domingo, agosto 16, 2026

o que a Frederiksen deveria ter dito ao lado da Meloni

 A propósito da rebaldaria de Ceuta, com evidente intervenção da CIA -- só um anjinho não o vê --, não sei se em joint venture  com a Mossad e a cumplicidade vergonhosa do próprio Marrocos em dia de aniversário de entronização de Mohamed VI, que deveria pintar a cara de preto, por monarca de um reino de onde os súbditos querem fugir --, a propósito de tal acontecimento vieram a católica nacionalista Meloni e a social-democrata Frederiksen falar daquilo que as preocupa, a imigração.

Não serei eu quem dirá que a imigração, de que tanto gosto -- mas dum gostar diferente do dos hoteleiros, empreiteiros e agricultores --, não acarreta problemas para os quais o país não está(va) preparado. Mas sem nunca fazer o jogo do Tullius Detritus.

Dizem as senhoras que são orgulhosas das raízes cristãs da Europa; pois eu também! Portugal fez-se com as milícias dos reis e com a Igreja. Mas também me orgulho muitíssimo da herança muçulmana, como deve suceder com todo o português patriota.

Vivo em Cascais, um concelho cheio de topónimos árabes, o mais importante dos quais será Alcabideche (onde nasceram os meus dois netos), terra natal do grande poeta árabe do Século XI Ibn Muqana, concretamente,  Abu Zayd'Abd ar-Rahmãn ibn Muqana al-Qabdaqui al-Lishbuni. Gosto tanto dos poetas, como das palavras e dos moinhos (e dos cavalos, e um longo etecetera...) nos deixaram. Dois dos livros da minha vida são os quatro volumes do Portugal na Espanha-Árabe, do transmontano António Borges Coelho e O Meu Coração É Árabe, antologia de poetas árabes nascidos no território que veio a ser Portugal, do lisboeta Adalberto Alves.

Como, de resto, tenho muito orgulho na nossa herança judaica, considerando que a expulsão e conversão forçada dos judeus no final do Século XV foi não só o maior crime que Portugal cometeu, como foi catastrófico para o país em todos os sentidos. E, já agora, também da céltica, da romana, da sueva e da visigótica. Sem esquecer que uma das palavras preferidas da minha língua é gajo, de origem cigana, como se sabe.

Não quer com isto dizer que seja tolerante para com a religião deles (muçulmanos), como não sou para com a nossa (cristãos), quando começam a exorbitar. A religião é da esfera íntima, pessoal e familiar, mais do que isso só deve ser tolerada pelo estado laico, ou por razões identitárias ou de Estado, como sucede, e bem, com a Igreja Católica.

Que Meloni se ufane da herança cristã da Europa, está no seu direito; tal como Frederiksen, que, no entanto, proclamando-se socialista não junte a estas formulações pias o orgulho na herança iluminista, que nos deu a fórmula que mantém toda a razão de ser, enquanto houver ser humano sobre a terra -- e que absolutamente nada substitui, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, isso é que foi pena; e nós não o devemos deixar esquecer: a Razão antes de tudo e em política geral; fantasias celestiais & outras, é com cada um, desde que não nos chateiem.

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