(Eugénio de Andrade a Jorge de Sena) «Porto, 30 de Maio de 1955 // Meu querido Jorge: se o Proust não tivesse dito ao Gide palavras semelhantes, eu dir-lhe-ia: valeu a pena ter perdido o prémio só pelo prazer de ter recebido a sua bela carta.» .../... Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena (3)
(Afonso de Barros a João de Barros) «Figueira, 26-6º-1926 // Meu querido João // Obrigado pela tua pronta resposta à minha precedente carta, e oxalá que o teu optimismo se realize, mas as prisões já começaram!... Cautela meu João! / E conta sempre comigo para tudo (que não poderá ser muito) que eu possa fazer. / Beija os meus queridos netos e querida Raquel, e a ti, beijo-te // e abraço-te de todo o meu coração / Afonso // Faz favor de dar à irrequieta Teresa o papelinho junto e ela que entregue ao [...?]» Cartas a João de Barros (2)
(Raul Brandão a Teixeira de Pascoais) «Meu Exm.º Amigo // Li ontem dum fôlego o Verbo Escuro. Eu gosto imenso de livros assim, mas o seu, tão profundo e tão belo, há-de ser compreendido por poucos leitores. É o livro dum grande poeta e dum filósofo. / Felicito-o e abraço-o. Creia-me sempre / De V. Ex.ª/ad.or e a.º agr.º / Raul Brandão // Alto / 27 Março / 1914» Correspondência (1)
(1) Raul Brandão - Teixeira de Pascoaes, Correspondência (ed. António Mateus Vilhena e Margarida Marques Mano, 1994.
(2) Cartas a João de Barros (ed. Manuela de Azevedo) s.d.
(3) Cartas de Eugénio de Andrade a Jorge de Sena (ed. António Oliveira, 2015)
2 comentários:
3 de Maio de 1876
Meu caro visconde
Já me vou levantando da cama com uma perna no ar. Plasticamente estou bastante ridículo. Não te invejo as alegrias tolas da tua Lisboa. Quando o D. Luís e o D. Pedro 5.° estiveram em Londres, creio que apenas o soube o corpo diplomático. O governo britânico não gastou uma dúzia de foguetes de 4 estalos. Somos asnos e abjectos.
Um destes dias, vou para Braga, 2.ª Paris. Estou à espera do sol. O Jorge sai de noite a conversar com os rouxinóis mediante uma flauta. Recolhe às 3 da manhã. Está doido. O Nuno inventa processos para que os grilos hajam prole das grilas. É o Sousa Casacão destes conúbios. O Plácido anda a seduzir as Maritornes do concelho, e tenciona implantar a Gomorra nesta arcádia de povos cândidos; parece-me porém que o rapaz já se galicou no seio destas inocentes. Eu, atascado nesta lama, ponho as mãos, atiro ao azul um olhar suplicante, e rezo os salmos penitenciais.
Ama o teu velho amigo
Camilo C. Br.
"Camilo Íntimo-Cartas inéditas de Camilo Castelo Branco ao visconde de Ouguela" - Clube do Autor, SA (2012)
Extraordinário.
Enviar um comentário