal. Apetece-me cada vez mais essa selecção.

segunda-feira, junho 24, 2019

estasmpa CCCLXVI - Norman Engel


Primavera (2016)

sexta-feira, junho 21, 2019

quarta-feira, junho 19, 2019

vozes da biblioteca

«O mouro Bichara, engajado quem sabe a pulso, um dos tantos heróis esquecidos na hora das celebrações e das recompensas: o almirante cobre-se de glória, os marinheiros cobrem-se de merda -- apesar de erudito, Raduan Murad tinha a boca suja.» Jorge Amado, A Descoberta da América pelos Turcos (1994)

«Sobre isto, um tom denegrido e uniforme: a humidade entranhou-se na pedra, o sol entranhou-se na humidade.» Raul Brandão, Húmus (1917)

«Trazia o cabelo sujo e desgrenhado; alguns fios partiam da densidade do todo e enroscavam-se-lhe na testa, como as gavinhas que saem de sob as folhas das videiras à procura de um corpo para se abraçarem.» Ferreira de Castro, A Experiência (1954)

terça-feira, junho 18, 2019

50 discos: 27. DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN (1978) - #7 «Factory»



o dever de registar

Não tive o benefício de conhecer Ruben de Carvalho, embora lhe deva alguns momentos da minha vida de Baden Powell aos Dexy's Midnight Runners, passando pela única ocasião em que vi cantar o Adriano Correia de Oliveira, único e inexcedível. Tive algum pudor em escrever mais um obituário, mas ontem ao deitar-me, ouvi-o nas suas «Crónicas da Idade Mídia», num programa que creio não ser repetição, antes um póstumo... E falava do Pete Seeger, que também trouxe, e que vi no velho Pavilhão dos Desportos (no Ao Vivo em Lisboa também lá está gravada a minha voz a entoar o We Shall Overcome e o Guantanamera) -- falava do Pete Seeger com uma fluência, um gosto e um saber que saboreei como se fora a primeira vez que o ouvisse. E, portanto, resolvi deixar-me de pruridos sem sentido; e já que de dívida se trata, de mim para com ele sem que nos conhecêssemos, aqui cumpro para comigo mesmo o meu dever de registar.


(imagem daqui) 


segunda-feira, junho 17, 2019

vozes da biblioteca

«A infância mantinha-a viva.» Sarah Adamopoulos, «Sozinha no cemitério», A Vida Alcatifada (1997)

«-- Este cão é um grande sacana, caça um bocado e depois põe-se a fazer a parte, olha para ele, está-se nas tintas para as codornizes e para nós.» Manuel Alegre, Cão como Nós (2002)

«Só ao ar livre é que o seu tamanho variava e, se por acaso estivesse muito tempo sem dizer palavra, até seria bem capaz de desaparecer chão abaixo ou quase. Alface, Um Pai Porreiro Ganha Muito Dinheiro (1997)

domingo, junho 16, 2019

orquestrais & concertantes: Bartók, CONCERTO PARA ORQUESTRA (1943) - IV. Intermezzo interrotto / Ozawa

cabaz da feira

À Margem da História, de Euclides da Cunha (Martin Claret)
Cartas Dispersas, de Camilo Castelo Branco, edição de Castelo Branco Chaves (Campo das Letras)
Contos Amazônicos, de Inglês de Sousa (Martin Claret)
Nós, de Evgueni Zamiatine (Antígona)
O Ateneu, de Raul Pompéia (Martin Claret)
Terra Morta, de Castro Soromenho (Cotovia) 
Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar (Companhia das Letras)

sábado, junho 15, 2019

vozes da biblioteca

«Para o humilde autor deste relato, os casos tiveram o seu berço foi mesmo nesse esquecido ano de mil oitocentos e oitenta, aquando da chegada a Luanda de um moço benguelense, de sua graça Jerónimo Caninguili.» José Eduardo Agualusa, A Conjura (1998)

«Respondiam três, respondiam quatro, sabia-se lá, e abriam caminho a disputar a primazia, procurando iludir o sobrenome de baptismo.» Manuel Ferreira, Hora di Bai (1962)

«Sempre de nariz no ar e olhos investigadores ao lado dos operários, que a detestavam porque ele intervinha em todos os pormenores -- olhe isto, olhe aquilo, assim não está bem, faça assim, faça assado -- de tal forma se portara que, durante semanas e mais semanas, a vida tivera um incómodo sentido provisório no meio do movimento e da desordem em que tudo aquilo andava.» Ferreira de Castro, A Curva da Estrada (1950)

estampa CCCLXV - David Jagger


Uma Senhora Elegante (c. 1930)

«Combination Of The Two»