terça-feira, fevereiro 16, 2016

50 discos: 35 - REGATTA DE BLANC (1979) - #1 «Message In A Bottle»


o padre e a beata

Lamentável, no Prós & Contras desta noite, sobre a eutanásia, a desonestidade intelectual manifestada pelo padre de serviço (o homem tinha orgasmos no seu propalado "amor à vida") e uma conhecida beatona de serviço, uma farisaica com o topete de qualificar como cúmplices todos quantos pudessem intervir no suicídio assistido de quem, por sofrimento insuportável, não quer continuar a viver. E intelectualmente desonestos porque nem o padre (este só depois de instado a pronunciar-se enquanto tal) nem a beata tiveram a inteireza de assumir que as suas posições se manifestavam fundamentalmente como crentes religiosos para quem a eutanásia é proibida, por pecado mortal. Refugiavam-se na bonita palavra ética, coisa que ao longo do programa mostraram não lhes assistir. A vergonha do costume. Mas por que diabo teremos nós, crentes ou ateus -- principalmente ateus, para quem a a ideia de Deus é abstrusa, sem sentido, paleolítica (inferior) -- por que diabo temos de continuar a estar reféns destes cromos da hóstia?...  

domingo, fevereiro 14, 2016

50 discos: 34 - THE WALL (1979) - #1 «In The Flesh?»


O triste caso Parmjit Singh

Esta reportagem da RTP mostra o que pode a estupidez e o analfabetismo de burocratas, agentes do SEF ou juízes, com responsabilidade da Interpol.
Parjit Singh é um sikh, comunidade maioritária no estado do Pundjab, que pugna pela secessão da Índia. Essa contestação faz-se por vários métodos, pacíficos ou violentos. Refugiado legalmente em Inglaterra há vários, onde trabalha e constituiu família, depois de haver sido preso e torturado no país de que é cidadão, nessa condição viajava normalmente pelos países da UE com a família, sendo a terceira vez que estava em Portugal.
Há cerca de dois meses, de férias no Algarve, foi detido pelo SEF. Se fosse um detenção para averiguações, uma vez que a Interpol tinha o seu nome como indivíduo procurado -- que entretanto, depois da barraca das autoridades portuguesas, foi eliminado da lista -, eu acharia normal. Mas em face dum passaporte britânico que atestava o seu estatuto de refugiado político, o que faz o SEF? Mantém-no detido. Mais: vai a tribunal, e a prisão é confirmada, inclusive pela relação de Évora.
Salvou a honra do país a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, que rejeitou o pedido de extradição para a União Indiana, onde poderia ser condenado à morte.
No meio disto uma família aterrorizada, a mulher e os filhos, todos ainda crianças, outras vítimas do analfabetismo do SEF e dos juízes que lidaram com este processo. Chamar-lhes analfabetos, é pouco, pelo sofrimento que infligiram a esta família. É vergonhoso, indigno e revoltante.

sábado, fevereiro 13, 2016

das liberdades individuais

«Todo progresso foi essencialmente marcado pela extensão das liberdade do indivíduo em detrimento da autoridade exterior tanto no que concerne à sua existência física, quanto política ou econômica.»

Emma Goldman, O Indivíduo, a Sociedade e o Estado (1940)

só uma música

Gravado ao vivo em Itália, com músicos locais, em 1959, Chet Baker canta em algumas faixas, o que fazia como tocava trompete, smoothly, Mas a minha escolha vai para o standard de Gordon Jenkins, «Goodbye», uma peça melancólica a condizer com a fachada do Chet, aqui com um portentoso arranjo orquestral.

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Aeroporto Humberto Delgado

Dizem que Humberto Delgado não era flor que se cheirasse. Autoritário, quezilento, quiçá megalómano. Parece, também, que era duma coragem a toda a prova.
Vem isto a propósito da justíssima homenagem, que só peca por tardia, de atribuir-se o seu nome ao Aeroporto "da Portela" (que raio, ainda ninguém pensara nisso? Eu confesso que não, pois evito andar de avião...)
Não faltará quem venha contestar este baptismo, alegando todos esses defeitos e mais alguns. A verdade é que Delgado foi um homem incomum; mas a questão nem é essa: "Humberto Delgado" passou a ser mais do que o homem que encarnou esse nome; tornou-se mito e símbolo do indivíduo que se levanta contra o poder ilegítimo e opressor, levando a nação com ele.
Está provado, pela amostragem que escapou à destruição dos boletins de voto, que Delgado ganhou essas eleições, e que foi portanto um Presidente da República que um governo ilegítimo e usurpador impediu que ascendesse à magistratura que o povo lhe confiara. E de tal maneira Salazar e o regime interiorizaram a derrota que trataram de fazer um revisão constitucional em que o Presidente da República deixou de ser eleito por sufrágio universal para passar a sê-lo por colégio eleitoral. Admissão mais límpida do embuste, não há.
Por justiça poética da História, o usurpador Américo Thomaz, o tal que fora "eleito" em 1958, virá a ser derrubado dezasseis anos mais tarde, a 25 de Abril de 1974.
Delgado foi assassinado cobardemente pelos hominídeos da Pide. Salazar, que pelo menos quis capturá-lo nessa cilada, decidiu pronunciar-se publicamente, encobrindo os sicários que o sustentavam no poder, pudera.
Portanto, Aeroporto Humberto Delgado!

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

50 discos: 33 - IN THROUGH THE OUTDOOR (1979) - #1 «In The Evening»


Quando for a S. Bento, quero levar um balde de pipocas, para também me rir à parva com as galinholas e os galifões da PàF

Telejornais de ontem. Quando um tipo pensa que boa parte daqueles indivíduos que representam o PSD e o CDS já bateram no fundo da falta de vergonha e da estupidez, afinal não, afinal conseguem refocilar ainda com maior desenvoltura, à frente de toda a gente.
O cenário, a Assembleia da República; a circunstância, um debate na Comissão do Orçamento, com Mário Centeno. O ministro fala e quase não acredito no que oiço e vejo: gargalhadas de galináceas e sorrisos alvares de galifões. Quase tive pena de Duarte Pacheco, que me parece ser homem de compostura, e até de Cecília Meireles (espero não estar enganado, e ter sido também ela galinhola -- tudo é de esperar).
Do outro lado, tipos preparadíssimos -- e suponho que com pouca paciência para lidar com putos --, Trigo Pereira, João Galamba, Mariana Mortágua, até Paulo Sá, que não é economista, e o inexperiente André Silva, a dar um exemplo de civilidade àqueles patetinhas.
Eu olhava para as tristes figuras, sempre à espera que a qualquer momento sacassem do balde das pipocas. É claro que Centeno, sem perder a urbanidade, fez gato-sapato daquele jardim zoológico da direita; mas o espectáculo foi degradante. Ao nível, de resto, do que foi, com poucas excepções, a anterior legislatura.

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

The Revenant


Entre muitas outras coisa, um poderoso exercício de Iñarritu com DiCaprio em torno dos recursos inesgotáveis do indivíduo. Um tom amargo pela potência que é dada à vontade de desforço e vingança, e em que o altruísmo é sempre mal recompensado.



terça-feira, fevereiro 09, 2016

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

domingo, fevereiro 07, 2016

estampa CCIV - Correggio


Nossa Senhora do Cesto (c. 1524)
National Gallery, Londres

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

terça-feira, fevereiro 02, 2016

só uma música

Só uma música, não por tê-la escolhido (apesar de muito boa), mas porque quem gere o património da Albion Band, grupo jé desfeito pela, pelo menos, terceira vez, retira as músicas do YouTube. Captured (1994), porque se trata de registos não definitivos. Como entretanto tinham acabado, alguém, provavelmente o fundador, Ashley Hutchings, resolveu lançar o material assim mesmo, e ainda bem.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

O Marco António Costa pede transparência

Depois de chamar a troika com o chumbo do PEC 4 -- que era apoiado, recorde-se, pela Comissão Europeia e pela Alemanha --; depois de todas as tropelias no governo, vendendo o país aos bocados, mesmo quando não havia imposição externa (hão-de explicar o benefício para Portugal que trouxe a venda dos CTT); depois de endrominanço atrás de endrominanço, de enganar o povo português desde a anterior campanha eleitoral até à última falta de vergonha do reembolso de parte da chamada contribuição extraordinária; depois do Banif; depois abusar dos portugueses dizendo em Bruxelas que os cortes eram permanentes, mas cá eram apresentados como temporários, o PSD e o Marco António continuam a gozar connosco, e ainda mais com os pobres de espírito que neles votaram, pedindo "transparência" (transparência...) ao actual governo. Qualquer dia, vão apresentar-se como social-democratas. 

AMIGOS DE QUEM