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domingo, setembro 27, 2009

Antologia Improvável: 400 poemas

Os Poetas:António Graça de Abreu, Casimiro de Abreu, Paulo Abrunhosa, José Afonso, Sebastião Alba, Manuel Alegre (3), Ed. Bramão de Almeida (4), Marquesa de Alorna, Adalberto Alves, Pedro Alvim, Ana Luísa Amaral (4), Fernando Pinto do Amaral, Carlos Drummond de Andrade, Eugénio de Andrade (3), Sophia de Mello Breyner Andresen (4), António Lobo Antunes, Mário Avelar (2), Manuel Bandeira, José Agostinho Baptista (2), António Barahona (4), Frederico Barbosa, João de Barros (7), Ruy Ferreira Bastos, Ruy Belo (4), Edmundo de Bettencourt, Rebelo de Bettencourt (2), Olavo Bilac, Manuel Maria Barbosa du Bocage, António Botto (6), Rosa Alice Branco, Fiama Hasse Pais Brandão (2), Tomás Pinto Brandão, Francisco Bugalho, Fernando Cabrita, Alberto Caeiro, João Camilo, Luís de Camões (2), Álvaro de Campos, João Candeias, Luís Cardim, Luís Adriano Carlos, Papiniano Carlos, Armando Silva Carvalho, Gil Nozes de Carvalho, Afonso de Castro (2), Eugénio de Castro (3), Fernanda de Castro (2), Lourdes Borges de Castro (3), Catulo da Paixão Cearense, Mário Cesariny, Latino Coelho, Rui Coias, Levi Condinho, Alexandre de Córdova, Raimundo Correia, Cristino Cortes, Armando Cortes-Rodrigues, António Carlos Cortez, Francisco Alves da Costa, Francisco Costa (3), paulo da costa, Rui Costa, José Craveirinha (4), Luís Filipe Cristóvão, Frei Agostinho da Cruz, Liberto Cruz, Tomás Vieira da Cruz, Júlio Dantas (2), Saul Dias (5), Mário Dionísio, Afonso Duarte (2), Américo Durão (2), José Emílio-Nelson (3), Florbela Espanca (3), Fernando Jorge Fabião (3), Leonel Fabião, José Fernandes Fafe, Admário Ferreira (3), Fernando Pessoa Ferreira, José Gomes Ferreira, Jaime Ferreri, Campos de Figueiredo, Daniel Filipe, Martins Fontes (7), José do Carmo Francisco (2), Natércia Freire, Manuel de Freitas (4), Sebastião da Gama (2), António Gedeão, Sérgio Godinho, Tiago Gomes, José Carlos González (2), Manuel Gusmão, Fernando Grade (3), Teresa Guedes, Cândido Guerreiro, António Pinheiro Guimarães, Delfim Guimarães, Fernando Guimarães (2), Alfredo Guisado (2), Dick Hard, Ana Hatherly (2), Hilda Hist, Homero Homem, Maria Teresa Horta (6), Daniel Jonas, João Miguel Fernandes Jorge (3), Fausto José, Nuno Júdice (2), Tomaz Kim, Rui Knopfli (4), Alberto de Lacerda (6), Rui Lage, Manuel Laranjeira, Gomes Leal, Fernando Leiro, Ângelo de Lima (2), Jorge de Lima, Eugénio Lisboa, Teresa Rita Lopes, Pedro Ludgero, Helder Macedo, valter hugo mãe, Olegário Mariano, José-Alberto Marques, Carlos Matias, Mário Máximo, Aluízio Medeiros, Cecília Meireles (4), Anísio Mello, Pedro Homem de Mello, João Cabral de Melo Neto (2), Augusto Oliveira Mendes, José Tolentino Mendonça (4), João Pedro Mésseder (2), Isabel Meyrelles (3), Joseia de Matos Mira, Jorge Gomes Miranda (2), Sá de Miranda, Luís de Montalvor, Adolfo Casais Monteiro, João Paulo Monteiro (Ângelo Novo), Sacramento Monteiro, Vinicius de Moraes, Yolanda Morazzo, Joaquim Gomes Mota, Vasco Graça Moura (2), David Mourão-Ferreira (4), Sidónio Muralha (3), Carlos Nejar (6), Vitorino Nemésio, Agostinho Neto, Leonel Neves, Moreira das Neves, Orlando Neves, Faustino Xavier de Novais, Carlos de Oliveira (8), José Alberto Oliveira (4), Alexandre O'Neill (7), Fernando Assis Pacheco (3), Joaquim Paço d'Arcos, Teixeira de Pascoais (2), Bernardo de Passos (2), António Patrício, Luís Brito Pedroso, José Luís Peixoto (2), Carlos Pena Filho, Helder Moura Pereira (2), Miguel Serras Pereira, Fernando Pessoa (2), Isabel Cristina Pires, António Quadros, Carlos Queirós, Antero de Quental, Luís Quintais, Nuno Rebelo, José Régio, Jorge Reis-Sá, Augusto Ricardo, Jaime Rocha, Armindo Rodrigues (2), Daniel Maia-Pinto Rodrigues (2), Fernando Tavares Rodrigues, António Ramos Rosa (4), Isabel de Sá (4), Eduardo Salgueiro (2), Ruth Sylvia de Miranda Salles, José Carlos Ary dos Santos (3), António Sardinha, Olga Savary, Artur do Cruzeiro Seixas (3), Jorge de Sena (5), Manuel Sérgio, Alberto de Serpa (2), Joaquim Manuel Pinto Serra, Maria Augusta Silva, Onésimo Silveira, Ana Maria Soares (2), António de Sousa, J. Santos Stockler, Pedro Tamen, José Correia Tavares, José Rui Teixeira (2), Paulo Teixeira (2), Nicolau Tolentino, Miguel Torga, Alexandre Pinheiro Torres, José Manuel Travado, J. O. Travanca-Rêgo, André Varga, João Vário, José Veiga, Francisco José Viegas, Arménio Vieira, Vergílio Alberto Vieira, Virgínia Vitorino (2), Duarte de Viveiros (2), Eno Theodoro Wanke.

quinta-feira, abril 17, 2008

Antologia Improvável - 300 poemas

Os Poetas:
António Graça de Abreu, Casimiro de Abreu, Paulo Abrunhosa, José Afonso, Sebastião Alba, Manuel Alegre (2), Ed. Bramão de Almeida (3), Adalberto Alves, Pedro Alvim, Ana Luísa Amaral (4), Fernando Pinto do Amaral, Carlos Drummond de Andrade, Eugénio de Andrade (3), Sophia de Mello Breyner Andresen (4), António Lobo Antunes, Mário Avelar (2), Manuel Bandeira, José Agostinho Baptista (2), António Barahona (4), Frederico Barbosa, João de Barros (7), Ruy Ferreira Bastos, Ruy Belo (4), Edmundo de Bettencourt, Rebelo de Bettencourt (2), Olavo Bilac, Manuel Maria Barbosa du Bocage, António Botto (4), Rosa Alice Branco, Fiama Hasse Pais Brandão (2), Francisco Bugalho, Fernando Cabrita, João Camilo, Luís de Camões (2), Álvaro de Campos, João Candeias, Luís Cardim, Luís Adriano Carlos, Papiniano Carlos, Armando Silva Carvalho, Gil Nozes de Carvalho, Afonso de Castro (2), Eugénio de Castro (3), Fernanda de Castro (2), Lourdes Borges de Castro, Catulo da Paixão Cearense, Mário Cesariny, Rui Coias, Levi Condinho, Alexandre de Córdova, Raimundo Correia, Cristino Cortes, Armando Cortes-Rodrigues, António Carlos Cortez, Francisco Alves da Costa, Francisco Costa (3), paulo da costa, Rui Costa, José Craveirinha (4), Luís Filipe Cristóvão, Frei Agostinho da Cruz, Júlio Dantas (2), Saul Dias (5), Mário Dionísio, Afonso Duarte (2), Américo Durão, José Emílio-Nelson (3), Florbela Espanca (3), Fernando Jorge Fabião (3), Leonel Fabião, José Fernandes Fafe, Admário Ferreira (3), José Gomes Ferreira, Jaime Ferreri, Campos de Figueiredo, Martins Fontes (3), José do Carmo Francisco (2), Natércia Freire, Manuel de Freitas (4), Sebastião da Gama (2), António Gedeão, Sérgio Godinho, Tiago Gomes, José Carlos González, Manuel Gusmão, Fernando Grade (2), Teresa Guedes, Cândido Guerreiro, António Pinheiro Guimarães, Delfim Guimarães, Fernando Guimarães, Alfredo Guisado, Ana Hatherly (2), Maria Teresa Horta (3), João Miguel Fernandes Jorge (2), Fausto José, Nuno Júdice, Tomaz Kim, Rui Knopfli (4), Alberto de Lacerda (6), Rui Lage, Manuel Laranjeira, Ângelo de Lima, Jorge de Lima, Teresa Rita Lopes, Pedro Ludgero, valter hugo mãe, Olegário Mariano, José-Alberto Marques, Carlos Matias, Mário Máximo, Pedro Homem de Mello, João Cabral de Melo Neto, Augusto Oliveira Mendes, José Tolentino Mendonça (4), João Pedro Mésseder (2), Isabel Meyrelles (3), Joseia de Matos Mira, Jorge Gomes Miranda (2), Sá de Miranda, Luís de Montalvor, Adolfo Casais Monteiro, João Paulo Monteiro (Ângelo Novo), Vinicius de Moraes, Joaquim Gomes Mota, Vasco Graça Moura (2), David Mourão-Ferreira (3), Sidónio Muralha, Carlos Nejar (4), Vitorino Nemésio, Agostinho Neto, Leonel Neves, Moreira das Neves, Carlos de Oliveira (8), José Alberto Oliveira (2), Alexandre O'Neill (6), Fernando Assis Pacheco (2), António Patrício, Luís Brito Pedroso, José Luís Peixoto, Miguel Serras Pereira, António Quadros, Carlos Queirós, Antero de Quental, Luís Quintais, Nuno Rebelo, José Régio, Jorge Reis-Sá, Jaime Rocha, Armindo Rodrigues (2), Daniel Maia-Pinto Rodrigues (2), Fernando Tavares Rodrigues, António Ramos Rosa (4), Isabel de Sá (4), Eduardo Salgueiro (2), José Carlos Ary dos Santos (3), Olga Savary, Artur do Cruzeiro Seixas (2), Jorge de Sena (5), Alberto de Serpa, Joaquim Manuel Pinto Serra, Maria Augusta Silva, Ana Maria Soares (2), António de Sousa, Pedro Tamen, José Correia Tavares, José Rui Teixeira (2), Paulo Teixeira, Nicolau Tolentino, Miguel Torga, Alexandre Pinheiro Torres, José Manuel Travado, J. O. Travanca-Rêgo, André Varga, José Veiga, Francisco José Viegas, Vergílio Alberto Vieira, Virgínia Vitorino (2), Duarte de Viveiros, Eno Theodoro Wanke.

quarta-feira, junho 12, 2024

porra, morreu o Fernando Grade

Foi já no dia 8, mas só agora soube. Inesquecível, o Fernando Grade; e fiquei triste.

(ver aqui e aqui, por exemplo); e um texto de José d'Encarnação.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Antologia Improvável #340 - Fernando Grade (3)

FALA DO ADVOGADO ENQUANTO DON JUAN

Só fico satisfeito
quando as partes se beijam.


Os Meus Olhos Pegaram em Facas

sábado, março 15, 2008

Se eu fosse...

Quis a T saber, e eu respondo-lhe.

Se eu fosse um mês, seria Junho.
Se eu fosse um dia da semana, «a minha pátria é o sábado» (Fernando Grade).
Se eu fosse um número, seria o 2.
Se eu fosse uma flor, seria um cravo vermelho do 25 de Abril de 1974.
Se eu fosse uma direcção, «eu, comovido a oeste» (Vitorino Nemésio)
Se eu fosse um móvel, seria uma estante com livros ou discos.
Se eu fosse um líquido, seria Carcavelos.
Se eu fosse um pecado, seria a preguiça.
Se eu fosse uma pedra, seria um fóssil.
Se eu fosse um metal, seria Cobre.
Se eu fosse uma árvore, seria um pinheiro bravo.
Se eu fosse uma fruta, seria uma pêra.
Se eu fosse um clima, seria temperado.
Se eu fosse um instrumento musical, seria um violoncelo.
Se eu fosse um elemento, seria terra.
Se eu fosse uma cor, seria azul.
Se eu fosse um animal, seria um golfinho.
Se eu fosse um som, seria um pigarro.
Se eu fosse uma canção, neste momento seria «Abandono» (Amália, David Mourão-Ferreira, Alain Oulman).
Se eu fosse um perfume, seria o Insensatez.
Se eu fosse um sentimento, seria um alheamento.
Se eu fosse comida, seria um bife do lombo com batatas fritas.
Se eu fosse uma palavra, seria uma uma interjeição, entre o ah! e o ah! ah! ah!
Se eu fosse um verbo, seria estar.
Se eu fosse um objecto, seria um MG clássico.
Se eu fosse uma peça de roupa, seria um cachecol.
Se eu fosse uma parte do corpo, seria uma trompa de eustáquio.
Se eu fosse uma expressão, ça serait un calvados...
Se eu fosse um desenho animado, seria o Pato Donald.
Se eu fosse um filme, neste momento seria o Fanny e Alexandre, do Ingmar Bergman.
Se eu fosse uma forma, seria rotunda.
Se eu fosse uma estação, seria o Outono.
Se eu fosse uma frase, neste momento seria «Nenhum de nós é um só homem» (Ferreira de Castro).

domingo, março 13, 2011

segunda-feira, junho 28, 2010

oh!, os quadradinhos

Na minha infância o Conde Drácula chamava-se / Mandrake. (Fernando Grade)

quarta-feira, maio 28, 2025

2 versos de Fernando Grade

«O barulho que vier da terra pede fogo / é um sistema de lágrimas a vapor» 

«Não apunhalem o sangue magnífico do cão», O Livro do Cão (1991)

segunda-feira, maio 05, 2025

3 versos de Fernando Grade

«A correr atrás da carruagem / um eco de patas a percorrer a melancolia / de as rodas serem mais velozes» 

«A correr atrás da carruagem», O Livro do Cão (1991)

quarta-feira, abril 09, 2025

3 versos de Fernando Grade

«Grinaldas foram as tripas do cão / antes de as nozes da ceia terem sido / uma madeira patética, leite de cabra a arder» 

«O cão é o seu próprio pastor», O Livro do Cão (1991)

quinta-feira, março 13, 2025

3 versos de Fernando Grade

 «A barba do cão faz anos / e nesses cabelos a crescer / ficamos todos mais velhos.» 

«Há livros perversos que mordem o pêlo do cão», O Livro do Cão (1991)


segunda-feira, junho 04, 2018

«A cama a voar telúrica, estilhaçada pelo ruído dos corpos.» Aal Aarão, «Namoro e pão com tâmaras», in Viola Delta vol. XLIII (edição de Fernando Grade, 2006)


«Este vento que, há muitas horas, clama, / Bem o sinto cá dentro: é por mim que ele chama...» Mário Beirão, «Peregrinação», Mar de Cristo (1957) / Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa (1960, edição de Ana Hatherly)


«Ouvir a música do instante que passa / E recolhê-la no coração, / Olhos fechados à dor e à desgraça, / Os ouvidos atentos à canção / Do instante que passa.» Luís Amaro, «Fuga», As Folhas de Poesia Távola Redonda (edição de António Manuel Couto Viana, 1988)

sexta-feira, julho 04, 2025

5 versos de Fernando Grade

«Se fosse ainda meu o receio nocturno de / partir lanternas, ser jovem bom e nu / entre pinhais, ter o pólen sempre em flecha / para a única rapariga, a vida teria sido um navio / de sonatas, mar bruxo à espera de Setembro.» 

«Como pulsos de cão castrado», O Livro do Cão (1991)

quarta-feira, junho 25, 2025

5 versos de Fernando Grade

«o sol pastoril muda de rosto, / os vinhedos voam como traineiras, / e o cão aparece, ao centro do mapa, / já curado por um chá materno de uvas / e trovões.» 

«Brinde à saúde do cão», O Livro do Cão (1991)

sábado, dezembro 16, 2006

Fernando Grade

Figuras de estilo - Fernando Grade

Nas costas de Spínola, cerraram o portão do quartel. Os minutos correram nervosos. E já, novamente, o mesmo portão se abre: vê-se agora, no túnel, o Marcelo, prisioneiro, entrar no carro de combate. Ouvem-se vaias, maldições. Chovem cuspidelas para a carapaça do blindado que rompe por entre a multidão. No interior do veículo, o Marcelo vai verde, leva o rosto destruído, vê-se-lhe nos olhos que não entende ainda o que acontece agora-agora e já é página da História; o ditador mostra uma carantonha siderada de um verde eterno, como as fardas da sua apalhaçada Mocidade Portuguesa.
A Minha Quinta-Feira 25 de Abril

sexta-feira, setembro 29, 2006

Fernando Grade

Antologia Improvável #165 - Fernando Grade (2)

LIBERTATE

"Sinto-me um cientista a quem um admirador
remeteu uma carta que dizia: concordo consigo:
dois mais dois são cinco."
(Bertolt Brecht)

"Se não esperas o inesperado, nunca o alcançarás."
(Heraclito)

"Faço sempre outra coisa."
(o Autor, in "Museu das Formigas", 1980)


Para lá de todas as estradas de pó
percorridas pelo carro velho a caminho de
Montana onde os pistoleiros sempre estiveram escondidos
-- os dois jovens que fomos (eu e tu, Rebecca)
estavam à solta em todas as pradarias. Ao tempo,
Portugal fora fechado dentro de um dedo a corroer-se,
poço de vespas perversas.
Passámos por Indiana e os beijos não estavam doentes,
e em Chicago havia pistolas nos olhos de quem sorria.
Tive a liberdade de dançar contigo
o tango dos últimos bêbedos. Bêbedos cultos
apaixonados por licores ou vinhos desastrados quase música.
Em Pierre, conhecemos um jovem anoitecido por sustos
que era mestre a deitar fogo a bares.
Então soubemos d'outros que fugiam para o pé do mar
vinham montados num automóvel em pedaços
eram perseguidos por uma mentira redonda e
perfeita: os dois vão ser presos mas esfumam-se
porque o seu sangue é bom e ninguém sabe:
escondem-se assim para os lados das ondas e das ostras
procuram a salsugem -- o mar! E depois num povoado
perdido na noite, casas sem nome, descobrimos
a mãe da América fumava papoilas.
Não me lembro das tuas últimas lágrimas, mas
sei que choravas por um coração esvaziado por granadas.
O teu filho caíra na Ásia e não viera mais
-- desaparecera para sempre numa guerra errada.
Traiçoeiro como sempre esqueci (por momentos) Rebecca
e fui caçar outros olhos.
Por três tardes, luziu Herbie: passeava pelo seu corpo
eu atravessava-o como quem passeia pelas páginas de Balzac
como se as cidades bucólicas estivessem sitiadas.
E voltaram as labaredas altas a lamber os campos
regressei aos gestos fogosos de Rebecca
que ajudava as plantas a crescer,
não tinha medo delas. Faltava pouco para chegarmos
a Helena, onde os amigos tinham bons livros
à nossa espera. O ruído da seda a rasgar-se,
o jogo das pessoas brincadas, o ruído da água
o barulho sinistro que vem das chamas.
Era no chão o vestígio dos venenos.
Um Beethoven adulado por coiotes.
E os beijos à volta, os sôfregos beijos latinos
a crescerem: do pó em fúria até ao musgo.
Sempre tive um vinho muito ciumento.

Sempre Tive um Vinho Muito Ciumento

domingo, maio 21, 2006

Havia no ar um prazer de livro lido
Fernando Grade

domingo, setembro 11, 2005

Antologia Improvável #50 - Fernando Grade

OLÍMPICOS

(Ouvindo «A Tempestade», de van Beethoven)


Lá vão os sonhos nos braços do vento
lá vai o campeão a haver do mar das velas.

Dizem-me O moço vai ganhar
que (neste caso) aquele povo ali ao fundo da escada
quer sentir-se herói outra vez
e através do campeão à vela e ao mar.

Contudo
as brisas perversas têm a sua longa ronha
as velas de salsugem não duram sempre
têm a idade marcada na pele
assim como os músculos e o cheiro dos pêssegos
tal-qual o sangue bom que conseguiu voar
e um dia volta a ser toupeira.

O pano ruiu
abre-se uma fenda do tamanho de
um coração a arder
e o campeão que estava para ser
evaporou-se
e com ele morreram as quimeras
de muitos que só tinham esse caminho inventado
para morder os seios à Primavera.

Philosophus per Ignem