errâncias
-
*«O *Sr. Not, tão pobre de gestos e expressões como de letras é o seu nome,
aponta, na soleira da porta, um cão ladrando furiosamente para o céu, onde
os...
Há 6 horas
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
Quando o vi pela primeira vez, nem sabia quem diabo era o Robert Rodriguez. Pus-me, portanto, a ver um road movie com dois psicopatas (Tarantino mais que Clooney) em fuga, sequente e habitual sequestro de família, pai viúvo, pastor que perdeu a fé (deslumbrante Harvey Keitel) e casalinho adolescente (ela é Juliette Lewis). Tiros, pancadaria, esgares maníacos (Tarantino) e crueldade moderada (Clooney, esplêndido moderador...), quando, passada a fronteira, aguardam contacto num bar cheio de mulherio (inesquecível Salma Hayek). Só não estava à espera de zombies (Tarantino é o autor do argumento)... Mudado o registo, a adaptação é fácil, filme que se revê muito bem, um must do género.
De Julie Delpy (2007).
Història de la Meva Mort, de Albert Serra (Espanha e França, 2013). "Selecção oficial -- Fora de competição". Casanova meets Drácula. Notabilíssima interpretação de Vicenç Altaió i Morral, encarnando o Grande Libertino. Como li algures, o filme ilustra (ou pretende ilustrar) a passagem do racionalismo iluminista de Setecentos ao romantismo destemperado da centúria seguinte. Confesso que a minha coluna e o meu traseiro burgueses perderam, a meio do filme, a paciência com as abaixo de desconfortáveis cadeiras do Centro de Congresso do Estoril. Foi uma pena, porque esse desconforto já não me deixou fruir em condições a segunda parte, e, a certa altura, já não levava nada a sério, e via em Serra um autor de uma espécie de crossover do cinema de Oliveira com o de Coppola, e olhava para o Drácula como a figura do Lobo Mau, à espera de soprar à porta das 3 porquinhas... Malvadas cadeiras!
Fruitvale Station, de Ryan Coogler (Estados Unidos, 2013). "Selecção oficial -- Fora de competição".
Sacro Gra, Gianfranco Rossi (Itália e França, 2013). «Selecção oficial -- Fora de competição».A maior autoestrada urbana italiana, que envolve Roma. No meio, milhões de vidas, das mais ricas às mais degradantes, das mais faustosas às que se remeteram à mais insignificante insignificância. É um excelente documentário, da mais pura reportagem. Intermináveis histórias de vida.
Acresce que não devem invocar os protestatários o suposto "intuito subjacente de branquear, neutralizar, festivalar o furor interventivo, manifestamente Anti-Sistema [com maiúsculas e tudo, caralho!], do cineasta, assim posto à mercê de tais canibais homenageantes", porque quem histericamente leva o protesto para a questão política devia saber que quem invoca o nome de João César Monteiro não tem autoridade moral para a invocar, pois JCM só filmou porque um negregado político (democraticamente mandatado, note-se, embora para alguns protestateiros tal possa ser coisa de somenos) despachou favoravelmente os subsidiozinhos para que JCM estendeu a mão (não a dele, é claro, que a gente não se suja com essas coisas, mas a do pedinte então de serviço, um produtor...). Houve gente, antes e depois do 25 de Abril, que nunca aceitou subsídios do Estado. Tenho exemplos. Não assim JCM no Portugal democrático (não sei se o que fez durante a Ditadura mereceu espórtula estatal; quero crer que não) e, quanto a mim, muito bem; muito mal este destempero protestadeiramente grotesco e, além do mais ridículo: daqui a cinquenta anos, se alguém se lembrar de ler poemas de JCM num certame destes, ninguém se vai dar ao trabalho de atestar a santidade Anti-Sistémica (para usar também maiúsculas, foda-se!) do preclaro realizador.
O que eu gozei com os jogos de tabuleiro da Majora!; e como continuei e continuo a gozá-los com os meus filhos...: «Corrida de Automóveis» e «O Tesouro dos Corsários» foram os que sobreviveram desse tempo. Os livros de pano, perdi-os todos (nem parece meu...) Comprei para a minha filha mais velha um sucedâneo, em vez do pano, papel plastificado e lavável, mas não é a mesma coisa... O Correio da Manhã vai oferecer alguns, nos próximos fins-de-semana. A marca está suspensa, à espera de melhores dias, ou novas armas para enfrentar o digital. Bolas.
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.