quarta-feira, novembro 23, 2016

criador & criatura


Frank Robbins e Johnny Hazzard


terça-feira, novembro 22, 2016

canções portuguesas: #23 «Pode alguém ser quem não é»~(Sérgio Godinho & Teresa Salgueiro, 2003)



(música e letra: S.G.)

Tulsi Gabbard

... e de repente, uma visão. Tulsi Gabbard, congressita democrata, apoiante de Bernie Sanders, veterana da Guerra do Iraque e surfista, encontra-se com Trump. Não por ter passado a achar que este é aproveitável em várias matérias, mas porque numa questão fundamental, ela percebe que 1) o inimigo é o radicalismo islâmico; e 2) que a escalada com a Rússia não traz nada de bom. Vale a pena ler o seu comunicado. 
Oh, les beaux esprits (não ela e o Trump, claro, mas ela e eu)...

50 discos: 16, OS SOBREVIVENTES (1971) - #4 «Paula»


Por sobre a noite uma voz me preenche
António Gancho

segunda-feira, novembro 21, 2016

sábado, novembro 19, 2016

Luís de Freitas Branco: «Paraísos Artificiais»


(1890-1955)


Orquestra da Universidade de Aveiro, em colaboração com a
Orquestra Filarmonia das Beiras / Luís Carvalho

sexta-feira, novembro 18, 2016

o meu amor é a correcta magia dos sons
Manuel de Castro

quinta-feira, novembro 17, 2016

50 discos: 17. THREE FRIENDS (1972) - #4 «Peel The Paint»


Putin e o TPI

Há coisas demasiado sérias para que se possa aceitar a sua falsificação abastardamento. Uma delas é o Tribunal Penal Internacional. O TPI nasceu mais do que torto: não só não está dependente da ONU, como se distinguiu por uma parcialidade durante a guerra da Iugoslávia que o desacreditou desde o início.
A não-tutela das Nações Unidas até pode compreender-se, dados os impasses que institucionais; porém, o risco de utilização do TPI pelas agendas das grandes potências, resulta ainda pior. 
Na Guerra da Iugoslávia, os sérvios foram, com efeito, os bodes expiatórios do TPI, num conflito que não teve inocentes políticos e militares..
Quando Putin decreta o afastamento da Rússia do TPI, após uma referência deste à situação da Crimeia como "ocupação", mais não faz do que pretextar e sublinhar a situação insustentável em que o tribunal se colocou: uma instituição que não é para ser levada a sério, como já se sabia, acabando, no fundo, por ser contraproducente em relação aos seus fins: julgar criminosos de guerra, procurando, também, ser dissuasor.
Ora, se há um caso em que os russos têm muitíssima razão, esse é o da Crimeia, histórica e politicamente.
Têm razão, do ponto de vista histórico, porque, na década de 1950, Krushtchev o autocrata do momento, resolveu (dizem que após uma noite de bebedeira), retirar a Crimeia da República Soviética da Rússia e integrá-la na República Sovética da Ucrânia. Com o feliz colapso da URSS, os russos, demasiado enfraquecidos para fazerem valer as suas pretensões, limitaram-se a garantir a soberania sobre o porto estratégico de Sebastopol. Com a degradação política da Ucrânia, a Rússia limitou-se a tomar posse de um seu território secular.
Mas não ficamos por aqui: a população da Crimeia, maioritariamente russa, votou pela sua reintegração na pátria. Quem pode censurá-los -- aos cidadãos e ao poder russo? Os cínicos, claro. Acontece que a Rússia é demasiado poderosa para sujeitar-se ao cararejar dos hollandes e das mays e, neste caso em particular, fez o que devia, desprezando uma instituição mal-afamada, para desgraça das vítimas dos crimes de guerra.  

Nota: a selectividade das notícias e das indignações também não deixa de ser interessante: fala-se na Ucrânia e na Geórgia (peões potenciais dos Estados Unidos), mas nada quanto à Tchetchénia, pese embora a especificidade de cada um dos territórios. É um bocado como as notícias que vêm da Síria e do Iraque. Em Alepo morrem sempre crianças; em Mossul, só se abatem os maus do Daesh. Lá está: estorinhas pera entreter meninos. Foi preciso ver as reportagens do Paulo Dentinho, para perceber que metade de Alepo se mantém praticamente intacta: até aqui, só nos chegavam as imagens da zona oriental, captadas por drones ou pela Al-Nusra, com os seus 'capacetes brancos' (parece que queriam atribuir-lhes o Nobel da Paz...) -- segundo ouvi bacorejar numa televisão qualquer.

canções portuguesas #21 «Menina dos Olhos Tristes» (Adriano Correia de Oliveira, 1964)



(música de José Afonso sobre poema de Reinaldo Ferreira [F.º])

quarta-feira, novembro 16, 2016

só uma música

Contrabaixista mítico e longevo, Ray Brown com Cedar Walton (piano) e Elvin Jones (bateria) fecham Something For Lester (1977) com um standard de Horace Silver, outro fora de série. Palavras para què? Três músicos combinam e solam com uma alegria que só o jazz tem.

50 discos: 20. SELLING ENGLAND BY THE POUND (1973) - #4 «More Fool Me»


estampa CCXXVI - Carlo Crivelli


Nossa Senhora e o Menino (c. 1480)
Victoria and Albert Museum, Londres

segunda-feira, novembro 14, 2016

que União?


O texto de Jorge Sampaio sobre a UE, publicado no Público de hoje é um grito lancinante sobre o estado moribundo daquela. Pese todo o voluntarismo optimista de puro bom senso que demonstra, a crua realidade duma União virada para os particularismos nacionais, que, receio bem, provocará a sua destruição Daí a "impotência decisória" de que fala Sampaio:


Se já era difícil a União Europeia ter uma política externa comum, no tempo em que tudo parecia um conto de fadas, hoje é impossível que tal aconteça, em face das divisões internas, e da assunção já clara dos interesses de cada país, tantas vezes não coincidentes e contraditórios.


Aa palavras não podiam ser mais sábias, porém, quando se humilhou desnecessariamente a Grécia e, em certa medida, também Portugal; quando se depara com a existência no seio da UE, de grupos como o de Visegrad, albergando governos incivilizados, como os da Hungria ou da Polónia, sem que sejam chamados à pedra, como é possível sequer falar de uma "identidade partilhada", quanto mais tentar  o seu fortalecimento? Que afinidades entre governos como o português, o grego ou o italiano e os congéneres racistas, xenófobos, quando não pró-fascistoides das hungrias e das polónias? -- só para falarmos nos casos extremos, e deixando de fora, por enquanto, finlândias e holandas...


O que se passa com a Rússia é demasiado mau para ser verdade, arrastando-nos para uma lógica confrontacional que nada tem que ver com os interesses europeus, e muito menos portugueses. Até porque a lógica do confronto, se pretende meter medo à Rússia só a vai acicatar, isolando-a dos parceiros ocidentais, com quem tem as maiores afinidades civilizacionais. Crer, como aparentemente sucedia com Clinton, que fazer peito a Putin seria aceitável do ponto de vista estratégico, é duma temeridade sem nome, para além de ter uma eficácia perto de zero. Os russos já fizeram questão de lembrar, ainda durante a campanha presidencial americana, que não recebem ordens do Estados Unidos -- aliás, uma boa indirecta para alguns governos europeus; e, por outro lado, quase dá vontade de rir, quando em face do desafio de alguns governos ocidentais, a Rússia se reúne em cimeira com a China e a Índia (o Brasil e a África do Sul, potências regionais, são dois penduricalhos para enfeitar). Espero que o negregado Trump entre rapidamente em distensão com Putin (e, já agora, que rasgue, mesmo que pelos maus motivos, o clandestino Tratado de Comércio Transatlântico, que os Estados Unidos andaram a preparar com os burocratas e homúnculos políticos europeus, nas costas dos cidadãos.

O texto do antigo PR, não é, de modo nenhum optimista. É um alerta importante, que corre o risco de chegar demasiado tarde (embora nunca seja tarde para o bom senso) -- a não ser que em postos-chave como a Alemanha, a França, a Itália (a Inglaterra já disse adeus, não é?...) e vários países de pequena ou média dimensão, como Portugal, repensem e reajam, como defende Sampaio, que, no entanto, acaba, a meu ver, por entrar em contradição, quando sustenta que, as "alteraç[ões] dos equilíbrios geopolítico-estratégicos exigir[ão] reflexão aprofundada do nosso lado, realinhamentos e reposicionamentos diplomáticos e de política externa que convém prepararmos atempadamente."

Sendo assim, que União?...

domingo, novembro 13, 2016

quinta-feira, novembro 10, 2016

criador & criatura


Roy Crane e Buz Sawyer


quarta-feira, novembro 09, 2016

50 discos: 43. POR ESTE RIO ACIMA (1982) - #4 «A guerra é a guerra»


aliviado, mas apreensivo

(continuação do post anterior)

A derrota de Hillary Clinton, uma falcoa despreparada e simplória (lembrar que apoiou a invasão criminosa do Iraque, ao contrário de Obama), deixa-me aliviado. A perigosíssima derrapagem da política externa americana em relação à Rússia (não sei o que pensar sobre Obama, a este propósito), pode ter sido travada. O resto é escuridão.

canções portuguesas #19: «Latin'América» (Jáfum'ega, 1982)



Música: Eugénio Barreiros; letra: Carlos Tê

eleições americanas: o boi e a tontinha (conjecturas)

Vou para a cama, com a sensação de que o boi do Trump ainda pode ganhar isto. Se fosse n-americano, talvez votasse num terceiro candidato, eventualmente Jill Stein; ou talvez em Hillary, aterrorizado. Mas como sou europeu, medomedo, tenho é desta tontinha, que parece querer afrontar a Rússia (com os europeus a fazerem o papel de idiotas úteis). O que será o neo-isolacionismo americano, pretensamente defendido por Trump, é para mim um mistério. E, se calhar, para ele também.

terça-feira, novembro 08, 2016

coisas que não me interessam nada

-- a Web Summit (decididamente, noutro mundo).

domingo, novembro 06, 2016

no LEFFest (2)

Sand Storm, de Elite Zexer (Israel, 2016). Uma troca ríspida de argumentos entre a actriz principal, a israelita-árabe Lamis Ammar (excelente) e uma espectadora israelita presumivelmente judia, evidencia como tudo o que sepassa naquela região do globo está inquinado pela questão israelo-palestina. E só lá muito no fundo é que se pode ir buscar este problema, num filme esplêndido, produzido e realizado em Israel, que trata da situação da mulher na sociedade patriarcal beduína. Foi uma outra cena pata mim, europeu do extremo ocidental, ver como a sensibilidade está à flor da pele.   

no LEFFest (1)

Vai ser um mau ano de festival, para mim, Pelas minhas contas, só poderei assistir a sete sessões, cerca de um terço do que é costume.
Mantenho-me fiel ao meu Estoril. Lisboa, para mim, é longe, e o CascaiShopping, com seu pipocar, não é opção. Se ainda fosse o Cinema da Villa, como sucedeu na primeira edição... Tenho pena que o Centro de Congressos já não seja utilizado, com condições ideais para o festival, malgrado o desconforto das cadeiras. O Casino, apesar dos esforços para manter aquilo aceitavelmente clean, desde que o Stanley Ho fez dele um casino à Macau, deixou-me de ser frequentável. Os moralistas hipócritas do Estado Novo, ao menos tinham o bom gosto de impedir que quem lá fosse ao cinema ou a uma exposição, topasse com criaturas de gosto duvidoso debruçadas sobre uma mesa de jogo ou se empoleiradas numa slot machine. Sempre apreciei o recato dos vícios privados, e não esta badalhoquice parola que vai das casas dos degredos ao facebook, passando pelas bancas de casino, Estas, em particular, irritam-me especialmente, talvez por não ser obrigado a frequentar as outras. Lá nisso, o velho Salazar, sacristão do caralho, obrigava o estabelecimento do Teodoro dos Santos a ter uns vidros foscos, para que os putos como eu, não fossem desviados -- embora soubesse muito bem que por detrás daquelas cortinas púdicas, havia as 'máquinas' (ouvia-lhes o barulho) e que no «Wonder Bar», ou lá o que era, havia umas miúdas que mostravam as maminhas -- ou seja, o Paraíso.
Bom, mas todos os anos é a mesma cena, e eu venho para aqui carpir e vociferar; mas vale bem a pena ir ao Casino para assistir aos filmes do LEFFest.
Estreio-me com Gato Preto, Gato Branco (1998), de Emir Kusturika, da retrospectiva que o festival lhe dedica. Dizer de EK que ele é o Fellini dos Balcãs, talvez seja demasiado fácil, para um tipo que tem Ivo Andrić como uma das suas principais referências, e pretende fazer a síntese de Bruce Lee e Ingmar Bergman (texto no catálogo, muito bom, mas falta-lhe o índice, caraças), Todo aquele nonsense, não é nada se pensarmos que o cineasta que se considerava a si próprio de nacionalidade iugoslava (nasceu em Sarajevo) assistiu impotente àquela farsa balcânica.


Seguiu-se um bitoque no «Jackpot», tenro e generosamente demolhado, servido por aquele pessoal atencioso e eficientíssimo. Com este calor de Novembro, não tive coragem de mandar vir a deliciosa sopa de feijão. Creio, mesmo, que, para além do cinema, a existência do Casino só interessa porque permite ao «Jackpot» continuar a funcionar bem, pois de lá virá uma boa parte da clientela.
Fecho o dia com um filme em competição, American Honey (2016), da inglesa Andrea Arnold. É um filme realista, retrato duma América feia e trashy, aquela que está a votar em Donald Trump, digo eu, que sou um bocado preconceituoso. Interessante, mas não me entusiasmou. Gostei da forma como a realizadora capta e valoriza Sasha Lane.
Amanhã haverá mais, se Deus quiser.

sábado, novembro 05, 2016

sexta-feira, novembro 04, 2016

Entre nós e as palavras, os emparedados / e entre nós e as palavras, o nosso dever de falar
Mário Cesariny

quinta-feira, novembro 03, 2016

terça-feira, novembro 01, 2016

só uma música

Em 1979 e 1980, tinha eu quinze-dezasseis anos, estava preparado para tudo o que a música me quisesse dar, Graças a amigos e colegas de escola mais velhos, crescera a ouvir o grande rock progressivo, e agora apanhava em cheio com a violência dos restos do punk. E passei a ouvir os dois, com o mesmíssimo interesse, sem esquecer os rythm & blues dos Dr. Feelgood, o hard rock dos AC/DC e dos Aerosmith e o que vinha ainda de trás, da década de sessenta. Era fervilhante.
Não me esqueço, por isso da sensação que foi ouvir estes descabelados pela primeira vez, a entoação sardónica do Fred Schneider, o cio estridente de Kate Pierson e Cindy Wilson. Acreditem, aquilo mexia com o puto que eu era. E este «52 Girls» era disso exemplo: uma porcaria de letra, a que não ligava nenhuma (defeito que me ficou), nem interessava para nada, diante daquela batida primária, riffs elementares e o ululante transgressivo de Kate e Cindy.


domingo, outubro 30, 2016

ainda a Valónia e o CETA

Cheira-me a capitulação, ou triunfo da barganha da politicalha. É miserável o que se cozinha nas costas dos cidadãos.
De qualquer modo ainda falta a ratificação de 26 (ou 27?) estados. Ainda vamos ouvir falar do CETA, o cavalo-de-tróia do TTIP.

sábado, outubro 29, 2016

sexta-feira, outubro 28, 2016

hoje de manhã, vi um herói

No caminho para Mossul, um sniper escocês, voluntário combatendo os detritos do Estado Islâmico ao lado das milícias curdas (outros heróis). Tiro certeiro e 100% de eficácia é o que lhe desejo.

canções portuguesas - #17 «Foi a trabalhar» (Sérgio Godinho, 1976)


Música e letra: S. G.

quinta-feira, outubro 27, 2016

Um Prémio para a dignidade do indivíduo


Muito bem dado, o Prémio Sahkharov para Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar, de iraquianas de religião iazidi, vítimas daqueles excrementos em forma humana do Estado Islâmico. O chamado Ocidente tem muitos crimes às costas e gentalha igualmente repugnante, com bons fatos e perfumes caros; mas distinções como esta ou o Nobel da Paz atribuído a Malala Yuzafai, são também sinais de civilização, que demonstram que há fronteiras cuja transposição nem sequer em hipótese podem ser ultrapassadas. 


quarta-feira, outubro 26, 2016

50 discos: 36. MAKING MOVIES (1980) - #4 «Expresso Love»


estampa CCXV - Mary Beale


Auto-retrato, c. 1675-1680
(paradeiro desconhecido)

terça-feira, outubro 25, 2016

segunda-feira, outubro 24, 2016

canções portuguesas - #16 «FMI» (José Mário Branco, 1981)



Música e letra: J.M.B.

Anarquia na Covilhã

Há dias, na Covilhã, descendo do Hotel para as magníficas instalações da Biblioteca da Universidade da Beira Interior, servida por uma equipa sensacional, deparo com esta frase, num muro velho: «Anarquia é ordem».
Para além de estar certíssima, a circunstância de eu a ler na Covilhã, o cenário urbano de A Lã e a Neve, uma das obras-primas de Ferreira de Castro, deu-me o necessário embalo para o colóquio desse dia sobre o romance, que, diga-se, foi um excelente colóquio.

domingo, outubro 23, 2016

só uma música

Música pra os Peanuts, só tem um nome: o de Vince Guaraldi. Here's To You, Cahrlie Brown: 50 Grat Years! (2000), de David Benoit é uma homenagem a Charles Schulz e às suas criaturas, e também a Guaraldi, que toca piano na primeira faixa. Escolho «Blue Charlie Brown», tema da autoria daquele, porque vislumbro os altos e baixo da (grande) personagem, e gosto particularmente da guitarra de Russell Malone e do diálogo estabelecido entre os vários instrumentos.

coisas que raramente me ocorrem

Marques Mendes.

aos domingos

sábado, outubro 22, 2016

Viva a Valónia!

O TTIP  e o nunca falado CETA, prevêem, entre outras coisas, que perante um conflito entre um estado e uma grande corporação, o mesmo seja dirimido por um tribunal arbitral. Isto é Portugal (ou a Bélgica, ou a Suécia...) em face de um conflito com qualquer companhia, estaria no mesmo plano que esta, sendo obrigado a aceitar o que essa companhia pretendesse impor, se o tribunal arbitral decidisse em favor da segunda. (Companhias que, como se sabe, têm a servi-las os grandes escritórios de advogados.)
Esta aberração é um atentado descarado à soberania dos estados e uma consequente secundarização dos povos aos interesses de particulares. 
O mainstream político europeu perdeu a vergonha, não hesitando em vender-se (e vender-nos).
O parlamento da Valónia, região francófona belga com dois milhões e meio de habitantes, está a impedir este crime.
(O link é espanhol, pois a miserável imprensa portuguesa, anda atrás do homicida de Aguiar da Beira e escalpeliza, disseca e refocila no Tondela-Sporting.)

Samuel Barber: Adagio for strings


(1910-1981)



Orquestra Sinfónica de Detroit / Leonard Slatkin

sexta-feira, outubro 21, 2016

Rússia, Síria, Iraque, Ucrânia, UE, Estados Unidos, Estado Islâmico: histórias da carochinha com gente dentro.

Donald Tusk -- um dirigente polaco aceitável, o que não é comum -- diz que A estratégia da Rússia é enfraquecer a UE. Como Tusk não é propriamente um político mentecapto -- embora eles andem aí -- esta declaração de absoluta fraqueza é mais um dos muitos exemplos de como a UE não precisa do contributo de nenhum inimigo externo para se enfraquecer.
Para começar, a UE está moribunda. A política agressiva da Alemanha debilitou-a drasticamente; e o Brexit foi o seu golpe de misericórdia. A partir de agora, ninguém acredita na União Europeia, infelizmente. O seu comportamento miserável em relação à Grécia, a tentativa de tutela sobre Portugal, a estranha tolerância em face do Grupo de Visegrad -- coio de países com governos fascizantes e malsãos --, torna evidente que a União Europeia escusa de procurar as culpas em Putin. A não ser que seja mais um frete à sempre inteligente política externa dos Estados Unidos, a que a Europa -- por vezes justificadamente, em especial no tempo da Guerra Fria -- nunca deixou de se prestar.
Vejamos: a Rússia é um país imperial; os Estados Unidos, idem; a Alemanha pretende voltar a sê-lo, acobertada convenientemente pelos outros países da União Europeia. Papel a que a Inglaterra não se quis prestar -- e bem, infelizmente para nós, países periféricos --; e  que a França pensa que pode driblar, com a manha do manhoso Hollande. É claro que não vai driblar nada, e que mais cedo ou mais tarde, irá bater com a porta: ou porque Hollande achará insustentável para a sua posição política; ou porque Le Pen tratará de fazer os estragos necessários. É uma questão de tempo, e vai acabar mal.
No meio disto tudo, uma propaganda agressiva contra a Rússia (Síria, Ucrânia) manejada pelos americanos e tendo como alvo as massas ignaras do facebook -- propaganda que faz muito lembrar a usada na fragmentação da Iugoslávia, fortemente induzida pelas Alemanha, Áustria e Vaticano.
A pressão sobre a Rússia não tem nada que ver com direitos humanos nem com as crianças de Alepo, para os quais as potências (ao contrários da sua opinião-pública) se estão nas tintas, mas sim -- como é óbvio e qualquer pessoas com um mínimo de conhecimento de geopolítica sabe, com os equilíbrios e áreas de influência.
O hagiógrafo de Salazar, Franco Nogueira, glosando ao invés o seu orago, dizia, e bem, que "em política internacional, o que parece não é". Portanto, bem podem acenar com as vítimas de Alepo, e com os misteriosos capacetes brancos e com todas as tragédias (veremos como será agora em Mossul), que a Rússia não vai largar os seus pontos estratégicos no Médio Oriente, incluindo a única base naval que tem no Mediterrâneo.
O resto, são histórias da carochinha, povoadas por punhados de bandidos e milhares de inocentes de carne e osso, que sofrem os embates da História -- como milhões de seres humanos antes deles.

Em tempo - por entre as cortinas de fumo, é impecável a posição do governo português, expressa por António Costa.

domingo, outubro 16, 2016

sábado, outubro 15, 2016

caderninho

O coração da arte é a técnica. Maria Filomena Molder

Sir John Barry, «I had a farm In Africa»


(1933-2011)




Film Symphony Orchestra / Constantino Martínez-Orts

quinta-feira, outubro 13, 2016

How does it feel?...

Depois do Prémio Nobel para Dylan, Chico Buarque e Sérgio Godinho já podem receber o Camões.


domingo, outubro 09, 2016

só uma música

A minha admiração por Kate Bush é ilimitada. Deste Aerial (2005), entre tantas composições preciosas, uma há que se me impõe irresistivelmente: «». , cujo refrão é :"3.1415926535 8979323846 264 338 3279", numa magnífica e envolvente dolcezza, de que só ela seria capaz.


SNOWDEN


O filme de Oliver Stone sobre o extraordinário Edward Snowden. Como cinema, interessa-me pouco; não assim enquanto obra política, que é sensacional.

sábado, outubro 08, 2016

quinta-feira, outubro 06, 2016

canções portuguesas- #13 «Emigração» (Adriano Correia de Oliveira, 1971)


música de José Niza sobre poema de Manuel Curros Enríquez

os abortos da extrema-direita polaca

A extrema-direita nauseabunda, racista e católica ultramontana, que pulula pela Europa central, pelas hungrias e pelas polónias, não conseguiu levar hoje a sua avante, O parlamento polaco chumbou uma proposta que criminalizava a prática do aborto em caso de violação e de malformação do feto.
Chumbou, porque o PiS, chegado ao poder, deve ter começado a fazer continhas, e chegou e concluiu que talvez não fosse boa ideia antagonizar as mulheres polacas, Corrompidos pelo poder, trocaram a sua beatice religiosa repugnante pelos interessezinhos eleitorais. É assim a direita, habitualmente.
É preciso ser-se muito infecto, muito bandalho, muito filho-da-puta, muito eunuco, para ousar o atrevimento de penalizar uma mulher que abortou por ter sido violada. Que ralé e que escumalha.

50 discos: 25. MEUS CAROS AMIGOS (1976) - #4 «Você Vai Me Seguir»


quarta-feira, outubro 05, 2016

50 poemas do desejo

Edvard Munch, A Madonna

a vantagem imediata da eleição de Guterres já se fez sentir nos me(r)dia

Teria sido um sábado informativo com directos das exéquias do pobre Mário Wilson -- a quem o meu benfiquismo rende homenagem --, da casa mortuária, do cemitério, com convidados em estúdio para escalpelizar, dissecar, já que não era possível viviseccionar o percurso desse homem simples e com valor, que a bitola rasa dos me(r)dia quis vender como vulto.. Pelo meio, uns parcos apontamentos do 5 de Outubro. A vitória de Guterres veio salvar-nos dessa enxúndia pseudoinformativa.

Guterres!, Guterres! (Gondòmar.... Gondòmar...)

António Guterres, Alto-Comissário da ONU para os Reefugiados
caricatura de Acácio Simões
Extraordinária vitória pessoal de António Guterres (o mérito é essencialmente seu), da diplomacia portuguesa, liderada por Santos Silva e também de Marcelo.
Desejo que não tenha sido escolhido também pelas más razões, a de alguém pantanosamente dialogante, que não levanta grandes ondas. O Mundo não está para isso. No entanto, confio na sua inteligência e culura. Por outro lado, ele foi uma das caras em defesa dos refugiados. A sua eleição é, também por isso, interessante.
Quanto a Kristalina Georgieva, esperam-na trinta dias de férias. Que as goze bem, e mande bilhetes-postais a Junker e a Merkel.

terça-feira, outubro 04, 2016

Isaac Albéniz: Concerto Fantástico - I. Allegro ma non troppo


(1860-1909)



Andrey Reznik Conrad, piano
Orquestra Filarmónica Estatal de Carcóvia / / Yuri Yanko

segunda-feira, outubro 03, 2016

50 discos: 11 . CHEAP THRILLS (1968) - #4 «Piece Of My Heart»



microleituras


Jogos de humor, de palavras e ideias, de onde não está ausente, em certos poemas, uma intenção didáctica.
Luísa Ducla Soares, Arca de Noé (1999).

sábado, outubro 01, 2016