O IMPOSTOR
Lá porque eu tinha os loiros na cabeça
(os loiros que Ele deixara
cair ao chão de onde sou),
deram-me abraços na praça,
chamaram-me Poeta
e até fizeram discursos...
Ele, do Alto, sorriu
e riu
daquela tragicomédia,
dos meus ares de arlequim,
Mas consegui fugir ao seu olhar...
Por fim
acreditava, tanto como os outros,
que as palmas era pra mim.
Serra-Mãe
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
-
*65 Anos de Poesia* (antologia por Arnaldo Saraiva, 1989). Uma poesia de
alegria, sensualidade e transcendência a partir do concreto.

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