sábado, janeiro 31, 2015
os nefelibatas da Economia
Um académico disse hoje, no «Expresso da Meia-Noite» que ficou perplexo com o resultado das eleições gregas, e não consegue perceber como um país desenvolvido chega a uma situação política como a da Grécia, isto é, governado, com largo apoio popular por uma força da esquerda radical (aliada a uma direita patriótica ou nacionalista, se se quiser).
Durante anos a Europa esteve entregue a estes indivíduos, cuja ignorância e incompetência política estão mais do que à vista -- e que conduzirão, com enorme probabilidade à vitória da Frente Nacional em França, situação ao pé da qual a questão grega será uma brincadeira de crianças.
Como foi a condução política europeia posta nas mãos deste anjinhos é que brada aos céus.
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sexta-feira, janeiro 30, 2015
a pinta de Varoufakis
É demasiado bom, e além do mais, divertido.
Não me refiro nem à raiva incontida dos troikistas, muitos dos quais ironizavam com a, para eles, expectável hollandização de Tsipras e agora soltam gritos lancinantes e temerosos da revolução em marcha (a contrainformação, a vigarice avençada e a estupidez vão andar de mãos dadas nos próximos tempos).
Refiro-me sim, ao sorriso ironicamente bem disposto com que o ministro Yanis Varoufakis anunciou à Grécia e ao mundo que iria despedir asessores (boa parte dos quais são, como se sabe, valetes do poder e inúteis parasitas), recontratando, com o dinheiro poupado com chupistas, as empregadas de limpeza que haviam sido despedidas pelo governo alemão de Atenas.
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quinta-feira, janeiro 29, 2015
do efeito Syriza
Leio na página online dum jornal, a propósito da morte de Demis Roussos, a referência aos Aphrodite's Child, banda de rock progressista.
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quarta-feira, janeiro 28, 2015
nem todos somos bons homens (ou mulheres)
«num tempo em que todos somos bons homens a culpa tem de atingir os inocentes»
Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)
terça-feira, janeiro 27, 2015
o grau zero da humanidade
Há episódios tremendos na história da humanidade: o sórdido tráfico negreiro e o infame genocídio das tribos americanas -- só para falar nas de maior dimensão -- estão ainda demasiado próximos de nós para que possamos olhá-los de forma desapaixonada. Mas dificilmente se encontrará um tal grau de perfídia, de loucura malsã, de bestialidade, como o do holocausto judeu, perpetrado pelos nazis. Uma triste época que para sempre ficará assinalada como momento em que o homem mais negou a sua própria condição de ser racional e moral. Esta foto diz tudo.
tocar no medo
«Uma dor forte, de punhal, por debaixo do tabardo que me agasalhava. E levei a mão ao ombro, e toquei na dor. Compreendi de novo. Parei, e assim fiquei algum tempo. Não sei se o que senti foi medo, desespero ou até alívio, sim, alívio, o mesmo alívio que sente a nossa alma quando encontra aquilo que era tanto esperado, ou tanto temido até.»
Sérgio Luís de Carvalho, Anno Domini 1348 (1990)
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segunda-feira, janeiro 26, 2015
pândegas retoiçantes
«Realmente ele não ia aos clubes, de que falava com enjoo. Nunca se associava a pândegas retoiçantes pelos arredores da cidade, com coristas, mulherio desbragado e sentimental.»
Tomás Ribeiro Colaço, A Calçada da Glória (1947)
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dizer o óbvio
Quando os governos governam contra o povo, por convicção ou por fraqueza e falta de coragem; quando os partidos traem o seu eleitorado, como se verificou com o Pasok, este, sabiamente, saudavelmente, atiram-nos borda fora. Que sirva de lição ao PS, agora com a vida muito mais facilitada depois de os gregos mostrarem darem o exemplo.
os gregos chegam-se à frente, como de costume
O que tenho ouvido esta noite, a propósito da vitória do Syriza, em que muitos dos justificadores da política económica da UE se regozijam com o resultado das eleições gregas, seria cómico, não fora preocupante: "ainda bem [dizem] que o Syriza venceu, porque isso vai obrigar a abrir o debate na União." O que por outras palavras significa: como não houve coragem para tentar inverter uma situação insustentável, em que caminhávamos de cabeça baixa para o precipício, felizmente os gregos chegaram-se à frente.
domingo, janeiro 25, 2015
ao ídolo detestado
«Quando, na cozinha, encheu o primeiro prato de sopa, para lho levar -- e era sopa de beldroegas que ele impusera, aquela de que mais gostava --, ficou, hesitante, a mirar essa comida que ia servir ao seu ídolo detestado e cuspiu-lhe repetidas vezes para dentro, raivosamente, com um sorriso triste, mole e falso, de cadela espancada e acovardada.»
Urbano Tavares Rodrigues, Bastardos do Sol (1959)
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sábado, janeiro 24, 2015
a outra margem
«A corrente era forte, mas na outra margem havia pássaros, toiros bravos a pastar e valados desconhecidos. À noite, esperava-o a tareia do costume, em vez de ceia, e na manhã seguinte regressava ao telhal pelas orelhas.»
Soeiro Pereira Gomes, Esteiros (1941)
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