Aqueles olhos segredando de amor, / aquelas mãos alongando-se de amor, / aquele corpo todo ondulando de amor, / e em mim / só um vago desejo de dormir no seu regaço. – Jorge de Sena, 40 Anos de Servidão (póstumo, 1979)
segunda-feira, julho 11, 2022
domingo, julho 10, 2022
sábado, julho 09, 2022
sexta-feira, julho 08, 2022
quarta-feira, julho 06, 2022
por falar em pincher: au au au! (ucranianas CIX)
1. Por falar em pincher: quando vejo o Stoltenberg, lembro-me do galgo afegão dos meus sogros, Puzak da Rotlândia, esguio e estúpido que nem uma casa. Um cãozito de fila, menos desagradável, porém que o Borrell, que parece um daqueles rafeiros minúsculos com cauda revirada e ar de morcegos. Chamar àquilo cães é uma afronta à espécie. O mesmo com a inestimável Úrsula, cujo perfil é de chacal, e deve ser corrida o quanto antes.
2. Por falar em UE: é impressionante como o verdadeiro líder, o Boris Johnson, se desfaz lentamente aos nossos olhos (ministros e secretário de estado batem com a porta enojados), um pouco como está a acontecer com a Ucrânia, cujos líderes foram na cantiga dos americanos.
3. Por falar em Ucrânia, parece que a reunião de angariação de fundos se destina à futura região autónoma de Lviv, um protectorado polaco.
4. Por falar em Polónia, um filete na TVI(CNN (o canal enigma) "noticiava" ontem: "Polónia prepara-se para invasão da Rússia, e destacou 15 mil soldados para a fronteira." (Não garanto o ipsis verbis)
5. Por falar em Rússia: os soldados russos já conseguiram dinheiro para as botas por crowdfunding, ou andam a conquistar a Ucrânia descalços?
terça-feira, julho 05, 2022
caracteres móveis
«Madame tem um olhar muito doce, pestanudo e submisso. É (ou melhor, foi) realmente muito bonita, um rosto de linha delicada, as carnes suaves, mas, a ajuizar pela simples inspecção visual, bastante amolecidas pelo excesso de uso.»
José Rodrigues Miguéis, «Gente da terceira classe», Gente da Terceira Classe (1962)
da ideologia de género pregada às criancinhas ao "machismo tóxico" de Putin
Ponto de partida: a ideia de que numa sala de aulas apareça um mamífero a pregar às criancinhas conceitos abstrusos como a fluidez de género é um atentado grave à autodeterminação sexual da criança como indivíduo, e portanto deveria ser criminalizado, como o são o atentado ao pudor, para não falar no resto.
Com crianças e mulheres a serem mortas agredidas e mortas todos os dias, o Ministério Público preocupa-se em subtrair a uma família a responsabilidade (não escrevo autoridade, porque é uma palavra feia) pela educação dos filhos.
Isto porque os pais discordam que os seus educandos sejam sujeitos à inculcação de ideias abstrusas e doentias como, por exemplo, a fluidez de género... Como se isto fosse ou tivesse sequer dignidade de matéria curricular. Não tem nenhuma.
Direitos humanos, dizem as aventesmas. A coberto da dignidade da salvaguarda da liberdade e da não discriminação, promove-se a inculcação, com a cumplicidade cobarde dos poderes públicos, e o próprio fechar de olhos e assobiar para o lado da Igreja, que tem os seus colégios (normalmente para famílias com posses), onde obviamente estas badalhoquices não entram -- o que não significa que estejam desatentos aos problemas que a sociedade levanta. Por acaso não estão; mas como também estão na defensiva, reservam-se.
Eu sei que a cobardia, o oportunismo, o carreirismo, o não fazer ondas é que paga. Mas isto precisa de um sobressalto asseado (sem Chegas e ordinarices parecidas); ou seja, que o bom senso se faça ouvir, à direita e à esquerda, a esquerda que pensa pela sua cabeça, que não vai em carneiradas e que não aceita mais esta americanice. Ribeiro e Castro, como conservador que é, já se manifestou, e bem. É preciso não o deixar sozinho. É que já não se trata de garantir a liberdade sexual para todos, mas de impedir a perseguição de quem acha que a Escola não é o local para haver inculcação de formas mais do que questionáveis de encarar a individualidade sexual, e de que, já agora, a família ainda é o lugar onde se deve educar. (Claro que não me estou a referir às família desestruturadas pelo capitalismo selvagem e badalhoco, que organizações como a fox servem; essas coitadas, são as primeira vítimas deste sistema em que tudo se compra e vende, a começar pelas consciências.)
P.S. Ainda não me inteirei bem sobre o caso do professor de Aveiro, até que ponto ele foi longe de mais ou não -- ou seja: em que medida a s suas convicções pessoais expressas no facebook colidem com a função de professor universitário. parece que se passou com a campanha da fox sobre o assunto, conversa de chacha merdosa e arrogante, rematada com um "aprender faz parte". Vamos transformar isto numa maravilhosa América, um nicho de elites, com a vasta massa bestializada, governada por lóbis e cujo desporto nacional é andar aos tiros uns aos outros.
P.S.2 Parece que o dito prof. gosta do Putin, por não deixar esta canalha organizada expandir-se à vontade (como o Orban, de resto, o que motivou crepes arco-íris no Expresso, essa referência). Eu também não tenho dúvidas de que o lóbi gay detesta o Putin, e que está metido até ao pescoço, e de há muitos anos, na campanha. Independentemente de outros problemas, onde o Putin se revela verdadeiro estadista é na protecção das crianças russas desta matilha. É mesmo uma das razões por que o acho tão apreciável.
P.S. 3 um boi como o Boris Johnson, que já teve a polícia em casa por violência doméstica, falou por estes dias do machismo tóxico do Putin, a propósito do troco nu, que tanta confusão lhes faz. Mas a resposta do mesmo Putin à piadola deste bicho e do insuportável Trudeau do Canadá esteve mais do que à altura.
segunda-feira, julho 04, 2022
o jornalismo que se nega a si próprio (ucranianas CVIII)
Uma das grandes batalhas da NATO & Associados tem sido a de manter a espumar a opinião pública ignara. Portanto, como se não chegasse os horrores da guerra e a população civil sacrificada aos interesses que não são os seus, é preciso estimular os sentimentos naturais das pessoas de compaixão, solidariedade e outros menos nobres.
Os russos tomam Lysychansk, o título desta folha de couve é "Kiev aponta à reconquista de Lysyschansk".
Não me lembro de o jornalismo andar tão por baixo, ser tão incompetente e servir objectivamente, não a informação, mas a propaganda e os interesses de uma potência, que alegadamente são também os nossos. Para os palma cavalinhos e demais analfabetos, talvez sejam. O que o jornalismo deve fazer é relatar os factos; dizer que Kiev aponta a reconquista de uma cidade perdida é zero de informação; vale tanto como dizer que Lisboa aponta à reconquista de Olivença, ilegalmente ocupada por Espanha, sem grandes problemas para quem lá vive.
Post-Scriptum: já há algum tempo que quero corrigir uma apreciação inicial positiva que fiz de Sónia Sénica, comentadora na CNN/TVI, que continua a ser o canal cuja parte portuguesa melhor trabalho faz (os enlatados da casa-mãe, são mera propaganda para um público embrutecido.) Enganei-me e revogo. Na área das Relações Internacionais e arredores, dos que tenho visto -- e é impossível ver todos --, o mais isento e equilibrado tem sido, claramente, Tiago Ferreira Lopes, da Universidade Portucalense, no mesmo canal.
Como tenho dito, é possível ter opinião, tomar partido por um dos lados, e ser-se honesto e competente. Há alguns casos, poucos.
a arte de começar
« O comboio parara finalmente na estação de Portalegre. De novo o cavalheiro amável se dirigiu a Rosa Maria:»
José Régio (1901-1969), Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941)
domingo, julho 03, 2022
uma ternura de foto
sábado, julho 02, 2022
caracteres móveis
«O velho monaquismo era uma fuga da angústia, da angústia da desfiguração inevitável do nosso verdadeiro ser no convívio do mundo, e era a ânsia da posse plena da consciência, tal como ela se deixava colher na solidão e no silêncio.» Fidelino de Figueiredo (1886-1967), «O gosto de coleccionar», Um Coleccionador de Angústias (1951
sexta-feira, julho 01, 2022
nunices
Quem ontem ouviu João Joanaz de Melo sobre a questão do futuro aeroporto, não pôde deixar de ficar estarrecido e desgostoso. A saber:
1. os últimos estudos sérios e aturados que se fizeram, ocorreram quando da ponderação Ota-Alcochete;
2. Em Alcochete existe uma reserva estratégica aquífera, que será certamente afectada com a construção do aeroporto.
3. O Montijo, que este governo irresponsável quer a todo o transe levar por diante -- com a justificação grosseira e merceeira de o país estar a perder milhares de milhões de euros --, toda a gente sabe que
a) é perigosíssimo, pelo risco de colisão com aves;
b) é um risco para milhares de moradores na região, tal como o é em Lisboa;
c) situação transitória: o risco de inundação da pista.
Portanto, neste país tomam-se decisões levianas, por medo de fazer e medo de não fazer; medo de perder votos, entenda-se. É este tipo de gente -- e aqui refiro-me a todos os governos de há trinta anos, pelo menos -- que desqualifica a democracia.
Estes gajos que nos calharam em sorte, não estudam, porque as prioridades são outras. João Joanaz de Melo, ontem disse aquilo que todos sabem: Beja é mais barato (já está feito); um comboio está a uma hora e um quarto de Lisboa [num TGV (que forçosamente teremos, o que não sucede por causa da baixa cozinha da politicalha e do tal medo), em bem menos. Sem falar nos aeroportos mais pequenos à volta de Lisboa, com pista para receber voos intraeuropeus, como Tires.]
Resumindo: não há estudos, mas decide-se. Um governo sério e a sério, compromete-se com um calendário e com estudos à prova de bala, para que não haja dúvidas É isto que distingue os estadistas. Estudar e debater, mas executar, e uma legislatura chega para tudo, incluindo iniciar as obras, sem outros problemas. O que agora se faz é uma cena à Infarmed: muda-se o serviço para o Porto, numa jogada demagógica e politiqueira, e depois logo se vê.



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