sábado, novembro 14, 2015

Já não tenho palavras

Mais de 140 mortos em Paris nesta altura da madrugada, e a única coisa que tenho a dizer é: caça aos fascistas religiosos! E a única que tenho a aspirar: que não se lhes faça a vontade, cometendo actos de violência para com muçulmanos inocentes, vítimas também eles.

quinta-feira, novembro 12, 2015

o meu LEFFest (12)

Jogo de Damas, de Patrícia Sequeira (Portugal, 2015 -- «Promessas»).
Cinco amigas reunem-se após o velório da sexta, que até aí compusera o grupo, coeso nas suas vivências presentes e passadas. A referência a Os Amigos de Alex é inescapável. A partir de um bom texto de Filipa Leal, desenvolvido com brilho pelas cinco actrizes, todas muito bem, em especial Rita Blanco, cuja máscara, no pouco que acompanho do trabalho dos actores portugueses, é a que mais me impressiona na actualidade.

o meu LEFFest (11)

Journey To The Shore, de Kiyoshi Kurosawa (Japão e França, 2015 -- «Em competição».
Quando, numa tarde, Mizuki, no meio dos afazeres domésticos, olha numa certa direcção da sua sala e vê o marido, este havia morrido no mar havia três anos. Informa a sinopse que há uma tradição japonesa, designada por mitoru, que consiste em zelar e velar pelos moribundos até ao seu passamento. Neste caso, o mitoru não pudera ser cumprido, e o aparecimento desse fantasma vem colmatar a falta que a cultura exige. Trata-se de um filme denso e delicado, muito japonês; e, com isso, senti-me demasiado ocidental para poder aderir como ele certamente mereceria.  

quarta-feira, novembro 11, 2015

o meu LEFFest (10)

Prince Avalanche, de David Gordon Green (EUA, 2013 -- «Retropsectiva - David Gordon Green).
Um excelente e divertido exercício sobre a frustração.

o meu LEFFest (9)

Te Prometo Anarquía de Júlio Hernández Cordón (México, 2015 -- «Em competição»)
Oscila entre o excelente (tudo o que tem que ver com a tribo dos skaters, grandes imagens de cidade) e o banal e cansativo, mesmo num filme que gira em torno de um relacionamento gay, pormenor que está omisso no programa oficial, gostaria de saber porquê.

terça-feira, novembro 10, 2015

arruaceiros, trauliteiros e (já se sabia) trapaceiros

Tenho andado pelo festival de cinema, por isso com pouco tempo para assistir à defenestração política daqueles que até agora governaram contra os portugueses.
Estão possessos, vê-se-lhes nas caras e nos esgares.
Ontem à noite, ainda assisti ao fim do "Prós e Contras", com o conhecido líder parlamentar do CDS (Nuno Magalhães) e um indivíduo alçapremado a vice-presidente do PSD (Miguel Morgado) que se julgava a discutir política com os alunos no pátio da escola.
Por sua vez, o líder parlamentar do PSD (Luís Montenegro) afirmava e repetia a sua repugnância (sic) por António Costa ter decidido usar da palavra hoje e não ontem. 
"Repugnância", note-se o palavreado destes indígenas.  
Hoje, o também conhecido líder do CDS (Paulo Portas, para quem não saiba), repetia o estribilho que ensaiara com os seus lugares-tenentes (em matéria de palavras-de-ordem e agit-prop não ficam a dever nada a ninguém), que se traduz mais ou menos nisto: "se o PS estiver aflito, não nos venham depois pedir ajuda"...
Alguém que da nova maioria parlamentar diga à criatura: "Ninguém quer a tua ajuda, pá! É tóxica. Queremos, no mínimo, ver-te pelas costas, e que uma fronda lá do teu partido te despeje borda fora, tal como fez hoje a maioria dos representantes do povo português."

PS: com excepção de Costa e Portas, nunca escrevera o nome das outras criaturas em mais de dez anos de blogue. Estive para não o fazer, de novo, para não poluir; mas o espectáculo politicamente indecoroso que têm dado justifica dar o nome aos bois.

o meu LEFFest (8)

Loves Her Gun, de Geoff Marslett (EUA, 2015).
O trauma de um assalto persegue a protagonista, de Nova Iorque a Austin, Texas -- em cuja cena cultural o realizador parece ter destaque, pelo que leio do programa (a propósito: quem escreveu a sinopse, deve tê.lo feito de ouvido).
Um filme de baixo orçamento como por cá dificilmente se lograria.

o meu LEFFest (7)

Montanha, de João Salaviza (Portugal e França, 2015 -- «Em competição»).
Alguns bons momentos não redimem este filme dessa mastigação que, de há décadas, algum cinema português nos sujeita. Ou isto ou o kitsch. Ou então o meio termo, que quer ser sério e comercial ao mesmo tempo.
De vez em quando aparecem coisas boas, mas não é o caso.

segunda-feira, novembro 09, 2015

o meu LEFFest (6)

Song One / A Canção de uma Vida, de Kate Barker-Froyland (EUA, 2014 -- «Antestreia»).
Um filme cheio de grande música, porque é a música é nos salva a vida, em vários sentidos.

domingo, novembro 08, 2015

o meu LEFFest (5)

Trois Souvenirs de Ma Jeunesse
, de Arnaud Desplechin (França, 2015 -- «Em competição»)
A adolescência é fodida, parece que faz parte. O filme é talvez um pouco desequilibrado, porque no dédalo das recordações, uma se sobrepõe enormemente às outras; mas a forma dilaceradamente sensível como Desplechin no-la dá é admirável. O mesmo se passa com os actores: o consagrado Mathieu Amalric e os novos Quentin Dolmaire e, sobretudo, a perturbante Lou Roy-Lecollinet

o meu LEFFest (4)

Something Wild / Selvagem e Perigosa, de Jonathan Demme (EUA, 2006 -- «Retrospectiva -- Jonathan Demme»).
Um misto de road movie  e comédia de enganos, com um q.b. de tensão. Ah, e excelentos planos de Nova Iorque, com as fantasmáticas Torres Gémeas -- sabemo-lo agora. Em relação a Melanie Griffith (que, com a banda-sonora, é o que mais interessa no filme), sempre tive, em relação a ela, sentimentos mistos.



o meu LEFFest (3)

Tricheurs / Os Batoteiros, de Barbet Schroeder (França, Alemanha e Portugal, 1984 -- «Retrospectiva -- Barbet Schroeder)
Um filme de 1984 que parece ter sido rodado em 1974. No entanto, com algum interesse (compulsão do jogo e decorrências); filmado em grande parte no Funchal. E que interessante era a Bule Ogier nesse então.

o meu LEFFest (2)


7 Chinese Brothers, de Bob Byington (Estados Unidos, 2015 -- «Em competição»)
Quando fizerem uma adaptação do Recruta Zero ao cinema, com actores de carne e osso, proponho este Jason Schwartzman, esplêndida encarnação do looser total.


sábado, novembro 07, 2015

DRUG DRUG DRUGGY







o meu LEFFest (1)

Mia MadreMMi
Mia Madre, de Nanni Moretti (Itália e França, 2015 -- «Fora de competição - Filme de abertura»)
Como pode a vida prosseguir quando a nossa mãe está a morrer? O filme vai ganhando corpo, densidade e chega ao fim connosco rendidos. E que actores, que actores, que actores.


quinta-feira, novembro 05, 2015

-- Caiu-me a Alma ao meio da rua, / E não a posso ir apanhar!
Mário de Sá-Carneiro

terça-feira, novembro 03, 2015

a criar sustância

«-- Senhora D. Josefina, o seu filho Aparício escolher este lugar para a sua pousada. Quando ele aparece por aqui, acoita-se neste cocuruto de serra e ninguém, nem de longe, cai pensar que Aparício Vieira descansa nestas quatro paredes, criando sustância para as lutas contra o Governo. Deus me livre de que alguém pudesse saber isso. Gosto de Aparício e sei que ele não faz mais do que tem que fazer um sertanejo de vergonha na cara. O Governo é que é tirano.»

José Lins do Rego, Cangaceiros (1953)


segunda-feira, novembro 02, 2015

50 discos: 20. SELLING ENGLAND BY THE POUND (1973) #1 «Dancing With The Moonlit Knight»


da necessidade de um Governo PS-PCP-BE

O PSD e o CDS podem utilizar-se dos sofismas que entendam, podem continuar a tentar enganar as pessoas com balelas analfabetas para amedrontar, métodos em que são useiros e vezeiros. Mas não podem fazer nada quanto à realidade, traduzida na implacável objectividade dos números: a maioria -- claríssima -- dos portugueses quis vê-los pelas costas.
A situação do país é a que é, pouco famosa; a situação internacional, UE incluída, é um pavor. Por isso, um  Governo resultante de um acordo entre os três partidos da esquerda, se o que pretende é não apenas varrer a direita do poder, mas reparar os estragos que essa mesma direita causou ao país, governando contra os portugueses, e recuperar alguma credibilidade internacional -- não, não é a vergonhosa postura acocorada diante dos mercados e da Europa, mas um Governo que se dê ao respeito --, um Governo assim terá, não apenas de estar fortalecido com um programa que tenha por base o acordo que será assinado, como ter o cabedal suficiente para fazer face à artilharia da direita, que, como se está a ver, não hesitará em fazer o que for preciso para regressar ao poder.
Claro que ela só terá força política se lha derem, de bandeja como muitos esperam, a começar pelos idiotas úteis no PS. Parece-me, pois, que será fundamental formar um Governo em que os três partidos estejam comprometidos com a própria governação.