segunda-feira, novembro 02, 2026

1 verso de Carlos Queirós

«À procura de Deus, andamos todos nós,» 

Desaparecido (1935) - «Obstinação»

esboços de Mortadelo, por F. Ibañez

 




domingo, novembro 01, 2026

alguns dos melhores de nós estiveram esta madrugada nas praças de Lisboa e do Porto

Vontade de rir. Quando um oficial da PSP exorta, através do megafone, os "senhores manifestantes" a retirarem as "estruturas não autorizadas" da Praça D. Pedro IV. As "estruturas não autorizadas" eram aquelas lonas, motivo, como toda a gente sabe, para a polícia arrear nos cidadãos, pacíficos e ordeiros.

O maior desordeiro que existe neste país é o Governo, como se tem visto.

Luís Neves, que foi um grande director da PJ e poderia ter sido um grande ministro, revelou-se politicamente um nabo. São situações como estas que mostram a falta que faz a um governante ter substracto político. Por mim, pode vir o Ventura fazer dele gato-sapato na comissão de inquérito na AR, estou-me nas tintas.

Por falar no Ventura, esta semana ouvi incrédulo uma intervenção de um dos muitos alarves do Chega, um neonazi que chamava drogados aos manifestantes, defendendo que a polícia deveria encostá-los à parede. Antes do Chega, nunca se vira cromos destes no Parlamento, a não ser o Calisto Elói. Já imaginaram que o Almeida Garrett foi deputado? Que decadência.

O problema da habitação já passou para segundo plano, graças ao Governo. Neste momento a grande questão é a da liberdade e o da violência do Estado.

Um Governo que merece ser censurado, embora não acredite que nenhum partido à esquerda apresente uma moção de censura no Parlamento. O BE corria o risco de desaparecer, o PCP de perder pelo menos mais um deputado, o Livre passaria a ser o bombo da festa da direita e da extrema-direita. O PS aguarda que o poder lhe caia no colo, outra vez.  

vi um Camilo vivo


Vi um Camilo vivo.
Vi, vivo, um Camilo.
Vivò Camilo vivo que vi.

(De Sérgio Graciano, com Albano Jerónimo, mais um animal de representação,
entre outras perfeições, guarda-roupa, cenário, fotografia.)



 

sexta-feira, outubro 30, 2026

Django Reinhardt, «Le Soir»


 

2 versos de Rui Knopfli

«sigo da margem / o rio dos teus versos.» 

O País dos Outros (1959) - «Pessoa revisited»

o que está a acontecer

«-- A questão não era de restaurar nem de não restaurar, mas de se livrar a gente de um governo de patuscos, que é o mais odioso e engulhoso dos governos possíveis./ É a reflexão com que um dos nossos companheiros de viagem acudiu ao princípio de ponderação que eu ia involuntariamente fazendo a propósito de Vila Franca.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

«Novamente o navio apitou rasgando o crepúsculo que envolvia a cidade da Bahia. João estendeu os braços num adeus. Era como se estivesse se despedindo de uma bem-amada, de uma mulher cara ao seu coração.» Jorge Amado, Terras do Sem Fim (1943)

«Vestiam os seus trinta e quatro anos feitos e vividos sempre ali, entre a agressividade dos elementos, um casaco e colete velhos, enodoados, a camisa e a gravata. O rosto mostrava faces crestadas, lábios grossos, e os olhos pestanudos quase se ocultavam sob o boné de pala, que descia até meia testa.»  Ferreira de Castro, Terra Fria (1934)

quinta-feira, outubro 29, 2026

Sir Eugene Goossens, «Panambi - Ballet Suite» (Alberto Ginastera)


 

2 versos de Gregório de Matos

«O  mal, que fora encubro, ou que desminto, / Dentro, no coração, é que o sustento,» 

Poesias

Volta a Portugal em escritores: Porto

 


Pedro Homem de Mello

(Pedro da Cunha Pimentel Homem de Melo, Cedofeita, Porto, 6-IX-1904)







quarta-feira, outubro 28, 2026

vária

«O braço, porém, falta. Havia o recurso do prisioneiro. A Inglaterra não hesitou em o aproveitar. E, assim, esta magnífica estrada que conduz a Albert tem, como principais encarregados da sua conservação, cativos alemães e austríacos.» Adelino Mendes, «A cidade de Albert» (A Capital, 29-III-1917), Repórteres e Reportagens de Primeira Página, ed. António Valdemar e Jacinto Baptista (s.d.).

«Não ignoro que se me atribui uma tal e tão apaixonada devoção pelo Brasil que muita gente me supõe capaz de me iludir sobre os aspectos essenciais da vida brasileira. Afirmo, porém, de maneira categórica -- e sem o mínimo receio de ser desmentido -- que o Brasil constitui, de facto, uma das maiores e mais impressionantes maravilhas do mundo contemporâneo.» João de Barros, Adeus ao Brasil (póst., s.d.) - «Brasil de hoje» (1946)

4 versos de Alberto de Lacerda

«O alto da montanha era um corpo / Um rosto / Um olhar demorado em seu brilho secreto / E perigoso» 

Horizonte (2001)


terça-feira, outubro 27, 2026

5 versos de Nuno Júdice

«No paraíso / na idade do ouro, / ouvindo os anjos tocarem alaúde / e flauta, as nuvens acorrem / como ovelhas» 

 Pedro, Lembrando Inês (2001) - «Beatitude»

segunda-feira, outubro 26, 2026

uma vinheta de Hergé

 


Tintin e Milou

serviço público: António Garcia Pereira

António Garcia Pereira explica porque a acção da polícia foi inconstitucional -- e, portanto ilegal. Como a Polícia depende do Governo, não é possível que dali dimanem ordens ilegais. Não é só o direito à resistência que está protegido, mas a necessidade de accionar o Estado. Entretanto, este Governo, ferido de ilegalidade deve ser demitido. (grande depoimento aqui)

Os cidadãos têm não apenas o direito, mas o dever de resistir, sempre em manifestações pacíficas -- e com muita atenção aos infiltrados, da polícia, mas também de indivíduos da extrema-direita.

Acima de tudo, não dar pretexto para justificar a violência do Estado.

7 versos de José de Almada Negreiros

«Em minarete / mate / bate / leve / verde neve / minuete / de luar.» 

Poemas - «Rondel do Alentejo»

Lula vence, bom para o mundo e para o Brasil, que "não é quintal de ninguém!"

Por mais de quatro milhões de votos de diferença arrancados à abstenção e aos eleitores dos outros candidatos -- que bicho político!...

domingo, outubro 25, 2026

queriam um Paris em Lisboa?

Fica-se com a ideia de que o governo gostaria de recrear um Paris em Lisboa, ou Milão, Tirana, Bruxelas, Barcelona... Nada disso foi Lisboa, graças à civilidade dos manifestantes acossados por um governo arruaceiro.

Estou à espera (não fui procurar) que um constitucionalista credível me diga se o decreto governamental de 1974 é compatível com a Constituição de 1976.

Aos manifestantes (a alguns) só tenho um reparo a fazer: não se picha o património, ó companheiros! Pendurar um cartaz numa escultura é uma coisa (até divertida), grafitá-las com palavras de ordem, ou outras, não.

Nem uma montra partida, um quiosque incendiado, nada. Exemplares, os manifestantes em Lisboa e no Porto, Um orgulho para os concidadãos. Perder a razão é facílimo. Nada me angustiou tanto como ter visto um modesto quiosque a arder, creio que em Bruxelas. O ganha-pão de um trabalhador e da sua família. Nestes casos, nenhuma bastonada se perde.

Aqui, a cidadania esteve com os manifestantes; a prepotência, com o Estado.

Delfins, «Bandeira»


 

já se sabia, mas é oficial

O Governo português incomoda-se com meia dúzia de tendas, numa manifestação pacífica e ordeira. Que os jovens portugueses tenham de emigrar para auferir ordenados decentes, e que na sua maioria não tenham dinheiro para pagar rendas obscenas -- aí não há problema, toca a sair da zona de conforto... 

Um governo amigo dos especuladores, dos fundos de investimento, dos empresários da hotelaria, e contra os portugueses, expulsos das cidades e do país a benefício da ganância.