terça-feira, março 10, 2020
domingo, março 08, 2020
sábado, março 07, 2020
quinta-feira, março 05, 2020
assim um grande elogio a Sócrates e aos autarcas do PCP
Um grande elogio a Sócrates, pois é do seu tempo a lei que dá aos municípios a faculdade legal de vetar asneiras decididas por outros que se estão nas tintas para as populações. Por outro lado, elogio aos autarcas do PCP, que não estão a traí-las. A sua obrigação, enfim. Até porque eu não acredito que o povo da margem sul do Tejo ficasse impávido, tal como não ficou o das aldeias do lítio.
Não faço ideia se Alcochete serve, logo se verá; se alguém me explicar por que razão Beja não, ficaria bastante agradecido.
A não ser que o PSD dê alguma cambalhota, o aeroborto do Montijo está morto, e o ministro devia demitir-se, depois das declarações intoleráveis que proferiu. Sem nenhuma paciência para estes tipos que acham que são donos do país: não são, e se se esquecerem disso devem ser democraticamente postos na ordem, o que sem maioria absoluta, graças a deus, não é difícil; mas com maioria também se faz, é uma questão de convicções e tomates.
A não ser que o PSD dê alguma cambalhota, o aeroborto do Montijo está morto, e o ministro devia demitir-se, depois das declarações intoleráveis que proferiu. Sem nenhuma paciência para estes tipos que acham que são donos do país: não são, e se se esquecerem disso devem ser democraticamente postos na ordem, o que sem maioria absoluta, graças a deus, não é difícil; mas com maioria também se faz, é uma questão de convicções e tomates.
quarta-feira, março 04, 2020
segunda-feira, março 02, 2020
Polanski, grande Polanski
O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX. Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.
domingo, março 01, 2020
quarta-feira, fevereiro 26, 2020
na estante definitiva
Não tem rosto de mulher, a guerra, proclama Svetlana Alexievich, e com verdade: haverá algo mais contranatura do que ter capacidade para gerar vida e em simultâneo tirá-la? No entanto, numa breve nota preambular, reproduzindo uma conversa com um historiador (pp. 11-12) não identificado -- Alexievich utiliza o método do inquérito antropológico e sociológico do informante, ocultando a identidade dos seus entrevistados --, somos esclarecidos que mulheres guerreiras houve-as desde a Antiguidade grega; e que na chamada Grande Guerra Patriótica um milhão de mulheres soviéticas integraram o Exército Vermelho, desempenhando todas as tarefas e missões que um conflito em larga escala implica; de tal modo que o léxico russo teve de adaptar-se à femininização de vocábulos até então exclusivamente masculinos.
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher, (1985 - 1ª edição na União Soviética)
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher, (1985 - 1ª edição na União Soviética)
terça-feira, fevereiro 25, 2020
segunda-feira, fevereiro 24, 2020
domingo, fevereiro 23, 2020
sábado, fevereiro 22, 2020
VPV - a morte do cronista
O maior cronista português é o Eça de Queirós; nem estou a ver quem lhe possa chegar perto. Cultura fortíssima, ideias, convicções, um estilo arrebatador, e o humor .Para mim, a crónica queirosiana não é menos importante que a obra romanesca; estou quase tentado a dizer, antes pelo contrário...
Vasco Pulido Valente, historiador e também polemista temível foi o maior cronista do seu tempo, em que se conjugavam uma base cultural vasta e sólida, uma forma literária de primeira grandeza e uma óbvia inteligência e perspicácia. A História, aliás, dava-lhe uma perspectiva sobre o presente que não assiste à maioria dos que escrevem.
Vasco Pulido Valente, historiador e também polemista temível foi o maior cronista do seu tempo, em que se conjugavam uma base cultural vasta e sólida, uma forma literária de primeira grandeza e uma óbvia inteligência e perspicácia. A História, aliás, dava-lhe uma perspectiva sobre o presente que não assiste à maioria dos que escrevem.
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Vasco Pulido Valente
quinta-feira, fevereiro 20, 2020
decidir aerobortos em cima do joelho porque sim, e é comer e calar; ou não queriam mais nada; ou vivam a Moita e Montalegre!
Alguém que ponha na ordem estes deslumbrados, que não há paciência para arrogância, autossuficiência, desprezo pelos concidadãos, falta de cultura democrática. Eu costumava achar piada aos jovens turcos do PS, pareciam-me arejados, sem desgaste pelas manhas do poder (ingenuidade) nem tiques autoritários.
Recentemente, João Galamba, investido de poder e secretarialmentedeestado engravatado, a propósito das aldeias do lítio em Montalegre, aduziu dois argumentos supostamente de peso para avançar com o processo de prospecção: primeiro, o concurso fora lançado pelo governo anterior (PSD) e o governo actual teria de o cumprir sob pena de pagar(mos) pesadas indemnizações, etc. -- a cantiga do costume. O segundo argumento: não pode uma população, neste caso as das aldeias afectadas pela extracção do lítio, condicionar o resto do país, até por uma questão de solidariedade com o todo nacional, e mais violinos.
Argumento parecido quanto ao aeroborto do Montijo, lançado pelo governo do PSD, ou lá o que foi, e que -- diz agora o ministro Pedro Nuno Santos que a Moita (esquecendo-se dos outros, mas que fosse só a Moita...) não pode negar uma oportunidade que afecta o país.
Este episódio mostra bem que a coisa foi decidida em cima do joelho, tipo petit comité de estado-maior governamentalo-partidário. Só agora, depois desta conversa toda, se aperceberam que foram apanhados com as calças na mão. Para que servem os batalhões de assessores, juristas e outra macacaria? (Sobre isto haveria muito a dizer, mas não quero desviar-me.) Arrumando a questão legal: estamos todos fartos dos factos consumados e das pesadas heranças transmitidas de um governo para outro, das obrigações legais urdidas sempre pelos mesmos. Aqui, já não se fala em mudar a lei, curiosamente -- até porque, como disse um conhecido facilitador de negócios, a esta hora já os caterpilares deveriam estar a trabalhar no Montijo…
Mas isto são questões legais com contornos duvidosos, pouco claros, assuntos eventualmente de polícia e justiça, a gangrena de que se alimentam agremiações manhosas como o Chega e quejandos, pasto para invejosos e desiludidos da vida (a propósito: alguém foi julgado e condenado, alguém foi para a cadeia por causa do nascimento do Siresp? Já quase ninguém se lembra, não é? Provavelmente até já prescreveu a negociata enjorcada por um ministro de saída, e que o governo seguinte lá teve endossar sob pena de o Estado ter de pagar chorudas indemnizações, ou seja, corrupção e rapina -- ou seja, vileza.
Politicamente gravíssimo é o autoritarismo revelado pela dupla Galamba & Santos. Para o primeiro, as aldeias de Montalegre têm de amochar para benefício do país todo. Pois não têm; têm o dever de exigir um debate muito alargado no seu município, e só a eles caberá decidir se estão ou não de acordo com a abertura dessas minas à exploração, com contrapartidas muito bem definidas no caso de concordância, sendo o Governo o mediador entre população e empresa. Mas só e apenas nesse caso. Se não concordarem, que vão prospectar e abrir buracos para outro lado. O mesmo se passa com a Moita e os restantes municípios contrários ao aeroporto. Não querem, não há, ponto final. E escusa o ministro de vir fazer voz grossa e ameaçar com um rolo compressor legislativo para cilindrar as populações. (Aliás, estas têm tanta ou mais razão quando se vê agora que foi tudo decidido em cima do joelho.) Em democracia é o povo quem mais ordena; aqui sim, justifica-se um referendo, exclusivamente local e vinculativo se a participação for superior a metade do número de eleitores, após uma campanha com debate, esclarecimento, contrapartidas no papel. E só aí: tudo o resto é antidemocrático, anti-ético, e como tenho escrito, legitima toda a resistência não-violenta.
Aliás, se a decisão for para a frente, contra tudo e contra todos, a ocupação do terreno pelas populações não só está mais do que justificada, como é um imperativo ético, em nome do presente e das futuras gerações.
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quarta-feira, fevereiro 19, 2020
JornaL
Aeroaborto. Ouvi na rádio: sem parecer vinculativo das autarquias envolvidas, aborta o aborto do Montijo -- pelo menos à face da Lei, que parece que é para respeitar, sob pena de processo, julgamento e cadeia. Como a as autarquias do PCP, Moita e Seixal, protegendo as suas populações, irão vetar aquela miséria, pensada para encher mais os bolsos para alguns (o 'Turismo', ai o 'Turismo'...), temos o aeroporto do Montijo abortado. Ou será que não?... Vamos lá a estar atentos às manigâncias, sim?... E o secretário-de-estado, a fazer de nós estúpidos e dos pássaros inteligentes. Vão ouvir a crónica do Bruno Nogueira de hoje na TSF.
Racismos. Dou parcialmente razão ao Pinto da Costa: aquela manifestação dos símios do Guimarães, mais do que uma manifestação de racismo é-o antes de estupidez. O plantel está cheio de negros, e uma das sua principais figuras, Neno, que creio também ser dirigente, antigo guarda-redes que passou também pelo Benfica, é negro. Atribuo o primarismo da manifestação, em primeiro lugar, a uma boçalidade que ainda não nos largou enquanto povo. É sabido como somos atrasados, impreparados, incultos e aldrabões -- embora com cada vez mais e maiores bolsas de "excelência". Quando eu era miúdo, na primária, cantava com os meus colegas: "Em Macau, o bom chinês limpa o cu ao português". O país ainda é muito isto; e o racismo larvar é mais animal que pérfido. Em tempo, e para o tempo: falo do caso Marega.
Vergonha. É algo que a Igreja Católica não tem, nem nunca teve. Aqueles nacos de homilias nas missinhas de Domingo, passados no Telejornal, são do melhor que tenho visto. Ai os padrecas, que me moem a paciência.
1820. É verdade: este ano comemora-se o Bicentenário da revolução de 1820, aquela que, entre outras coisas, arejou a sacristia que era este país.
O Deus verdadeiro. O Eric Clapton tocou ontem com o Roger Waters em Londres.
O Deus verdadeiro. O Eric Clapton tocou ontem com o Roger Waters em Londres.
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terça-feira, fevereiro 18, 2020
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