Malik, Terence e Archie Cash
terça-feira, fevereiro 18, 2020
domingo, fevereiro 16, 2020
sábado, fevereiro 15, 2020
na estante definitiva
«Bendito Aquele que tem o reino dos céus e da Terra, que comanda a imensidão do Espaço, que conhece o Tempo…» Alcorão, XLIII, 85 -- epígrafe de O Meu Coração É Árabe. Apesar de confundir-se, erradamente, árabe e muçulmano, não há dúvida que foi no mundo árabe que surgiu a religião de que Maomé se fez profeta. Enquanto leitor, neste caso, de uma antologia poética, direcciono o meu entendimento do Divino, aqui saudado através do livro sagrado do Islão para o Verbo -- o Verbo que abarca tudo; tempo e espaço, a matéria e o intangível. O verbo manejado pelo profeta, pelo poeta.
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.
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sexta-feira, fevereiro 14, 2020
quinta-feira, fevereiro 13, 2020
referendar a liberdade individual
Referendar direitos individuais é uma aberração. Por isso fui contra o referendo sobre a despenalização do aborto, independentemente da minha posição que era, e é, restritiva.
O que mais me horroriza é a falta de honestidade intelectual e a pulhice dos que pretendem impor a terceiros as suas convicções religiosas, para mim fantasmagorias sem sentido.
Entendo que, por razões éticas, embora questionáveis, alguém possa apresentar-se contra a despenalização da eutanásia. Entendo e respeito a posição do PCP, embora discorde dela, pondo-se do lado dos mais fracos, vítimas potenciais de um descarrilar do processo. Percebo perfeitamente, mas não aceito, que em nome de preocupações legítimas, que têm que ver com a qualidade das leis e o funcionamento do Estado, se possa restringir a liberdade individual de cada um poder dispor da sua vida, não como bem entende, ainda não chegámos aí, mas em situações de grande sofrimento.
Agora o que não suporto é que as religiões se atrevam a condicionar pessoas como eu. Respeitando a liberdade de cada um de praticar a sua fé, não admito que em nome de parvoíces com que pastoreiam o rebanho, me venham impor as crendices com que se entretêm. E, portanto, tem de dizer-se que um sector liderado pela Igreja Católica que se apresenta contra a despenalização da eutanásia mais não quer que impor, ilegitimamente e com desonestidade intelectual, as convicções religiosas que livremente professam, procurando restringir a liberdade dos outros, recorrendo a argumentos ad terrorem e a toda a sorte de jogo sujo em que são useiros e vezeiros.
«Parasitas»
quarta-feira, fevereiro 12, 2020
JornaL
Coronelismo. O governador do estado brasileiro da Rondônia proibiu nas escolas livros de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Mário de Andrade e outros. Chama-se a isto extrema-direita cavalar.
Eutanásia, assunto em que a Igreja detém a maior expertise, ou não registasse no seu cadastro uma prática recorrente, tantas foram as almas perdidas a agonizar nas fogueiras da Inquisição -- sem esquecer os nímios cuidados paliativos aplicados nos cárceres da santa instituição. Ando a ficar um bocado farto destes gajos.
Farto. Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils, numa entrevista ao JL de hoje expressa a convicção no poder da arte em influenciar e alertar para a necessidade de transformação social. Sempre foi essa a arte que mais me interessou, talvez por ser um tipo muito concreto, como certa vez disse pessoa amiga; sempre tive pouca paciência para os orgasmos solitários e menos ainda para o tricot. Ou seja: entre Cesário Verde e António Nobre, gostando de ambos, preferirei sempre o Cesário.
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terça-feira, fevereiro 11, 2020
segunda-feira, fevereiro 10, 2020
na estante definitiva
Cacau, de Jorge Amado (1912-2001) não é certamente um dos melhores dos seus livros (para mim, Mar Morto, Gabriela, Cravo e Canela e Tenda dos Milagres, entre outros).
Por que o ponho então na minha estante definitiva? Porque, tratando-se da segunda narrativa do jovem autor (vinte e um anos), depois da surpresa inicial de O País do Carnaval (1931), que é outra coisa, o romancista viril de putas e vagabundos, como o próprio se caracterizava, está todo aqui em potência.
Claro que as chamadas putas e os alegados vagabundos são os descamisados, os outlaws, os negros, descendentes e ex-escravos, e o gosto indeclinável pela beleza feminina, coisas que incomodam os nefelibatas.
Em nota prévia, o alerta semelhante que já Ferreira de Castro (que ele lera) fizera em Emigrantes (1928) e Alves Redol faria em Gaibéus (1939): «Tentei contar neste livro, com um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia. / Será um romance proletário?»
da posse: Janeiro de 2003.
Jorge Amado, Cacau [1933], Lisboa, Planeta DeAgostini, s.d.
ilustrações: Santa Rosa
Jorge Amado, Cacau [1933], Lisboa, Planeta DeAgostini, s.d.
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domingo, fevereiro 09, 2020
sábado, fevereiro 08, 2020
quinta-feira, fevereiro 06, 2020
na estante definitiva
Há quem diga Jaime Cortesão (1884-1960) o maior historiador português do século XX, avaliação sempre difícil de fazer-se, o maior romancista, o maior pintor, o maior compositor... No caso de Cortesão, ele encontra-se sem dificuldade nos cinco dedos de uma mão.
Este livro documenta a curta passagem do historiador pelo seu país, na cadeia, entre dois exílios. É que também enquanto personagem, foi igualmente marcante no seu tempo.
Uma breve nota para dizer que Alberto Pedroso salvou estas cartas da venda a peso como lixo, tal o destino que teve a papelada da Seara Nova pertencente a Câmara Reys (1885-1961), de que foi fundador e director até morrer.
A epígrafe é um excerto extraordinário de uma carta dirigida a Raul Proença, também do Forte de Peniche, em 14 de Julho de 1940: «... Quero sem tardar, tranquilizá-lo sobre as minhas convicções políticas de hoje. Continuam a ser integralmente as mesmas, que estabeleceram entre nós uma tão estreita solidariedade moral e intelectual. Tranquilize-se. Cada vez sinto mais que em afirmar a minha fé antiga está o meu dever de homem e de escritor…»
Há homens que têm fibra; e há outros que não. E torna-se necessário dizer que esta fé antiga foi Cortesão bebê-la ao ideário anarquista de Proudhon e outros, tal como sucedeu com Antero, Eça, Raul Brandão e Ferreira de Castro, para citar alguns.
Da posse: Janeiro de 1993.
Jaime Cortesão, 13 Cartas do Cativeiro e do Exílio (1940), recolha, introdução e notas de Alberto Pedroso, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1987, 107 págs. Capa: José Maria Saldanha da Gama.
Este livro documenta a curta passagem do historiador pelo seu país, na cadeia, entre dois exílios. É que também enquanto personagem, foi igualmente marcante no seu tempo.
Uma breve nota para dizer que Alberto Pedroso salvou estas cartas da venda a peso como lixo, tal o destino que teve a papelada da Seara Nova pertencente a Câmara Reys (1885-1961), de que foi fundador e director até morrer.
A epígrafe é um excerto extraordinário de uma carta dirigida a Raul Proença, também do Forte de Peniche, em 14 de Julho de 1940: «... Quero sem tardar, tranquilizá-lo sobre as minhas convicções políticas de hoje. Continuam a ser integralmente as mesmas, que estabeleceram entre nós uma tão estreita solidariedade moral e intelectual. Tranquilize-se. Cada vez sinto mais que em afirmar a minha fé antiga está o meu dever de homem e de escritor…»
Há homens que têm fibra; e há outros que não. E torna-se necessário dizer que esta fé antiga foi Cortesão bebê-la ao ideário anarquista de Proudhon e outros, tal como sucedeu com Antero, Eça, Raul Brandão e Ferreira de Castro, para citar alguns.
Da posse: Janeiro de 1993.
Jaime Cortesão, 13 Cartas do Cativeiro e do Exílio (1940), recolha, introdução e notas de Alberto Pedroso, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1987, 107 págs. Capa: José Maria Saldanha da Gama.
quarta-feira, fevereiro 05, 2020
terça-feira, fevereiro 04, 2020
só uma frase de George Steiner
Dos seus livros, apenas li o fulgurante No Castelo do Barba Azul, de 1971, e A Ideia de Europa (2004). Tiro do primeiro esta frase que utilizei como epígrafe num artigo de 2002, e que estou neste preciso momento a rever: «A imensa maioria das biografias humanas são uma transição baça entre o espasmo familiar e o esquecimento.»
segunda-feira, fevereiro 03, 2020
sábado, fevereiro 01, 2020
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