«quem usa o sangue para escrever não consegue falar»
Resumo - A Poesia em 2012 (2013)
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«quem usa o sangue para escrever não consegue falar»
Resumo - A Poesia em 2012 (2013)
«1. O Regresso / Ainda os ouço, ainda os sinto, mesmo aqui, tão longe, do outro lado do mundo. Os seus passos a arrastarem-se, um restolhar de serpente ou de sombra no pasto seco. Mas não quero falar deles. Mais tarde, quem sabe? Agora, vou enterrá-los em sete palmos de silêncio, no lodo do Rio das Pérolas.» Dora Gago, Quem Rasgou os Meus Lençóis de Linho? (2026)
«Sentado na borda da cama, ombros baixos, o beiço superior fazendo um muxoxo de amuo, o Zé, filho de oficial, deixou escapar: / -- O meu velho tinha razão. Estamos quilhados. E logo nos havia de tocar a Cavalaria.» Abílio Teixeira Mendes, Henda Xala (1984)
«As comemorações dos setenta anos da fundação de Irisópolis e dos cinquenta de sua elevação a cidade, cabeça de comarca e sede de município, alcançaram certa repercussão na imprensa do sul do país. Se para tanto o dinâmico Prefeito despendeu de verba elevada, não incorre em crítica: tudo quanto se faça para para divulgar as excelências de Irisópolis, o passado de epopéia, o presente de esplendor, merece aplauso e elogio.» Jorge Amado, Tocaia Grande - A Face Obscura (1984)
«O frio dos Pirenéus e o aroma a traição / fazem-me regressar ao toque das tuas mãos.»
«Roncesvalles», Resumo - A Poesia em 2012 (2013)
Deixo para quem interesse o historiar e o balanço da passagem do Fidel Castro pela terra. Nem faço ideia se a História o absolverá. O que sei, de saber certo, sobre Fidel Castro, foi ter sido alguém que, dirigindo um punhado de guerrilheiros, pegou num país que era uma cloaca dos Estados Unidos, casino e casa de putas dos mafiosos e do poder norte-americano, e deu dignidade e cabeça erguida a um país, um povo e uma bandeira. É comparar com a miséria latrino-americana em volta. Claro que há um deve e um haver, e não serei eu fazer do homem um santinho revolucionário, coisa que não existe, nem o Che Guevara. No entanto, antes cubano que nacional de quase tudo da américa-latinha de que os americanos gostam.
«Não estou contra / não vou contra / apenas subo um pouco / e desacelero»
«"Ich habe genug"», Resumo - A Poesia em 2012 (2013)
«Entrou nos recintos de Deus / um pouco desabrigado, mas de unhas limpas / e de peito aberto ao que viesse.»
Resumo -- A Poesia em 2012 (2013)
«Já tão pouco me resta dêsse fruto, / o qual não era ainda este enigma, / mas plena convulsão de gozo em bruto: / massa compacta a desenhar-se escrita»
«Voto renovado de poesia», Resumo - A Poesia em 2012 (2013)
«Naquele tempo, a freguesia de Nossa Senhora do Rozário da Achadinha não era mais do que uma caganita de mosca, à qual se apontasse um dedo acima do dorso quase sempre verdoso do Atlântico, e a memória dos povoadores escorria ainda do basalto das calçadas e dos musgos marinhos.» João de Melo, O Meu Mundo não É Deste Reino» (1983)
«O "Avelona Star", de boa singradura, trouxera para a direita do seu casco o vulto negrusco que até aí apresentava pela linha de proa. Porto Santo avolumara-se, perdendo em mistério o que dava em relevo orográfico.» Ferreira de Castro, Eternidade (1933)
«Entrei numa das mais flácidas carruagens do comboio. / Vejam a egoísta e brutal natureza do homem-corpo! Nem quando a alma padecia tanto, se dispensou a ignóbil matéria dos regalos das almofadas! A angústia lamentosa; creio: mas em que recâmaras de asiática opulência se lamentava ele!» Camilo Castelo Branco, O Romance dum Homem Rico (1861)
«É feio apontar para fora de nós.»
«É feio apontar», Resumo -- A Poesia em 2012 (2013) -
selecção de Armando Silva Carvalho, José Alberto Oliveira, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas
«-- Que eu seja apenas Som que um outro cante / e, na renúncia de mim, / igual a mim um dia me alevante!...»
Serra-Mãe (1945) - «Harpa»
«Tendo-o visitado com intervalos que nunca excederam mais de quinze anos -- e, em geral, muito menos ainda --, foi-me lícito observar a vertiginosa ascensão daquela pátria e daquele povo entre as outras nações do continente americano.» João de Barros, Adeus ao Brasil (póst., s.d.) - «Brasil de hoje».
«Eu bem na sinto!, eu bem na sinto! E, apoiada sem peso ao nosso braço, a criatura vai vaporosamente, no silêncio duma ventura profunda, de olhos descidos, o rosto fino, e bons dias a esta árvore e àqueloutra, uma palestra sem fim com os carvalhos e velhos olmos.» Fialho de Almeida, O País das Uvas (1893) - «Pelos campos»
«E como não há macdames que resistam a este trânsito fantástico a que estão sujeitos os macdames do Norte da França, a legião dos que se empregam em os reparar constitui um verdadeiro exército, que trabalha sem descanso e cuida com desvelo de impedir que as estradas, trilhadas por toda a casta de veículos, se tornem intransitáveis.» Adelino Mendes, «A cidade d'Albert», A Capital, 29-III-1917, Repórteres e Reportagens de Primeira Página (s.d.)
«não tenho nome ou idade, / nem sequer um coração // para sofrer outra ofensa:»
Oráculos de Cabeceira (2009) - «"É bom viver na terra?"»
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.