Museu Municipal de Faro
domingo, março 01, 2009
Clube de leitura - A Viagem do Elefante
José Saramago, A Viagem do Elefante, Caminho, Lisboa, 2008.Muito tempo depois, desde A Jangada de Pedra -- e não contando com alguns textos laterais, como o muito interessante -- As Pequenas Memórias --, regresso a José Saramago e deparo com um escritor na plenitude das suas capacidades estilísticas. Tive uma impressão semelhante quando li o magnífico Para Sempre, de Vergílio Ferreira: era preciso ter-se escrito muito e menos bem, anos e anos de prosa acumulada, para vir a público com um romance como aqueles.
N'A Viagem do Elefante, o escritor tinha o fio de uma história: o percurso de um paquiderme indiano da corte de D. João III, Lisboa, à do arquiduque Maximiliano, Viena. A narrativa dá-nos uma figura inesquecível, a do cornaca Subhro (rebaptizado Fritz, por Maximiliano...), personagem coadjuvada pela não menos interessante do comandante do destacamento que tem por missão conduzir Salomão, o elefante, e respectivo cornaca à fronteira, em Figueira de Castelo Rodrigo (a passagem de testemunho aos enviados do arquiduque é saborosíssima). Ora, neste belo livro, o que mais me agradou foi a sageza de autor, em que nada parece estar a mais ou a menos, servido por uma ironia e uma graça que me surpreendeu, a que se juntam delicosos anacronismos e inúmeras piscadelas de olho ao leitor, que, se não estou errado, têm no Almeida Garrett das Viagens na Minha Terra a sua principal fonte.
Depois do soberbo Levantado do Chão, de Memorial do Convento, de O Ano da Morte de Ricardo Reis e do até certo ponto decepcionante A Jangada de Pedra, este périplo elefantino -- Salomão entra no panteão bestial da nossa literatura ... -- foi para mim um feliz reencontro e abriu-me o apetite para quatro livros seus que tenho de há muito em carteira: História do Cerco de Lisboa, Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho segundo Jesus Cristo e Ensaio sobre a Lucidez, aos dois últimos acrescendo um interesse não exclusivamente literário.
A capa, de Rui Garrido, é uma festa para os olhos.
Incipit -- Por muito incongruente que possa parecer a quem não ande ao tento da importância das alcovas, sejam elas sacramentadas, laicas ou irregulares, no bom funcionamento das administrações públicas, o primeiro passo da extraordinária viagem de um elefante à áustria que nos propusemos narrar foi dado nos reais aposentos da corte portuguesa, mais ou menos à hora de ir para a cama.
P.S. - Graças à bloga, podemos sempre ler, quase em primeira mão, as anotações de Saramago no seu Caderno, privilégio que normalmente não dispenso, em acordo ou desacordo.
«Por Amor e Outros Poemas», de Torquato da Luz
Torquato da Luz autografa o novo livro Por Amor e Outros Poemas (Papiro),e eu aguardo pacientemente na fila, com a nova obra e também as tiras do Penadinho...
sábado, fevereiro 28, 2009
Figuras de estilo - José Saramago
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Antologia Improvável #359 - Cecília Meireles (3)
4.º MOTIVO DA ROSA
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.
E por perder-me é que me vão lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Mar Absoluto / Antologia Poética
(desenho de Arpad Szenes)
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.
E por perder-me é que me vão lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Mar Absoluto / Antologia Poética
(desenho de Arpad Szenes)
Pois assino
A mim, falta-me a pachorra para comentar o dia-a-dia deste país idiota, da idiotia de alguns dos seus líderes políticos e do oportunismo dos restantes, do analfabetismo dos magistrados e dos polícias, da falta de vergonha duns banqueiros-larápios (olha, que engraçado, "larápio", um substantivo que fica bem nas caras de fuinha desses banqueiros, uns já dentro, outros por enquanto ainda fora). Enfim, não tenho cu, como dizia Fernão Lopes.
Mas estimo uns quantos que se dão ao trabalho, nomeadamente João Paulo Guerra. É um prazer ouvir a sua revista da imprensa nas manhãs da Antena 1.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
caderninho
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Figuras de estilo - Maria Gabriela Llansol
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