Crepúsculo dos Ídolos (tradução de Artur Morão)
domingo, dezembro 14, 2008
caracteres móveis - Lev Tólstoi
Cada vez menos se pode dizer que a maioria das pessoas não tem gosto para apreciar as grandes obras de arte. A maioria sempre compreendeu e ainda compreende o que também nós reconhecemos ser a melhor arte: a épica do Génesis, as parábolas dos Evangelhos, contos tradicionais, histórias de fadas e canções folclóricas, são entendidos por todos. Como é possível que a maioria tenha perdido subitamente a sua capacidade de perceber o que é elevado na nossa arte?

O que É a Arte?
(a partir da tradução de A. Maude)
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Antologia Improvável #343 - Cecília Meireles
GLORIFICAÇÃO DE ESTÁCIO DE SAA
Gloriosa é a sorte
de quem morre jovem:
gloriosa é a morte,
antes que as desordens
da velhice o prostrem.
Gloriosa é a sorte
de quem morre jovem,
antes que o derrotem
(nem sempre o mais forte...)
Quando as setas chovem,
quando os homens correm,
quando as forças fogem,
gloriosa é a morte,
gloriosa é a sorte
dos heróis que a provem.
Gloriosa é a morte
de quem morre jovem.

Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam
Gloriosa é a sorte
de quem morre jovem:
gloriosa é a morte,
antes que as desordens
da velhice o prostrem.
Gloriosa é a sorte
de quem morre jovem,
antes que o derrotem
(nem sempre o mais forte...)
Quando as setas chovem,
quando os homens correm,
quando as forças fogem,
gloriosa é a morte,
gloriosa é a sorte
dos heróis que a provem.
Gloriosa é a morte
de quem morre jovem.

Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam
quarta-feira, dezembro 10, 2008
caderninho

Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve. Portanto não te comovas muito, mesmo que ele se queixe. Porque abaixo dessa lamentação está o vazio infinito da infinita desistência ou desinteresse onde a palavra já não chega. Quando o que escreve aí desce, a morte tem a sua possibilidade. Porque deixa de ter significação. Vergílio Ferreira
Escrever (edição de Hélder Godinho)
terça-feira, dezembro 09, 2008
Figuras de estilo - Rebelo da Silva
À noite era um prazer e um exemplo observá-lo sentado na imensa poltrona de couro, com a ama à direita e o cão sonolento à esquerda, a velha cabeceando de roca à cinta e engrolando Padres-Nossos, o animal piscando os olhos com uma orelha fita e outra derrubada. Dos dois companheiros do serão o mais atento e sisudo era decerto o cão! Medindo sempre o dono com a vista, o mastim nunca perdia ocasião de lhe coçar o focinho pelo joelho, quando supunha o ensejo favorável. O bufete de pau santo e pés torneados, o candeeiro de latão e a anarquia dos papéis completavam o pitoresco painel do lar doméstico. Passada uma hora, o único que não dormia era o Vigário; a sua pena continuava a ranger sobre o papel, ao som dos roncos assobiados da tia Brízida.

Introdução a Contos e Lendas
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Antologia Improvável #342 - Sacramento Monteiro
SÓROR MARIANA
Sóror Mariana Alcoforado vela,
-- Pendida a fronte sobre um pergaminho;
A pena vai correndo o seu caminho,
E o pranto corre sobre a face dela...
Suspende a mão! -- O seu olhar é fogo!...
E rasga a carta!... rasga... treme... odeia...!
Luta numa babel! -- O peito anseia...
...O pranto desce... cessa... -- e volta logo...
Fatigada por ter chorado tanto,
Adormece na mágoa, que a embala...
E no sonho o seu ódio é quem fala!
É madrugada. -- Acorda. -- Cessa o pranto.
Desce da Cruz da sua imensa Dor,
E a nova carta reza: «Meu Amor...»
Carnaval dos Meus Sentidos
Sóror Mariana Alcoforado vela,
-- Pendida a fronte sobre um pergaminho;
A pena vai correndo o seu caminho,
E o pranto corre sobre a face dela...
Suspende a mão! -- O seu olhar é fogo!...
E rasga a carta!... rasga... treme... odeia...!
Luta numa babel! -- O peito anseia...
...O pranto desce... cessa... -- e volta logo...
Fatigada por ter chorado tanto,
Adormece na mágoa, que a embala...
E no sonho o seu ódio é quem fala!
É madrugada. -- Acorda. -- Cessa o pranto.
Desce da Cruz da sua imensa Dor,
E a nova carta reza: «Meu Amor...»
Carnaval dos Meus Sentidos
domingo, dezembro 07, 2008
O meu Estoril Film Festival (último dia)
Terminei esta segunda edição com a produção sueca De Ofrivilliga (título inglês: Involuntary), de Ruben Ostlund, Prémio da Câmara Municipal de Cascais -- um curioso exercício sobre o mal-estar. Mal-estar originado por vários factores, numa série de episódios paralelos: da ausência do sentidos das conveniências a um rigorismo ético e moral (ou a falta dele), que instila a incomidade a quem os sofre e também a quem os exerce
Também de mal-estar trata o último filme de Jonatham Demme, Rachel Getting Married (fora de competição). Kym (Anne Hathaway) tem uma saída precária do centro de desintoxicação para assistir ao casamento da sua irmã Rachel (Rosemarie Dewitt). Kym é uma daquelas ovelhas negras da família, que só faz porcaria mesmo quando as intenções são boas; um desafio permanente à paciência e aos bons sentimentos dos restantes famíliares, que intimamente gostariam (alguns deles, pelo menos) que ela desamparasse a loja de vez e deixasse de chatear. A actrizes estão fantásticas; e o mesmo se diga de Debra Winger (que gostei de rever) e Bill Irwin (os pais).
Fim do meu Estoril Film Festival 08. Para o ano há mais.
Fim do meu Estoril Film Festival 08. Para o ano há mais.
sábado, dezembro 06, 2008
O Vale do Riff - especial Led Zeppelin
quinta-feira, dezembro 04, 2008
O meu Estoril Film Festival (dia 8)
Secretos, de Valeria Sarmiento (Chile, fora de competição). Comédia de enganos. Quando a atmosfera se desanuvia no Chile, e se volta a respirar, vêm também ao de cima as mistificações que fizeram parte da estratégia de sobrevivência, chegados ao fim os vários exílios . Casamentos de fachada, filiações fictícias, relações que se reatam ou terminam em dissolução, agora que se encerram os parênteses abertos naqueles anos de brasa e chumbo. Tudo em tom aparentemente ligeiro e cinismo q.b.
The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow (EUA, fora de competição). É já um dos grandes filme sobre a Guerra do Iraque. O que é ter como missão desactivar cargas explosivas capazes de matar num raio de centenas de metros? E gostar dela, da missão, oferecer-se como voluntário para ela, chegar não poder viver sem ela? Entre o medo e a insânia. (Perdão pelo italiano).
O Vale do Riff - Especial Led Zeppelin
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