quarta-feira, junho 10, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Umbra #1

terça-feira, junho 09, 2020

criadores & criatura


Muñoz, Sampayo e Alack Sinner



domingo, junho 07, 2020

JornaL

António Costa Silva. Parece ter muita uva. Trabalhou um mês sem que  ninguém soubesse, pelo menos cá fora. Por que raio?...

Chega. Polítiquice de taberna, futebóis e bardatelevisão. Uma sondagem dá-lhe 4%. Afinal, bom povo português...

EDP. Mexia e Manso Neto vão passar a trabalhar em casa. É o chamado distanciamento social. Mais que isto, só na prisão.

George Floyd. Morrer assassinado sem se saber imortal.

Machado de Assis. Tradução na Penguin das Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) esgotou em um dia nos Estados Unidos, ou o que tem valor nunca perde validade.

O pirilau de Salazar. Parece que afinal não caiu da cadeira, mas na banheira; mas sempre no forte de Santo António, no Estoril.

Prostituição. Actividade louvável a quem a ela se entrega por opção, muito útil em várias situações. Estou a pensar em quanto vale mais ser puta que, por exemplo, corrector na Bolsa ou escriba em agência de comunicação. Legalização para ontem e já!

Touradas. Um espectáculo soberbo, o motivo é fútil. Confine-se. Mas antes, a caça e a pesca desportiva. Tiros só em batidas às pragas.

Violência. Por vezes não há mesmo alternativa, quando do outro lado só se percebe a linguagem da força. E quando a força da lei está adormecida, há que despertá-la.


terça-feira, junho 02, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Morris, La Mine d'Or de Dick Digger



segunda-feira, junho 01, 2020

quinta-feira, maio 28, 2020

na estante definitiva

Na correspondência que trocavam, Ferreira de Castro, escrevendo a Jorge Amado após receber  Mar Morto (1936), disse-lhe ser este romance um poema em prosa, no que eu não poderia estar mais de acordo, até pelo sentido épico de que se reveste a luta do homem contra os elementos -- uma épica colectiva, como teria forçosamente de ser. 
«Agora eu quero contar as história da beira do cais da Bahia.», escreve o narrador, como um autor popular vendendo nos mercados a sua literatura de cordel. Sem arrebiques acacianos, o escritor dessacraliza-se: «Vinde ouvir a história de Guma e de Lívia, que é a história do amor no mar. E se ela não vos parecer bela a culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouvistes da boca de um homem da terra, e dificilmente um homem da terra entende o coração rude dos marinheiros.»
A grande literatura proletária e romântica, de que o autor, aos 24 anos e recém-licenciado no Direito que nunca praticou, se fez veículo.
Uma nota para a capa muito interessante desta minha edição, da autoria de José Ruy, a figuração de Janaína (ou Iemanjá), deusa marítima que colhe o seu tributo...

Jorge Amado, Mar Morto [1936], 4.ª ed. portuguesa, Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d. 
data de posse:Junho de 1984

quarta-feira, maio 27, 2020

«Minstrel in the Gallery»

«Leitor de BD»

sobre Duke -- A Última Vez que Rezei,
por Hermann e Yves H.


segunda-feira, maio 25, 2020

estampa CD - Amadeu de Sousa-Cardoso


Composição com Violino (1916)

sábado, maio 23, 2020

«Vacuum Boots»

criador & criatura


René Petillon e Jack Palmer


terça-feira, maio 19, 2020

«Leitor de BD»

sobre O Covil de Wolf Barker,
de Floyd Gottefredson



na estante definitiva

Este livro de José Freire Antunes (1954-2015) ocupa a minha estante permanente de historiografia. À data da leitura, constituiu-se como exemplo evidente de como se podia escrever história contemporânea com o rigor possível, sem o distanciamento temporal julgado necessário para abordar o que foi.
Historiografia de curtíssima duração (cinco anos), com um aparato crítico igual ao que vemos em estudos relativos a épocas recuadas, desmentindo a piada de já não me lembro quem, para o qual a História ia só até ao século XV; tudo que depois ocorreu era já do domínio do jornalismo…
Parte do projecto de investigação desenvolvido pelo autor nos Estados Unidos, «The Americans and Portugal: 1941-1976», beneficiando da recente abertura de alguns arquivos.
No limiar do capítulo I, «Política externa: um novo globalismo», temos um subcapítulo sem título, dedicado ao percurso político de Richard Nixon (1913-1994), da mercearia paterna em Yorba Linda, no condado de Orange, Califórnia até à Casa Branca, aos cinquenta e cinco anos. A presidência como obsessão, muito bem esgalhado, em menos de três páginas: «Ao longo de uma trajectória intermitente de sucessos e de ocasos, perseguira obsessivamente o supremo poder da Casa Branca: e faria desse poder o terminal trágico da sua carreira pública.»
Também muito bem escolhida foi a epígrafe de Henry Kissinger -- «esse homem fatal», como diria Eça de Pinheiro Chagas --, com muito que se lhe diga sobre as alegadas "responsabilidades" das nações, algo que, de acordo com o secretário-de-estado os Estados unidos só haviam descoberto com a II Guerra Mundial, e diz esta verdade, que o era para as velhas elites do poder, quer do Estado Novo quer da República e da Monarquia: «Hoje em dia, o país mais pobre da Europa Ocidental -- Portugal -- tem os mais pesados compromissos fora da Europa porque a imagem histórica de si mesmo está ligada às suas possessões ultramarinas.»

José Freire Antunes, Os Americanos e Portugal -- vol. I -- Os Anos de Richard Nixon (1969-1974), Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1986.


sábado, maio 16, 2020

terça-feira, maio 12, 2020

«Living in the Past»


sobre Le Tueur - Raisons d'État, t. I,
de Matz & Jacamon e
Les Oiseaux ne se Retournent Pas, de Nadia Nakhlé

estampa CCCXCIX - Alberto Sousa


Estação de Caminhos-de-Ferro Sul e Sueste, 1910

sábado, maio 09, 2020

criadores & criatura

fonte

fonte

Antonio Hernández Palacios, Jean-Pierre Gourmelen e MacCoy


fonte

sexta-feira, maio 08, 2020

quinta-feira, maio 07, 2020

"Triste de quem tenta ser alguém na vida atirando os homens uns contra os outros"

Quaresma, grande Quaresma, craque da bola e não só, puxaste bem as orelhas a esse piolho, tratado pelos demais como um insecto, o que só o engrandece.


Se a criatura falou mesmo em confinamento de uma etnia, sim isso configura crime. Ora, o parlamento não é lugar para criminosos; espero, portanto que haja uma queixa em conformidade, a Assembleia da República lhe retire a imunidade.
Aliás, este advogar de medidas racistas é contra a Constituição; portanto, a confirmar-se, há que prover o saneamento básico ao sistema político, fazendo-se a descarga do esgoto.

em tempo: a magnífica declaração de Quaresma completa aqui.



quarta-feira, maio 06, 2020

terça-feira, maio 05, 2020

«Leitor de BD»

sobre, Lou Velvet em Época Morte e (À Suivre)
de José Calos Fernandes


«I Wanna Be Adored»

«Cockroach King»

domingo, maio 03, 2020

sexta-feira, maio 01, 2020

quarta-feira, abril 29, 2020

«No Lullaby»

«Leitor de BD»

sobre Colt & Pepper, de
Darko Macan & Igor Kordej


jornal i

sexta-feira, abril 24, 2020

na estante definitiva

Gabriela, Cravo e Canela é um romance de costumes e uma crónica de amor -- o amor entre uma retirante e um imigrante sírio estabelecido na cidade de Ilhéus -- o amor de Nacib a Gabriela. E não se estranhe que aqui tanto se fale de amor, porque não há tema literário mais elevado do que o amor…
Aliás, é assim que o narrador inicia o proémio: «Essa história de amor -- […]», como que desintoxicando-se dos três volumes de Os Subterrâneos da Liberdade
A introdução do narrador define o tempo e o espaço -- Ilhéus, 1925 --, trazendo ao proscénio um acontecimento de disrupção (palavra horrível…), o assassínio a tiro, em flagrante delito de adultério, do dentista Osmundo Pimentel e Sinhàzinha Guedes Mendonça pelo marido desta, o fazendeiro encornado Jesuíno Guedes Mendonça.
Escândalo público comentado na capital do cacau por algumas figuras gradas a que somos apresentados:João Fulgêncio, dono da papelaria Modelo, «centro da vida intelectual» da cidade; o político Mundinho Falcão; o advogado e publicista Ezequiel Prado, homem de verbo fácil; e, obviamente, Nacib, dono de um restaurante, a braços com a saída da cozinheira.

«Assim era em Ilhéus, naqueles idos de 1925, quando floresciam as roças nas terras adubadas com cadáveres e sangue e multiplicavam-se as fortunas, quando o progresso se estabelecia e transformava a fisionomia da cidade.»




quarta-feira, abril 22, 2020

50 discos. 20. SELLING ENGLAND BY THE POUND (1973) - #7 «The Cinema Show»



o 25 de Abril, os beatos e os saloios

No meio deste desassossego coronário, tenho assistido, entre o incrédulo e o divertido, à pseudoquerela a propósito das comemorações do 25 de Abril. Só dei por ela, aliás, quando João Almeida do CDS, com ar de catequista, se insurgiu contra a cerimónia depois de, segundo ele, terem proibido a Páscoa. É extraordinário e dispensa outros comentários. Uns dias depois passei pela Rádio Renascença, e senti um tom raivoso contra estas comemorações e eventuais acções previstas para o 1.º de Maio. Percebi, então, que aquela tirada do deputado centrista não fora um acto isolado -- e imagino o lixo que não deve andar por essas "redes sociais". A Igreja fatiga-me.
Cansam-me também os saloios que, a despropósito, falam da necessidade de inovar, recriar o cerimonial & outras maravilhas. Como detesto inovações, lavro desde já o meu protesto. Mas sugiro aos presentes no Parlamento, no próximo sábado, criatividade nestas máscaras de pano que aí vêm. As minhas serão garridas e pouco sanatoriais. Estou até a pensar encomendar uma com pequenos Mickeys...


Há sempre razão para comemorar, nem que seja a civilidade, nem que seja a desexistência da pide -- embora não faltem potenciais agentes e bufos --, nem que seja o fim da opressão colonial que há séculos infligíamos a outros povos, mal e porcamente;  nem que seja em memória do que foi e do que poderia ter sido; mas dificilmente poderia ter sido outra coisa senão isto.
E, mais que tudo, celebrar a liberdade de poder escrever tudo isto em nome próprio, sem receio que os bufos me vão denunciar ou que a pide me vá buscar a casa a meio da noite. 

estampa CCCXCVIII - Franz von Stuck


Estrelas Cadentes. Franz e Mary Stuck (1912)

terça-feira, abril 21, 2020

«Leitor de BD»

sobre Edgar Vasques, Paulo J. Mendes e Jeff Lemire

domingo, abril 19, 2020

sexta-feira, abril 17, 2020

criador & criatura

fonte

Claude Auclair e Simon du Fleuve

fonte

quarta-feira, abril 15, 2020

leitor de BD

Logo Jornal i

sobre Bruno Brazil -- Black Program
de Lauret-Frédéric Bollée e Philippe Aymond

terça-feira, abril 14, 2020

estampa CCCXCVI - Abel Salazar


No Cais (1930)

domingo, abril 12, 2020

sábado, abril 11, 2020

quinta-feira, abril 09, 2020

quarta-feira, abril 08, 2020

na estante definitiva

Leitores de Jorge Amado, há-os de três tipos: os que gostam do primeiro Jorge Amado, o autor militante comunista, o que influenciou a primeira geração dos neo-realistas e que caiu fundo em vários modernistas da presença -- quem a leu, sabe que é assim -- e que a partir do progressivo afastamento do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) se aburguesara, tornando-se, inclusivamente uma espécie de propagandista turístico de certas delícias tropicais; outros pelo contrário, acham que este era um panfletário e que o grande escritor é o segundo Jorge Amado. Ambos estão fundamentalmente errados, embora algumas das críticas e ditirambos possam fazer sentido de forma parcelar. A verdade é que no essencial se trata do mesmo Jorge Amado: sim, há uma epígrafe de Karl Marx em Seara Vermelha (1944) e sim, Dona Flor encorna o marido vivo com o marido morto, os três na mesma cama. Sim, O Mundo da Paz é uma intragável mistela propagandística do regime de Stalin e Navegação de Cabotagem  é o renegar da cegueira sem eliminar ou esconder dsse zelo funcionário.
O título charneira, o antes e o depois, dá-se com Gabriela, Cravo e Canela, o romance que se sucede, após quatro anos, a Os Subterrâneos da Liberdade (1954), um louvor ao PCdoB...
Que Gabriela, Cravo e Canela é um romance extraordinário, balzaquiano no melhor sentido da palavra, não há dúvida; resiste a todas as adaptações, por boas ou muito más que sejam. Resiste até a uma miserável capa deste minha edição portuguesa das Publicações Europa-América, quando esta editora a estreara em 1960 -- após a autorização a contragosto de Salazar, que quis ler o que estava em vias de autorizar… --, com uma bela cobertura de António Domingues, e um prefácio de Ferreira de Castro, que só não o escrevera a contragosto porque ditado pela amizade, já então de três décadas, entre ambos.

Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela [1958], 15.ª edição portuguesa, prefácio de Ferreira de Castro, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1978.
Colecção: «Obras de Jorge Amado» #7
Data de posse: Outubro de 1983

terça-feira, abril 07, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Berck e Goscinny, Strapontam e o Monstro de Loch Ness


«Aqualung»

sábado, abril 04, 2020

sexta-feira, abril 03, 2020

quinta-feira, abril 02, 2020

criador & criatura

Dick Browne e Hagar o Horrível

quarta-feira, abril 01, 2020

«Leitor de BD»

Logo Jornal i
Louisiana : La Couleur du Sang
de Léa Chretien e Gontran Toussaint

segunda-feira, março 30, 2020

«Feel So Different»

alguns elogios

Já pela segunda vez... Sobre aspectos técnicos não me pronuncio; a condução política de António Costa parece-me muito boa. Aliás, as lideranças políticas têm correspondido, e ninguém compreenderia o contrário.
Em relação ao ministro holandês, fez bem em não deixar passar e fê-lo nos termos apropriados, porventura pouco diplomáticos, mas os necessários. A melhor ainda foi a do então presidente grego, por altura do resgate, que perante estas condescendências  e considerações calvinistas veio lembrar que A Grécia era uma civilização ainda os holandeses andavam a abrigar-se em cavernas. Foi bonito de se ouvir.
Mas, até hoje, do que mais gostei em Costa, foi quando, na entrevista à tvi, a propósito do navio de cruzeiro aportado em Lisboa, ter lembrado haver não só alguns milhares de portugueses no estrangeiro com dificuldade para regressar, notando que nestes casos não é cada um por si e salve-se quem puder. 

sábado, março 28, 2020

estampa CCCXCIV - Abel Manta


Jogo de Damas (1927)

quinta-feira, março 26, 2020

terça-feira, março 24, 2020

«Leitor de BD»

O Regresso de Tomahawk Tom
de Vítor Péon

segunda-feira, março 23, 2020

«Desfado»

na estante definitiva

«As nuvens encheram o céu até que começou a cair uma chuva grossa. Nem uma nesga de azul. O vento sacudia as árvores e os homens seminus tremiam. Pingos de água rolavam das folhas e escorriam pelos homens. Sós os burros pareciam não sentir a chuva. Mastigavam o capim que crescia em frente ao armazém. Apesar do temporal os homens continuavam o trabalho. Colodino perguntou:»

A acção decorre provavelmente no tempo presente da narrativa, na Fazenda Fraternidade, município de Ilhéus, estado da Baía.

A insistência na palavra "homens", a dar substrato ao desejo, em dúvida manifestada pelo autor: «Será um romance proletário?» Já não heróis individuais e povo como motivo pitoresco, mas homens, neste caso trabalhadores da fazenda de cacau: Colodino, Antônio Barriguinha, Honório... mais à frente João Grilo. "Fraternidade" o irónico nome da fazenda, tal como o seringal em A Selva , de Ferreira de Castro -- que Jorge Amado lera --, tinha por crisma "Paraíso", como um dichote.

O antagonismo de classes é-nos dado pelas variações sobre o nome do patrão, Manoel Misael de Souza Telles, o "Mané Frajelo" (flagelo), "Mané Miserave Saqueia Tudo", "Merda Mexida Sem Tempero"; pelo confronto entre a casa opulenta do coronel, onde viviam mulher, filha e filho estudante no Rio, «elegante e estúpido», que destratava os trabalhadores; e as choças de barro cobertas de palha  -- «Deus também é pelos ricos...», observa um; e pela extorsão que Mané Frajelo exerce contra os homens que trabalham para si, com a cumplicidade do despenseiro João Vermelho. E depois as contas, três mil e quinhentos (réis?) por dia era a paga a cada um, retirada dos mil contos anuais que Frajelo ganhava com o trabalho destes homens.

E uma personagem sobre a qual cai um mistério, Honório, «Preto, forte, alto, brigão», que o patrão não despedia, apesar da grande dívida contraída no armazém.«Bebia cachaça pelo gargalo da garrafa e jamais foi visto embriagado. Mané Frajelo respeitava-o.»

Jorge Amado, Cacau (1933), ibidem, capítulo I, «Fazenda Fraternidade»,  pp. 19-23. 


sábado, março 21, 2020

estampa CCCXCIII - Anne Brouillard


O Paraíso dos Gatos (2005)

terça-feira, março 17, 2020

«Leitor de BD»

sobre Spirou, de Émile Bravo

sexta-feira, março 13, 2020

estampa CCCXCI - Georges Braque

Violinos e Clarinete numa Mesa (1912)

quinta-feira, março 12, 2020

o Covid 19 da desorientação política

Não se ataca o mal pela raiz por puro medo. A desorientação é total: em Coruche uma escola com um aluno infectado aguarda ordens para encerrar… Em Lisboa, dois navios de cruzeiro despejam centenas de turistas sem qualquer controlo. Mas temos de ouvir apelos à responsabilidade social assistir aos puxões se orelhas aos miúdos que, sem aulas, foram para a praia de Carcavelos num dia estival... É extraordinário 

em tempo: gostei do tom da comunicação ao país de António Costa, do sentido de comunidade que por ela perpassou.

criador & criaturas

fonte

Derib e Buddy Longway & Chinook

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terça-feira, março 10, 2020

«Leitor de BD»

sobre Tarzan, de Hal Foster e Burne Hogarth


o que é que a Beira Baixa tem?

domingo, março 08, 2020

estampa CCCXC - Ofélia Marques


Auto-Retrato (1936)

quinta-feira, março 05, 2020

assim um grande elogio a Sócrates e aos autarcas do PCP

Um grande elogio a Sócrates, pois é do seu tempo a lei que dá aos municípios a faculdade legal de vetar asneiras decididas por outros que se estão nas tintas para as populações. Por outro lado, elogio aos autarcas do PCP, que não estão a traí-las. A sua obrigação, enfim. Até porque eu não acredito que o povo da margem sul do Tejo ficasse impávido, tal como não ficou o das aldeias do lítio.
Não faço ideia se Alcochete serve, logo se verá; se alguém me explicar por que razão Beja não, ficaria bastante agradecido.
A não ser que o PSD dê alguma cambalhota, o aeroborto do Montijo está morto, e o ministro devia demitir-se, depois das declarações intoleráveis que proferiu. Sem nenhuma paciência para estes tipos que acham que são donos do país: não são, e se se esquecerem disso devem ser democraticamente postos na ordem, o que sem maioria absoluta, graças a deus, não é difícil; mas com maioria também se faz, é uma questão de convicções e tomates.

quarta-feira, março 04, 2020

«Kick Out The Jams»

«Leitor de BD»




sobre Edibar, de Lucio Oliveira

segunda-feira, março 02, 2020

Polanski, grande Polanski

O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX.  Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do  escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.